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  • Foto do escritorVinicius Oliveira

Crítica | A Escola do Bem e Mal

Uma fantasia genérica de mensagem confusa que já nasceu datada.

Divulgação: Netflix


Se fosse lançado há 10 anos, The School For Good and Evil talvez desfrutasse de um maior prestígio, em meio à proliferação de filmes genéricos inspirados em Harry Potter e obras do Disney Channel como Descendants. Saindo agora, não apenas parece um filme bastante atrasado e perdido no tempo, como não traz consigo nenhum diferencial ao soar apenas como um apanhado de conceitos e chavões da fantasia, o que é piorado por uma dependência excessiva no CGI que torna a história (ainda mais) artificial e a tentativa de elaborar uma mensagem não tão maniqueísta que, no entanto, nunca é reforçada pelo restante da obra.


Após um breve prólogo que nos apresenta aos irmãos gêmeos Rhian e Rafal (Kit Young), fundadores da escola do título, adentramos a história principal, narrada por ninguém menos que Cate Blanchett de maneira a se assemelhar aos contos de fada que constantemente cita (embora depois de um tempo a narração seja deixada de lado, mesmo quando recebe um tratamento metalinguístico). As protagonistas, Sophie (Sophia Anna Caruso) e Agatha (Sofia Wylie), são melhores amigas desde a infância em um pequeno vilarejo e, embora muito diferentes – Sophie ama contos de fadas e almeja ser uma princesa, enquanto Agatha é destratada como uma bruxa –, se apoiam. Porém, a despeito de suas personalidades e aparências, ambas são conduzidas à Escola, que treina em sua parte do Bem os mocinhos e na do Mal os vilões. Enquanto Sophie é colocada junto com os vilões, Agatha é posta junto aos mocinhos, e ambas tentam a todo custo mostrar que tiveram seus lugares trocados, ainda que as evidências mostrem o contrário.


Na superfície, tem-se uma premissa que poderia ensinar bastante sobre preconceito e como as aparências enganam, além de tentar desfazer a dualidade Bem/Mal que molda a escola, seus professores e alunos. A direção de arte e o figurino certamente fazem seu trabalho nesse aspecto: se o lado do Bem parece diretamente saído de Bridgerton com seus vestidos coloridos, espaços pomposos e fadas, o do Mal soa uma versão (ainda mais) sombria de Hogwarts, onde lobos maus fazem o papel de guardas e todos precisam usar preto e possuir habilidades sombrias.


Porém, a história nunca consegue avançar para além disso: não fosse pela insistência de Agatha em questionar que tipo de Bem é esse que vemos (e de fato, é um Bem tão fútil e vaidoso que nem uma reviravolta no último ato resolve o problema), tudo que teríamos é uma narrativa que apenas reproduz um maniqueísmo bobo. Ao menos, a personagem ganha uma certa latitude através da performance de Sofia Lyle, que talvez seja o grande destaque do elenco à medida em que vemos alguma evolução na sua trajetória. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de Caruso, que entrega em Sophie uma personagem inconsistente, irritante e com a qual sequer nos envolvemos, já que é difícil gostar dela desde o começo, quando é apenas uma garota boba querendo ser uma princesa, e isso se torna quase impossível ao final do seu arco dolorosamente previsível. Parece que apenas as duas protagonistas não sabem o que todo o restante do elenco e nós, espectadores, já sabemos sobre para onde suas trajetórias na Escola as levarão. O pior de tudo é ver que o roteiro se acovarda em abraçar por completo a ideia de Sophie como uma antagonista, introduzindo um elemento diretamente ligado ao prólogo para “justificar” a maldade em suas ações – e que, vejam só, continua a reproduzir uma noção maniqueísta das coisas.


Não ajuda que o elenco adulto, mesmo carregado de estrelas, é tristemente subaproveitado. Kerry Washington exagera na caricatura, enquanto Charlize Theron não faz feio, mas também não se destaca; e nem vou falar de Michelle Yeoh e Lawrence Fishburne, que são reduzidos a participações de luxo. É nítido aqui que o diretor Paul Feig (conhecido por comédias como Missão Madrinha de Casamento e a versão feminina de Ghostbusters) não está confortável em dirigir um longa tão fora da sua zona de conforto, entregando sequências que se apoiam demais no CGI para criar uma tentativa de espetáculo visual que acaba soando vazio, além de um roteiro que sequer esconde o sem-número de referências. Pior são as insistências em uma tentativa “vã” de modernizar os contos de fada que acabam sendo deixadas de lado conforme o longa avança, incorrendo ainda em anacronismos dispensáveis como os hits de música pop na trilha sonora que destoam completamente da trilha sonora de Theodore Shapiro – o uso de You Should See Me In a Crown de Billie Eilish no momento da “grande virada” de Sophie coroa (sem trocadilhos) o ridículo da cena em si.


Infelizmente, qualquer mínima tentativa de trazer algo refrescante a um gênero que parece tão saturado é soterrada em poucos minutos, conforme a narrativa de The School For The Good and Evil vai se tornando mais e mais genérica e previsível. Ao fim, o longa soa como um amontoado de partes que remetem a diversas outras obras que já vimos antes, e não se iguala a nenhuma delas.


Nota: 2/5

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