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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | My Memory is Full of Ghosts

Resultado é pungente e bem apresentado apesar de distanciamento não intencional

Foto: Divulgação


Como uma elegia visual, My Memory Is Full of Ghosts explora uma realidade presa entre passado, presente e futuro em Homs, na Síria. Por trás do autorretrato de uma população exsanguinada em busca da normalidade emergem memórias da cidade, assombrada pela destruição, desfiguração e perda. Um filme profundamente comovente, um eco doloroso do absurdo da guerra e da força do ser humano.


O documentário do diretor Anas Zawahri funciona como um diário coletivo de vozes que parecem ecoar pelas estruturas de Homs. Semelhante também a um álbum de fotografias, as imagens capturadas com uma câmera estabilizada e contemplativa vão ilustrando e compondo um quebra-cabeças que já não se pode completar.


Essa contemplação é executada com rigor quase científico desse organismo que segue vivo apesar de todo aniquilamento da guerra. E o diretor não só não apenas olha, mas percebe a cidade, seus sons (naturais e mecânicos), suas construções, suas ruínas, a identidade que também é sua. Zawahri expõe que Homs ainda resiste, e que o apego de seus habitantes segue o mesmo que os vínculos de qualquer habitante bairrista de outras cidades mundo à fora, apesar dos sentimentos conflitantes e da vontade de fazer acontecer uma vida harmoniosa num “pós”-guerra incerto.


No entanto a câmera sempre parada acaba as vezes por apresentar um distanciamento não intencional. Apesar dos depoimentos intimistas parece haver uma falta de envolvimento, de sensação de pertencimento que não consegue integrar imagens e vozes em um panorama geral. Ambos os artifícios funcionam bem como trechos, mas no coletivo elaborou-se um patchwork que hora trabalha positivamente, hora destoa.


O passeio dos 5 minutos finais sim opera bem e liga os pontos apresentados durante todo o filme, além de conseguir dimensionar o rastro da destruição. A produção obtém um resultado incisivo que, não fosse pelo motivos já citados, merece destaque só por não querer chocar com violência e pavor alheios explícitos.


Nota: 3/5

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