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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Nosso Lar 2: Os Mensageiros

Filme derrapa nas escolhas narrativas para passar sua mensagem

Foto: Divulgação


Nesta quinta-feira, 25, o longa brasileiro Nosso Lar 2: Os Mensageiros chega aos cinemas de todo o país. Sendo uma sequência direta do filme lançado em 2010, as histórias de ambos são baseadas nos escritos de Chico Xavier, ditados pelo espírito de André Luiz que contam justamente a história do mesmo após a sua morte. Nessa continuação, vemos André Luiz entrar para um grupo de espíritos liderado por Ancieto com a missão de ser um mensageiro.


Os mensageiros partem para a Terra para acompanhar uma missão que possui um alto risco de fracassar e onde o seu principal propósito é ligar o mundo espiritual e a Terra com a expansão da doutrina espírita pelo planeta. Juntos, o grupo se dedica a cuidar de três pessoas que fazem parte dessa missão, sem saber que são os escolhidos para tal. Otávio, um jovem médium que se desvirtuou totalmente do seu caminho, Isidoro, um líder de casa espírita e Fernando, um empresário.


Dirigido por Wagner de Assis, que comandou a produção de 2010 e outras do subgênero espírita, como Kardec e Chico para Sempre, Nosso Lar 2: Os Mensageiros tenta repetir o sucesso de catorze anos atrás quando alcançou a quinta posição na lista de maiores bilheterias nacionais do ano e levou mais de quatro milhões de telespectadores para os cinemas. Porém, é claro, o Brasil passou por mudanças significativas nesse período e viveu um declínio, não só da popularidade da doutrina, mas também das produções dentro dessa temática. Desde novelas globais até aos filmes que chegam aos cinemas, o espiritismo perdeu espaço e viu crescer a presença da representação evangélica nas telas.

Foto: Divulgação


Mas, dentro de um cenário promissor de produções audiovisuais brasileiras, o longa tenta retomar o público que outrora já foi conquistado pelo seu filme anterior e por produções de folhetins como A Viagem e Além do Tempo. E se o primeiro filme buscava explicar a vida após a morte, e como as escolhas de cada um podem levar ao umbral ou à evolução numa cidade espiritual. Nosso Lar 2: Os Mensageiros trata do livre arbítrio pelo bem coletivo, onde os mensageiros precisam resgatar três emissários que, encarnados e perdidos nas limitações terrenas, não conseguem finalizar a missão proposta.


Assim como o primeiro filme, tecnicamente falando, o CGI não é o seu maior ponto forte, e, nessa sequência a finalização das cenas que utilizam efeitos especiais é visivelmente bem ruim. Não sei se a minha percepção ficou diferente ou se realmente os efeitos do primeiro filme eram melhores, mas, Nosso Lar 2: Os Mensageiros sofre bastante com uma visualidade bem precária em efeitos técnicos. Já pensando na parte do roteiro, o filme tem um texto um pouco menos rebuscado e menos robótico que o primeiro Nosso Lar, mas esta sequência tem um grande problema causada pela falta de linearidade na obra, deixando-o confuso em alguns momentos, atrapalhando o entendimento da mensagem do filme de uma forma geral.


Outro ponto que pode ser crucial na aceitação do longa perante o público é que ele passa a impressão de ter sido produzido apenas para a bolha que consome ou que conhece a doutrina espírita. Muitos dos preceitos citados no filme não são explicados de forma clara, algo que para quem não é familiarizado com o espiritismo pode ser um fator definitivo na hora de absorver o que de fato a projeção pretende passar. Mas, de forma geral, Nosso Lar 2: Os Mensageiros possui um elenco muito competente que funciona bem em conjunto, deixando a obra mais rebuscada. Sua história não-linear, mesmo que não tão bem executada, também ajuda a prender o telespectador até o fim.


Nosso Lar 2: Os Mensageiros não é tão bom quanto o seu predecessor ou melhor que alguns outros filmes brasileiros do gênero, mas, tem tudo para agradar aqueles já familiarizados com histórias baseadas no espiritismo. E é sempre bom ver longas brasileiros ocupando as telas.


Nota: 2,5/5

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