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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Silêncio (Minissérie)

Mesmo com elenco esforçado o roteiro sai do nada e vai para lugar nenhum de forma quase vexatória.


Foto: Divulgação


A minissérie abre com uma jovem andando de bicicleta quando do mais absoluto nada um corpo de uma mulher cai da sacada de um prédio num carro ao seu lado. No susto a jovem cai da bicicleta e fica olhando para o corpo em cima do carro quando segundos depois um corpo de um homem cai da mesma sacada. O acusado dos crimes é Sergio Ciscar (Arón Piper), o filho mais velho do casal, que resolve ficar em silêncio desde o acontecido e fica conhecido como o “Assassino da Sacada”. Anos depois de sua prisão, a psiquiatra Ana Dussuel (Almudena Amor) consegue que um juiz autorize um regime semiaberto monitorado – sem que ele saiba – para confirmar que ele está apto para retornar ao convívio social, e é então que as coisas começam a sair do controle.


Geralmente minisséries de suspense usam o curto número de episódios para potencializar a trama principal através das histórias paralelas e dos personagens secundários. Mas Silêncio age completamente ao contrário da corrente. O enredo central é movido pelo grande gancho de saber se o protagonista de fato jogou os pais de cima da sacada ou se aconteceu qualquer outra coisa, e as pistas, pessoas, falas e até mesmo objetos induzem o espectador a pensar nas mais variadas conclusões. Mas se você leu isso como uma coisa boa, não é. Todo personagem coadjuvante que aparece introduz situações e contextos tão alheios ao que realmente importa que os desdobramentos parecem enchimento de linguiça até chegarem em algum fechamento.


O elenco de rostos conhecidos da tv espanhola até que tenta tornar tudo relevante com atuações competentes e esforçadas. Elisabet Gelabert interpreta a mãe de Sergio (Elisabet e Arón já foram mãe e filho anteriormente em Elite); o sempre desconfiável Ramiro Blas interpreta um pastor que ajuda Sergio a trabalhar numa estufa gerenciada por sua igreja; Cristina Kovani vive uma jovem ficcionada por Sergio e que vive um romance secreto enquanto ele fica preso; e Manu Ríos (que já foi par romântico de Arón também em Elite) dá vida ao namorado dessa jovem obcecada.



Foto: Divulgação


Curiosidade, birra, força do ódio ou do hábito, seja lá qual motivo te faça chegar na resolução de tudo, vai te fazer perceber que se aquilo fosse transformado num curto filme ele construiria momentos melhores sem tantos buracos, tantos espaços e tantas guinadas que no final das contas não vão a qualquer lugar. O desfecho é tão simplório, tão básico e tão redundante que todos os esforços (os bons e os ruins) parecem irrelevantes no final. O primeiro episódio é sólido, conciso e consegue criar um bom tom para os episódios seguintes. Pronto. O que segue são ideias que não se sustentam, ações contraditórias e segredos que levam o enredo ao nível do absurdo.


Se equilibrando entre o suspense policial e o drama psicológico, Silêncio poderia ter feito mais (ou menos) em prol de um texto mais preciso. Menos detalhes que se engodam e se perdem pelo caminho, menos coincidências óbvias que acham que estão tapando lacunas gigantescas e menos reviravoltas que acreditam ser espertalhonas, mas que acabam virando quase piadas involuntárias.


Nota: 2/5


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