Crítica | The Dink – A Última Chance
- Vinicius Oliveira

- 25 de jul.
- 3 min de leitura
Você já viu esse filme na Sessão da Tarde durante a infância. Que mal faz ver de novo?

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Um adulto infantilizado luta para obter o reconhecimento daqueles à sua volta e por isso se engaja em um grande desafio para provar seu valor e salvar tudo aquilo que mais ama. Parece a descrição de uma daquelas comédias dos anos 90 que passavam aos montes na Sessão da Tarde – em especial filmes de Adam Sandler como Billy Madison – Um Herdeiro Trapalhão ou Um Maluco no Golfe, ou Pesos Pesados –, mas é basicamente a premissa de The Dink – A Última Chance.
Na trama, o ex-campeão juvenil de tênis Dusty Boyd (Jake Johnson) amarga seus dias trabalhando no clube gerenciado por seu severo pai Chuck (Ed Harris), que tenta fazer de tudo para impedir a expansão do pickleball como esporte no clube. Na tentativa de orgulhar o pai, Dusty acaba se ferindo, o que o faz se aproximar justamente dos praticantes de pickleball, incluindo a recém-divorciada Candace (Mary Steenburgen), com quem forma um laço. Mas quanto mais se encontra no pickleball, mais ele se vê em conflito entre fazer o que realmente gosta e obter a aprovação do pai que vem buscando a vida toda.
Conta muito a favor de The Dink que ele consiga vender o ridículo da sua premissa com seriedade. Não que ele se leve a sério (longe disso), mas cenas em que Chuck exibe slides alertando sobre o avanço inclemente do pickleball como se fosse uma nova pandemia são hilárias justamente porque mostra um filme que acredita na história que está contando. Há resquícios de uma certa autoconsciência aqui e ali, e o humor num geral não deixa de soar mais “podado” do que as comédias de Adam Sandler que citei acima, o que se vê é um filme que tenta resgatar essa vertente do gênero, mas com certas atualizações (inclusive nas referências mais contemporâneas, como a envolvendo Taylor Swift).

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Isso se estende à atuação de Johnson como o protagonista. Especializado em dar vida a essas figuras infantilizadas e histriônicas, mas de bom coração, o ator encontra em Dusty o veículo perfeito para canalizar essas características, mas sem necessariamente soar ofensivo. E é nas suas interações com Candace – e, portanto, na química de Johnson e Steenburgen – que o filme encontra não apenas sobrevida, mas também um diferencial, visto o quão raro é parear uma atriz mais velha com um ator mais novo no cinema mainstream. Até diria que há uma chance perdida de oferecer um romance raro de se ver em Hollywood, mas a relação dos dois personagens se revela a alma do filme e permite que ele saia um pouco do lugar-comum no qual se acomoda durante a sua maior parte. O restante do elenco cumpre bem seu papel, com destaque para Ed Harris no seu típico papel turrão e Aaron Chen como o leal e bitolado assistente de Dusty – além de uma participação especial de Ben Stiller que, além de servir de produtor do filme, conecta ainda mais o filme a obras como Billy Madison e Pesos Pesados, no qual atuou.
The Dink – A Última Chance não reinventa a roda, não é uma das melhores comédias do ano ou da década e tampouco o filme mais importante de tênis (ou pickleball) desde Rivais. E nem precisa ser. Mesmo que nem todas as suas piadas funcionem, ele é um bom lembrete de como certos lugares-comuns da comédia podem ser reaproveitados e trazidos para os novos tempos, numa embalagem nova, mas com um sabor conhecido. É o típico filme que poderíamos ver num dia qualquer na Sessão da Tarde quando éramos mais novos, e isso está longe de ser um demérito.
Nota: 3/5



















