top of page

Início > Críticas

​

Crítica | Gladiador 2

Ávila Oliveira

13 de nov de 2024 · 3 min de leitura

Empolgante e bagunçado, continuação é outro épico em grande escala querendo apenas um objetivo: diversão

Foto: Divulgação


Anos após testemunhar a morte do herói Maximus (Russell Crowe) pelas mãos de seu tio (Joaquin Phoenix), Lucius (Paul Mescal) enfrenta um novo desafio: forçado a entrar no Coliseu, ele deve lutar pela sobrevivência e pela honra de Roma. Depois de ter sua casa tomada pelos imperadores tirânicos que governam Roma com punho de ferro, Lucius precisa reencontrar a força e a coragem que o inspiraram na juventude. Admirador da jornada de Maximus, Lucius busca seguir seus passos para restaurar a glória perdida de Roma. Gladiador 2 é uma sequência direta do aclamado filme dirigido por Ridley Scott. Agora, Lucius luta não apenas pela sua vida, mas pelo futuro do império. Com o coração cheio de raiva e o destino de Roma em jogo, ele revisita seu passado em busca da força necessária para devolver ao povo a honra que um dia foi perdida.


Em sua primeira metade, Gladiador 2 segue os exatos mesmos passos do seu antecessor. Estruturalmente, a narrativa prefere usar os símbolos, marcações e elementos que caracterizaram a produção de 2000, o protagonista solitário, a figura imperial descompensada, os amigos sábios e a busca por vingança que acaba por ganhar mais propósitos. Mas cedo também o inquieto cineasta Ridley Scott prova que – beirando os 90 anos – não se acomoda com repetições e zonas de conforto, ele ousa (às vezes até demais, é verdade) e tenta ao máximo entregar um filme que não está absolutamente nem aí para fatos e precisões históricas, contanto que o resultado empolgue no efeito imediato.


Sim, a ação conta com tubarões no Coliseu, batalhas com macacos e com rinoceronte. Tudo em relação ao viés frenético do enredo é elevado a um exagero criativo que ainda assim não destoa do anseio de Scott em surpreender. Mas é na falta de equilíbrio entre alguns efeitos digitais, nas abordagens do humor e do drama no texto, e na constante mistura de filtros que o longa se fragmenta e perde a sensação de constância necessária para os primeiros momentos de embasamento.

Foto: Divulgação


Após a primeira (de várias) cena numa arena de batalha eu tive minhas dúvidas de que a aventura teria fôlego para chegar ao final de suas mais de duas horas de duração, mas surpreendentemente é no seu desfecho que o filme parece se encontrar, acerta os esquadros e tudo converge para o mesmo compasso, mais sóbrio, mas não menos extravagante, até os minutos finais.


Paul Mescal apresenta bem mais item do seu leque de versatilidade com uma atuação concisa e comedida, o básico para o papel, e um trabalho de corpo bem construído, algo que não o via fazer desde o musical Carmen (2022). Entre os coadjuvantes destaque para Joseph Quinn e Fred Hechinger que entendem com precisão o que Scott estava buscando neste segundo filme. Mas quem manda e desmanda até mesmo nas cenas em que não se faz presente é Denzel Washington. Com um personagem inescrupuloso e cheio de maneirismos, o veterano ator parece brincar com o que tem em mãos e cria um papel que destoa da maioria de sua vasta filmografia e, junto com o desenvolvimento do roteiro, faz com que o filme gire ao seu entorno.


Gladiador 2 tem claramente uma proposta diferente do primeiro. Aqui, por mais que exista a trama política motivando os acontecimentos, e mesmo tendo alguns entendimentos espertos, ela é engolida pelos vibrantes dinamismos das sequências de ação. O premiado filme anterior seguia uma cartilha de gênero que ajudou a cunhar no período, influenciando toda uma geração seguinte, ele também era contido nas limitações de uma austeridade dramática; enquanto o segundo aparenta gritar “are you not entertained?” para a audiência e se curte despretensiosamente.


Nota: 3,5/5

LEIA TAMBÉM

CRÍTICAS

Crítica | Os Farofeiros 3

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

CRÍTICAS

Crítica | Tudo Pode Ser Visto (Mostra de SP 2026)

MAIS RECENTES

NOTÍCIAS

Mason Reeves não leu o roteiro de Josephine e decidirá aos 18 anos se...

CRÍTICAS

Crítica | Os Farofeiros 3

NOTÍCIAS

“As pessoas querem estar associadas a algo que gera dinheiro”: Boots...

CATEGORIAS

Notícias
Críticas
Análises
Awards Season
Crias do Brasil
Listas
Entrevistas
Festivais

NEWSLETTER

image.png

Cinema brasileiro, festivais e temporada de premiações direto no seu e-mail

MAIS LIDAS NO MÊS

01

NOTÍCIAS

Lázaro Ramos diz que Feito Pipa propõe uma "pedagogia do afeto" ao...

02

NOTÍCIAS

Uma adaptação de Os Imortais, de Paulliny Tort, está em...

03

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

Crítica | Gladiador 2

13 de nov. de 2024
3 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Empolgante e bagunçado, continuação é outro épico em grande escala querendo apenas um objetivo: diversão

Foto: Divulgação


Anos após testemunhar a morte do herói Maximus (Russell Crowe) pelas mãos de seu tio (Joaquin Phoenix), Lucius (Paul Mescal) enfrenta um novo desafio: forçado a entrar no Coliseu, ele deve lutar pela sobrevivência e pela honra de Roma. Depois de ter sua casa tomada pelos imperadores tirânicos que governam Roma com punho de ferro, Lucius precisa reencontrar a força e a coragem que o inspiraram na juventude. Admirador da jornada de Maximus, Lucius busca seguir seus passos para restaurar a glória perdida de Roma. Gladiador 2 é uma sequência direta do aclamado filme dirigido por Ridley Scott. Agora, Lucius luta não apenas pela sua vida, mas pelo futuro do império. Com o coração cheio de raiva e o destino de Roma em jogo, ele revisita seu passado em busca da força necessária para devolver ao povo a honra que um dia foi perdida.


Em sua primeira metade, Gladiador 2 segue os exatos mesmos passos do seu antecessor. Estruturalmente, a narrativa prefere usar os símbolos, marcações e elementos que caracterizaram a produção de 2000, o protagonista solitário, a figura imperial descompensada, os amigos sábios e a busca por vingança que acaba por ganhar mais propósitos. Mas cedo também o inquieto cineasta Ridley Scott prova que – beirando os 90 anos – não se acomoda com repetições e zonas de conforto, ele ousa (às vezes até demais, é verdade) e tenta ao máximo entregar um filme que não está absolutamente nem aí para fatos e precisões históricas, contanto que o resultado empolgue no efeito imediato.


Sim, a ação conta com tubarões no Coliseu, batalhas com macacos e com rinoceronte. Tudo em relação ao viés frenético do enredo é elevado a um exagero criativo que ainda assim não destoa do anseio de Scott em surpreender. Mas é na falta de equilíbrio entre alguns efeitos digitais, nas abordagens do humor e do drama no texto, e na constante mistura de filtros que o longa se fragmenta e perde a sensação de constância necessária para os primeiros momentos de embasamento.

Foto: Divulgação


Após a primeira (de várias) cena numa arena de batalha eu tive minhas dúvidas de que a aventura teria fôlego para chegar ao final de suas mais de duas horas de duração, mas surpreendentemente é no seu desfecho que o filme parece se encontrar, acerta os esquadros e tudo converge para o mesmo compasso, mais sóbrio, mas não menos extravagante, até os minutos finais.


Paul Mescal apresenta bem mais item do seu leque de versatilidade com uma atuação concisa e comedida, o básico para o papel, e um trabalho de corpo bem construído, algo que não o via fazer desde o musical Carmen (2022). Entre os coadjuvantes destaque para Joseph Quinn e Fred Hechinger que entendem com precisão o que Scott estava buscando neste segundo filme. Mas quem manda e desmanda até mesmo nas cenas em que não se faz presente é Denzel Washington. Com um personagem inescrupuloso e cheio de maneirismos, o veterano ator parece brincar com o que tem em mãos e cria um papel que destoa da maioria de sua vasta filmografia e, junto com o desenvolvimento do roteiro, faz com que o filme gire ao seu entorno.


Gladiador 2 tem claramente uma proposta diferente do primeiro. Aqui, por mais que exista a trama política motivando os acontecimentos, e mesmo tendo alguns entendimentos espertos, ela é engolida pelos vibrantes dinamismos das sequências de ação. O premiado filme anterior seguia uma cartilha de gênero que ajudou a cunhar no período, influenciando toda uma geração seguinte, ele também era contido nas limitações de uma austeridade dramática; enquanto o segundo aparenta gritar “are you not entertained?” para a audiência e se curte despretensiosamente.


Nota: 3,5/5

CONTINUE LENDO

CRÍTICAS

Crítica | NAZA

CRÍTICAS

Crítica | O Bosque Selvagem

CRÍTICAS

Crítica | Quero Ser Como Você (Mostra de SP 2026)

bottom of page