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Crítica | Meu Amigo Robô

Ávila Oliveira

23 de jan de 2024 · 2 min de leitura

Animação sensível analisa a solidão com leveza e musicalidade

Foto: Divulgação


O Cachorro mora em Manhattan e está cansado de viver sozinho. Um dia ele decide comprar e construir para si um robô, um amigo. A amizade deles floresce, até se tornarem inseparáveis, ao ritmo dos anos 80 de Nova Iorque. Numa noite de verão, o Cachorro, com muita tristeza, é forçado a abandonar o Robô na praia sem saber se um dia eles se verão novamente.


Esse não é a primeira obra a abordar a solidão humana (nesse caso humanoide) amparada pela tecnologia. Mas o que diferencia o graphic novel de Sara Varon e também a adaptação do diretor espanhol Pablo Berger das outras, até então, é principalmente a ausência de falas e antropomorfização. E esses elementos conduzem muito bem o longa metragem dando a ele forma e ritmo.


A animação não é um filme mudo, ele apenas é um filme sem falas. A trilha e os efeitos sonoros são importantíssimos para a cadência da narrativa. O cinema mudo não contava com efeitos sonoros, a trilha era adicionada posteriormente para ajudar a criar os momentos críticos do roteiro, mas não interagia diretamente com os personagens, por exemplo. Mas Meu Amigo Robô conta com uma trilha sonora bastante sagaz que marca pontos chave do filme e conta ainda com efeitos sonoros muitas vezes musicados que se misturam com a trilha, além de músicas já existentes como a dançante September do grupo Earth, Wind & Fire que opera como um ciclo no roteiro.

Foto: Divulgação


A antropomorfização é um recurso comum nas animações e sempre são boas saídas para atalhar a apresentação de personagens cuja forma física imprimem as primeiras impressões de suas personalidades. Bojack Horseman usou muito bem essa função na televisão e Zootopia no cinema, mais recentemente. O uso do tom fantástico ajuda na compreensão dos sentimentos e motivações dos personagens na ausência das falas. Não que um cachorro com traços humanos cuidando de um robô tenha algum pé na realidade, mas dentro do universo do filme muito do que se desenvolve acontece no plano da imaginação ou dos sonhos.


Como uma fábula clássica, a maio lição de moral fica para os segundos finais. Com boas alusões e um traço que mantém a característica cartunesca do material original, o longa sustenta um caráter educativo motivacional que funciona de modo constante para o público adulto e para o público infantil por todo o filme, sem precisar de momentos de distinção.


Nota: 4/5

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23 de jan. de 2024
2 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Animação sensível analisa a solidão com leveza e musicalidade

Foto: Divulgação


O Cachorro mora em Manhattan e está cansado de viver sozinho. Um dia ele decide comprar e construir para si um robô, um amigo. A amizade deles floresce, até se tornarem inseparáveis, ao ritmo dos anos 80 de Nova Iorque. Numa noite de verão, o Cachorro, com muita tristeza, é forçado a abandonar o Robô na praia sem saber se um dia eles se verão novamente.


Esse não é a primeira obra a abordar a solidão humana (nesse caso humanoide) amparada pela tecnologia. Mas o que diferencia o graphic novel de Sara Varon e também a adaptação do diretor espanhol Pablo Berger das outras, até então, é principalmente a ausência de falas e antropomorfização. E esses elementos conduzem muito bem o longa metragem dando a ele forma e ritmo.


A animação não é um filme mudo, ele apenas é um filme sem falas. A trilha e os efeitos sonoros são importantíssimos para a cadência da narrativa. O cinema mudo não contava com efeitos sonoros, a trilha era adicionada posteriormente para ajudar a criar os momentos críticos do roteiro, mas não interagia diretamente com os personagens, por exemplo. Mas Meu Amigo Robô conta com uma trilha sonora bastante sagaz que marca pontos chave do filme e conta ainda com efeitos sonoros muitas vezes musicados que se misturam com a trilha, além de músicas já existentes como a dançante September do grupo Earth, Wind & Fire que opera como um ciclo no roteiro.

Foto: Divulgação


A antropomorfização é um recurso comum nas animações e sempre são boas saídas para atalhar a apresentação de personagens cuja forma física imprimem as primeiras impressões de suas personalidades. Bojack Horseman usou muito bem essa função na televisão e Zootopia no cinema, mais recentemente. O uso do tom fantástico ajuda na compreensão dos sentimentos e motivações dos personagens na ausência das falas. Não que um cachorro com traços humanos cuidando de um robô tenha algum pé na realidade, mas dentro do universo do filme muito do que se desenvolve acontece no plano da imaginação ou dos sonhos.


Como uma fábula clássica, a maio lição de moral fica para os segundos finais. Com boas alusões e um traço que mantém a característica cartunesca do material original, o longa sustenta um caráter educativo motivacional que funciona de modo constante para o público adulto e para o público infantil por todo o filme, sem precisar de momentos de distinção.


Nota: 4/5

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