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Crítica | Tempos de Barbárie - Ato I: Terapia de Vingança

Ávila Oliveira

17 de ago de 2023 · 2 min de leitura

Surpreendente em sua trama, mas redundante em seus questionamentos

Foto: Divulgação


Com direção de Marcos Bernstein e tendo a brilhante Cláudia Abreu no papel principal, o thriller conta a história de Carla, uma advogada que sofre um assalto enquanto estava parada no trânsito e resulta por sua filha sendo baleada e ficando internada em estado grave. Ao ver que os caminhos legais não caminhavam na velocidade nem da forma que ela queria, Carla resolve fazer justiça com as próprias mãos e se insere numa espiral de violência que nem imagina como pode terminar ou como sair.


O longa brasileiro é denso por natureza por tratar de alguns dos temas mais complexos de uma sociedade pós-moderna num país como o Brasil. A violência urbana é um assunto estrutural que – surpresa! – não vai se resolver da noite para o dia, não vai ser exterminado por um político com tendências teocráticas e nem por um pacote anticrime como foi proposto num dos mais toscos capítulos da nossa história recente. E por mais que a protagonista, tomada por uma dor compreensível, queira resolver pelo menos o seu problema causado pela violência, o filme não é reducionista e levanta várias questões pertinentes que colocam à prova o ‘olho por olho’.


A Jaula (2022) foi outro thriller brasileiro que há pouco retratou os desdobramentos da violência reacionária, porém seu foco era mais na ação e pouco na reflexão e no aprofundamento das ideais. O trabalho de Bernstein, por outro lado, tem tempo de sobra pra ir e vir nas questões éticas, morais, particulares e sociais da reação imediata e impensada. Tanto tempo que não sai muito do canto nem se decide por uma resolução incisiva. E não é no sentido de deixar a conclusão ou o julgamento final daquele imbróglio nas mãos do público, faltou posicionamento no teor das decisões tomadas ao final, especificamente nos minutos finais, onde os momentos de clareza surgem repentinamente contrariando boa parte do que foi mostrado até ali.

Foto: Divulgação


E as temáticas complicadas não se resumem à violência cíclica, tem eutanásia no meio, tem machismo e tem corrupção. O filme tem tudo para ser travado e bruto demais para se atravessar ou mesmo para se aproveitar, mas a ação é trabalhada de maneira bem sagaz de forma que não o deixa ficar preso no marasmo e na espessura dos seus temas. O jogo de câmera ágil que pinta com os ângulos ajuda a dar dinamismo, e os cortes de cena são precisos sem deixar a edição picotada demais ou bagunçada demais. O uso de uma fotografia com alta saturação e baixa luminosidade colabora bastante com o aspecto noir que o roteiro busca alcançar.


Cláudia Abreu e Júlia Lemmertz trabalham muito bem juntas e se equilibram uma na outra balanceando suas personagens que ora se completam, ora se repelem. No plano geral o enredo consegue surpreender e finalizar com um resultado positivo mais causado pelo visual e pelo ritmo do que tanto pelo refinamento do conteúdo.


Nota: 3,5/5

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Atualizado: 8 de out.

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A Jaula (2022) foi outro thriller brasileiro que há pouco retratou os desdobramentos da violência reacionária, porém seu foco era mais na ação e pouco na reflexão e no aprofundamento das ideais. O trabalho de Bernstein, por outro lado, tem tempo de sobra pra ir e vir nas questões éticas, morais, particulares e sociais da reação imediata e impensada. Tanto tempo que não sai muito do canto nem se decide por uma resolução incisiva. E não é no sentido de deixar a conclusão ou o julgamento final daquele imbróglio nas mãos do público, faltou posicionamento no teor das decisões tomadas ao final, especificamente nos minutos finais, onde os momentos de clareza surgem repentinamente contrariando boa parte do que foi mostrado até ali.

Foto: Divulgação


E as temáticas complicadas não se resumem à violência cíclica, tem eutanásia no meio, tem machismo e tem corrupção. O filme tem tudo para ser travado e bruto demais para se atravessar ou mesmo para se aproveitar, mas a ação é trabalhada de maneira bem sagaz de forma que não o deixa ficar preso no marasmo e na espessura dos seus temas. O jogo de câmera ágil que pinta com os ângulos ajuda a dar dinamismo, e os cortes de cena são precisos sem deixar a edição picotada demais ou bagunçada demais. O uso de uma fotografia com alta saturação e baixa luminosidade colabora bastante com o aspecto noir que o roteiro busca alcançar.


Cláudia Abreu e Júlia Lemmertz trabalham muito bem juntas e se equilibram uma na outra balanceando suas personagens que ora se completam, ora se repelem. No plano geral o enredo consegue surpreender e finalizar com um resultado positivo mais causado pelo visual e pelo ritmo do que tanto pelo refinamento do conteúdo.


Nota: 3,5/5

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