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Entre o Oscar e as raízes mineiras: conheça Thiago Calçado, o animador brasileiro na equipe de 'O Bosque Selvagem'

Foto do escritor: Oxente Pipoca
Oxente Pipoca
há 2 horas
3 min de leitura
Natural de Uberaba, o animador fez parte da equipe de ‘Pinóquio por Guillermo del Toro’, vencedor do Oscar, e acompanhou desde os primeiros testes a nova produção de Travis Knight

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Dirigido por Travis Knight, O Bosque Selvagem estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes. A aventura épica é a nova produção da LAIKA, estúdio seis vezes indicado ao Oscar® e conhecido por ‘Coraline e o Mundo Secreto’ (2009) e ‘ParaNorman’ (2012).


O filme acompanha Prue McKeel (Giulia Benite), uma adolescente esperta e cheia de autoconfiança, e Curtis Mehlberg (Pedro Burgarelli), um garoto sincero e infinitamente curioso que luta para superar os próprios medos. Quando o irmão caçula de Prue, o pequeno Mac, é levado por um bando de corvos, a dupla não hesita em enfrentar os perigos do Bosque Selvagem para trazê-lo de volta para casa.


Entre os artistas, artesãos e técnicos que passaram 231 semanas realizando, com suas próprias mãos, os 2.804 planos que deram vida a O Bosque Selvagem, está o animador de stop-motion brasileiro Thiago Calçado. Natural de Uberaba, em Minas Gerais, e formado em cinema pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), ele volta a trabalhar ao lado de Travis Knight depois de ter participado em ‘Kubo e as Cordas Mágicas’ (2016). Além de concorrer ao Oscar® de Melhor Animação, o longa da LAIKA se tornou apenas a segunda animação da história indicada ao Oscar® de Melhores Efeitos Visuais, algo que não acontecia desde ‘O Estranho Mundo de Jack’, em 1994. A obra também venceu o BAFTA® de Melhor Animação, três Annies® e o prêmio de melhor animação do National Board of Review®.


Thiago acompanhou a produção desde o início. "Comecei nos testes de O Bosque Selvagem. Estava lá quando começaram a testar os esqueletos e os bonecos. Ver um filme nascendo do zero é muito emocionante. Na LAIKA, você começa no que a gente chama de test unit, um mini set onde testamos os bonecos, e de repente, quando você vê, são sets imensos de uma cidade completa, com vários personagens", conta.


Para ele, o que define o estúdio é o nível de cuidado. "Você pede um parafuso e o cara te dá cinco opções: qual é o melhor, para que você quer. Se eu peço uma cola, ele pergunta: 'Mas você vai colar o quê? Madeira com papel, papel com papel, metal com madeira?'. Eles são muito minuciosos em cada detalhe da construção, dos bonecos aos cenários."


Trajetória no Brasil e no Mundo


Antes de chegar à LAIKA, ainda no Brasil, Thiago fez parte da equipe de animação de ‘Minhocas’ (2013), de Paolo Conti e Arthur Nunes, primeiro longa-metragem em stop-motion produzido no país. Em 2016, mesmo ano de Kubo, integrou a equipe de ‘Dyrene i Hakkebakkeskogen’, longa norueguês inspirado no livro clássico de Thorbjørn Egner. Dois anos depois, trabalhou no aclamado ‘Ilha dos Cachorros’ (2018), de Wes Anderson, indicado ao Oscar® de Melhor Animação e de Melhor Trilha Sonora Original e vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim.


Não demorou muito para Thiago ver um filme em que trabalhou ser anunciado como vencedor do Oscar® de Melhor Animação. Ele foi animador sênior de ‘Pinóquio’ (2022) de Guillermo del Toro, e o responsável por animar a Morte, dublada por Tilda Swinton na versão original e uma das figuras mais marcantes do filme vencedor de outros 71 prêmios ao redor do mundo.


Para Thiago, a vitória tem um peso particular para os amantes e artistas da técnica. "No stop-motion, uma técnica muito artesanal, com filmes muito mais raros de serem feitos, competindo com grandes estúdios que já ganharam várias vezes, ganhar tem um gosto ainda mais especial. Ainda mais com o Guillermo del Toro, que é uma referência", afirma. "A gente faz filme para contar uma história que toque o coração das pessoas e que, de alguma maneira, as faça refletir. O Oscar é só a cereja do bolo."


Além de ‘A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets’ (2023), da Aardman, o currículo de Thiago inclui trabalhos como diretor. Ele comandou ‘Ana Bolinha’ (2021), série em animação 2D com 13 episódios, e criou e dirigiu ‘Sol em Dó Ré M'i’ (2024), exibida na TV Brasil, cujos 15 episódios misturam animação 2D e stop-motion.


Thiago também se dedica a ensinar. Já ministrou workshops e palestras na Espanha, na Polônia, em Portugal e na Noruega, abordando desde os detalhes mais precisos da atuação dos bonecos até a narrativa e impacto emocional das cenas. É também presença frequente em festivais, onde conversa com animadores em início de carreira.

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