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  • Crítica | Ambulância: Um Dia De Crime

    Apesar da sucessão de clichês, o filme prende pelo seu ritmo alucinante Divulgação: Universal Studios Em “Ambulância: Um Dia de Crime”, novo longa de Michael Bay, o veterano condecorado Will Sharp (Yahya Abdul-Mateen II) precisa de dinheiro para pagar as despesas médicas de sua esposa. Então, com ajuda do seu irmão adotivo, Danny (Jake Gyllenhaal), decide roubar um banco no centro de Los Angeles. O plano dá errado e os dois acabam sequestrando uma ambulância para escapar, e dentro dela está Cam (Eiza González), uma socorrista que é feita de refém. Apesar de não inovar em praticamente nada, o filme consegue entreter muito bem entre perseguições e explosões. A base emocional na qual o roteiro se sustenta, é uma mescla de coisas que já foram feitas em outros lugares, como “um familiar doente que precisa urgentemente de tratamento” ou “uma relação disfuncional entre irmãos, mas onde o amor prevalece” e por aí vai. Quando o clichê é bem trabalhado, não há problema em usá-lo, e aqui é, em partes. A dinâmica dos irmãos funciona bem, mas em outros casos, não consegue emocionar. Por exemplo, a enfermidade da esposa é mais usada como artifício do roteiro, uma desculpa para que haja o assalto, do que como um fator de comoção. Como o drama não é o forte, sobra pra espetacularização da ação que Bay adora fazer em seus longas. Usando e abusando da câmera lenta, tudo soa um tanto exagerado, mas não deixa de ser divertido. As lutas corpo-a-corpo, sequências de tiroteios e perseguições são bem dirigidas e mantém o espectador ligado à tela. Além de reviravoltas que movem a história, sejam críveis ou não, elas funcionam para fins de puro e simples entretenimento. Ou seja, não precisa ter o mínimo senso crítico para aproveitar. Pelo menos não é um filme pretensioso. Divulgação: Universal Studios O trio principal, Abdul-Mateen, Gyllenhaal e González é bem carismático e competente, mesmo que não seja exigida deles uma atuação digna de Oscar, eles são bons o suficiente pra deixarem as cenas mais interessantes. Não há muita profundidade em nenhum deles, e justamente por isso suas atitudes geralmente são previsíveis, mas não é algo que incomode. Will é o irmão mais certinho, que tenta agir sem deixar vítimas, enquanto Danny é mais inconsequente e pra ele os fins justificam os meios. Cam é uma moça de personalidade forte, que honra sua profissão acima de tudo. Eles passam boa parte do tempo juntos, então conflito não falta entre eles e a dinâmica é bacana de se acompanhar, como essa relação vai se transformando ao longo do filme. É onde a carga dramática é mais eficaz. Com 2h16 de duração, é fato que poderia ser menor e trazer mais dinamismo, mas não é algo que pese tanto. Com defeitos habituais, o ponto alto é o entretenimento e fazer do clichê algo empolgante de se assistir. Parece um episódio mais longo da série “9-1-1” (fica a dica). Vale a pena assistir e se não esperar muito dele, é mais satisfatório ainda. Não vai ser alvo de discussões em rodas de conversa, mas vai prender sua atenção entre tiros, porradas e bombas! Nota: 3,5/5

  • Crítica | The Crown (5ª temporada)

    Série entrega o ano mais enfadonho da família real Divulgação: Netflix Em 2020, quando a pandemia do Covid-19 explodiu se estendendo até 2021 ainda de forma trágica, diversas produções foram paralisadas ou adiadas. Em decorrência disso, várias séries acabaram atrasando por bastante tempo seu lançamento, deixando o ano de 2021 em um período de 'seca' na TV, possibilitando a chance de 'The Crown' conseguir o tão sonhado Emmy na categoria principal pela primeira vez para a Netflix. Não somente isso, ela conseguiu o feito de ser a única série dramática a vencer todas as categorias principais (melhor série, categorias de atuação principal e coadjuvantes, roteiro e direção), feito antes conquistado somente por 'Angels in America' na categoria de minissérie em 2004 e por 'Schitt's Creek' em comédia no ano de 2020. Após todas essas conquistas, a série recebeu sobre si um novo peso além do hype pelo período de história que ela está abordando atualmente. Não somente isso, a produção da Netflix ganhou um novo olhar após a morte da principal monarca britânica, a Rainha Elizabeth II, falecida em setembro. Somando-se a essas duas coisas vem também o fato de ela abordar uma das figuras mais amadas e lembradas até hoje, a princesa Diana. Infelizmente, a quinta temporada não conseguiu êxito pelas responsabilidades que puxou para si mesma. Para quem já acompanha, é comum saber que a série tem uma monotonia específica dela, abordando a família real de ângulos diversos e focando em atuação e diálogos. Nesse início de temporada, a monotonia veio maçante. Ela inicia seu novo ano trazendo um tédio que não condiz com sua fase da história, que foi um período em que todos os olhares estavam voltados para aquela família, a crise que eles passavam diante do divórcio do filho primogênito da rainha, o príncipe Charles, e sua esposa, Diana, além dos debates levantados sobre o fim da monarquia. Divulgação: Netflix Já entrando na questão dessa personagem, Diana teve aqui, provavelmente, sua abordagem mais cansativa considerando todas as produções que já utilizaram sua história. A série estende, por dez episódios, um loop sonolento sobre como Diana sofria nas mãos da família real, repetindo sempre as mesmas coisas por diversas vezes, dando um ar de birra adolescente para a trama. O próprio enredo aborda isso em seus episódios finais, transmitindo em um diálogo toda a canseira que essa trama trouxe, deixando um pouco controverso a decisão da produção de estender ainda mais esse assunto, visto que na próxima temporada teremos mais dessa história. Como de costume, o cast da série a cada dias temporadas, incluindo Diana, desta vez interpretada por Elizabeth Debicki, substituindo a elogiada Emma Corrin, que ficou apenas por uma temporada, contracenando diretamente com Josh O'Connor, também aclamado. Todas as figuras importantantes vêm sendo representadas nas telas de TV e cinema com frequência nos últimos anos, então há sempre uma espera de entrega quando o elenco se renova, no entanto, Debicki teve a má sorte de em menos de dois anos, sua personagem ter tido duas interpretações aclamadas pela crítica e com uma recepção excelente também por parte do público, em 'The Crown' e em 'Spencer'. A Diana de Debicki é enfadonha e limitada, com trejeitos que se aproximam mais de uma imitação, gerando antipatia quando se assiste. Já o princípe Charles e par de Diana, interpretado agora por Dominic West, consegue se sair melhor no que lhe é proposto, apesar da gigante diferença dele com a figura que interpreta. Claire Foy, que garantiu um Emmy no último ano como atriz convidada na quarta temporada, retorna para mais uma rápida participação, que provavelmente será usada novamente para outra indicação. No que diz respeito à Rainha Elizabeth II, ouso dizer que com Imelda Staunton ela teve a sua melhor intérprete, a mais próxima da nossa atualidade, Staunton entrega a frieza que já vimos antes e uma vivacidade incrível. Contudo, Staunton foi bastante debilitada pela própria trama, não conseguindo ter o destaque que merecia, sendo deixada de lado em prol do cansativo drama do divórcio de Diana e Charles. Uma das melhores adições foi a de Jonathan Pryce, o príncipe Philip. É sempre gratificante ver Pryce em cena, e a série o utiliza bem dentro do proposto, dando a melhor interpretação do Duque de Edimburgo. Divulgação: Netflix Apesar dos poucos acertos na trama, a produção tem a sua qualidade amplificada pela parte técnica. A representação histórica de cenários e momentos é sempre muito convincente e feitos com bastante primor, assim como a parte de figurinos, conseguindo replicar instantes que ficaram marcados na história por conta de uma simples roupa, e a fotografia veio bem equilibrada, com a marca registrada da série. A trilha é um destaque positivo da temporada, sustentando por diversas vezes momentos em que o enredo falhou, e fazendo uma conjunção de cena que fica agradável de assistir. Em relação à verossimilhança da figuração do elenco com seus personagens, somente Debicki é a mais marcante, sendo um de seus poucos pontos positivos, e quanto ao restante não tem muito o que se falar. Em seu quinto ano, ‘The Crown’ chegou mostrando que sua força parece estar se esvaindo, não conseguindo manter o nível de suas antecessoras e entregando a sua temporada mais debilitada. Apesar dos acertos, seus erros são o que mais se destacam, sendo o maior deles a decisão de manter por tanto tempo uma história que eles parecem não saber como utilizar em favor da série. A sensação que fica, é que após o ano de sorte que teve em 2021, a produção olhou para o ouro que tinha em mãos e pensou “como podemos transformar isso em pirita?”, e, infelizmente, conseguiram. Nota: 3/5

  • Crítica | O Gabinete de Curiosidades (1ª temporada)

    Apesar da qualidade na produção, série falha na execução de suas histórias Divulgação: Netflix Guillermo Del Toro é um dos cineastas mais respeitados da atualidade tanto pelo público quanto pela crítica, dono de dois Oscars por ‘A Forma da Água’, já foi indicado pela academia 6 vezes no total, por seu trabalho em ‘O Beco do Pesadelo’ e o aclamado ‘O Labirinto do Fauno’, além de outras premiações. Em ‘O Gabinete de Curiosidades’ ele assina como produtor e showrunner de todos os oito episódios, deixando a direção nas mãos de diversos nomes que ele vai apresentando no início de cada um. A série antológica, onde cada episódio retrata uma história diferente, aborda o terror de diferentes formas e tem uma premissa interessante em cada um deles, falhando apenas no mais importante em algumas delas; a execução. A série tem um elenco bastante diversificado e com alguns nomes bem conhecidos, como Ben Barnes, Rupert Grint, F. Murray Abraham, Eric André, Ismael Cruz Cordova e o maravilhoso Dan Stevens, dentre outros mais. Esse leque de opções abre possibilidades para personagens se destacarem mesmo que seu episódio não seja atrativo, como é o caso de Grint em ‘Sonhos na casa da bruxa’, e não só pelo seu passado, mas por que já se provou um ator talentoso e versátil, como é possível ver também em ‘Servant’. Além dele, outros que se destacam são Ben Barnes, que protagoniza ‘Modelo de Pickman’, e Dan Stevens, que apesar do pouco tempo de tela, consegue ser marcante em ‘Por Fora’. Apesar do texto fluido, a série consegue se arrastar e gerar tédio maçante no telespectador em diversos episódios. O que mais é afetado por esse defeito talvez seja ‘O Murmúrio'', o último episódio, que tem uma lentidão absurda para desenvolver seu enredo, causando quase uma letargia em que consegue superar seus anteriores e chegar a ele. Outros que geram sensação de cansaço sem uma “recompensa” de plot que cause real espanto são ‘Lote 36’, ‘Sonhos na casa da bruxa’ e ‘A Inspeção’. O único grande destaque provavelmente é ‘A Autópsia’, que tem uma trama equilibrada que consegue cativar a atenção com facilidade, além de um final satisfatório. Divulgação: Netflix ‘Ratos no Cemitério’, não chega a ser um dos piores, mas está longe de figurar os melhores da lista, mesmo que tenha uma segunda parte com ação e urgência, o seu início é desestimulante. O mesmo serve para ‘Por Fora’, que se destaca pela sua previsibilidade e que mesmo assim não chega a ser um dos piores. Quanto à direção, os que conseguem se sair mais bem sucedidos são David Prior (A Autópsia), Keith Thomas (Modelo de Pickman) e Ana Lily Amirpour (Por Fora). Com méritos aos outros que tentaram entregar um trabalho minimamente decente. Ignorando todas as falhas, podemos apreciar o cuidado técnico em toda a série. Com efeitos bem executados, ela entrega momentos de terror realmente bons, com destaque para o sensacional efeito do rato monstruoso em ‘Ratos de Cemitério’. Além desse ponto, temos também uma direção de arte bacana e figurinos que condizem com seus respectivos momentos. Tem uma trilha que valsa bem, mas sem chegar a ser um destaque, e uma fotografia que oscila entre boa e regular, que funciona melhor em alguns episódios, mas sem se tornar um defeito gritante. Para finalizar, ‘O Gabinete de Curiosidades’ não marca seu território nessa última temporada de halloween, e nem é um grande destaque em séries do gênero, mesmo conseguindo ser melhor que suas concorrentes (dentro do próprio streaming). Ela encerra deixando um gosto ácido em quem consegue terminá-la, e uma tristeza por ter sido criada por uma mente tão genial quanto a de Del Toro e vindo com uma execução tão falha. Nota: 3/5

  • Crítica | No Mundo Da Luna (1ª temporada)

    Série da HBO Max não consegue transportar o melhor do livro para as telas Divulgação: HBO Max No último domingo, 13, a HBO Max liberou a série brasileira “No Mundo da Luna” em seu streaming. Esperada por muitos fãs do universo literário, a obra é adaptada do livro de mesmo nome da autora Carina Rissi e marca a estreia da onda de adaptações de Carina como “Procura-se” e “Perdida”. O livro "No Mundo da Luna” foi lançado no Brasil em 2015 e a série mantém a mesma base em seu enredo principal. Nela, acompanhamos a história de Luna (Marina Moschen), uma recém-formada jornalista em busca de trabalho na área que escolheu. Luna tem origem cigana e, para se aproximar da profissão, acaba aceitando escrever sobre horóscopo para um portal de notícias usando cartas do baralho cigano herdado de sua família. Para a surpresa de Luna, o baralho com séculos de história começa a se comunicar diretamente com ela. Em sua nova jornada, Luna precisará enfrentar os desafios do primeiro emprego e manter vivo o sonho de ser jornalista. Além de cartas falantes, Luna se apaixona por dois rapazes do trabalho, um muito diferente do outro. Para superar as crises dos 20 e poucos anos, Luna conta com ajuda de suas duas melhores amigas, que também vivem suas próprias questões. Sabrina é uma artista com dificuldade em viver de arte na era dos NFTs, e Bia é uma gamer profissional que trabalha em uma equipe só de homens. Divulgação: HBO Max “No Mundo da Luna” é produzida pela Moonshot Pictures, com direção geral de Roberto d’Ávila e possui dez episódios com cada um com pouco mais de 30 minutos. Como eu tive a oportunidade de ler o livro antes de assistir a série, acredito que minha experiência, comparada com quem não teve acesso ao material original, poderá ser bem diferente. Primeiramente, vale destacar que um dos maiores pontos positivos dessa adaptação são seus atores e elenco que combinam de uma maneira singular com os personagens descritos por Carina e fazem um ótimo trabalho mesmo com a simplicidade do roteiro de uma comédia romântica. Além disso, outro grande destaque interessante da série é trazer de uma forma mais firme a questão da identidade cigana e da importância da cultura ser vista além dos preconceitos que cercam o tema. “No Mundo da Luna”, de fato, foi uma das primeiras séries voltadas para o público jovem que tocou no tema de uma forma profunda, pouco estereotipada e com destaque e protagonismo. A série também traz assuntos mais atuais com assuntos que dominaram o noticiário e as redes sociais nos últimos anos de uma forma mais sutil e provocativa. Já tecnicamente, a série também tem uma trilha sonora interessante e entrega um trabalho de edição e de fotografia bem redondinhos por meio de uma direção de câmera bem ágil. Divulgação: HBO Max Porém, meu grande problema com essa adaptação foi justamente a história. A ideia de adicionar um triângulo amoroso não funciona e faz com que a protagonista não consiga desenvolver uma relação minimamente interessante com nenhum dos dois pretendentes. Dante Montini (protagonista e par romântico da Luna no livro) ficou ótimo nas mãos de Léo Bittencourt, mas, totalmente apagado e reduzido a uma rivalidade boba entre dois homens. É difícil se conectar com a protagonista quando o telespectador não consegue entender bem quais são seus propósitos. E isso vale também para os coadjuvantes, em especial as duas melhores amigas de Luna, que em suas narrativas individuais não convencem e agem de forma extremamente caricata graças aos rumos escolhidos pelos roteiristas. Todo rolê do universo dos games e da questão de NFTs parece quase uma esquete do Porta dos Fundos (e eu não falo isso no bom sentido). Minha impressão é que “No Mundo da Luna”, ao fazer tantas mudanças na obra original, não entendeu quem era o público-alvo majoritário da série. Seriam os adolescentes pseudomodernos do Twitter? Os fãs de histórias de romance? O público jovem-adulto já leitor dos livros da Carina Rissi? No fim das contas, a grande possibilidade é que mesmo sendo uma série até legal de ser maratonada, ela não deva agradar, de fato, quase ninguém desses grupos, fazendo com que os fãs dos livros, que devem encarar novas adaptações pela frente, pensem duas vezes antes de dar o play. Nota: 2,5/5

  • Análise | Andor 1x11 ("Daughter of Ferrix")

    Rebeliões também são forjadas na tristeza Divulgação: Disney+ Por quase toda sua duração, um sentimento de melancolia percorre Daughter of Ferrix, uma escolha criativa curiosa diante do sentimento eufórico e bélico do episódio anterior, mas que não tarda a fazer sentido aqui, como quase tudo adotado para a série. Utilizando o luto como mote não só para trazer mais desenvolvimento aos personagens, mas também para convergi-los ainda mais conforme a narrativa avança, o episódio apenas refreia um pouco o frenesi de One Way Out, costurando ação, drama e suspense com a finesse que já se tornou habitual de Andor. É um episódio tão calcado na dor e na perda que sentimos até mesmo por um droide em luto, mais um atestado do brilhantismo do texto da série. Se a morte de Maarva (Fiona Shaw) pode a princípio soar decepcionante por não a vermos, seu impacto é igualmente recebido sobre todos – de Cassian (numa belíssima cena final que reflete a sua última em Rogue One) ao Império. Da mesma forma, já vínhamos sendo preparados para sua morte já há um bom tempo, de modo que ela não “surge do nada”, o que indica como a série é hábil em nos preparar a longo prazo para os eventos que agora vemos acontecer. Da mesma forma, toda a sequência em que Luthen (Stellan Skarsgard) é abordado por um cruzador imperial parece uma solução narrativa fácil demais, mas se olharmos para os episódios anteriores veremos um homem cada vez mais cansado de se esconder e cada vez mais disposto a assumir riscos. Além disso, toda a tensão da cena – que culmina numa breve, mas já marcante batalha espacial que entra para os anais de Star Wars – é daquelas de nos deixar na ponta da cadeira, mostrando que a série não precisa mais adotar sua estrutura de nos preparar episódios inteiros para grandes sequências climáticas; afinal de contas, o tempo está passando cada vez mais rápido para seus personagens. Em meio a isso, o episódio consegue arrumar tempo para cada um de seus núcleos, e nada soa fora do lugar a essa altura – uma aula de montagem que exibe a costura feita entre essas subtramas, que estão cada vez mais próximas umas das outras. Em nenhum lugar isso é tão evidente quanto o arco de Syril (Kyle Soller), que vê sua obsessão por Cassian (Diego Luna) voltar à tona com uma simples mensagem sobre a morte da mãe deste. Da mesma forma, vemos Bix (Adria Arjona) completamente zumbificada em razão das torturas violentas que vem sofrendo, e ainda Mon Mothma (Genevieve O’Reilly) ainda presa ao seu conflito moral sobre usar a própria filha como moeda de troca para apoiar a Rebelião. Desde sua primeira aparição tenho sido grande apreciador das microexpressões que O’Reilly acertadamente adota para sua personagem, mas aqui ela consegue se sobressair, transmitindo toda a dor de uma mulher que precisa pagar preços cada vez mais altos para combater o regime fascista em que vive. Seja em Coruscant, Ferrix ou Niamo, essa dor atravessa os personagens das mais variadas maneiras, resultando num episódio que, a despeito da ação que entrega, é talvez o mais introspectivo e melancólico numa série que não se furta a ser intimista quando quer, nem oferece resoluções fáceis aos seus personagens. Faltando apenas um episódio para se encerrar, a primeira temporada de Andor se coroa a cada semana como a obra-prima da saga, fruto da mente de uma equipe que conseguiu fazer o que muitas vezes outros tiveram medo de tentar: olhar para Star Wars e ver além dos sabres e Skywalkers, enxergando todo o potencial do seu drama político e de espionagem e de guerra. O resultado é uma série lamentavelmente subestimada, mas indiscutivelmente perfeita.

  • Crítica | Passagem

    Melancólico e silencioso, longa é um dos melhores trabalhos de Jennifer Lawrence Divulgação: Apple TV+ O que você faria se sentisse que não pertence ao lugar que está? Como sobreviver se sentindo uma pessoa diferente de todos? É com estas perguntas que a trama de ‘Passagem’, filme estrelado por Jennifer Lawrence, inicia. Na trama, acompanhamos Lynsey (Lawrence), uma soldado militar que volta da Guerra do Afeganistão para sua casa, em Nova Orleans, e tem dificuldade de se ajustar após sofrer uma lesão traumática. Ao conhecer James (Bryan Tyree Henry), o mecânico local, ela se observa criar um vínculo inesperado que pode mudar a trajetória da sua vida. O filme traz muito do poder do silêncio em suas cenas. Se analisarmos, conseguimos expressar muitas coisas com o ato de se calar. E, aqui, com a carga de atuação de Jennifer e Bryan, esse ato se torna bastante expressivo. Junto ao silêncio, as cores escolhidas para o filme, que usa e abusa de tons frios, traz uma sensação triste e melancólica ao assistir, combinando perfeitamente com o enredo. Jennifer Lawrence e Bryan Tyree Henry entregam atuações dignas de premiações. Em todas as cenas em que eles compartilharam a tela, nenhum dos dois deixam a peteca cair. Arrisco a dizer que este é um dos melhores trabalhos de ambos até o presente momento.O envolvimento emocional que é criado e estabelecido entre o espectador e os personagens através do desenrolar da trama é peculiar e único. Divulgação: Apple TV+ E tudo isso graças a Ottessa Moshfegh, Luke Goebel e Elizabeth Sanders, que estreiam como roteiristas de um longa; e a direção de Lila Neugebauer, que chegou a dirigir algumas peças e séries. O roteiro é bem construído e apresenta os personagens de uma forma lógica e que não confunde o espectador em momento algum, mesmo demorando um pouco para ambientar a história. Ao desenrolar da história, passamos por vários altos e baixos da vida de Lynsey, e podemos percebê-la explorando sentimentos de luto, esperança, e muito mais, que sempre é projetado em sua amizade com James. Assim, nos fazendo refletir sobre que nem sempre podemos ter o que queremos e que está tudo bem não conseguir. ‘Passagem’ é um ótimo filme de estreia para Neugeauer e um destaque para Jennifer Lawerence, que voltou recentemente de um hiatus da sua carreira de atriz. Contemporâneo, melancólico e sem muitas reviravoltas, o longa mostra a importância da auto descoberta e tem chances de emocionar a quem o assiste. Nota: 4,5/5

  • Crítica | A Hora do Diabo (1ª temporada)

    Com uma trama hipnotizante, nova série da amazon fisga a atenção do telespectador do início ao fim Divulgação: Amazon Prime Video 'A Hora do Diabo', nova série da Amazon Prime Video conta a história de Lucy (Jessica Raine), uma mulher que acorda toda noite, exatamente, às 3h33. Ela tem várias visões e tudo passa a fazer menos sentido ainda, mas de alguma forma, ela encontra uma conexão com assassinatos brutais que estão ocorrendo. Com uma narrativa não linear, os seis episódios querem confundir sua cabeça e conseguem, então não dá pra ver com o celular na mão. Isso não é uma coisa difícil, já que você se envolve na trama e quer descobrir as respostas para tantas perguntas. Desconfio que se fosse uma série mega famosa, o YouTube estaria cheio de vídeos de “final explicado”, o que seria desnecessário, já que o último episódio quase desenha o que está se passando. De novo, você só tem que prestar atenção. E esse suspense psicológico te fisga. Lucy, a protagonista, é uma assistente social que faz de tudo para ajudar quem precisa. Ela tenta descobrir o que há de errado com o filho, Isaac (Benjamin Chivers), um menino que não demonstra qualquer sentimento, tendo os inúmeros médicos consultados descartado autismo ou esquizofrenia. No entanto, a esquizofrenia atinge a mãe da moça, de quem ela ajuda a cuidar. Lucy mantém uma relação estritamente sexual com seu ex-marido Mike (Phil Dunster), que ainda almeja voltar à vida dela e do filho. Em outro ponto da cidade, os detetives Ravi (Nikesh Patel) e Nick (Alex Ferns) investigam um assassinato brutal. Aparentemente no futuro, Lucy e Ravi interrogam Gideon (Peter Capaldi), o suposto culpado pelos assassinatos. É um panorama geral do primeiro episódio, sem entregar muita coisa, porque quanto menos se sabe, melhor. Divulgação: Amazon Prime Video A série não funcionaria se tudo girasse em torno somente de mistérios e os personagens não fossem desenvolvidos, o que, felizmente, não é o caso aqui. Todas as tramas se interligam de maneira satisfatória, narrativa e emocionalmente. Se o roteiro não fizesse com que nos importássemos com os personagens, tudo seria em vão. Ela é uma série ambiciosa e complexa, porque trabalha com vários temas, mantém o suspense psicológico como o tom principal, mas sabe dosar isso com um drama familiar de qualidade. Por exemplo, a relação de Lucy com seu filho Isaac, é um ponto crucial e é construída de uma forma tão sensível e tão bonita, que consegue emocionar genuinamente. Os dois atores estão sensacionais, Raine consegue trazer força e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Chivers, traz a frieza que o personagem pede e ainda consegue se mostrar uma criança que pede por cuidado, o que só sua mãe enxerga. Outro destaque do elenco é Peter Capaldi, que tem um personagem bem difícil em mãos, mas não se pode falar dele sem entregar muito da trama. Quando uma série quer mostrar tanta coisa, contar tantas histórias e passear por diversos gêneros, ela acaba se perdendo em inúmeros casos. O que me impressiona tanto em “The Devil’s Hour” é isso. Começa como uma aparente trama de terror e suspense, traz esse drama familiar, complementa com o gênero policial, sem falar no humor ácido presente nos diálogos e no romance que surge. No meio disso tudo, desenvolvendo bem seus personagens. Por isso a duração de quase 1h por episódio não fica cansativa. O que também colabora é o fato da direção ser segura e dinâmica e com a ajuda da bela fotografia, que adota tons mais sombrios, consegue trazer alguns sustos que não são meramente apelativos. Naquela máxima do “ela entrega o que se propõe”, o desfecho é fechado, mas exige que você saia da sua zona de conforto e pense sobre ele. Já disse no começo do texto, embora que as coisas sejam muito bem explicadas em uma determinada conversa, requer atenção. Poderiam ter “mostrado” mais do que “falado”, mas em alguns casos é necessário que ambos aconteçam dada a complexidade do enredo. Esse é um dos casos. Não sei se a Amazon pretende renovar ou deixar como uma temporada só ou minissérie. Confesso que ficaria mais satisfeito com a última opção, por gostar tanto do final. Mas, caso haja, estarei assistindo, desde que mantenha a qualidade dessa primeira. Nota: 4,5/5

  • Crítica | A Jaula

    Filme brasileiro mistura suspense e sátira ao criticar o Brasil dos 'cidadãos de bem' Divulgação: Star+ Lançado no Star+ na última quarta-feira, 2, o filme brasileiro “A Jaula” chegou de forma inédita no streaming após ter sido lançado nos cinemas em fevereiro deste ano. O thriller psicológico tem em sua premissa principal um assalto a um veículo estacionado em uma rua da cidade de São Paulo. Djalma da Rocha (Chay Suede) entra com facilidade no SUV que planeja roubar, mas, ao tentar sair do carro, descobre que está preso em uma armadilha, incomunicável, sem água ou comida. A ‘jaula’ foi preparada e planejada por um famoso médico da capital (Alexandre Nero), que se revoltou após ser assaltado diversas vezes. Quem passa em volta não percebe o embate que se arma entre o sádico vingador e o ladrão prisioneiro dentro do carro, a situação se desenrola para o caminho mais catastrófico possível. Cabe ao telespectador apontar quem é o vilão e quem é a vítima da história e entender as nuances da história que vão além das quatro portas. Desde o seu início, o longa parece seguir dois gêneros distintos que se enlaçam em determinados pontos na narrativa. Com uma tensão sendo construída junto com o desespero e a claustrofobia do personagem de Chay, também sentimos uma veia satírica e extremamente crítica, algumas vezes óbvia, para uma determinada camada social existente em nosso país. “A Jaula” é a versão brasileira de um longa argentino de mesmo nome, mas, é possível perceber perfeitamente o motivo da sua adaptação brasileira, especialmente em 2022. Divulgação: Star+ Durante 1h23, o roteiro dúbio que segue uma tentativa de neutralidade para que o telespectador seja o juiz, se perde em prolongar uma trama que funcionaria muito mais em um curta-metragem. Mesmo assim, a atenção do telespectador não é perdida graças às excelentes atuações dos dois principais. Alexandre Nero é, sem discussões, um dos melhores atores da teledramaturgia brasileira e é incrível ver aqui como ele transita muito bem entre os gêneros e, mesmo sem aparecer tanto, é possível captar um enorme sentimento por meio da sua voz durante os dois primeiros atos. Já Chay se estabelece como uma ótima promessa dentre os jovens atores e demonstra que tem capacidade de ir além do simplório-ruim imposto pelos roteiros de Glória Perez nas novelas globais, provando ser um excelente ator em filmes com cargas mais dramáticas. Tecnicamente, “A Jaula” é muito bom e utiliza bem o espaço limitado quase que em sua totalidade em cena e aproveita o uso dessa claustrofobia nos jogos de câmera, causando uma sensação desesperadora também em quem assiste. Dirigido por João Wainer, a crítica social do longa se enfraquece com algumas decisões do roteiro (especialmente no clímax e no seu ato final), porém, ainda é muito cabível em um Brasil extremamente punitivista e violento. A raiva internalizada no personagem de Nero é um retrato típico dos “cidadãos de bem” que clamam por serem ouvidos por meio do sensacionalismo midiático e da sociedade capitalista. Esse senso de justiceiro de pessoas que se dizem acima de tudo e donas da boa moral e dos bons costumes ao bradar que “bandido bom, é bandido morto”, parecem esquecer do ponto que os igualam àqueles que eles mais repudiam. Afinal, não é sobre inocentar um criminoso, é sobre notar que o sadismo, a tortura e a violência muitas vezes impostas por eles são muito mais condenáveis. Nota: 3,5/5

  • Festival de Artes de São Cristóvão, em Sergipe, exibirá gratuitamente produções audiovisuais locais

    Cine Trianon terá programação especial com curtas-metragens sergipanos e longas infantis para o público nos quatro dias de festival Divulgação: Imã de Geladeira O evento que celebra os 50 anos do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC) acontecerá de 01 a 04 de dezembro na cidade-mãe do estado de Sergipe. Em sua 37ª edição, o FASC é reconhecido hoje como um dos maiores festivais de arte e cultura do Norte/Nordeste. Separada em praças temáticas, a programação deste ano irá transformar a cidade. São Cristóvão será tomada por apresentações de cortejos de grupos afro, folclóricos e percussivo pelas ruas, além dos palcos de teatro e dança, dois palcos de shows, salões de artes visuais, salão de literatura, salões de oficinas como fotografia, desenho, poesia, bordado, circo, oficinas e cinema. Será no espaço ‘Cine Trianon’, localizado na Rua Cel. Erundino Prado, que todo o público terá acesso a uma vasta programação audiovisual nos quatro dias de festival. Na quinta-feira, 01, o Festival Curta-SE leva para as telas as obras infantis: “Meu nome é Maalum", "Coelhitos e Gambazitas", "O Monstro do Pântano do Sul", "Fiapo de Infinito" e "Cem Pilum - A História do Dilúvio", a partir 14h. Logo depois, às 15h30, a sessão Sergipe se dedicará em trazer histórias de realizadores sergipanos para os olhos dos espectadores. De Manoela Veloso, o documentário “Farinhada” será o primeiro a ser exibido. Ele discorre sobre a cultura tradicional das casas de farinha da região dos povoados Serra do Machado, Serrinha, Esteios, Fazendinha e João Ferreira, que vêm se tornando cada vez menos populares entre os jovens, associado à desvalorização da farinha. Encerra a sessão, “Clandestino”, de Barach Blumberg, que conta a história de Tereza, uma garota comum, com uma imaginação nada comum. No caminho para encontrar sua mãe e entregar uma encomenda muito preciosa, sua imaginação corre livre pelas paisagens do interior, enquanto ela vai viver aventuras ao lado de sua avó. Na sexta-feira, 2, 14h, o Curta-SE apresenta “Sobre Amizades e Bicicletas", "A Caverna de Petra", "Kuri Ha Akae Ovy" e "Assum Preto". Já às 15h30, na sessão Sergipe, o diretor Lucas Menezes registra em “Zélia” os momentos de retirada dos objetos do apartamento de sua avó materna, dona Zélia, que se encontra acometida pelo mal de Alzheimer, e que passa a morar com uma de suas filhas. “Fim de Expediente”, de Carol Barros, também aparece na programação e relata, por meio de uma narrativa documental, a rotina de trabalhadores do centro da cidade de Aracaju e do Mercado Municipal. Na sequência, os sergipanos terão a oportunidade de assistir um dos curtas-metragens recentes mais premiados de Sergipe. ”Imã de Geladeira”, de Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo, é uma história sobre um casal de costureiros que perde a sua geladeira em decorrência de uma série de apagões no bairro e eles saem em busca de um novo eletrodoméstico. Em uma loja de usados, uma geladeira parece oferecer risco, mas apenas para pessoas negras. Com uma narrativa afro-surrealista, o curta foi lançado nos EUA, indicado na categoria de melhor curta-metragem no 50º Festival de Cinema de Gramado. Em terras gaúchas, “Imã de Geladeira” recebeu menção honrosa no festival por “catapultar a urgente discussão sobre o racismo estrutural através do horror cósmico”. No sábado, 3, o Curta-SE apresenta o longa de animação "Tito e Os Pássaros", dirigido por Gustavo Steinberg e Gabriel Bitar com as vozes de Denise Fraga, Mateus Solano. Já a sessão Sergipe traz os curtas “Cinemas de Rua de Aracaju” de Juliana Vila Nova e Eudaldo Monção Jr e ”Ave Seca” dirigido por Carol Mendonça. O primeiro apresenta o apogeu, a glória e a decadência dos cinemas que já existiram na capital sergipana, demonstrando o destino das salas de projeção que existiram na cidade de Aracaju, e que foram transformadas em outros empreendimentos com o passar dos tempos. “Ave Seca” narra uma história no ano de 1983, quando uma das maiores secas da história do Brasil atinge o Sertão Sergipano, Maria resiste em deixar a sua terra. Acreditando na chegada da chuva, ela vai de encontro a todas as previsões. Em seu último dia de festival, 4, o FASC traz oito curtas em uma mostra intitulada "Acessibilidade": "O Homem na Caixa", "Insone", "Millie", "Trip", "Piconzé", "La Loba", "8 Patas" e “Torre” estão na programação. A sessão Sergipe encerra com “Morena dos Olhos Pretos” de Isaac Dourado, obra de 2014 que conta a história da cantora Clemilda, a Rainha do Forró. Nascida em São José da Laje, Alagoas, ela foi uma grande referência da cultura popular brasileira. Na voz dela, clássicos como "Prenda o Tadeu" e "Forró Cheiroso" fizeram sucesso em todo o Brasil e lhe renderam discos de ouro e fama. No setor musical, a programação deste ano contará com 134 atrações das mais diversas vertentes artísticas. Destas, 115 são sergipanas, 25 sancristovenses e uma atração internacional. Destacam-se na programação Emicida, Alceu Valença, The Baggios, Daniela Mercury e MC Tha. Divulgação Confiram a programação completa do Cine Trianon no FASC 2022: 01/12: 14h - Festivalzinho CURTA-SE (com a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis): • Meu nome é Maalum • Coelhitos e Gambazitas • O Monstro do Pântano do Sul • Fiapo de Infinito • Cem Pilum - A História do Dilúvio" 15:30h - Sessão Sergipe: • Farinhada (Manoela Veloso) • Clandestino (Barach Blumberg) 02/12: 14h - Festivalzinho CURTA-SE (com a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis): • Sobre Amizades e Bicicletas • Caverna de Petra • Kuri Ha Akae Ovy • Assum Preto 15:30h - Sessão Sergipe: • Zélia (Lucas Menezes) • Imã de Geladeira (Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo) • Fim de Expediente (Carol Barros) 03/12: 14h - Festivalzinho CURTA-SE (com a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis): • Tito e Os Pássaro 15h - Sessão Sergipe: • Cinemas de Rua de Aracaju (Juliana Vila Nova e Eudaldo Monção Jr) • Ave Seca (Carol Mendonça) 04/12: 14h - Mostra Acessibilidade [Curta-SE 22] e Dia da Animação: • O Homem na Caixa • Millie • Trip • Piconzé • La Loba • 8 Patas • Torre 15h - Sessão Sergipe: • Morena dos Olhos Pretos (Isaac Dourado)

  • Crítica | A Matriarca

    O filme comete o maior pecado que um terror pode cometer: é chato pra caramba! Divulgação: Star+ Atormentada por uma estranha doença após sobreviver a uma overdose, Laura (Jemima Rooper) retorna à sua cidade natal para enfrentar seus demônios interiores, mas acaba descobrindo a presença de uma entidade real. Com uma infância problemática, herdou uma vida de caos, drogas, álcool, distúrbios alimentares e todos os clichês possíveis para mostrar que a moça não está nada bem. Esse ainda não é o maior problema de “A Matriarca”. O título do filme, pensa-se de início, é por causa da relação dificultosa da protagonista com sua mãe, Celia (Kate Dickie), a quem ela culpa por tantos traumas. O roteiro quer apostar nesse terror psicológico do relacionamento conturbado de mãe e filha, alinhado com a entidade paranormal que assombra a cidade, e falha em ambos os casos. A direção e o roteiro são de Ben Steiner, que traz um certo impacto visual em algumas cenas, mas não consegue trazer ritmo ou qualquer outra coisa que seja interessante, que faça o filme de 1h25 não parecer ter 3h. Divulgação: Star+ O pouco carisma da personagem principal deixa quase impossível torcer por ela, ou ter qualquer sentimento, na verdade. Rooper faz caras e bocas, mas não é capaz de dar substância à moça, e o texto que lhe é dado, também não a faz nenhum favor. Já Dickie, é mais habilidosa e consegue extrair algo palpável. A atmosfera de mistério que sua personagem carrega, em conjunto com o arco de “mãe malvada”, parece ter uma complexidade maior, e ela ainda protagoniza a cena mais impactante do longa. Flertando com propostas interessantes, mas não sabendo desenvolver bem nenhuma delas, o filme se torna maçante, não assusta e não empolga. Não é eficaz em unir as tramas e tudo soa meio jogado. Visualmente tem alguns méritos, mas não é o suficiente porque tudo parece gratuito. É como se o diretor tivesse uma ideia boa, mas não conseguisse construir o caminho para chegar nesse lugar. O que vemos é um caminho tortuoso e que ao chegar no final dele, notamos que o percurso simplesmente não valeu a pena. Nota: 1,5/5

  • Crítica | Os Bravos Nunca Se Calam

    Filme nacional investigativo aposta na aventura, brinca e ousa por ser uma comédia de erros Divulgação: Lança Filmes Quando a morte de um jornalista acontece dias antes da publicação de seu livro sobre um caso de corrupção envolvendo empresários, políticos, fechamento de uma fábrica e a possível falência da cidade, suspeitas são levantadas e surge o questionamento se isso realmente teria sido acidente ou um assassinato com motivações políticas. O incidente acaba por reaproximar seus filhos, os jovens Manoela e Caio, que começam a investigação por conta própria. 'Os Bravos Nunca se Calam', filme nacional que chega aos cinemas em 17 de Novembro, é um típico filme investigativo com "detetives" nada profissionais e com uma dose de comédia em alguns momentos pontuais. Dirigindo seu primeiro longa, Márcio Schoenardie mostra aqui uma direção bastante criativa, que dá para sentir e ver sua assinatura entre várias cenas e planos. Isso fica evidente principalmente em alguns closes, cortes e mudanças de câmera que impactam diretamente no andamento de algumas cenas deixando-as mais dinâmicas e rápidas, ou mais tensas e cheias de suspense. Além da boa direção, vale ressaltar a preocupação com a fotografia, que por usar cores frias faz com que essa escolha combine com o propósito da obra e deixe tudo mais bonito. Dito isso, essa qualidade da fotografia e direção mostra como o cinema nacional tem grande potencial e é capaz de inovar, arriscar e produzir obras diferentes das que habitualmente consumimos por aqui. Confesso que a investigação da morte demora um pouco para engatar e evoluir, o que faz com que chegue quase à metade do filme e a história não tenha se desenvolvido como deveria. Assim, por demorar tanto nessa primeira parte, quando as coisas realmente começam a acontecer - um pouco depois da metade - o tempo para mostrar reviravoltas e mistérios maiores que surgem e chamam a atenção já é curto demais, e tudo que realmente é relevante para o andamento da trama, mesmo sendo divertido, intrigante e com um ritmo que melhora muito, é explicado às pressas. Se tivesse sido assim durante mais tempo de tela o longa com certeza se beneficiaria. Divulgação: Lança Filmes Durante alguns trechos, temas importantes são colocados em pauta, mas não são desenvolvidos e ficam por trás do que tá acontecendo em primeiro plano, sendo apenas levantados através de comentários sutis. Um exemplo disso se dá pelo fato de por ter pessoas com alto poder aquisitivo envolvida no fechamento da fábrica algumas críticas sobre corrupção são feitas, mas nada que acrescente profundamente na trama ou coloque aquilo como foco principal. Além disso, um dos protagonistas, Caio, é usado como alívio cômico na maior parte do tempo, e várias vezes não funciona. Quanto à esse personagem, vejo que o longa tenta abordar alguns temas através dele, já que por ser um adulto que não trabalha, vive com a mãe e é viciado em jogos online, várias situações são ocasionadas por falta de atenção da parte dele e uma possível alienação provocada pela tecnologia. As atuações no geral estão boas, alguns coadjuvantes com pouco tempo de tela às vezes não se equiparam aos outros, mas não é tão destoante essa diferença. Os dois protagonistas, Manoela (Duda Meneghetti) e Caio (Eduardo Mendonça) estão bem nos personagens e são capazes de transmitir a conexão que os irmãos vão construindo. Eles que começam se odiando e sem aguentar a companhia um do outro, com o decorrer vão se aproximando, amadurecendo e criando uma boa relação que se transforma em um ponto forte do filme. Destaco aqui um ponto positivo que é o fato dele não se levar totalmente a sério e entender seu propósito. Não será aquela história de investigação como Sherlock Holmes, e por isso as soluções encontradas são fáceis e as piadas são colocadas ali pra reforçar isso sempre que dá. Talvez a conclusão do caso e da investigação sejam bem mais satisfatórias do que toda a jornada até chegar nesse final - que às vezes se arrasta e demora -, mas a conexão que se forma durante esse tempo entre os irmãos é importante para o caminhar da história e o rumo que ela tomará. Com uma premissa bem simples e típica de filmes do gênero, o longa aposta em momentos de comédia para se diferenciar e prender o público. Recomendo que não vá esperando nada de grandioso ou uma super investigação repleta de reviravoltas - elas aparecerão sim, em momentos oportunos e bem colocadas - porém, na maior parte do tempo o que o filme irá te entregar será uma aventura divertida, que te permita passar o tempo acompanhando dois irmãos tentando ser detetives. Nota: 3/5

  • Cinema do Centro, em Aracaju, promove sessão especial com curtas dirigidos por mulheres sergipanas

    Ação em celebração ao Dia da Sergipanidade selecionará cinco produções audiovisuais finalizadas em 2025 ou 2026. Imagem: Divulgação O Cine Walmir Almeida, carinhosamente chamado como Cinema do Centro, localizado no Palácio-Museu Luiz Antônio Barreto, realiza no dia 29 de outubro, quinta-feira, às 19h, uma sessão especial em celebração ao Dia da Sergipanidade. Com entrada gratuita, a programação será dedicada à produção audiovisual realizada por mulheres sergipanas e contará com a exibição de cinco curtas-metragens selecionados para a iniciativa, seguido de um debate com as diretoras. Realizada pela AVBR Produções, a ação está com inscrições abertas para a seleção de cinco curtas-metragens dirigidos por mulheres sergipanas, finalizados em 2025 ou 2026. A proposta é valorizar a produção audiovisual do estado e contribuir para ampliar a presença e a visibilidade das mulheres na cinematografia sergipana. Mais do que reunir produções em uma sessão especial, a iniciativa busca criar espaço para que realizadoras sergipanas apresentem seus trabalhos ao público e tenham suas narrativas reconhecidas e valorizadas. A seleção também reforça a importância da participação feminina na construção do audiovisual produzido em Sergipe, estimulando a circulação de diferentes olhares, experiências e formas de contar histórias por meio do cinema. Para a coordenadora e programadora do Cinema do Centro, Rosângela Rocha, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a presença das mulheres na produção audiovisual do estado. “Promover uma sessão dedicada a filmes dirigidos por mulheres sergipanas é também reconhecer a importância dessas realizadoras na construção do nosso audiovisual. É uma oportunidade de colocar essas produções em evidência, aproximar o público dessas narrativas e fortalecer cada vez mais a presença das mulheres no cinema sergipano”, destaca Rosângela. A programação dialoga ainda com o propósito do Dia da Sergipanidade, celebrado em outubro como um momento de valorização da identidade, da cultura e das expressões que ajudam a contar a história de Sergipe. Nesse contexto, colocar em evidência filmes produzidos por mulheres do estado é também reconhecer diferentes formas de representar o território, suas pessoas, histórias e manifestações culturais por meio do cinema. As interessadas podem realizar a inscrição até 12 de outubro, por meio do formulário disponível na bio do perfil do Cinema do Centro. Podem participar da seleção curtas-metragens dirigidos por mulheres sergipanas e finalizados em 2025 ou 2026. Cada realizadora selecionada terá direito à reserva de dez ingressos para convidar pessoas de sua escolha a prestigiarem a exibição de sua produção durante a sessão especial. Após a seleção, as realizadoras escolhidas serão comunicadas e deverão encaminhar o filme em formato DCP (Digital Cinema Package), padrão mundial utilizado para a projeção e exibição de filmes em salas de cinema digitais. O arquivo poderá ser enviado por meio de link do Google Drive ou entregue presencialmente no Cinema do Centro até o dia 20 de outubro.

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