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- Crítica | Dahomey
Sobre retornos, memórias e pertencimentos Foto: Divulgação Vencedor do Urso de Ouro em Berlim neste ano e representante de Senegal às categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Documentário no Oscar 2025, Dahomey, dirigido por Mati Diop, segue a jornada de volta de 26 peças (entre esculturas, estátuas e outros patrimônios) para o Benim após 130 anos mantidas na França depois que as tropas coloniais francesas as levaram do então reino de Daomé. Diop, no entanto, não segue uma abordagem tradicional no sentido de limitar o filme a entrevistas com personagens e fontes que discutem a importância e as nuances desse evento, mas também borra os limites entre o real e o mágico ao dar “voz” a uma dessas estátuas, dotando-a de subjetividade para que entendamos o quão complexo é esse retorno. A voz etérea da estátua, nem masculina nem feminina, suas reflexões e meditações sobre o que significa “voltar para casa” após mais de um século — pode essa casa ainda reconhecê-la quando tanta coisa mudou? —, a posição subjetiva em que a câmera de Diop nos situa (até mesmo na escuridão da caixa na qual a estátua é levada para o Benim): esses e outros recursos adotados pela diretora conseguem ilustrar com potência a ideia de que não estamos vendo “coisas” sendo devolvidas à sua terra natal, mas sim expressões da identidade, cultura, memória e talvez até mesmo da alma de um povo. Dentre todas as muitas mazelas que a colonização impôs aos povos africanos (e que facilmente ecoam no que foi feito na América também), privá-los de seus próprios patrimônios, ainda que “apenas” os materiais, é um dos mais perversos, conforme ilustrado quando, na segunda metade do filme, um jovem cita que cresceu assistindo Disney, Avatar e Tom e Jerry, mas nunca viu uma animação que contasse a história do reino de Daomé. Foto: Divulgação Esse e outros discursos que povoam a segunda metade — estruturados em torno de um debate em um ambiente universitário — se destacam pela contundência e complexidade da discussão, a respeito das reais intenções da França e do presidente do Benim (afinal de contas, foram apenas 26 de 7000 peças devolvidas até então), o quanto essas peças de fato podem servir à manutenção da memória do país, o acesso de toda a população a elas, e muito mais. Mas, embora aprecie esse bloco e como ele mostra que não há respostas fáceis sobre o assunto, não deixo de sentir que ele é um passo atrás rumo a uma abordagem documental mais convencional, reiterando ideias e sentimentos que a primeira meia hora, mais hipnótica e atmosférica, já vinha cravando bem sem tamanha necessidade de apostar no texto. A despeito dessa mudança sensível de angulação, Dahomey preserva sua força ao retomar o fluxo quase onírico dessa viagem que, mais que geográfica, é histórica, política e emocional. Sim, 26 peças de 7000 ainda é muito pouco para reparar todas as chagas perpetradas pela colonização, mas se sobressai o sentimento de uma das jovens de debate — que diz ter chorado por mais de 15 minutos ao vê-las expostas no palácio do governo. Como poderia ser diferente, quando você enfim pode contemplar a alma coletiva que foi roubada de sua terra? Há um começo, e as escolhas formais e narrativas de Diop, por mais contidas e “pequenas” que pareçam, abrem um leque de possibilidades para que seja discutido (e filmado) o que ainda há de ser feito para que essa alma coletiva seja plenamente recuperada. Nota: 4/5
- Análise | A Casa do Dragão 1x08 (“The Lord of the Tides”)
A paz termina. Divulgação: HBO Assistir The Lord of the Tides é como ver os momentos finais da calmaria antes da tempestade, uma contraditória e eficiente mistura de (poucos) momentos de genuína felicidade com outros de tensão e muita falsidade familiar. Beneficiando-se de passar em sua maior parte num único espaço tal qual o anterior, Driftmark (embora não cometa o erro deste de um final apressado que o estraga), o episódio se sagra como talvez o melhor da temporada, mostrando House of the Dragon em seu melhor. Não à toa as poucas falhas do episódio vêm justamente dos problemas maiores da temporada. Embora a ausência de Corlys Velaryon (Steve Toussaint) se projete como uma sombra sobre os demais personagens, é desconcertante que a série dependa de diálogos expositivos para apresentar sua condição, ao mesmo tempo em que o pouco espaço dado ao seu irmão Vaemond (Will Johnson) nos episódios anteriores seja um impeditivo para enxergá-lo como um antagonista notável na sua busca pela sucessão da Casa, em detrimento da legitimidade dos filhos de Rhaenyra (Emma D’Arcy). Por outro lado, os novos atores que interpretam os filhos de Rhaenyra e Alicent (Olivia Cooke) mergulham com facilidade nos personagens, especialmente Ewan Mitchell como Aemond, que compõe um personagem assustador e de poucas palavras. Ao mesmo tempo, os talentos de D’Arcy e Matt Smith permitem que vejamos com naturalidade a evolução do casamento dos dois, enquanto Cooke traz mais lados da sua personagem, seja no aparente fervor religioso quanto na hipocrisia de acobertar os abusos sexuais de seu próprio filho Aegon (Tom Glynn-Carney). Porém, se há um nome que merece destaque nesse episódio, é mais uma vez Paddy Considine como Viserys. Desde o terceiro episódio defendo que ele criou uma versão do personagem muito mais interessante que a dos livros, e se o recurso da sua doença pode soar “demais” para transmitir suas fraquezas, aqui é bem-sucedido por revelar tudo que há de mais trágico sobre ele, o que é ampliado pela excelente atuação de Considine. No fim, Viserys é apenas um homem que queria ver sua família unida, como atesta a excepcional sequência do jantar, mas será para sempre marcado pela tragédia, a julgar pela cena final. Em tudo o nome de Considine merece atenção e louvor, trazendo nuances e um retrato emocionante para um personagem que facilmente supera sua versão original. Toda a meia-hora da segunda metade do episódio se mostra o melhor e mais bem-construído final na série até agora, indicando que quando a série quer, ela pode entregar sequências que não soam exageradamente corridas ou que não detraem do que vimos antes. Ainda mais do que o casamento no quinto episódio, aqui a progressão entre a sequência das petições na sala do trono e a do jantar é uma aula de tensão acumulada, ressentimentos, passados mal-resolvidos e temores para o futuro. Ao fim dos muito bem-dirigidos e roteirizados 67 minutos de The Lord of the Tides, a certeza que fica é que House of the Dragon sabe abandonar seus erros quando quer, e que o futuro de seus personagens é sombrio, mas fascinante.
- Crítica | As Polacas
Bom enredo é desperdiçado com execução de muito mau gosto Foto: Divulgação Em 1917, Rebeca (Valentina Herszage) foge da fome e da guerra na Polônia e chega ao Brasil para reencontrar o marido e iniciar uma nova vida. No Rio de Janeiro, ela descobre que seu marido faleceu e acaba refém de uma grande rede de prostituição e tráfico de mulheres, chefiada pelo impiedoso Tzvi (Caco Ciocler). Rebeca transgride suas próprias crenças e encontra aliadas que vivem o mesmo drama. Juntas, elas decidem lutar por liberdade. O cineasta João Jardim pode ter tido as melhores das intenções em retratar uma história tão pungente – e certamente desconhecida para a maior parte dos brasileiros –, mas a falta de tato e de sensibilidade que esse texto carece é perceptível em sua direção. A condução do filme prefere planos fechados onde coloca as mulheres em evidência e consegue transmitir a sensação de aprisionamento e sufoco a que as personagens femininas estão submetidas, o que é uma escolha de estilo compreensiva e até bem empregada. Mas para além disso, todas as outras decisões que são tomadas ao querer evidenciar a violência e os abusos sofridos são completamente questionáveis. O longa tem uma grande adversidade com seu ritmo e tenta usar esses momentos impactantes, por assim dizer, como situações-chave no desenvolvimento do enredo, o que reduz o protagonismo das mulheres ao papel de vítima e não consegue dar a força e a relevância que acha que está dando àquelas personagens. Por vezes o filme parece se inspirar no premiado Entre Mulheres (2022), de Sarah Polley, para tentar construir em cena a rede de apoio feminina que fará com que elas superem seus obstáculos, mas falta diálogos, falta tempo de tela, e falta também profundidade. Se muito do óbvio mostrado nas partes de agressão fosse transferido para a simplicidade da troca entre suas protagonistas, o longa teria uma roupagem mais sincera e mais justa. foto: Divulgação Valentina Herszage mostra porque é um dos nomes de destaque no cinema brasileiro dos últimos 5 anos. A atriz consegue passear por diferentes gêneros com naturalidade e aqui carrega a trama com garra e muito sentimento na voz e no olhar. Caco Ciocler também interpreta bem seu cínico antagonista e contrapõe Valentina com nuances variadas. Jardim é um diretor com muita experiência em televisão e isso reflete em seu novo filme. Os enquadramentos, a montagem e o desenho de som, são alguns dos elementos que mostram seu viés mais enxuto ao arquitetar sua narrativa filmada, o que torna o filme contido, mas não menos impositivo. As Polacas se valida pela urgência de seu tema, como registro artístico-histórico, e como problema ainda vigente, mas provavelmente uma visão feminina (ou mais visões femininas) no tratamento da história traria uma melhora substancial no teor e no resultado. Nota: 2/5
- Filme sergipano é premiado na 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes
Longa venceu categoria voltada para a exibição de filmes inéditos de novos realizadores Divulgação: Universo Produção A 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes chegou ao fim no sábado, 1º de fevereiro, na cidade histórica de Minas Gerais, com a cerimônia de premiação dos destaques do festival e o longa sergipano Um Minuto é uma Eternidade para Quem Está Sofrendo, dirigido por Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro, foi o vencedor da Mostra Aurora. Essa categoria é composta apenas por estreias de cineastas em longas-metragens, revelando o desejo de ir mais fundo ao encontro de trajetórias nascentes em filmes com mais de uma hora de duração. A escolha foi feita pelo Júri Jovem, composto por estudantes universitários selecionados após a participação na oficina “Análise de Estilos Cinematográficos”, realizada durante a 18ª CineBH, em 2024. Na seleção pelo longa sergipano, o júri destacou a forma como o filme trata a vulnerabilidade e a subjetividade do erro. Os diretores, Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro, nasceram em Sergipe e já possuem uma vasta participação no cenário independente. Atualmente, Fábio vive e trabalha em São Carlos, no interior de São Paulo. Apaixonado por cinema, construiu uma filmografia diversificada, marcada por colaborações com nomes importantes do cenário cinematográfico brasileiro. Sua trajetória inclui obras como Um minuto é uma eternidade para quem está sofrendo (2025), co-dirigido com Wesley Pereira de Castro, Performance com Uísque (2024) e A Última Valsa (2024), este último realizado em parceria com Jean-Claude Bernardet. Além disso, dirigiu Este cinema tão Augusta (2024) e Cama Vazia (2023), novamente ao lado de Bernardet. Sua produção também inclui os curtas Cantando no Chuveiro (2023), Crepúsculo das deusas (2022), Eu não sei dançar, mas danço (2022), Olhos Livres (2021), Nadir (2019), Impávido Colosso (2018) e O Brado Retumbante (2016), ambos co-dirigidos com Marcelo Ikeda, além de A eleição é uma festa (2013) e O arquivo de Ivan (2008). Já Wesley Pereira de Castro é mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e graduado em Radialismo pela mesma instituição. Como crítico de cinema, é filiado à Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Sua incursão na direção começou com curtas como Jardim das Vulvas (2002), Escopo (2003), O Lugar em que um Homem Mora (2003) e O futuro é um vazio (2020). Além de dirigir, Wesley também atua e performa, participando de curtas como Povo de Atalaia (2023), Cantando no Chuveiro (2023) e Eu não sei dançar, mas eu danço (2022). Divulgação: Um Minuto é uma Eternidade para Quem Está Sofrendo (2025) Outros vencedores da Mostra A Mostra Olhos Livres, uma das categorias de destaque do evento, premiou um longa-metragem coproduzido entre Minas Gerais e São Paulo. O vencedor foi Deuses da Peste, dirigido por Tiago Mata Machado e Gabriela Luíza. Eleito pelo júri oficial, formado por críticos, o filme conta a história de um velho ator afastado dos palcos que vive em um casarão em ruínas no centro de São Paulo. Além das premiações principais, a Mostra de Cinema de Tiradentes concedeu outros reconhecimentos. O curta-metragem Entre Corpos, de Mayra Costa, foi escolhido pelo Júri Oficial como o melhor da Mostra Foco. A atriz Ticiane Simões, que integra o elenco do filme, também recebeu um prêmio por sua atuação. Já na votação do público, os escolhidos foram 3 Obás de Xangô, de Sérgio Machado, como melhor longa-metragem, e Dois Nilos, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro, como melhor curta-metragem. Divulgação: 3 Obás de Xangô Confira a lista com todos os premiados abaixo: Melhor Longa da Mostra Olhos Livres (Prêmio Carlos Reichenbach - Troféu Barroco): • Deuses da Peste, de Tiago Mata Machado e Gabriela Luíza (MG/SP) Melhor Filme da Mostra Aurora (Júri Jovem): • Um Minuto é uma Eternidade para Quem Está Sofrendo, de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro (SE) Melhor Curta-Metragem da Mostra Foco e Prêmio Helena Ignez de "Destaque Feminino" (para a atriz Ticiane Simões): • Entre Corpos, de Mayra Costa (AL) Melhor Curta da Mostra Formação (Filmes Universitários): • Desconstruindo Lene, de Guilherme Maia (BA) Prêmio da Crítica (Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema) – Mostra Autorias: • Parque de Diversões, de Ricardo Alves Jr. (MG) Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular: • 3 Obás de Xangô, de Sergio Machado (RJ-BA) Melhor Curta pelo Júri Popular: • Dois Nilos, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro (RJ) Prêmio Work in Progress (WIP) – Conexão Brasil CineMundi: • A Voz de Deus, de Miguel Antunes Ramos (SP) Prêmio Málaga WIP, Outorgado pelo Fidba (Festival Internacional de Documentários de Málaga - Espanha): • Morte e Vida Madalena, de Guto Parente (CE) Prêmio Canal Brasil: • Marmita, de Guilherme Peraro (Londrina-Assis) Prêmio da Distribuidora Retrato Filmes: • Prédio Vazio, de Rodrigo Aragão (ES)
- Crítica | Fé para o Impossível
Filme religioso em nada se distingue de seus congêneres para além do “fato real” Divulgação Fé para o Impossível é o longa biográfico do diretor Ernani Nunes que vai retratar um fato na vida de Renee Murdoch (Vanessa Giácomo). Renee é uma pastora norte-americana, que vive no Rio de Janeiro e foi brutalmente atacada por um morador de rua que a atingiu com um pedaço de madeira na cabeça em uma corrida em setembro de 2012, no bairro da Barra da Tijuca. Internada em estado gravíssimo e com baixas perspectivas de cura sob o diagnóstico de traumatismo craniano, Renee contou com a ajuda de seu marido, Philip (Dan Stulbach), e com o apoio de sua família que compartilharam a luta da pastora com o mundo a fim de reunir o máximo de pessoas para uma poderosa corrente de oração pela sua recuperação. O maior dos problemas de filmes religiosos de superação talvez seja a falta de personalidade, a falta de aprofundamento nas subjetividades das vidas daqueles indivíduos, que torne aquela história (ou pelo menos aquele filme) diferente dos outros que já existem. Afinal, chega-se sabendo que tudo ficará bem mesmo em meio às adversidades, então a melhora/recuperação deveria ser apenas o centro gravitacional por onde todos os outros subenredos orbitam. Fé para o Impossível gabarita todos os clichês do gênero. A falta de fé de um dos membros da família, a união de todos pela recuperação, os questionamentos religiosos cansados, a representação genérica da igreja, as músicas emocionantes. Pegue qualquer cena que não se refira aos detalhes do acontecimento com a personagem central e o filme se confunde com outros tantos semelhantes que saíram nos últimos 10 anos, dentro e fora do país. É apenas quando o roteiro se preocupa – e parece que por obrigação – com os vínculos familiares que ele ganha notoriedade. A dureza e a negação de Philip em relação aos sentimentos dos filhos é o tópico que se destaca pela tangente da questão sensível à saúde de Renee, e se houvesse uma melhor valorização deste arco o longa-metragem assumiria uma identidade, até mesmo uma motivação que endossasse o discurso de “males que vem para o bem” que a algumas vertentes cristãs tanto amam. Assim como Inexplicável, lançado ano passado, este filme também sabe qual o público que quer atingir e vai conseguir, mas, ademais do nicho facilmente impressionável e da história que sim tem seu mérito surpreendente, a produção não mira mais do que poderia, falta valorização das possibilidades de alcance de sua própria narrativa nas entrelinhas. Nota: 1,5/5
- Crítica | Plainclothes (Festival Sundance de Cinema 2025)
Sentimentos reprimidos guiam o enredo de drama policial cheio de estilo Foto: Divulgação Em Nova Iorque, nos anos 90, o jovem policial Lucas (Tom Blyth) trabalha como agente disfarçado designado para atrair e prender homens gays. Lutando contra seus desejos, ele desafia as ordens profissionais quando se apaixona por Andrew (Russell Tovey), um de seus alvos. O primeiro longa-metragem de Carmen Emmi é efervescente, é forte e é estiloso. Em seus 90 minutos o potente filme caminha pelo drama, pelo romance e pelo suspense policial e entrega resultados positivos e criativos em cada um deles, e o melhor de tudo, eles convergem para os mesmos propósitos sem interferirem na execução e no feitio uns dos outros. Carmen realiza um trabalho excepcional tanto na direção quanto no roteiro. O título À Paisana (em tradução livre) ganha muito mais subtexto no decorrer do filme. O disfarce de Lucas vai para além do âmbito profissional. Ele nunca se permitiu viver sua orientação sexual e reprime seus desejos por conta de todos os círculos sociais que o cercam, família, amigos, namorada e de forma mais perigosa, seu trabalho. Essas travas servem como motivadores para as crises de ansiedade que sofre. E com uma câmera trêmula, iluminação alta e ruídos estáticos estridentes, a direção de Cameron expressa os lapsos mentais que resultam das muitas omissões em que Lucas é obrigado a se submeter. Foto: Divulgação O argumento tem, além de ótimas motivações, ótimos desdobramentos, personalidades bem desenvolvidas e uma conclusão pra lá de climática que se torna o apogeu de uma trama segura, bem estruturada e finalizada de maneira magistral. O enredo também não deixa de lado a função de registro e recorte histórico e social; Lucas é a personificação de várias problemáticas, causas e consequências relacionadas ao “cruising”, ele valida e ao mesmo tempo materializa a hipocrisia de parte da sociedade que condena e persegue. O elenco está primoroso. Tom Blyth dá vida a um personagem que sempre anda na corda bamba, sempre no limite, sempre em foco, sempre tendo que tomar alguma decisão que pode comprometer a falsa estabilidade de sua vida. Mesmo com um roteiro limpo e preciso, Blyth consegue dizer mais do que é necessário com seu olhar inquieto. Na contramão temos Russell Tovey com um Andrew tranquilo, sereno, sábio, é um homem que parece ter controle de tudo ao seu redor, mas não menos curioso, não menos insaciável. Destaque também para a irretocável Maria Dizzia, que interpreta a afetuosa e apreensiva Marie, mãe do Lucas, com maestria. Mesmo com poucos personagens e com uma trama simples, o filme consegue surpreender, seja pela narrativa filmada ou pela escrita. É envolvente, é apreensivo, é bonito e é bem resolvido. Nota: 4/5
- Crítica | Train Dreams (Festival Sundance de Cinema 2025)
Drama épico é filmado com elegância, mas perde força em meio a divagações Foto: Divulgação Baseado num romance de mesmo nome, a adaptação conta a história de Robert Grainer (Joel Edgerton), um homem comum que viveu em tempos extraordinários do início da expansão ferroviária norte-americana, e trabalhou como temporário no oeste americano no começo do século XX. Tendo que lidar com a distância de sua família e a perda de entes queridos, ele luta para se ajustar a esse novo ambiente em constante mudança. O mais recente filme do cineasta Clint Bentley é um deleite visual antes de qualquer coisa. Não há como passar por Train Dreams sem ser impactado pela beleza plástica do longa. O que o diretor de fotografia Adolpho Veloso faz com o contraste de sombras e com os planos abertos é sem dúvidas o maior destaque do filme. A ponto de em alguns momentos não parecer importar o argumento que deveria amarrar aquelas belas imagens bucólicas estadunidenses. Mas existe sim ali um enredo bem norte americanizado sobre os tempos áureos onde os brancos homens de bem viviam com suas belas e recatadas esposas na mais tranquila paz longe de todos os males contrários ao seu estilo de vida e/ou vindos de fora. A vida do protagonista é contada através de uma narração apática que em nada soma ao encadeamento de fatos, além disso existem causos de personagens paralelos e constantes contemplações que tentam dar um gracejo ao texto – e que pode funcionar bem no livro – mas aqui resultou numa distração em relação à trama do personagem central. A narrativa funciona melhor, para além do protagonista e do contexto geopolítico em si, quando se percebe que o tema central é a passagem do tempo e a instabilidade espontânea que o acaso/destino pode trazer à vida por mais planejada que ela seja. Joel Edgerton veste como ninguém as roupas de época de homem bruto do início do século XX, e desempenha um papel contido, mas que consegue manter a constância necessária para o desenvolvimento da narrativa. E mesmo com um elenco de coadjuvantes de peso, nenhum dos personagens consegue se fazer relevante o suficiente para deixar algum registro no resultado. Em meio a reflexões existenciais e questões de propósito humano, que pendem para uma inocência quase tola, Train Dreams consegue passar sua mensagem e contar a sua história com sucesso, mas sem chamar muito a atenção, mesmo as vezes sendo necessário uns picos de energia. Nota: 3/5
- Crítica | Sukkwan Island (Festival Sundance de Cinema 2025)
Isolamento na natureza serve de terapia pai-e-filho hipotética em drama surpreendente Foto: Divulgação Em Sukkwan Island acompanhamos Roy, um jovem assustado com o passado, que viaja para uma ilha remota nos fiordes noruegueses para se reconectar com seu pai e confrontar a experiência traumática que eles compartilharam dez anos antes e que transformou seu relacionamento. Filmes que apresentam a natureza como um espaço propício ao autodescobrimento são quase um subgênero do drama no cinema pós-moderno. E o mais interessante é que vários destes são inspirados em histórias reais como o bastante conhecido Na Natureza Selvagem (2007) e o indicado ao Oscar Livre (2014). É o cinema retratando mais uma crise de identidade e personalidade do ser humano contemporâneo das mais belas e criativas formas. No entanto, assistindo ao novo filme do cineasta francês Vladimir de Fontenay, não pude deixar de lembrar de uma comédia honesta e bastante sensível chamada In Natura (2014). O cenário norueguês e o homem se isolando da sociedade para lidar com seus demônios em meio a natureza onde ele pode chorar e ninguém ver aparentemente funcionam nas mais diversas abordagens, seja pela ideia quase mística de um poder curativo da natureza, ou seja pelo sempre saudável distanciamento físico da sociedade. Quase que o filme todo se desenrola num flashback contando como o adolescente Roy e seu pai, com quem não tinha contato há tempos, se conectaram em meio às belas paisagens das montanhas gélidas da Noruega, durante um ano sabático que resolveram tirar para esse propósito. Com uma filmagem que aproveitou os tons naturais do ambiente e soube reproduzir belas imagens com pouca iluminação, o longa-metragem tem um visual exuberante e pinta este plano de fundo idílico para uma história que se apresenta de forma emocionante e densa. Foto: Divulgação A dinâmica desenvolvida em cena pelos atores Swann Arlaud e Woody Norman carrega de forma orgânica o roteiro mesmo nos momentos mais estáticos. Destaque para mais um trabalho visceral de Arlaud que brilha ao preencher todas as lacunas do seu personagem criado em cima de várias concepções hipotéticas. Os diálogos são bem trabalhados e criam nuances sobre o personagem de Roy que para o espectador mais racional podem perder a força haja visto que nos minutos finais o filme apresenta uma reviravolta que, dependo de qual foi sua experiência com a produção até ali, pode comprometer ou endossar o resultado da experiência. O longa se encerra com um epígrafo, em texto mesmo antes dos créditos finais, que escancara para caso tenho sobrado alguma dúvida, o que foi exatamente que se acabou de assistir, e, mesmo sendo bem sensacionalista e até desnecessário mesmo, é uma justificativa de todas as escolhas narrativas feitas que possam ter ficado incompreendidas. Pode não funcionar para alguns, para mim atingiu certeiro. Nota: 4/5
- Crítica | Trilha Sonora Para um Golpe de Estado
Os horrores do colonialismo e imperialismo sob a pulsação inquietante do jazz Foto: Divulgação Em fevereiro de 1961, os músicos de jazz Abbey Lincoln e Max Roach invadiram, junto com outros manifestantes, o Conselho de Segurança da ONU para protestar contra o assassinato de Patrice Lumumba, então primeiro-ministro do recém-criado Estado do Congo. Esse, porém, é apenas o ponto de partida (e também clímax) da intrincada tapeçaria tecida pelo diretor belga Johan Grimonprez para denunciar os crimes de seu país natal no Congo e a cumplicidade das potências ocidentais com tais crimes durante a Guerra Fria. Para tal denúncia, ele adota uma estratégia no mínimo curiosa, entrelaçando a história desses crimes e jogos de poder com o próprio jazz, para muito além das figuras de Lincoln e Roach (que, aliás, pouco aparecem no filme). O título Trilha Sonora Para um Golpe de Estado, aqui, tem um duplo — ou até mesmo triplo — sentido: tanto diz respeito à seleção musical que acompanha o filme quanto ao fato de que os próprios EUA naquele período, se aproveitando da popularidade do jazz a nível nacional e global, enviam alguns dos seus mais famosos músicos do gênero — como Louis Armstrong e Dizzy Gillespie — como “embaixadores” mundo afora, especialmente aos países mais vinculados ao bloco comunista da União Soviética e de Nikita Kruschev. É uma curiosa aula de história e geopolítica que ilustra o poder e influência massivos dos bens culturais. Quando falo em um “triplo sentido”, me refiro que, mesmo formalmente, Grimonprez conduz seu filme como uma obra de jazz: dinâmica, pulsante, por vezes errática, mas incrivelmente virtuosa. O trabalho de montagem de Rik Chaubet, nesse sentido, é para ser aplaudido, já que ele tem a hercúlea tarefa de conciliar um sem-número de imagens de arquivo, seja das reuniões no Conselho de Segurança da ONU, entrevistas tiradas de outros materiais, trechos de livros e relatórios expostos como textos em tela, gravações feitas no Congo colonial e recém-independente, performances dos artistas de jazz (que incluem, para além dos já citados, Miles Davis, Nina Simone, Thelonius Monk, John Coltrane e muitos outros) e muito mais. É bem verdade que o fluxo incessante de informações e gravações pode chegar a exaurir em determinados momentos, em especial na última hora, mas é notável como Grimonprez e Chaubet conseguem articular fontes tão distintas e diversas para construir um relato contundente — e muitas vezes revoltantes — do que o Ocidente fez às nações africanas, em especial ao Congo naquele período (e que infelizmente continua a fazer), mesmo sob o discurso da “democracia” e da “paz”. Foto: Divulgação Apesar de ser um esforço em sua maior parte recompensador, é notório que, em meio ao fluxo narrativo e informacional que conduz o filme, alguns tópicos são subdesenvolvidos ou até se perdem pelo caminho. Por exemplo, a própria ênfase inicial dada no jazz como essa máquina ideológica de “soft power” acaba sendo deixada de lado depois de certo momento, com a trilha de jazz sendo mantida mais num nível circunstancial do que efetivamente diegético. Além do mais, há por vezes uma certa dependência do texto em tela (com as falas, excertos e trechos de materiais escritos e gravações de áudio) que não condiz com a potência das imagens por si só. E, embora não veja como intencional da parte de Grimonprez focar na realidade dos afro-americanos à época para a discussão aqui abordada — para além do envolvimento político de artistas e intelectuais negros dos EUA com a questão africana —, é no mínimo curioso que, ao enfim discutir a morte de Lumumba, o filme opte por centrar na reação justamente deste grupo, quando até aqui vinha apresentando de maneira bem sólida a questão do Congo e os impactos do evento nele ocorridos para o próprio processo de libertação das ex-colônias africanas, dentro de um contexto geopolítico global. Apesar dessas irregularidades em algumas das suas escolhas formais e narrativas, Trilha Sonora Para um Golpe de Estado é cinema-denúncia feito de maneira inventiva e original, retratando uma história muitas vezes desconhecida aqui no Ocidente (o motivo sabemos bem) e que reflete tantas injustiças e disparidades ocorridas em outros processos históricos, seja na África, Ásia ou nas Américas. Goste-se ou não de jazz, a utilização dele como um fio condutor (ainda que frágil em alguns momentos), seja na forma ou na própria trama, como instrumento de repressão ou de libertação, é o grande diferencial através do qual o documentário emerge e nos impacta com sua mensagem. 3.5/5
- Crítica | Nickel Boys
Filme insere espectador em uma sensível narrativa de lembranças com formato genial Foto: Divulgação O drama conta a história de Elwood e Turner, dois adolescentes negros que se conhecem no reformatório Nickel durante a década de 60 na Flórida, EUA. Adaptado de um romance homônimo, o longa-metragem narra a poderosa amizade entre os jovens que passam juntos pelas angustiantes provações do terrível lugar onde criaram um vínculo poderoso. Que trabalho primoroso RaMell Ross – diretor e roteirista – desenvolve nesta produção. Junto com uma equipe que entrega um esforço caprichado em dar vida a uma história de forma inventiva, ele cria um milagre visual e narrativo que enfatiza a riqueza do simples, e aborda uma temática social negra dolorosa com requinte e respeito. O filme é baseado no romance de mesmo nome do autor Colson Whitehead, um dos mais premiados e venerados da literatura estadunidense contemporânea, que por sua vez é inspirado na polêmica Florida School for Boys, fechada em 2011 e conhecida por seu história de abusos e violência, dos mais diversos tipos, para com os alunos da instituição. É um filme consolidado em cima da riqueza dos detalhes e no lirismo do ordinário. Por mais que o resultado imprima uma “simplicidade” em relação a tantos malabarismos visuais pelos quais o cinema estadunidense se tornou conhecido, seu alicerce é riquíssimo em recursos habilidosos e lúdicos que compõem uma estética funcional, antes de qualquer outra coisa, para a arquitetura do roteiro. Foto: Divulgação Em tempos em que, para se considerado bom por um grupo seleto encabeçado por jovens internautas, um roteiro adaptado precisa ser um “copia e cola” ipsis litteris ao texto base para ser considerado bom, RaMell Ross e Joslyn Barnes trazem frescor ao inserir a perspectiva dos protagonistas no plano da câmera. O romance é contado em terceira pessoa, por um narrador observador, e o que o bem articulado roteiro faz é transformar esse argumento em um texto em primeira pessoa. Começando com a perspectiva de Elwood que conduz o enredo até o reformatório Nickel, e ao conhecer Turner, também passa a ter seu ponto de vista filmado, de modo que naturalmente as histórias dos rapazes vão se fundir e montar o mosaico de perspectivas com um engenharia de POV e campo e contracampo simplesmente brilhante. O rigoroso trabalho da direção de fotografia, e do desenho de som são os principais aliados na estrutura técnica para o bom desempenho do filme. O que é mostrado (e como é mostrado) em cena é sempre relevante, da mesma forma que os momentos em que uma tela escura de possíveis olhos fechados faz o desenho de som ser o guia por entre um suspense cruel e cru. Além disso, a montagem que sabe quando alternar os pontos de vista com inserções de fotografias, de vídeos e de textos que ligam os diferentes tempos do filme e fortalecem ainda mais a robustez do texto. Existe tanto sentimento e tanta verdade que cada segundo parece precioso, parece caro, parece importar mais do que anterior e menos do que o seguinte. Os atores Ethan Herisse e Brandon Wilson estão deslumbrantes em suas entregas e em suas conduções, e a atuação poderosa e convergente de Aunjanue Ellis é um espetáculo à parte. Hattie, a avó de Elwood, serve de contrapeso para as memórias afetivas do personagem em meio às desventuras e a grandiosa atriz sabe fazer bastante sem precisar de barulho, de excessos e de apelos exagerados. É uma produção complexa em sua “simplicidade” já citada. Complexo na forma e na mensagem. É um trabalho primoroso enquanto resultado cinematográfico e enquanto registro, tão realista quanto necessário numa história “quase real”, de beleza, de resistência, de hipocrisia, de insensibilidade e de dor. Nota: 5/5
- Filme sobre a vida e obra de Luiz Gonzaga ganha teaser inédito
‘Luiz Gonzaga - Légua Tirana’ tem previsão de estreia para julho de 2025 Foto: Divulgação/ O2 Play O filme Luiz Gonzaga - Légua Tirana retrata a vida e obra do icônico Luiz Gonzaga do Nascimento, conhecido como o Rei do Baião, e mergulha desde a infância e adolescência do artista, explorando suas raízes de retirante do Sertão nordestino, revelando as conexões profundas entre sua música e a rica e complexa cultura que marcou sua obra. Gonzaga é apresentado como símbolo da fusão cultural e da identidade nordestina, por ter sido capaz de unir influências históricas, religiosas e étnicas em sua música cativante. A direção do longa-metragem é de Diogo Fontes e Marcos Carvalho, com produção da Mont Serrat Filmes e Cinema no Interior. As gravações aconteceram na Chapada do Araripe, divisa dos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, e em Caiçara, município da Paraíba. No elenco, estão nomes como Luiz Carlos Vasconcelos, Cláudia Ohana e Tonico Pereira, contando com outros talentos regionais. O teaser oficial de Luiz Gonzaga - Légua Tirana foi apresentado inicialmente durante a exibição dos trailers nas sessões de O Auto da Compadecida 2 e agora está disponível online. Confira o teaser trailer de Luiz Gonzaga - Légua Tirana aqui.
- Elenco de Beleza Fatal, primeira novela da MAX, conversam sobre bastidores da produção e da importância do projeto
Conjunção perfeita e fatal em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 21 Foto: Divulgação Com estreia marcada para o dia 27 de janeiro em toda a América Latina, Estados Unidos e Portugal, Beleza Fatal, a primeira novela da MAX, chega ao streaming. Escrita por Raphael Montes e supervisionada por Silvio de Abreu, Beleza Fatal terá 40 capítulos e um elenco estrelar. Nesta terça-feira, 21, o ‘Oxente, Pipoca?’ participou da coletiva de imprensa que reuniu diretores, roteiristas e parte do elenco em um hotel em São Paulo. Estavam presentes os atores Camila Pitanga, Camila Queiroz, Murilo Rosa, Caio Blat, Marcelo Serrado, Breno Ferreira e Romaní. O escritor e roteirista Raphael Montes, a diretora Maria de Médicis, a produtora Geórgia Costa Araújo (da produtora Coração da Selva) e a head de conteúdo da Warner Bros. Discovery, Monica Pimentel. Cinco episódios serão lançados semanalmente a partir da próxima segunda, 27, e para Monica Pimentel, o investimento da Warner em Beleza Fatal é similar ao de grandes séries dos Estados Unidos, como ‘A Casa do Dragão’ e ‘Pinguim’ e que o objetivo é levar o melhor do Brasil para o mundo. “Beleza Fatal inaugura uma nova era na produção de novelas no país. Ela possui um potencial gigante de elevar o patamar da dramaturgia brasileira, aliada a uma contemporaneidade que entende que o público atual necessita de um maior dinamismo. A novela tem um ritmo muito correto e muito cirúrgico, tudo acontece mas dentro de um timing que o telespectador sempre vai ser surpreendido”. Foto: Divulgação Para o escritor Raphael Montes, Beleza Fatal é a novela que ele queria ver, misturando thrillers dos anos 90 e novelas com uma pegada clássica, trazendo assuntos modernos e uma nova roupagem. Ao falar de inspirações, Raphael cita Succession ao falar da relação da dinastia da família de médicos que faz parte da trama, os Argentos. “Incentivado pelo Silvio de Abreu, eu me diverti fazendo esse projeto”. E sobre a escalação das protagonistas, Raphael brinca: “No mesmo elenco eu tenho a Bebel, a Jade e Angel”, relata aos risos. Raphael se refere as icônicas personagens das atrizes Camila Pitanga, Giovanna Antonelli e Camila Queiroz que marcaram a história da teledramaturgia nas novelas Paraíso Tropical, o Clone e Verdades Secretas, da TV Globo, respectivamente. A atriz Camila Pitanga, depois de ter passado um tempo afastada das novelas, retorna com um trabalho que a desafiou e a divertiu, na mesma medida. “Estava esperando um projeto que fizesse sentido pra mim e as pessoas me pediam bastante nas ruas. Em Beleza Fatal, o texto do Raphael não tem medo de impactar e surpreender e a novela faz essa ponte com vários folhetins que a gente ama. Quando eu comecei a ler o texto, não conseguia parar. Você nunca sabe o que vai surgir pela frente”, relata Camila Pitanga. A atriz é a força motriz da novela na pele da vilã Lola, uma dona de clínica estética e influencer de beleza. O escritor Raphael Montes, inclusive, confessa que a vilã é uma das personagens favoritas que ele já escreveu e que foi inspirada na sua mãe e na sua sogra. “A Lola é perigosa e ambiciosa, mas muito inteligente. É uma mulher que corre atrás do que quer, sem medir esforços. É uma personagem que tem uma vontade de viver contagiante, e mesmo tendo esse lado mais denso, a gente gosta dela”, reflete Camila Pitanga. Foto: Divulgação Já a atriz Camila Queiroz relembrou o momento em que foi convidada a fazer parte do elenco da novela, interpretando Sofia. “O Raphael me apresentou Beleza Fatal em abril de 2023 e me convidou em um jantar para fazer parte da novela. Eu era apaixonada pelo trabalho do Rafa mas estava em uma espiral de trabalhos e sentia que precisava estar inteira para ser a Sofia, mas pedi o texto para ler. Li entre uma gravação e outra, na esteira da academia, e quando eu cheguei no final do capítulo dez, peguei o telefone, larguei tudo e disse “quero ser a Sofia”. Era algo que eu nunca tinha feito e que mexeu muito com um lado meu bem noveleira, que está enraizado na nossa cultura”, explica. Sofia é a personagem que cresce junto com a trama e que, depois de presenciar tantas maldades da tia Lola, resolve fazer justiça com as próprias mãos. Camila afirma que a partir do episódio 27, suas cenas passaram a ser ainda mais desafiadoras, após o turning point de transformação da sua personagem. Ela também destaca a cena final entre Lola e Sofia e agradece a Camila Pitanga pela parceria nas cenas e também fora das telas. Um dos temas principais da novela é a indústria dos procedimentos estéticos e da cirurgia plástica. No núcleo encabeçado por Lola, também estão os personagens dos atores Murilo Rosa, Caio Blat e Marcelo Serrado, que são cirurgiões plásticos. O personagem de Serrado, por exemplo, é apelidado na trama de Dr. Peitão, e é muito mais preocupado com a estética do que a saúde de suas pacientes, praticando medicina com uma certa crueldade. Sobre esse ponto da trama, Raphael explica: “Conversei com muitos cirurgiões plásticos e conversei também com esteticistas e tudo mais. Em Beleza Fatal não quis demonizar a busca pela beleza, essa é uma indústria importante que traz de volta, muitas vezes a autoestima. Mas nesse universo, você tem médicos corretos e médicos como o Dr. Peitão. Tudo tem seu lado positivo e negativo. O grande tema que eu sempre proponho e que me interessa é mostrar o que as pessoas querem que as outras vejam e o que elas são de verdade”. Já o ator veterano Caio Blat dirigiu alguns episódios da novela, sob o comando da diretora Maria de Médicis, trazendo sua vasta experiência no mundo da teledramaturgia. Murilo Rosa, que faz parte do cast da MAX desde 2021 e apresentou o reality show A Ponte: The Bridge Brasil, vencedor do Emmy Internacional de Programa de Entretenimento sem Roteiro, destaca a importância da visibilidade da plataforma. “O streaming traz um glamour para o trabalho, mas, no fim das contas, todos nós queremos que a novela seja popular. Ela mistura grandes clássicos e histórias de novelas que foram sucesso e acho que o público vai gostar de ver”. Sobre a jornada da sua personagem, Camila Queiroz conclui: “Acho que Sofia percebe que a vingança é viciante e começamos a nos perguntar “qual o limite dessa vingança?” Essa ética existente é corrompida”. O OP já assistiu os dez primeiros episódios da novela Beleza Fatal, confira aqui.












