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  • Foto do escritorDavid Shelter

Crítica | Arcanjo Renegado (2ª Temporada)

A representação fiel do atual cenário político e social do Brasil.


A segunda temporada de ‘Arcanjo Renegado’, série do Globoplay que estreou em 2020, encerrou recentemente e trouxe de volta aquele clima pesado de perigo e caos envolvendo crime, milícia, política e religião, de uma forma tão realista que a sensação ao assistir é a de que colocamos em um telejornal. Estrelada por Marcello Melo Jr. e com um elenco coadjuvante cheio de gente talentosa, a série volta com um tom ainda mais denso, tendo em vista o período pré-eleição no Brasil e todas as nuances que esse jogo político envolve, desde os bastidores até ao que nos é mostrado.


Em seu segundo ano, a série volta sem enrolação, e apesar dos dez episódios, ela entrega em cada segundo alguma informação importante, que em algum momento será utilizada no meio da trama, sem deixar pontas soltas ou fazer colocação de drama apenas para causar choque no telespectador. Após o assassinato de um importante político no cenário do Rio de Janeiro na temporada anterior, vemos essa temporada se desenrolar a partir daí trazendo de volta o perigoso e valioso Mikhael, que sem muito esforço consegue se meter no meio de todas as tramas sendo uma figura preciosa para a história.


A base central desse novo ano se dá por um tema que desde 2018 se tornou frequente na política; as fake news, e é muito interessante a forma crua que o roteiro mostra ao público como elas são criadas e introduzidas à população, causando alvoroço e tirando de foco os responsáveis por alguma coisa que geraria algum julgamento, prisão ou execução. Nesse ponto, uma figura bastante presente é o repórter independente Ronaldo Leitão, que se envolve no meio disso tudo através de Mikhael e é alvo frequente de ataques dos políticos e policiais corruptos envolvidos.


Sem se ater somente a esse tópico, a temporada destrincha de maneira minuciosa como age a milícia dentro da polícia e da política, causando estragos quase irreversíveis de forma que tudo desmorone para o lado daqueles que são sua oposição. Outro ponto que abordado de maneira técnica, é a inserção de religiosos nesse poder político, coisa que não precisamos ir longe para saber como acontece, e o uso que fazem da fé para demonizar aqueles que pensam de forma contrária apenas visando benefícios para os seus, em prol de uma posição que os mantenham visíveis como mandantes e figuras de retidão.


A temporada também consegue encaixar em sua trama um problema social do cotidiano; o racismo, aqui abordado tanto pelo tratamento dentro da política como pelo policial. Sem fazer demagogia, o texto é claro, direto e didático em mostrar como o racismo escancarado e o estrutural funcionam e afetam diversos setores e pessoas. Um dos pontos positivos nessa questão, é que a série não se prende somente na violência e nem sendo carrasca com corpos pretos, ela usa nuances simples, se aproveitando em sua maioria do próprio protagonista; um policial preto, para se fazer clara.


A direção das cenas de ação continua tão boa quanto na temporada anterior, trazendo à tela diversos momentos de tensão visual de enfrentamento corpo a corpo, e os atores se saem bem em sua maioria e um roteiro bem feito, apesar de alguns vícios da televisão. Em um ano como o que estamos, ela conseguiu trazer temas pertinentes, importantes e necessários de serem vistos e explicados, e fez isso com uma qualidade visual absurda. Fica o desejo para uma próxima temporada ainda melhor, como mostrado no final dessa, com um tema tão importante quanto os já mostrados.


Nota: 4/5

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