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  • Foto do escritorMaryana Leão

Crítica | Nintendo e Eu

Um coming-of-age repleto de ótimas ideias, mas que falha consideravelmente ao tentar desenvolvê-la

Foto: Divulgação


Histórias que retratam o amadurecimento vivido entre o fim da infância e a adolescência, os tão queridos coming-of-age, são bem comuns no cinema e em geral fazem bastante sucesso com o público. Repleto de clássicos dos anos 1980 como Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco à ótimas produções mais recentes, como é o caso de Superbad e Fora de Série, geralmente esses filmes são populares tanto por gerarem uma identificação como por provocarem um forte sentimento de nostalgia. Quando vi o título Nintendo e eu a pontinha de nostalgia já se acendeu e a expectativa era de encontrar um filme que, no mínimo, me remetesse a esse sentimento e eu saísse com um quentinho no coração após vê-lo. Infelizmente não foi dessa vez, pois o que prevaleceu aqui na verdade foi o tédio.


Em Nintendo e Eu, acompanharemos quatro amigos no início dos anos 1990 nas Filipinas vivenciando a pré-adolescência, crescendo e amadurecendo à medida que aproveitam o verão com muito videogame e aventuras. A trama é simples e já foi bastante explorada em outras obras, portanto, para que não se confunda com mais um do mesmo algo a mais é preciso. Esse diferencial poderia facilmente ser inserido através das atuações, construção de personagens, universo, ou até pela assinatura do diretor, de forma que deixasse sua marca. Porém, tudo que consegui absorver do longa foi o oposto disso.

Foto: Divulgação


Raya Martin, diretor do longa, se apoia tão ferozmente na ideia de nostalgia - ao colocar os garotos para jogar Super Mario Bros e The Legend of Zelda no Nintendinho - que esquece de construir uma boa história e criar bons personagens. Tudo que aparece dos anos 1990 é jogado de qualquer jeito na tela e sem o devido cuidado, implorando por acender a todo custo no telespectador a chama da nostalgia, mas nem isso consegue e falha miseravelmente. O resultado disso são longas e tediosas 1h30 que não caminham para lugar algum, sem propósito em sua narrativa e que parecem durar muito mais que isso.


Geralmente uma das coisas que mais cativa e faz o telespectador se conectar e gostar desse tipo de história são os personagens. Vê-los fazendo descobertas e enfrentando os perrengues da adolescência, particularmente, me agrada muito. Aqui, contudo, sinto que tudo é muito engessado e os protagonistas não se destacam, e isso não se deve nem às atuações, que até dão conta do recado, mas sim à falta de profundidade que os personagens têm. Infelizmente não possuem o toque necessário para te fazer querer ver mais sobre eles, te fazer se importar com o que aconteceria ou ficar curiosa por suas aventuras.


Eu queria ter gostado mais, confesso, mas terminei com um gosto amargo de que a trama não foi a lugar algum e só perdi meu tempo. A história não anda, não se desenvolve, os personagens são vazios e sem carisma - só um ou outro se destaca - e tudo que eu sinto é que estou vendo grandes retalhos da história, mas que não se conectam ou tem qualquer propósito.


Nota: 2/5

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