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  • Foto do escritorVinicius Oliveira

Crítica | O Convento

Há perdão para um filme que peca por ser um terror esquecível?

Foto: Divulgação


A religião, em especial a cristã, sempre foi um terreno fértil para a exploração do terror. Do clássico controverso The Devils (1971) ao mais recente Saint Maud (2019), muitas obras exploraram as linhas tênues entre o conflito psicológico e sobrenatural, bem como os terrores da religião organizada. O Convento até tenta adentrar esse filão, mas no fim se sai como mais uma obra genérica do gênero, que falha em quase todos os requisitos para se firmar como um terror bom ou minimamente memorável.


O filme segue Grace (Jena Malone), uma médica em Londres que recebe a notícia da morte do irmão num convento no interior da Escócia. Devido à incerteza se se tratou de um suicídio ou homicídio, ela viaja pessoalmente até o convento, onde se vê confrontada pela misteriosa Madre Superiora (Janet Suzman) e por visões que parecem revelar mais do seu passado e até mesmo do futuro, abalando seu ceticismo.


O filme já se inicia com uma cena in media res que tenta nos provocar sobre porque as coisas chegarão àquele ponto, mas parece esvaziar qualquer tensão sobre o final da obra (até porque, ao ser repetida ao final, ela se mostra extremamente previsível). A primeira meia-hora do filme é protocolar, mas relativamente eficaz em nos indicar que há algo de estranho na rotina de Grace antes mesmo da notícia de que o irmão morreu. Malone faz o que pode: acostumada a fazer personagens complexas e irascíveis, ela é ótima em apresentar a raiva que borbulha na protagonista diante do fanatismo do convento, mas infelizmente o filme faz pouco por ela para que mostre seus talentos.

Foto: Divulgação


Há até um esforço inicial em nos apresentar à estranheza do local e das freiras que nele vivem, estranheza essa que é melhor simbolizada na figura da Madre Superiora. Suzman é quem consegue melhor capturar a atmosfera que o filme propõe, e por isso é uma pena que seja descartada tão facilmente no último ato. O restante dos personagens pouco têm a dizer, e não ajuda que o filme entregue uma cena tão expositiva na virada do primeiro para o segundo ato que praticamente estraga toda pretensão ao mistério e desconforto que vinha tentando fazer ao nos colocar na pele de Grace, além de expor a verdadeira faceta de personagens como a Madre Superiora ou o padre vivido por Danny Huston. O simples fato do longa continuar como se essa cena não existisse — e já não soubéssemos que há algo de muito errado no convento — mostra como ele não sabe o que quer fazer com suas ideias, pendendo cada vez mais para um desfecho previsível.


No fim, O Convento podia até elevar sua premissa genérica caso se esforçasse em uma execução mais notável, que buscasse representar o horror e desconforto contidos nessa premissa, mas é o tipo de filme tão morno e apático que não nos inspira nada — nem mesmo raiva por assistir algo ruim. Jena Malone, Janet Suzman e Danny Huston até tentam, mas não são capazes de salvar um filme que está fadado ao esquecimento como tantos outros terrores que não souberam extrair o melhor do pior da religião organizada.


Nota: 2/5


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