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  • Foto do escritorGabriella Ferreira

Crítica | Um Lugar Silencioso: Dia Um

Filme usa como plano de fundo invasão alienígena para contar história sobre a complexidade das relações humanas

Foto: Divulgação


Quando o ator John Krasinski anunciou que iria dirigir um suspense de drama pós-apocalíptico roteirizado por ele mesmo e por Scott Beck e Bryan Woods, muita gente torceu o nariz. Afinal, será que o intérprete de Jim Halpert, da icônica série de comédia The Office, iria conseguir entregar um filme razoavelmente bom na sua estreia como diretor? Bom, a resposta nós podemos observar não só no seu longa de 2018, mas também na sua sequência de 2020 e agora em seu trabalho prequel, lançado na última semana nos cinemas.


Tudo bem, em Um Lugar Silencioso: Dia Um, John não atua como diretor, mas como colaborador do roteiro e quem assume as rédeas de contar essa história é Michael Sarnoski (diretor do longa indie Pig). Mas, ainda estamos vivendo nesse mundo criado por Krasinski que, mesmo não tendo nada muito diferente de outros filmes e séries do gênero, consegue entregar todas as vezes uma história acima da média do que estamos acostumados a assistir.


Neste prequel, acompanhamos a história de Sam (Lupita Nyong'o), uma mulher que é paciente de um local para pessoas em cuidados paliativos e que vai para Manhattan, em Nova York, assistir a um show e comer pizza - programa despretensioso que ela encara como uma despedida da vida. A apresentação logo é interrompida pela chegada dos alienígenas, que criam o caos na cidade conhecida pelo seu constante barulho, e é nesse cenário que Sam se vê na situação de lutar pela própria vida.


Só nesse início Um Lugar Silencioso: Dia Um, cria um paradoxo interessante ao colocar uma protagonista que parece conformada com o fim da sua vida para precisar lutar pela sobrevivência. Sam não quer salvar sua família ou tentar desvendar o que são essas criaturas, ela quer ter a última oportunidade de comer um pedaço de pizza que fez parte da sua infância. Quando ela parte em busca disso, junto ao seu gatinho de estimação, Frodo, ela acaba encontrando Eric (Joseph Quinn) e os dois acabam se ajudando de alguma forma a encontrar um propósito no meio do caos.

Foto: Divulgação


Nos aspectos técnicos, o filme não fica atrás dos seus antecessores e utiliza bem o som, alternado entre os momentos de silêncio. Com uma fotografia também mais característica, deu pra perceber que o diretor, mesmo com as limitações de comandar um prequel, conseguiu imprimir sua própria identidade na história, mas, entrega também excelentes cenas de ação. O elenco, obviamente, se destaca absurdamente e Lupita Nyong’o prova que foi feita sob medida para estrelar bons filmes de suspense em mais uma atuação primorosa. Joseph Quinn também é eficiente e o gato Frodo é um espetáculo à parte.


Assim como em seus antecessores, Um Lugar Silencioso: Dia Um não busca explicar como essas criaturas surgiram ou como elas são de forma mais específica, a única coisa que aprendemos é que elas são atraídas por meio do som. Tirando o elemento de surpresa das criaturas que já conhecemos, o filme cria o suspense nas situações em que tensiona para o espectador esses momentos ‘cara a cara’ com os alienígenas. Quem esperava que o prequel fosse dar respostas mais satisfatórias sobre as criaturas pode ter saído decepcionado, mas, não entendeu o objetivo maior que Krasinski sempre quis passar por meio dessa franquia.


Posso estar totalmente enganada, mas aqui, as criaturas são apenas subterfúgios de um roteiro que quer falar de relações humanas em meio ao caos de uma forma bem amplificada. E se nos dois primeiros filmes, nós observamos as relações familiares, nesse o drama se foca na dualidade de Sam entre aceitar a própria morte, lutar pela sua sobrevivência e ao mesmo tempo lidar com um luto que ainda está presente. E é isso que torna essa franquia tão particular diante de tantas produções parecidas entre si com essa vontade em colocar como protagonista essas relações e essas complexidades. Muito mais que uma criatura alienígena, o coração dessa história pulsa dentro de algo que é intrínseco à sociedade humana. E realmente isso vale muito mais do que qualquer outra coisa.


Nota: 4/5

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