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Crítica | A Primeira Profecia

Ávila Oliveira

10 de abr de 2024 · 2 min de leitura

Diretora estreante conta com estilo versão feminina de uma história de terror marcante

Foto: Divulgação


A jovem noviça americana Margaret (Nell Tiger Free) é enviada a Roma para começar uma vida de serviço à Igreja. Aos poucos ela acaba desvendando uma aterrorizante conspiração que deseja provocar o nascimento do mal encarnado.


É empolgante ver uma diretora jovem cheia de ímpeto e criatividade para se expressar. Isso é algo que o gênero de terror talvez apresente mais do que os outros gêneros, diretores estreantes que mostram bastante habilidade com a câmera a ponto de transformarem simples movimentos, enquadramentos básicos e muita Gestalt purinha em filmes notáveis. E é precisamente isso que a estadunidense Arkasha Stevenson faz em seu primeiro longa-metragem, A Primeira Profecia.


Quando se tem um prelúdio de um dos terrores mais conhecidos e cultuados da história do cinema todos os alertas se acionam para a qualidade do material que está por vir, afinal, os longas de produção seriado dos estúdios caça-níquel estão cada mais sem personalidade, seja no roteiro e pior ainda na plástica. Mas esse soube como fazer o básico para um terror funcionar: assustar e surpreender.


Não tem nada de inovador nem de experimental (a sequência de desdobramentos é até bem previsível). Não tem muitas metáforas nem sutilezas, é um filme bem explícito sobre perspectivas de ser mulher; sobre escolhas femininas, sobre poder feminino, sobre abuso, sobre o papel da mulher na Igreja Católica. Mas o fato de evitar analogias não deixa o todo menos eficiente, na verdade deixa até mais claro e direto evitando interpretações que talvez desvirtuem do que o texto está querendo expor.

Foto: Divulgação


Desgosto do termo “terror psicológico” porque eu desconheço outra forma em que o terror funcione se não pelas impressões mentais, mas usa-se esse termo quando uma obra não aborda primariamente questões sobrenaturais, místicas e/ou metafísicas. A Primeira Profecia consegue unir tudo isso numa mesma vestimenta sem que seja necessário distinguir um do outro (conta também com ótimas construções de body horror).


A atriz Nell Tiger Free conduz com maestria a diegese filmada e preenche a câmera com um magnetismo característico do suspense, traço que mostrou com maestria durante os anos da série Servant. Entre os coadjuvantes os desataques são: o sempre contundente Bill Nighy que aparece em poucos momentos, porém significativos; e uma assustadora Sonia Braga que interpreta uma madre sombria e soturna, e que dá o tom da narrativa.


É um terror comercial sólido e bem pintado. Assusta nas situações óbvias e também nas entrelinhas, e surpreende com habilidades imagéticas que cria excelentes momentos. Arkasha Stevenson é um nome para ganhar destaque, resta saber se ela sempre conseguirá espaço para imprimir suas ideias ou se os grandes orçamentos sufocarão sua vontade e sua liberdade criativa.


Nota: 4/5

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10 de abr. de 2024
2 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

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Foto: Divulgação


A jovem noviça americana Margaret (Nell Tiger Free) é enviada a Roma para começar uma vida de serviço à Igreja. Aos poucos ela acaba desvendando uma aterrorizante conspiração que deseja provocar o nascimento do mal encarnado.


É empolgante ver uma diretora jovem cheia de ímpeto e criatividade para se expressar. Isso é algo que o gênero de terror talvez apresente mais do que os outros gêneros, diretores estreantes que mostram bastante habilidade com a câmera a ponto de transformarem simples movimentos, enquadramentos básicos e muita Gestalt purinha em filmes notáveis. E é precisamente isso que a estadunidense Arkasha Stevenson faz em seu primeiro longa-metragem, A Primeira Profecia.


Quando se tem um prelúdio de um dos terrores mais conhecidos e cultuados da história do cinema todos os alertas se acionam para a qualidade do material que está por vir, afinal, os longas de produção seriado dos estúdios caça-níquel estão cada mais sem personalidade, seja no roteiro e pior ainda na plástica. Mas esse soube como fazer o básico para um terror funcionar: assustar e surpreender.


Não tem nada de inovador nem de experimental (a sequência de desdobramentos é até bem previsível). Não tem muitas metáforas nem sutilezas, é um filme bem explícito sobre perspectivas de ser mulher; sobre escolhas femininas, sobre poder feminino, sobre abuso, sobre o papel da mulher na Igreja Católica. Mas o fato de evitar analogias não deixa o todo menos eficiente, na verdade deixa até mais claro e direto evitando interpretações que talvez desvirtuem do que o texto está querendo expor.

Foto: Divulgação


Desgosto do termo “terror psicológico” porque eu desconheço outra forma em que o terror funcione se não pelas impressões mentais, mas usa-se esse termo quando uma obra não aborda primariamente questões sobrenaturais, místicas e/ou metafísicas. A Primeira Profecia consegue unir tudo isso numa mesma vestimenta sem que seja necessário distinguir um do outro (conta também com ótimas construções de body horror).


A atriz Nell Tiger Free conduz com maestria a diegese filmada e preenche a câmera com um magnetismo característico do suspense, traço que mostrou com maestria durante os anos da série Servant. Entre os coadjuvantes os desataques são: o sempre contundente Bill Nighy que aparece em poucos momentos, porém significativos; e uma assustadora Sonia Braga que interpreta uma madre sombria e soturna, e que dá o tom da narrativa.


É um terror comercial sólido e bem pintado. Assusta nas situações óbvias e também nas entrelinhas, e surpreende com habilidades imagéticas que cria excelentes momentos. Arkasha Stevenson é um nome para ganhar destaque, resta saber se ela sempre conseguirá espaço para imprimir suas ideias ou se os grandes orçamentos sufocarão sua vontade e sua liberdade criativa.


Nota: 4/5

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