top of page

Início > Críticas

​

Crítica | Maníaco do Parque

Ávila Oliveira

17 de out de 2024 · 3 min de leitura

Resultado com execução pré-moldada e refém de Silvero contradiz proposta esperada

Foto: Divulgação/ Prime Video


Maníaco do Parque mergulha na história do maior serial killer brasileiro, o motoboy Francisco (Silvero Pereira), que foi acusado de atacar 21 mulheres, assassinando dez delas e escondendo seus corpos no Parque do Estado, em São Paulo no final dos anos 90. A história do assassino e os detalhes da sua psicopatia são revelados por Elena (Giovanna Grigio), uma repórter iniciante que enxerga na investigação dos crimes cometidos pelo maníaco a grande chance de alavancar sua carreira. Enquanto Francisco segue vivendo livre e atacando mulheres, sua fama na mídia sensacionalista cresce vertiginosamente, gerando terror na capital paulista.


Acompanhei um pouco a divulgação da equipe desse filme que sempre estava afiada com o discurso de que o longa vinha como uma espécie de “homenagem” às vítimas e o foco era contar a versão das mulheres em vez das motivações do Francisco. Pois bem, não se fez nem uma coisa nem outra. Se o filme tinha qualquer interesse em pautar seu direcionamento para além do assassino ele ficou apenas na intenção, porque tudo que acontece e se imprime em cena gira em torno do maníaco, em torno de Silvero, e, para além disso, nem tudo funciona por mais que siga uma fórmula para lá de repetida.


O roteiro não almeja fazer um ensaio psicológico de causas e raízes dos problemas ou transtornos que fizeram do protagonista o infame serial killer, mas é apenas nos minutos finais que o texto se aproxima do que estava buscando desde o início, ser porta-voz das figuras femininas da história, reais e fictícias. Então ao final tem-se um texto sem identidade e que, seguindo os passos e clichês mais famosos do arroz com feijão de true crimes, não encontra um viés para se consolidar, apelando para frases prontas de lição de moral e palestrinhas.

Foto: Divulgação/ Prime Video


Silvero Pereira é uma força da natureza seja fazendo o que estiver afim. Este é o primeiro filme de sua carreira onde o ator dar vida a um personagem real e a um tipo completamente destoante de seus outros trabalhos – até mesmo do icônico Lunga – e ainda assim ele parece confortável com todas as decisões que toma ao construir um Francisco que assusta, que surpreende e que rouba a atenção sempre que surge.


Também num papel diferente do que fez até então, Giovanna Grigio usa o que foi oferecido para montar uma personagem construída em cima de recortes e colagens de absolutamente todos as outras jornalistas femininas que tentam se provar à altura do meio masculino onde está inserida já interpretadas no cinema. Ela divide o protagonismo com Silvero em teoria, mas na prática e na execução acaba engolida pelas reincidências.


O filme acerta quando usa de ironias e alívios cômicos para apresentar, por exemplo, a mídia sensacionalista de programas policiais e elementos culturais dos anos 90, e acerta também na construção das cenas mais tensas e sensíveis dos assassinatos, e acredito que tenha faltado mais de ousadia descompromissada com o querer fazer true crime que pode ter bloqueado a criatividade narrativa para além do que já se tem preconcebido ao gênero.


Mesmo ao final parece que pouca coisa foi contada, ou pelo menos enfatizada, e se fica esperando que aconteça mais, explique mais, convença mais (ou melhor).


Nota: 2/5

LEIA TAMBÉM

CRÍTICAS

Crítica | Os Farofeiros 3

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

CRÍTICAS

Crítica | Tudo Pode Ser Visto (Mostra de SP 2026)

MAIS RECENTES

NOTÍCIAS

Bruna Linzmeyer vive sua primeira grande vilã em Virtuosas: “É um...

NOTÍCIAS

Mason Reeves não leu o roteiro de Josephine e decidirá aos 18 anos se...

CRÍTICAS

Crítica | Os Farofeiros 3

CATEGORIAS

Notícias
Críticas
Análises
Awards Season
Crias do Brasil
Listas
Entrevistas
Festivais

NEWSLETTER

image.png

Cinema brasileiro, festivais e temporada de premiações direto no seu e-mail

MAIS LIDAS NO MÊS

01

NOTÍCIAS

Lázaro Ramos diz que Feito Pipa propõe uma "pedagogia do afeto" ao...

02

NOTÍCIAS

Uma adaptação de Os Imortais, de Paulliny Tort, está em...

03

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

Crítica | Maníaco do Parque

17 de out. de 2024
3 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Resultado com execução pré-moldada e refém de Silvero contradiz proposta esperada

Foto: Divulgação/ Prime Video


Maníaco do Parque mergulha na história do maior serial killer brasileiro, o motoboy Francisco (Silvero Pereira), que foi acusado de atacar 21 mulheres, assassinando dez delas e escondendo seus corpos no Parque do Estado, em São Paulo no final dos anos 90. A história do assassino e os detalhes da sua psicopatia são revelados por Elena (Giovanna Grigio), uma repórter iniciante que enxerga na investigação dos crimes cometidos pelo maníaco a grande chance de alavancar sua carreira. Enquanto Francisco segue vivendo livre e atacando mulheres, sua fama na mídia sensacionalista cresce vertiginosamente, gerando terror na capital paulista.


Acompanhei um pouco a divulgação da equipe desse filme que sempre estava afiada com o discurso de que o longa vinha como uma espécie de “homenagem” às vítimas e o foco era contar a versão das mulheres em vez das motivações do Francisco. Pois bem, não se fez nem uma coisa nem outra. Se o filme tinha qualquer interesse em pautar seu direcionamento para além do assassino ele ficou apenas na intenção, porque tudo que acontece e se imprime em cena gira em torno do maníaco, em torno de Silvero, e, para além disso, nem tudo funciona por mais que siga uma fórmula para lá de repetida.


O roteiro não almeja fazer um ensaio psicológico de causas e raízes dos problemas ou transtornos que fizeram do protagonista o infame serial killer, mas é apenas nos minutos finais que o texto se aproxima do que estava buscando desde o início, ser porta-voz das figuras femininas da história, reais e fictícias. Então ao final tem-se um texto sem identidade e que, seguindo os passos e clichês mais famosos do arroz com feijão de true crimes, não encontra um viés para se consolidar, apelando para frases prontas de lição de moral e palestrinhas.

Foto: Divulgação/ Prime Video


Silvero Pereira é uma força da natureza seja fazendo o que estiver afim. Este é o primeiro filme de sua carreira onde o ator dar vida a um personagem real e a um tipo completamente destoante de seus outros trabalhos – até mesmo do icônico Lunga – e ainda assim ele parece confortável com todas as decisões que toma ao construir um Francisco que assusta, que surpreende e que rouba a atenção sempre que surge.


Também num papel diferente do que fez até então, Giovanna Grigio usa o que foi oferecido para montar uma personagem construída em cima de recortes e colagens de absolutamente todos as outras jornalistas femininas que tentam se provar à altura do meio masculino onde está inserida já interpretadas no cinema. Ela divide o protagonismo com Silvero em teoria, mas na prática e na execução acaba engolida pelas reincidências.


O filme acerta quando usa de ironias e alívios cômicos para apresentar, por exemplo, a mídia sensacionalista de programas policiais e elementos culturais dos anos 90, e acerta também na construção das cenas mais tensas e sensíveis dos assassinatos, e acredito que tenha faltado mais de ousadia descompromissada com o querer fazer true crime que pode ter bloqueado a criatividade narrativa para além do que já se tem preconcebido ao gênero.


Mesmo ao final parece que pouca coisa foi contada, ou pelo menos enfatizada, e se fica esperando que aconteça mais, explique mais, convença mais (ou melhor).


Nota: 2/5

CONTINUE LENDO

CRÍTICAS

Crítica | NAZA

CRÍTICAS

Crítica | O Bosque Selvagem

CRÍTICAS

Crítica | Quero Ser Como Você (Mostra de SP 2026)

bottom of page