top of page

Início > Críticas

​

Crítica | Os Farofeiros 3

Giulia Meneses

03 de nov de 2026 · 2 min de leitura

Talvez a fórmula do sucesso não funcione uma terceira vez 

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Para muitos brasileiros, ninguém faz comédia como a gente. As receitas do humor nacional parecem insuperáveis, e duvidar disso soa quase como heresia. Farofeiros 3, porém, não ajuda a sustentar essa tese. O longa que estreia dia 5 de novembro nos cinemas brasileiros apresenta, desta vez, o grupo de amigos já conhecido do público embarca para a ilha caribenha de San Martinez, onde será celebrado o casamento de Anita, filha de Rocha, interpretado por Charles Paraventi.


Contada pela perspectiva dos filhos, a nova aventura mantém o espírito dos filmes anteriores, com situações cotidianas das relações brasileiras que prometem pegar o espectador de surpresa. O problema está na execução: a tentativa de quebrar expectativas soa forçada, e o humor resulta frágil e, na maior parte do tempo, constrangedor. Já na chegada, Rocha repete a mentira sobre as acomodações das férias, e as barreiras linguísticas e os estereótipos exagerados completam um conjunto cansado, que não oferece ao público nenhum motivo para se envolver com aquele lugar.


O elenco, familiar ao público, é um dos pontos fortes. Maurício Manfrini, Cacau Protássio, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro e Nilton Bicudo formam um grupo competente, mas que acaba diluído diante de um roteiro simples e de poucas ambições. Embora o filme respire brasilidade, boa parte das cenas segue um padrão de humor estadunidense, que destoa do que há de melhor no nosso jeito de fazer rir. Lima e Jussara perdidos em "alto-mar" e Vanete incorporando uma mistura de Dona Hermínia e Tony Montana são exemplos de cenas que desperdiçam a competência já comprovada desses atores.


A estrutura também pesa. As sequências são longas e pouco conectadas, e o filme ainda investe em uma trama dispensável, como a possível paternidade de Diguinho e o envolvimento com uma ex-namorada, que traz Aline Campos em uma personagem de caricatura e exagero em dose dupla. Falta química entre os casais principais, que parecem cansados de sustentar a história. Lima e Jussara continuam sendo, de longe, o casal mais coeso, mas a alternância constante entre narrações e pontos de vista fragmenta o filme e dá a impressão de uma colcha de retalhos de comédias inferiores, na qual o cansaço acaba vencendo.


O elenco infantil, por sua vez, é doce e engraçado, e reflete com mais naturalidade aquilo que os pais tentam representar. Já as participações especiais e as reviravoltas finais pouco acrescentam e empobrecem o enredo. Os risos genuínos são raros em meio a tantas situações repetitivas e caricatas. Há ainda atuações exageradas sem motivo aparente, como a de Danielle Winits, que levam o espectador a questionar essas escolhas, dada a tradição e a confiança que esses nomes já construíram no audiovisual brasileiro.


Em resumo, Farofeiros 3 tenta ser tudo o que um dia já foi. Com direção e

montagem semelhantes às dos dois antecessores, o terceiro filme prova que manter todos os elementos nem sempre basta para conquistar o carinho do público, sobretudo num momento em que a comédia brasileira ganha novos rumos e formatos. As imagens são vibrantes, mas a montagem padronizada e caricata, somada à falta de piadas criativas e a uma comicidade escassa, exige do espectador boa vontade para aproveitar um filme que já nasce ultrapassado.


Nota: 2/5 


LEIA TAMBÉM

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

CRÍTICAS

Crítica | Tudo Pode Ser Visto (Mostra de SP 2026)

CRÍTICAS

Crítica | NAZA

MAIS RECENTES

NOTÍCIAS

Bruna Linzmeyer vive sua primeira grande vilã em Virtuosas: “É um...

NOTÍCIAS

Mason Reeves não leu o roteiro de Josephine e decidirá aos 18 anos se...

NOTÍCIAS

“As pessoas querem estar associadas a algo que gera dinheiro”: Boots...

CATEGORIAS

Notícias
Críticas
Análises
Awards Season
Crias do Brasil
Listas
Entrevistas
Festivais

NEWSLETTER

image.png

Cinema brasileiro, festivais e temporada de premiações direto no seu e-mail

MAIS LIDAS NO MÊS

01

NOTÍCIAS

Lázaro Ramos diz que Feito Pipa propõe uma "pedagogia do afeto" ao...

02

NOTÍCIAS

Uma adaptação de Os Imortais, de Paulliny Tort, está em...

03

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

Crítica | Os Farofeiros 3

há 1 hora
2 min de leitura
Talvez a fórmula do sucesso não funcione uma terceira vez 

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Para muitos brasileiros, ninguém faz comédia como a gente. As receitas do humor nacional parecem insuperáveis, e duvidar disso soa quase como heresia. Farofeiros 3, porém, não ajuda a sustentar essa tese. O longa que estreia dia 5 de novembro nos cinemas brasileiros apresenta, desta vez, o grupo de amigos já conhecido do público embarca para a ilha caribenha de San Martinez, onde será celebrado o casamento de Anita, filha de Rocha, interpretado por Charles Paraventi.


Contada pela perspectiva dos filhos, a nova aventura mantém o espírito dos filmes anteriores, com situações cotidianas das relações brasileiras que prometem pegar o espectador de surpresa. O problema está na execução: a tentativa de quebrar expectativas soa forçada, e o humor resulta frágil e, na maior parte do tempo, constrangedor. Já na chegada, Rocha repete a mentira sobre as acomodações das férias, e as barreiras linguísticas e os estereótipos exagerados completam um conjunto cansado, que não oferece ao público nenhum motivo para se envolver com aquele lugar.


O elenco, familiar ao público, é um dos pontos fortes. Maurício Manfrini, Cacau Protássio, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro e Nilton Bicudo formam um grupo competente, mas que acaba diluído diante de um roteiro simples e de poucas ambições. Embora o filme respire brasilidade, boa parte das cenas segue um padrão de humor estadunidense, que destoa do que há de melhor no nosso jeito de fazer rir. Lima e Jussara perdidos em "alto-mar" e Vanete incorporando uma mistura de Dona Hermínia e Tony Montana são exemplos de cenas que desperdiçam a competência já comprovada desses atores.


A estrutura também pesa. As sequências são longas e pouco conectadas, e o filme ainda investe em uma trama dispensável, como a possível paternidade de Diguinho e o envolvimento com uma ex-namorada, que traz Aline Campos em uma personagem de caricatura e exagero em dose dupla. Falta química entre os casais principais, que parecem cansados de sustentar a história. Lima e Jussara continuam sendo, de longe, o casal mais coeso, mas a alternância constante entre narrações e pontos de vista fragmenta o filme e dá a impressão de uma colcha de retalhos de comédias inferiores, na qual o cansaço acaba vencendo.


O elenco infantil, por sua vez, é doce e engraçado, e reflete com mais naturalidade aquilo que os pais tentam representar. Já as participações especiais e as reviravoltas finais pouco acrescentam e empobrecem o enredo. Os risos genuínos são raros em meio a tantas situações repetitivas e caricatas. Há ainda atuações exageradas sem motivo aparente, como a de Danielle Winits, que levam o espectador a questionar essas escolhas, dada a tradição e a confiança que esses nomes já construíram no audiovisual brasileiro.


Em resumo, Farofeiros 3 tenta ser tudo o que um dia já foi. Com direção e

montagem semelhantes às dos dois antecessores, o terceiro filme prova que manter todos os elementos nem sempre basta para conquistar o carinho do público, sobretudo num momento em que a comédia brasileira ganha novos rumos e formatos. As imagens são vibrantes, mas a montagem padronizada e caricata, somada à falta de piadas criativas e a uma comicidade escassa, exige do espectador boa vontade para aproveitar um filme que já nasce ultrapassado.


Nota: 2/5 


LEIA MAIS SOBRE

CONTINUE LENDO

CRÍTICAS

Crítica | O Bosque Selvagem

CRÍTICAS

Crítica | Quero Ser Como Você (Mostra de SP 2026)

CRÍTICAS

Crítica | Amadeo e o Hipotético Mundo Novo (Mostra de SP 2026)

bottom of page