Crítica | Os Farofeiros 3
Talvez a fórmula do sucesso não funcione uma terceira vez

Para muitos brasileiros, ninguém faz comédia como a gente. As receitas do humor nacional parecem insuperáveis, e duvidar disso soa quase como heresia. Farofeiros 3, porém, não ajuda a sustentar essa tese. O longa que estreia dia 5 de novembro nos cinemas brasileiros apresenta, desta vez, o grupo de amigos já conhecido do público embarca para a ilha caribenha de San Martinez, onde será celebrado o casamento de Anita, filha de Rocha, interpretado por Charles Paraventi.
Contada pela perspectiva dos filhos, a nova aventura mantém o espírito dos filmes anteriores, com situações cotidianas das relações brasileiras que prometem pegar o espectador de surpresa. O problema está na execução: a tentativa de quebrar expectativas soa forçada, e o humor resulta frágil e, na maior parte do tempo, constrangedor. Já na chegada, Rocha repete a mentira sobre as acomodações das férias, e as barreiras linguísticas e os estereótipos exagerados completam um conjunto cansado, que não oferece ao público nenhum motivo para se envolver com aquele lugar.
O elenco, familiar ao público, é um dos pontos fortes. Maurício Manfrini, Cacau Protássio, Danielle Winits, Antônio Fragoso, Charles Paraventi, Elisa Pinheiro e Nilton Bicudo formam um grupo competente, mas que acaba diluído diante de um roteiro simples e de poucas ambições. Embora o filme respire brasilidade, boa parte das cenas segue um padrão de humor estadunidense, que destoa do que há de melhor no nosso jeito de fazer rir. Lima e Jussara perdidos em "alto-mar" e Vanete incorporando uma mistura de Dona Hermínia e Tony Montana são exemplos de cenas que desperdiçam a competência já comprovada desses atores.
A estrutura também pesa. As sequências são longas e pouco conectadas, e o filme ainda investe em uma trama dispensável, como a possível paternidade de Diguinho e o envolvimento com uma ex-namorada, que traz Aline Campos em uma personagem de caricatura e exagero em dose dupla. Falta química entre os casais principais, que parecem cansados de sustentar a história. Lima e Jussara continuam sendo, de longe, o casal mais coeso, mas a alternância constante entre narrações e pontos de vista fragmenta o filme e dá a impressão de uma colcha de retalhos de comédias inferiores, na qual o cansaço acaba vencendo.
O elenco infantil, por sua vez, é doce e engraçado, e reflete com mais naturalidade aquilo que os pais tentam representar. Já as participações especiais e as reviravoltas finais pouco acrescentam e empobrecem o enredo. Os risos genuínos são raros em meio a tantas situações repetitivas e caricatas. Há ainda atuações exageradas sem motivo aparente, como a de Danielle Winits, que levam o espectador a questionar essas escolhas, dada a tradição e a confiança que esses nomes já construíram no audiovisual brasileiro.
Em resumo, Farofeiros 3 tenta ser tudo o que um dia já foi. Com direção e
montagem semelhantes às dos dois antecessores, o terceiro filme prova que manter todos os elementos nem sempre basta para conquistar o carinho do público, sobretudo num momento em que a comédia brasileira ganha novos rumos e formatos. As imagens são vibrantes, mas a montagem padronizada e caricata, somada à falta de piadas criativas e a uma comicidade escassa, exige do espectador boa vontade para aproveitar um filme que já nasce ultrapassado.
Nota: 2/5













