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Crítica | Piggy (Cerdita)

David Shelter

31 de out de 2022 · 2 min de leitura

A crueldade social elevada ao seu grau mais doentio

Divulgação: Paramount+


Baseado num curta-metragem de mesmo nome, ‘Piggy’ é um longa franco-espanhol dirigido por Carlota Martínez-Pereda e estrelado por Laura Galán. Ambientado numa pequena cidade, acompanhamos Sara, uma adolescente com excesso de peso que ao se banhar numa piscina, é alvo de bullying por parte de outras três garotas, que logo depois são sequestradas por um homem misterioso que por alguma razão não a faz mal.


Laura Galán é o maior destaque do elenco, sua personagem como alvo fácil da imbecilidade social, torna possível com que ela transpareça sentimentos e reações verossímeis. Sua raiva pode ser vista com clareza e até compartilhada pelo público, e suas frustrações são compreensíveis em todos os níveis, é perceptível o incômodo da personagem em diversas situações, tanto na questão de ataques quanto entre sua família.


Quem merece menção aqui também é Richard Holmes, que interpreta o homem desconhecido. Carregado de mistério, esse é o personagem que mais contracena direta ou indiretamente com Sara. Seus momentos se dão com poucos diálogos, havendo uma necessidade expressiva de sentimentos e sensações a olho nu. Ele é uma figura que amedronta sem fazer muita coisa, Richard repassa bem essa aura de mistério e medo que o personagem pede, e fica mais evidente quando ele está em contato com outras pessoas.


A narrativa é bastante rápida e tenta ser direta, ela se desenvolve bem dentro do que propõe e se vê que sua abordagem é feita usando elementos que vão agregar à história de modo geral. Tem um roteiro claro e sem muitas nuances, mas a direção de Carlota em momentos de tensão é bem efetuada. A execução dos instantes finais do filme poderiam ter tido uma visão ampla, contudo, não chega a ser um defeito.


Em momento algum o filme tenta transparecer lições de moral, apesar da obviedade na crítica social. Mesmo com o título e a personagem dando margens para uma história que poderia ser de vingança, ele alavanca um novo tema dentro disso tudo que deixar o clima mais pesado; o abuso. Além do já esperado e sofrido bullying com a protagonista pelo seu peso, há uma inserção de drama ampliando abusos que ela sofre fora desse tema, em sua família e com o homem desconhecido, sendo esse o que mais constrange e amedronta.


Para encerrar, 'Piggy' é um bom terror psicológico com um misto de slasher que faz o público se conectar à trama com facilidade. Sua força está na protagonista do início ao fim, e Galán consegue puxar para si essa responsabilidade e executá-la bem.


Nota: 3,5/5

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31 de out. de 2022
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Atualizado: 8 de out.

A crueldade social elevada ao seu grau mais doentio

Divulgação: Paramount+


Baseado num curta-metragem de mesmo nome, ‘Piggy’ é um longa franco-espanhol dirigido por Carlota Martínez-Pereda e estrelado por Laura Galán. Ambientado numa pequena cidade, acompanhamos Sara, uma adolescente com excesso de peso que ao se banhar numa piscina, é alvo de bullying por parte de outras três garotas, que logo depois são sequestradas por um homem misterioso que por alguma razão não a faz mal.


Laura Galán é o maior destaque do elenco, sua personagem como alvo fácil da imbecilidade social, torna possível com que ela transpareça sentimentos e reações verossímeis. Sua raiva pode ser vista com clareza e até compartilhada pelo público, e suas frustrações são compreensíveis em todos os níveis, é perceptível o incômodo da personagem em diversas situações, tanto na questão de ataques quanto entre sua família.


Quem merece menção aqui também é Richard Holmes, que interpreta o homem desconhecido. Carregado de mistério, esse é o personagem que mais contracena direta ou indiretamente com Sara. Seus momentos se dão com poucos diálogos, havendo uma necessidade expressiva de sentimentos e sensações a olho nu. Ele é uma figura que amedronta sem fazer muita coisa, Richard repassa bem essa aura de mistério e medo que o personagem pede, e fica mais evidente quando ele está em contato com outras pessoas.


A narrativa é bastante rápida e tenta ser direta, ela se desenvolve bem dentro do que propõe e se vê que sua abordagem é feita usando elementos que vão agregar à história de modo geral. Tem um roteiro claro e sem muitas nuances, mas a direção de Carlota em momentos de tensão é bem efetuada. A execução dos instantes finais do filme poderiam ter tido uma visão ampla, contudo, não chega a ser um defeito.


Em momento algum o filme tenta transparecer lições de moral, apesar da obviedade na crítica social. Mesmo com o título e a personagem dando margens para uma história que poderia ser de vingança, ele alavanca um novo tema dentro disso tudo que deixar o clima mais pesado; o abuso. Além do já esperado e sofrido bullying com a protagonista pelo seu peso, há uma inserção de drama ampliando abusos que ela sofre fora desse tema, em sua família e com o homem desconhecido, sendo esse o que mais constrange e amedronta.


Para encerrar, 'Piggy' é um bom terror psicológico com um misto de slasher que faz o público se conectar à trama com facilidade. Sua força está na protagonista do início ao fim, e Galán consegue puxar para si essa responsabilidade e executá-la bem.


Nota: 3,5/5

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