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Crítica | Sr. e Sra. Smith (1ª temporada)

Filipe Chaves

05 de fev de 2024 · 3 min de leitura

Maya Erskine e Donald Glover esbanjam talento, carisma e química em uma das melhores séries estreantes do ano.

Foto: Divulgação / Prime Video


Sempre que um novo reboot, revival ou remake é anunciado, a minha virada de olho é iminente, o que não aconteceu quando noticiaram uma série de Sr. & Sra. Smith. Eu adoro o filme de 2005 estrelado por Angelina Jolie e Brad Pitt, e quando soube que Donald Glover e, na época, Phoebe Waller-Bridge estariam por trás e na frente das câmeras trabalhando juntos, fiquei animado. Com a saída de Phoebe do projeto, Maya Erskine herdou o papel principal feminino, e como fã da atriz por causa da espetacular Pen15, imaginava que coisa boa viria por aí. Acertei, e nesta nova versão, John (Glover) e Jane (Erskine) ainda são dois desconhecidos, que abriram mão de suas vidas e identidades para se tornarem parceiros, na espionagem e no casamento, porque foram selecionados pela organização secreta para a qual trabalham e sabem pouquíssimo.


A cena inicial da série já nos mostra que existem vários Johns e Janes, e nesta sequência eles são interpretados por Alexander Skarsgard e Eiza González. É um fato interessante que já apresenta a releitura que Glover e Francesca Sloane, co-criadora, pretendem fazer nos oito episódios que compõem esta temporada de estreia. No primeiro episódio, ainda que eu tenha gostado bastante, senti que faltou um certo dinamismo e por isso a duração de 59 minutos pesou um pouco contra, mas já no episódio seguinte, tudo estava no tom certo e minhas expectativas já estavam sendo atendidas. O formato episódico, onde cada um conta com uma missão, enquanto a relação dos personagens evolui e eles são desenvolvidos também individualmente, foi uma escolha acertadíssima do time criativo. Minha teoria é que ela foi concebida para ser exibida no modelo semanal e funcionaria ainda mais assim, até pelas passagens de tempo que existem entre um episódio e outro e como elas não são tão sentidas por quem assiste em maratona. No entanto, graças ao ótimo ritmo e a narrativa viciante, é fácil assistir um seguido do outro sem cansar. O gostinho de “quero mais” é permanente.

Foto: Divulgação/ Prime Video


A escalação do elenco foi outro grande acerto. Donald Glover e Maya Erskine têm talento, carisma e química de sobra para nos convencer que essas duas pessoas estranhas e solitárias, cada uma a seu modo, podem construir uma vida juntas com base em uma mentira. A cada episódio, o grau de envolvimento do casal aumenta e vamos conhecendo mais de ambos, seus pontos fortes, suas vulnerabilidades, seus medos e ambições. E claro, se apaixonando ainda mais e vendo como um se importa com o outro, mesmo com tantas diferenças nas personalidades. O timing cômico dos dois não é uma surpresa para quem já viu Community, Atlanta ou Pen15, e aqui, ainda que o drama predomine, há um belo equilíbrio para quebrar a tensão. Tudo opera tão bem nesse quesito que é fascinante assisti-los discutindo a relação de uma forma muito intensa ou falando mal de outras pessoas ferindo alguns direitos humanos, como um casal normal no cotidiano, respeitando o fato de que eles são espiões altamente treinados.


Com o brilhante texto de Francesca Sloane, Stephen Glover, Donald Glover e sua equipe formidável de roteiristas, não é difícil ficar preso à tela, amparados pela direção sempre precisa e inspirada de Hiro Murai, Karena Evans, Christian Sprenger, Amy Seimetz e do próprio Glover que dirige o final da temporada. As sequências de ação são sempre empolgantes e as lutas corpo a corpo muito bem coreografadas, com agilidade e espontaneidade. A temporada inteira é um grande “Fishes” de O Urso, no que concerne às participações especiais. Todo episódio vários rostos conhecidos aparecem, indo dos já citados Skarsgard e González, até Wagner Moura, Parker Posey, John Turturro, Sharon Horgan, Billy Campbell, Michaela Coel, Ron Perlman, Sarah Paulson, Úrsula Corberó e Paul Dano. Todos com ótimos papéis e nos fazendo imaginar diversas possibilidades. Mas, com ou sem “clubismo”, preciso destacar Wagner Moura que está excelente, e o quarto episódio em que ele aparece junto com a sempre fantástica Parker Posey, é um dos melhores da temporada.


Não ter expectativas para algo e ser surpreendido positivamente é muito bom, porém quando as expectativas já existem e elas são superadas, é melhor ainda. Sr. & Sra. Smith encerra sua temporada com um baita gancho e espero muito que haja logo uma confirmação de uma 2ª. No decorrer, imaginei que poderia funcionar como uma antologia e contar a história de outros Johns e Janes em eventuais anos vindouros, mas penso que a intenção é continuar com Erskine e Glover e em time que está ganhando, não se deve mexer. Já é a minha série estreante favorita de 2024 e aposto que se você der uma chance, se tornará uma das suas também.


Nota: 4,5/5

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5 de fev. de 2024
3 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Maya Erskine e Donald Glover esbanjam talento, carisma e química em uma das melhores séries estreantes do ano.

Foto: Divulgação / Prime Video


Sempre que um novo reboot, revival ou remake é anunciado, a minha virada de olho é iminente, o que não aconteceu quando noticiaram uma série de Sr. & Sra. Smith. Eu adoro o filme de 2005 estrelado por Angelina Jolie e Brad Pitt, e quando soube que Donald Glover e, na época, Phoebe Waller-Bridge estariam por trás e na frente das câmeras trabalhando juntos, fiquei animado. Com a saída de Phoebe do projeto, Maya Erskine herdou o papel principal feminino, e como fã da atriz por causa da espetacular Pen15, imaginava que coisa boa viria por aí. Acertei, e nesta nova versão, John (Glover) e Jane (Erskine) ainda são dois desconhecidos, que abriram mão de suas vidas e identidades para se tornarem parceiros, na espionagem e no casamento, porque foram selecionados pela organização secreta para a qual trabalham e sabem pouquíssimo.


A cena inicial da série já nos mostra que existem vários Johns e Janes, e nesta sequência eles são interpretados por Alexander Skarsgard e Eiza González. É um fato interessante que já apresenta a releitura que Glover e Francesca Sloane, co-criadora, pretendem fazer nos oito episódios que compõem esta temporada de estreia. No primeiro episódio, ainda que eu tenha gostado bastante, senti que faltou um certo dinamismo e por isso a duração de 59 minutos pesou um pouco contra, mas já no episódio seguinte, tudo estava no tom certo e minhas expectativas já estavam sendo atendidas. O formato episódico, onde cada um conta com uma missão, enquanto a relação dos personagens evolui e eles são desenvolvidos também individualmente, foi uma escolha acertadíssima do time criativo. Minha teoria é que ela foi concebida para ser exibida no modelo semanal e funcionaria ainda mais assim, até pelas passagens de tempo que existem entre um episódio e outro e como elas não são tão sentidas por quem assiste em maratona. No entanto, graças ao ótimo ritmo e a narrativa viciante, é fácil assistir um seguido do outro sem cansar. O gostinho de “quero mais” é permanente.

Foto: Divulgação/ Prime Video


A escalação do elenco foi outro grande acerto. Donald Glover e Maya Erskine têm talento, carisma e química de sobra para nos convencer que essas duas pessoas estranhas e solitárias, cada uma a seu modo, podem construir uma vida juntas com base em uma mentira. A cada episódio, o grau de envolvimento do casal aumenta e vamos conhecendo mais de ambos, seus pontos fortes, suas vulnerabilidades, seus medos e ambições. E claro, se apaixonando ainda mais e vendo como um se importa com o outro, mesmo com tantas diferenças nas personalidades. O timing cômico dos dois não é uma surpresa para quem já viu Community, Atlanta ou Pen15, e aqui, ainda que o drama predomine, há um belo equilíbrio para quebrar a tensão. Tudo opera tão bem nesse quesito que é fascinante assisti-los discutindo a relação de uma forma muito intensa ou falando mal de outras pessoas ferindo alguns direitos humanos, como um casal normal no cotidiano, respeitando o fato de que eles são espiões altamente treinados.


Com o brilhante texto de Francesca Sloane, Stephen Glover, Donald Glover e sua equipe formidável de roteiristas, não é difícil ficar preso à tela, amparados pela direção sempre precisa e inspirada de Hiro Murai, Karena Evans, Christian Sprenger, Amy Seimetz e do próprio Glover que dirige o final da temporada. As sequências de ação são sempre empolgantes e as lutas corpo a corpo muito bem coreografadas, com agilidade e espontaneidade. A temporada inteira é um grande “Fishes” de O Urso, no que concerne às participações especiais. Todo episódio vários rostos conhecidos aparecem, indo dos já citados Skarsgard e González, até Wagner Moura, Parker Posey, John Turturro, Sharon Horgan, Billy Campbell, Michaela Coel, Ron Perlman, Sarah Paulson, Úrsula Corberó e Paul Dano. Todos com ótimos papéis e nos fazendo imaginar diversas possibilidades. Mas, com ou sem “clubismo”, preciso destacar Wagner Moura que está excelente, e o quarto episódio em que ele aparece junto com a sempre fantástica Parker Posey, é um dos melhores da temporada.


Não ter expectativas para algo e ser surpreendido positivamente é muito bom, porém quando as expectativas já existem e elas são superadas, é melhor ainda. Sr. & Sra. Smith encerra sua temporada com um baita gancho e espero muito que haja logo uma confirmação de uma 2ª. No decorrer, imaginei que poderia funcionar como uma antologia e contar a história de outros Johns e Janes em eventuais anos vindouros, mas penso que a intenção é continuar com Erskine e Glover e em time que está ganhando, não se deve mexer. Já é a minha série estreante favorita de 2024 e aposto que se você der uma chance, se tornará uma das suas também.


Nota: 4,5/5

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