Entrevista | Galinha Pintadinha no Cinema: Criadores Revelam Detalhes do Primeiro Longa em 3D da galinha mais conhecida do Brasil

há 10 horas
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Em papo exclusivo com o Oxente Pipoca, Juliano Prado e Marcos Luporini contam como transitaram dos vídeos do YouTube para a tela grande em uma animação monumental.

Divulgação
Galinha Pintadinha, primeiro longa-metragem de animação em 3D baseado no fenômeno infantil criado por Juliano Prado e Marcos Luporini, chega aos cinemas no dia 1º de outubro. Colocando no centro da narrativa temas como maternidade, coragem, empoderamento e a união entre famílias, o filme acompanha os desdobramentos de uma insólita troca de ovos na saída da cegonha. A trama conduz a protagonista em uma jornada de superação e descobertas, trazendo um momento inédito e muito aguardado pelos fãs: a ocasião em que a Galinha finalmente ganha voz e passa a falar.
Para falar sobre o longa, o Oxente Pipoca conversou com Juliano Prado e Marcos Luporini durante o junket de lançamento. No papo, os criadores detalham os bastidores da produção realizada ao longo de quase dois anos, o desafio de migrar do 2D para o 3D e o simbolismo por trás do empoderamento da personagem.
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): A minha primeira pergunta é sobre essa questão do engajamento com o público infantil. A minha irmã é autista não verbal e o que ela mais gosta na Galinha Pintadinha são as músicas. Ela consegue acompanhar com o ritmo, com as letras de cantigas que a gente já conhece e as autorais. Como foi essa transição de uma produção de conteúdos conhecidos no imaginário infantil para o formato de filme, que é mais longo e talvez tenha mais dificuldade de prender a atenção das crianças?
Marcos Luporini: O que fez a gente pensar em fazer um filme foi encarar o desafio. Fazer um filme por si só já é bastante difícil por ser uma obra longa, tem suas características peculiares. Tivemos a preocupação de ter cara de filme e não parecer uma mera extensão da obra no cinema para ganhar uns trocos a mais. Pensamos numa história fílmica, com visual fílmico. Então a gente resolveu encarar esse desafio. Levo sempre em consideração os fundamentos da história, da música e os personagens que as crianças já gostam. Acreditamos numa história simples e complexa ao mesmo tempo, para que diferentes gerações possam acompanhar, porque a Galinha é transgeracional. Tinha todas essas camadas. É nisso que a gente tá apostando. Se vai dar certo, vamos saber assim que estrear no cinema, mas aposto que sim (risos).
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Eu tô apostando também que sim. Eu tive a oportunidade de assistir ao filme em uma das cabines e foi maravilhoso. É realmente um filme para aproveitar com toda a família. Lá em casa todo mundo já tá avisado para ir assistir."
Marcos Luporini: Obrigado. (risos)
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): E como está sendo transformar o formato em 2D do YouTube para o 3D no cinema, trazendo essa estética visual nova sem perder o que já conhecemos da Galinha Pintadinha?
Juliano Prado: Foi um desafio grande porque a Galinha foi desenhada em 2D, plana. Teve um trabalho inteiro de dar uma dimensão a mais para todos os personagens. Em termos de produção e complexidade, foi uma experiência incrível. Estávamos acostumados a formatos menores, como historinhas de 5 ou 6 minutos na série, pois o cinema tem 70 minutos. Já tínhamos tido alguma experiência com o teatro contando umas histórias um pouco mais elaboradas, mas a linguagem do teatro é muito diferente da linguagem do cinema. Ficamos quase dois anos só na história para ficar bem legal, pois na animação você precisa acertar tudo antes. Encontrando as vozes e tudo mais. Foi um trabalho de aprendizado muito legal. Acho que tenha sido a maior animação já produzida aqui no Brasil, com a produtora Hype no 3D e muitos profissionais empolgados de estarem trabalhando em uma animação 3D brasileira e da Galinha. Além dos talentos que todos tem, tem também a empolgação e a boa vontade de fazer um filme legal e eu acredito que deu certo.
Marcos Luporini: Agora em relação ao visual da Galinha, uma coisa que eu gosto de apontar sempre assim é que a Galinha tem essa característica icônica dela. entendeu? Então, qualquer criança consegue pegar uma caneta azul, fazer uma crista vermelhinha ali e colocar umas pintinhas.
Juliano Prado: Já vira a Galinha.
Marcos Luporini: Já é a Galinha Pintadinha, entendeu? Então, é uma coisa que eu acho que conta a favor do personagem. Então, assim, você batendo o olho, não tem muito perigo. Você olhar e falar: "Ah, é a Galinha Pintadinha". Sem dúvida é, ah lá. Tô vendo as pintinhas tá azulzinha lá, com as pintinhas, é a Galinha.
Juliano Prado: Mas é engraçado que mesmo assim a gente tem essa essa nova linguagem que a gente vai, claro, trabalhar, explorar, mas assim, a linguagem da 2D, ela ainda tem muito valor, né? É o que conecta muitas vezes com a criança menor. É um formato de música, tal. Então, realmente, são duas coisas que não brigam, acho que convivem bem. Uma tem certa função ali, essa coisa da simplicidade, da tela menor. E o cinema tem a riqueza de detalhes, tudo mais, a riqueza da profundidade da história.
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): E assistir a Galinha na Tela Grande, né?
Juliano Prado: Hoje foi a primeira vez que a gente assistiu assim, com o som, com a Tela Grande. A gente assistiu um pedaço de som, um pedaço agora, mas tudo junto, hoje foi a primeira vez. A gente só não se surpreende com a história porque a gente já viu 100 vezes, né? (risos) Tinha hora que eles estavam lá subindo, é, aquela perseguição, tal. Eu já sabia exatamente onde ia acabar, né? Mas as pessoas ficam “Como? Quando e como ia acabar?”
Marcos Luporini: Tem esse problema de assistir o filme, a gente que faz o filme, você vai se distanciando cada vez mais das surpresas do filme, né?
Juliano Prado: Por isso que é legal ver assim, né? Com outras pessoas.
Marcos Luporini: Com outras pessoas, né? Onde ri, né? Onde ri, onde não ri, se a piada funcionou.
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Sobre essa questão do roteiro: A Galinha Pintadinha, como você falou, tem a série, o musical, o teatro. São várias pequenas histórias que contam com essas cantigas, né? De onde surgiu a ideia de trazer esse tema central da coragem pro roteiro e qual foi a inspiração de vocês para decidirem que a gente ia ter primeiro: que a Galinha ia falar, que para mim foi uma das maiores surpresas, porque eu tô acostumada com a Galinha Pintadinha ser muito participativa nas canções, mas não canta, né? E como foi escolher esse tema, que é um tema muito importante para trazer para as crianças, né? Como foi essa decisão de roteiro de vocês?
Marcos Luporini: Para criar a história, desde o começo apostamos em ter uma boa história para contar. Fizemos uma mesa de criação com roteirista, comediante e desenhista. E com isso fomos pescando idéias de histórias. Quando apareceu a ideia da troca de ovos, deu um 'clique'. E essa história naturalmente ela tem abertura para diferentes temas, né? Eu costumo sempre falar que eu sempre vi notícia de bebê trocado na maternidade, depois o pessoal vai destrocar o bebê. E sempre me chamou muita atenção: "Nossa senhora, como será que é, né?". As famílias ficam para sempre conectadas quando isso acontece. Não tem como, né? Então, é uma história bonita. É uma história muito interessante, nesse sentido e simples ao mesmo tempo. E em relação à coragem da galinha, uma coisa que a gente bateu muito na tecla muito é que a galinha tinha que protagonizar a história, entendeu? Que ela fosse se empoderando durante a história. É uma história de empoderamento, na verdade, da Galinha, né? Acho que o fio condutor é isso, né? E ela falar num determinado momento, ganhar voz, acho que é uma metáfora muito bacana para isso. Ela é, finalmente ela fala, consegue se expressar o que ela tá pensando, quem é ela, tal. Então, foi meio que por aí que a gente foi chegando. E o tema central da coragem…
Juliano Prado: É, porque assim, o público geral da Galinha são essas famílias recém-formadas às vezes, né, com filho pequeno. E eu acho que essa questão é uma jornada da Galinha se tornando mãe. Ela queria se tornar, estava quase ali, mas deu nisso. E as galinhas tem essa coisa de não voar, não ser corajosa, né? Então, ali a gente meio que colocou essa jornada da maternidade. Acho que as mães também se identificam. E a coragem foi a chave, né? Ela tinha até um amuleto. Então, assim, acho que é o que falta nela, né? O que ela vai ter que conseguir atingir no final. Essa jornada e essa necessidade da ação.
Isadora Granato (Oxente Pipoca): Eu acho que isso foi uma das coisas que mais me deu vontade de assistir em família o filme. De poder perceber que todo mundo vai poder se identificar um pouco com alguma parte, eu achei interessante.
Juliano Prado: Quando a gente fez a história a gente pensou um pouco que tem crianças pequenas que talvez não peguem essas nuances, mas pegam a história da aventura da troca do ovo e tem essas coisas do casal, do pai e da mãe, né? Tem coisas ali que são meio que um pouco da sociedade, né? Que a gente traduz ali para a fábula.
Marcos Luporini: Tem um pouquinho de medinho, que a criança vai ter que ter coragem também. Tá tudo lá, mas não pode dar spoiler, hein?
Isadora Granato (Oxente Pipoca): A Galinha Pintadinha já foi traduzida para inúmeras línguas e já foi reproduzida em vários países e como tá o planejamento de vocês pro filme nessa questão?
Juliano Prado: Tá bem nessa fase do planejamento. A gente, a gente deu a prioridade aqui pro Brasil, né? Que a gente tem os nossos fãs e os parceiros todos. E a gente tá lançando aqui agora e logo na sequência partindo aí para uma missão de internacionalização, né? A Galinha é muito famosa na América Latina, tem bastante audiência nos Estados Unidos. Trafega lá até pela Ásia. Então, a gente acha que o filme que a gente fez, pensando assim, você não precisa conhecer a Galinha Pintadinha, né? Não precisa saber como é que é a história. É uma história que se você pegar do zero é uma história universal, né? Claro que você vai conhecer os personagens pela primeira vez, as músicas pela primeira vez. Então, a gente tá acreditando muito que vai ter esse potencial e a gente mais uma vez quer, assim como a gente fez com as músicas, tentar exportar um pouquinho de cultura brasileira, né? Acho que a gente tá fazendo bonito. Vamos começar essa experiência agora.
Isadora Granato (Oxente Pipoca): E mais uma vez. Maravilhoso. Eu espero realmente que a gente consiga exportar isso aí porque eu acho a Galinha Pintadinha uma ótima representação do que a gente tem de melhor do Brasil.
Marcos Luporini: É isso aí.
Juliano Prado: É, então, a gente no fim tem esse orgulho, né? E espero que as pessoas também quando assistirem e verem que tá legal, também sintam isso. É uma coisa brasileira, é difícil fazer animação, é muita gente, é caro, né? Os artistas são heróis mesmo, porque assim, é um mercado que ainda é difícil de você achar muitas oportunidades. A Hype, que é a produtora de 3D que fez [trabalha] com pessoal muito bacana, ficou muito satisfeita com o trabalho.
Isadora Granato (Oxente Pipoca): Eu como espectadora também fiquei muito satisfeita (risos).
Marcos Luporini: Ah, que bom, né? A parte mais importante é essa mesmo, o público final gostar.
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Digno de produção internacional mesmo. (risos)
Juliano Prado: Ó, que legal isso. A gente tentou. (risos)
Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Muito obrigada pela oportunidade.
Marcos Luporini: Obrigada você. Obrigado pelas palavras, viu?



















