top of page
Background.png

Crítica | Moana (2026)

  • Foto do escritor: Ávila Oliveira
    Ávila Oliveira
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Pra quê?


Divulgação


Moana (Catherine Lagaʻaia) responde ao chamado do Oceano e, pela primeira vez, aventura-se além do recife de sua ilha de Motunui junto ao infame semideus Maui (Dwayne Johnson) em uma viagem inesquecível para restaurar a prosperidade de seu povo.


"Por quê?", "Pra quê?” e “Qual a necessidade disso?” são perguntas que não cabem ser feitas obrigatoriamente a peças de arte. Agora, quando um trabalho é menos uma peça de arte do que um produto comercial, essas perguntas devem ser feitas até alcançarem o constrangimento. Todos conseguem sentir que a exaustiva e preguiçosa leva de live-actions feita pelos grandes estúdios de Hollywood, (e encabeçada pela Disney) tentando jogar com uma nostalgia puramente econômica, está chegando ao fim, e talvez Moana (2026) ajude a acabar de vez com esse movimento.


Há exatos 10 anos a animação Moana: Um Mar de Aventuras (2016) estreou nos cinemas do mundo todo se tornando um fenômeno instantâneo. A bilheteria foi altíssima, as músicas foram sucesso e somou incontáveis indicações a prêmios. Em 2024, o filme ganhou uma continuação mais tímida e menos inspirada, ainda assim chegou a 1 bilhão nas bilheterias mundiais. E agora, em meio a tudo isso, o indesejado live-action ganha vida e todo mundo se pergunta: Por quê? Pra quê? Qual a necessidade disso?


Sempre falo que não sou o hipócrita dos remakes, reboots e derivados, mas acredito que seja obrigatório ter um diferencial do trabalho original para que essa nova versão tenha se valide minimamente. Quando as primeiras adaptações das princesas da Disney chegaram aos cinemas, grande parte de um público mais emocionado e menos propenso a mudanças se rasgava de raiva porque não eram cópias exatas do que conheceram nas animações de suas infâncias. Eis que as produções seguintes foram ficando cada vez mais literais a ponto de perderem qualquer possível traço de uma identidade hipotética. Um exemplo recente, mesmo não sendo Disney, foi a versão humana de Como Treinar o Seu Dragão (2025) que ganhou pontos pelo carisma e pelo bom acabamento nos quesitos visuais e sonoros, mas que covardemente fez uma cópia quadro a quadro da animação de 2010.


Moana é uma sequência encadeada de erros. Nada parece novo. Nada aparenta frescor. Nada imprime qualidade. Perceba que os verbos que usei falam de simulação, por vezes um filme pode não ter um conteúdo bem consolidado, mas ele finge tão bem a ponto de aparentar um valor que não condiz com a realidade. Moana nem isso consegue.


Divulgação


É perceptível o quanto este projeto é importante para Dwayne Johnson. O ator que dublou o deus Maui na animação deu vida ao personagem também na versão de 2026, e ele se esforça bastante para fazer com que a nova leitura do personagem seja tão marcante quanto à primeira. Mas é difícil sem os recursos imagéticos e estéticos que a animação entrega. Da mesma forma vemos a tentativa de Catherine Laga'aia de quase competir com o desenho para entregar alguma voz própria, mas nunca chega lá, e por vezes a atriz parece perdida em meio a tanta construção digital nada orgânica.


A ideia da animação ainda presente na mente do público é a maldição da adaptação, mas tenta ser a bênção, porque fica a sensação de que o que está sendo assistido de alguma forma remete ao que já conhecemos, como um reforço positivo, e o filme tenta empurrar isso goela à baixo, o que pode funcionar para alguns. As músicas estão ali, a história está ali, e esses continuam encantando como podem, mas todo o restante parece sem vida, sem vontade, sem qualquer expressão artística que se imponha. O visual do filme é estranho, o trabalho de cor é ruim, os efeitos visuais por vezes não parecem encaixar na ideia das cenas e ficam conflitando com os personagens.


Uma produção com o orçamento que essa teve apresentar um resultado tão apático é, no mínimo, vergonhoso. Talvez, um grande e insustentável talvez, se não houvesse a animação de poucos anos atrás e esta fosse uma proposta original, Moana se saísse melhor dado o roteiro, as canções e as mensagens presentes, porque ainda assim o resultado parece barato, artificial e ruim mesmo. Se ainda restava dúvida que a fase dos live-actions merecia chegar ao fim, a conta chegou.


Nota: 1/5


LEIA TAMBÉM NO SITE:

FILMES BRASILEIROS DE 2026

bottom of page