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Hoje é dia de Maria de Maria: Nanda Costa estrela novo faroeste de Luiza Shelling Tubaldini

Foto do escritor: Aianne Amado
Aianne Amado
há 3 horas
3 min de leitura
Estreando no Festival do Rio, longa ambientado no pós-cangaço leva o protagonismo feminino ao universo do Nordestern.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Na tarde de 8 de outubro, o histórico Cine Odeon recebeu a sessão-debate de Maria de Maria, novo filme de Luiza Shelling Tubaldini (Love Kills), protagonizado por Nanda Costa.

Ambientado em 1940, logo após a dissolução do cangaço no sertão nordestino e durante a Marcha para o Oeste — iniciativa do governo Vargas para integrar e povoar o Centro-Oeste do país —, o longa acompanha Maria, que vê na migração a oportunidade de deixar o passado para trás e prosperar, garantindo um futuro melhor para o filho que carrega na barriga.


Em busca de uma nova vida, ela conhece Zé (João Campos), um intelectual do Rio de Janeiro que acredita haver ouro naquela região. Juntos, os dois enfrentam a fome, as incertezas e as adversidades enquanto tentam domar a natureza e tornar produtivas suas novas terras antes que o tempo e os recursos se esgotem.


Embora ambientado no Centro-Oeste, Maria de Maria pode ser compreendido como um “Nordestern” (também conhecido como “western cangaceiro”): um gênero que incorpora elementos e convenções dos clássicos faroestes estadunidenses a histórias ambientadas no sertão nordestino. Maria, natural de Jacobina (BA), leva consigo o sotaque e a força de sua terra, elementos que ajudam a evocar o imaginário característico dessas produções.

Consolidado no cinema brasileiro a partir da década de 1950 com O Cangaceiro (Lima Barreto), o Nordestern tem entre seus expoentes títulos como Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha) e até mesmo O Cangaceiro Trapalhão (Daniel Filho).


Shelling, porém, acrescenta ao gênero uma perspectiva há muito necessária: o protagonismo feminino. Durante o debate após a exibição, a diretora contou que cresceu assistindo a filmes de faroeste e sempre sentiu falta de mulheres em papéis centrais. Ficava imaginando como seriam aquelas histórias se as personagens não fossem tão passivas.

A inquietação permaneceu com ela. Anos depois, agora diretora de cinema, decidiu fazer algo sobre – afinal, se o western é sobre “você impor o seu respeito com as próprias mãos” e a história do cinema “subestimou muito a força feminina”, como observou, a ideia de colocar uma mulher no centro desse universo era quase uma equação matemática.


Em suas palavras, “tudo fez sentido” quando encontrou Nanda Costa. A força e a feminilidade da atriz, características bastante elogiadas pela diretora, se complementaram perfeitamente para dar vida à personagem que Shelling tanto desejava ver nas telas.

Nanda, por sua vez, já tinha experiência interpretando uma cangaceira: em 2017, viveu Luzia em Entre Irmãs, de Breno Silveira. Desde então, porém, duas transformações pessoais marcaram sua trajetória: tornou-se mãe de duas meninas e se mudou para a Bahia em busca de um ritmo de vida mais tranquilo. Ambas foram determinantes para a construção de Maria.


Relutante em aceitar trabalhos que a mantivessem longe das filhas, a atriz resistiu até mesmo à ideia de considerar o longa. Quando finalmente leu o roteiro, porém, não conteve as lágrimas. Sentiu que precisava contar aquela história, que define, com precisão, como uma narrativa de “pós-cangaço”: “Era como se a Luzia tivesse a chance de refazer sua história”.


Nanda agradeceu a Shelling pela “oportunidade imensa” de “reconquistar o protagonismo depois da maternidade”. Também elogiou a direção “precisa, cirúrgica, que sabe exatamente o que quer, mas tem uma generosidade para deixar colocarmos o que a gente sente”. Diante da câmera, conta a atriz, “vai vindo um bicho, uma força, uma coisa poderosa” – uma energia que confere a Maria, e ao próprio filme, a vitalidade necessária.


Maria de Maria estreou no Festival do Rio, onde concorre na Première Brasil, na Competição de Longas-Metragens de Ficção.



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