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- Cobertura Festival de Cannes 2023 - Dia 1
Homenagem a Michael Douglas marca o primeiro dia do maior festival de cinema da França Divulgação: Valery Hache/AFP Se iniciou nesta terça-feira (16/05) a 76ª edição do anual Festival de Cannes. Um dos maiores e mais tradicionais festivais de cinema do mundo, o festival da litorânea cidade da Riviera Francesa segue até o dia 27 de maio e trará filmes inéditos de diretores renomados como Martin Scorsese, Hirokazu Kore-eda, Wes Anderson e Marco Bellocchio. O primeiro filme a ser exibido – antes mesmo do filme de abertura ao qual não daremos qualquer relevância – foi Amor Louco (1969), de Jacques Rivette, na sessão Cannes Classic. O dia de abertura também contou com uma homenagem ao ator Michael Douglas que recebeu uma Palma de Ouro Honorária das mãos de Uma Truman. Acompanhado da atriz e sua esposa Catherine Zeta-Jones, e da filha Carys Zeta Douglas, o artista foi ovacionado de pé e lembrou de seu pai, Kirk Douglas, em seu discurso. Ao lado da atriz francesa Catherine Deneuve – que também foi homenageada pelo festival estampando os cartazes oficiais da edição – Douglas declarou aberto o 76º Festival de Cannes que conta com o diretor Ruben Östlund como presidente do júri da competição oficial. Completam a comissão do júri a atriz Brie Larson, a diretora Maryam Touzani, o ator Dénis Ménochet, o ator Paul Dano, a cineasta Rugano Nyoni, o editor Damián Szifrón, o roteirista Atiq Rahimi e a diretora Julia Ducournau. Divulgação DESTAQUES DE CANNES 2023: • O diretor Hirokazu Kore-eda está na competição oficial pelo segundo ano consecutivo. Ano passado ele competiu com o filme Broker – Uma Nova Chance e esse ano concorre à Palma de Ouro com Monster. • O cineasta chinês Wang Bing e o alemão Wim Wenders estão com dois filmes no festival. Wang leva o filme Jeunesse na competição principal e Man in Black em sessão especial. Enquanto Wim tem o filme Perfect Days na competição e Anselm em sessão especial fora de competição. • O cearense Karim Aïnouz disputa a Palma de Ouro pelo filme Firebrand, sua primeira produção em língua inglesa com Jude Law e Alicia Vikander no elenco. O pernambucano Kleber Mendonça Filho exibe o documentário Retratos Fantasmas em sessão especial. Divulgação: Firebrand • 13 cineastas na competição oficial já competiram anteriormente: Wes Anderson, Marco Bellocchio, Catherine Breillat, Nuri Bilge Ceylan, Jessica Hausner, Todd Haynes, Aki Kaurismäki, Hirokazu Kore-eda, Ken Loach, Nanni Moretti, Alice Rohrwacher, Justine Triet e Wim Wenders. • 5 cineastas competindo esse ano já ganharam Palmas de Ouro anteriormente: Nuri Bilge Ceylan, Hirokazu Kore-eda, Ken Loach (2 vezes), Nanni Moretti e Wim Wenders. • Entre os 21 diretores na competição principal 14 são homens e 7 são mulheres, o maior número de participação feminina na história. 12 são europeus, 4 asiáticos, 2 africanas, 2 norte-americanos e 1 sul-americano. • O diretor mais velho competindo esse ano é Ken Loach, com 86 anos, e mais nova é a senegalesa Ramata-Toulaye Sy, com 36 anos. Divulgação
- Crítica | Renfield: Dando Sangue Pelo Chefe
Nesta comédia explosiva, Nicolas Cage é destaque com Drácula satírico e megalomaníaco Divulgação: Universal Pictures Brasil Quantas vezes na vida já te empurraram para dentro de um melodrama satírico com um vampiro megalomaníaco, encapsulado por cenas de ação em câmera lenta, explosões sangrentas de troncos e membros humanos e tudo isto como subtexto para abordar co-dependência e relacionamentos tóxicos? Comigo foi a primeira vez. O primeiro destaque é o Drácula de Nicolas Cage. A dinâmica visual presta tributo aos filmes que constituíram nossa memória sobre os filmes de vampiro ao longo da história. O lendário Drácula de Bela Lugosi está lá, com direito à capa, dentes afiados quase tubaronescos que sugam sangue, caixões como camas confortáveis, e privação à luz do sol (nada de brilho na pele, esqueça Crepúsculo), este Drácula Cageano se insere no panteão mitológico dos vampiros, talvez de modo menos icônico (ou isto quem possa dizer de fato seja o tempo) mas sem deixar de ser marcante. A comicidade do personagem é o que nos atrai à loucura deste antiquado Vampiro que deseja dominar o mundo, como todo bom vilão. Além da caracterização, maquiagem, unhas, capas, transformação em morcego, e toda a indumentária que já é de costume, Nicolas Cage insere seu toque memesco — sim, lembra daqueles memes? — auto conscientemente, eu diria. À essa altura, o ator sabe do seu potencial viralizante, e é sim um bom ator, apesar de alguns pesares que possui em sua carreira. Renfield parece ser um sinal de que ele está confortável em fazer o que deseja e quando deseja, e, que, quando deseja, parece se sair melhor e mais confortavelmente. O equilíbrio necessário entre a soberba e a suposta fragilidade, que logo é desmascarada e vista em sua real forma novamente, os ataques de ira e demonstrações de soberania e poder diante dos meros mortais, insetos, alimentos, ou seja lá o nome que o Drácula nos dê no momento, são assinaturas da versatilidade de Cage. A química com Nicholas Hoult, também. Nicholas Hoult, que encarna o pobre coitado subalterno do Conde Vampiresco, Robert Montague Renfield (e ele te lembrará disso a todo momento) transformado e condenado à função de faz-tudo há séculos, parece ter sido reservado para os papéis esquisitos e que evocam algum tipo de afeição em Hollywood. Neste, especificamente, ele lembra o querido R, de Meu Namorado é um Zumbi, e a contação do filme também segue o mesmo esquema de voice-off. A diferença é que neste filme ele brilha mais e melhor. Renfield é carismático e em grande parte é pelo acerto no casting do ator. O humor britânico e o sotaque caem bem à rigidez e inadequação do personagem ao tempo atual. A dinâmica em tela com a personagem Rebecca Quincy, de Awkwafina, é fofa e desajeitada, causando bons diálogos e reações no público. Rebecca traz também um plano de fundo dramático que envolve família e vínculos, ponto que aproxima ela e Renfield, mas sem desenvolvimento romântico forçado. Há uma intenção no ar, é notável e previsto, mas este não é o ponto que a trama quer desenvolver. Outras cenas divertidas são com o núcleo dos Dependentes Emocionais Anônimos, lugar onde Renfield descobre que sua ligação com o Conde Drácula é desbalanceada e que o Morcego Sugador de Sangue não passa de um grande narcisista manipulador emocional. Um marcador mental: lembre-se de prestar atenção no líder da reunião, Brandon Scott Jones (Megarromântico, The Good Place) é sempre um ótimo sidekick. Ainda há também um subtema da gangue dos Lobos que se envolve no tema principal: o desejo do Drácula de subjugar o mundo. Renfield é uma trip explosiva que celebra os símbolos atemporais da mitologia e do cinema, garante boas gargalhadas e com certeza fará o público sair com todo o tipo de frase de efeito kitsch sobre amor próprio e autoestima na ponta da língua. Nota: 3/5
- Crítica | Os Odiados do Casamento
Nem mesmo um elenco carismático consegue salvar a nova comédia da Amazon Prime Video da mediocridade Divulgação: Amazon Prime Video Casamento: um evento bastante recorrente no universo cinematográfico da comédia. Temos o ‘Casamento Grego’ (2002), ‘O Casamento do Ano’ (2013), a ‘Missão Madrinha de Casamento’ (2011) e por aí vai. Isso é um fato sustentado por boas razões, afinal, em uma cerimônia matrimonial, há uma oportunidade vasta para a ocorrência de situações cômicas e inegavelmente românticas. Entretanto, quando estamos falando a respeito de ‘Os Odiados do Casamento’, novo filme da Amazon Prime Video, a teoria da comicidade intrínseca dos casamentos vai por água a baixo. Nós, como espectadores, somos introduzidos a um enredo fraco, com personagens irritantes e um roteiro que não sabe muito bem para onde ir. ‘Os Odiados do Casamento’ conta a história de Alice (Kristen Bell) e Paul (Ben Platt), dois irmãos muito próximos, mas que não possuem a melhor das relações com a sua mãe, Donna (Allison Janney). O afastamento não se limita somente ao lado materno, já que Paul e Alice também guardam certo rancor de sua meia-irmã, Eloise (Cynthia Addai-Robinson). Tudo está prestes a tomar rumos inesperados quando Paul e Alice são convidados para o grandioso casamento de Eloise em Londres, onde cada um terá que lidar com problemas familiares não resolvidos e seus conflitos internos individuais. Alice clama ter azar no amor, porém está cem por cento focada em um relacionamento às escondidas com o seu chefe e não consegue se entregar totalmente a uma relação mais saudável. Paul, por sua vez, não parece estar contente com o seu novo emprego e com os rumos que seu relacionamento com Dominic (Karan Soni) está tomando. Divulgação: Amazon Prime Video Quando nos referimos a Donna, além de lidar com o afastamento dos filhos e com as consequências da viuvez após a morte do pai de Alice e Paul, a matriarca da família ainda terá que enfrentar os fantasmas do seu primeiro amor, o charmoso Henrique (Isaach De Bankole), pai de Eloise, a noiva em questão. A direção do longa-metragem fica por conta de Claire Scanlon, conhecida por seu trabalho em algumas comédias televisivas de destaque como ‘Unbreakable Kimmy Schmidt’, além de ser a diretora de uma comédia romântica queridinha pelo público, o filme ‘O Plano Imperfeito’ (2017). Infelizmente, o bom currículo de Scanlon não é o suficiente para tornar a experiência de assistir ‘Os Odiados do Casamento’ agradável e satisfatória. Isso acontece principalmente por seu roteiro não conseguir entregar uma boa construção de eventos, fazendo com que a história toda pareça muito corrida e bagunçada. Ademais, todos os momentos propositalmente feitos para serem engraçados só acabam sendo uma replicação de clássicos embaraçosos que já vimos antes, como vomitar em público e derrubar o buffet do casamento por acidente. Logo, a combinação de um humor pastelão previsível com um roteiro não envolvente acaba criando até uma ausência de empatia da audiência perante os personagens. O filme se desenrola, porém não nos permite criar apego verdadeiro pela história de cada um dos odiados do casamento. Sendo assim, quando somos apresentados as camadas mais profundas de Alice, Paul, Eloise e Donna, o longa cria um cenário de sentimentalidade que só seria funcional caso houvesse um carinho maior do espectador para com os personagens, o que não acontece. Comumente, o combo drama+humor é uma excelente pedida, porém quando nenhum dos elementos é bem arquitetado, apenas temos uma situação semelhante a dois espelhos postos um em frente ao outro: o nada olhando para o nada. Todavia, o elenco de ‘Os Odiados do Casamento’ tenta ao máximo fazer o roteiro funcionar, com boas performances e um timing certeiro. Lamentavelmente, a junção de elementos atropelados e não inovadores acaba vencendo a batalha, fazendo com que o filme se torne um daqueles especiais da ‘Sessão da Tarde’, cujo nome provavelmente será esquecido no dia seguinte. Nota: 2/5
- Análise | Argentina, 1985 e a representação da luta democrática
Nunca mais! Como o longa de Mitre se relaciona com o nosso cenário atual. Divulgação: Amazon Studios Durante boa parte da segunda metade do séc. XX, a América Latina foi tomada por governos autoritários em muitos de seus países. Nações como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e o Brasil sofreram com a instauração de ditaduras de cunho militar. Esses governos tinham como elementos basilares de atuação o desmanche das instituições representativas, o cerceamento das liberdades individuais e, acima de tudo, o uso indiscriminado da força para punir deliberadamente inimigos políticos. O período teve início na década de 60 e foi precedido pela derrocada de modelos democráticos de Estado em diversos países latino-americanos. Apesar de ocorrerem em locais distintos do continente, todas essas incursões possuíam elementos em comum: eram governos ilegítimos consolidados por golpes de Estado maquinados por forças militares escusas. No Brasil, país que “deu a largada” para a adoção desses regimes em 1964, o presidente João Goulart foi deposto após a condução de um governo inicialmente voltado para a satisfação dos interesses populares. Esse panorama mostrado no Brasil foi sendo replicado à medida em que os outros países do Cone Sul iam assumindo cada vez mais governos autoritários, marcados pelo fascismo e uma enorme violência institucional. Assim, para fazer frente a tais modelos, surgiram os movimentos pró-democráticos que visavam a recuperação das liberdades tolhidas por tais regimes, mesmo após seu término. Nasce, a partir desse cenário, o cinema de resistência – que permanece vivo até hoje. Em ‘Argentina, 1985’ (2022), podemos ter um vislumbre de como a sétima arte é imprescindível para a apreciação das instituições democráticas, e como lutar pela sua manutenção é um dever cívico. No longa, os juristas Julio Strassera (Ricardo Darín) e Luis Moreno Ocampo (Peter Lanzani), travam uma árdua batalha judicial para punir os militares responsáveis pela tortura, morte e desaparecimento de mais de 30 mil pessoas no período conhecido como a “Ditadura Militar Argentina”. Aqui, não estamos falando de um filme que retrata a época da ditadura em si, mas seus efeitos: milhares de pessoas afetadas urgem por uma retratação ao inferno que sofreram durante o regime. Divulgação: Amazon Studios O filme mostra um acerto de contas. O time de Strassera, apesar de claramente em desvantagem, arregaçou suas mangas e enfrentou bravamente os responsáveis pela ditadura. Vale lembrar que até então (o longa se passa entre os anos de 1984 e 85) isso era sem precedentes, já que a Argentina foi a primeira do Cone Sul a julgar civilmente os responsáveis pelas atrocidades causadas durante o período ditatorial. Foram julgados nove líderes que encabeçaram as três juntas militares a governar a Argentina durante a ditadura instaurada em 1976. O resultado, como vimos no longa (e também na história) foi a condenação dos culpados: uma vitória suada. Trazendo essa perspectiva para a história brasileira, o que temos é uma comparação de causar inveja. Enquanto nossos irmãos argentinos conseguiram a proeza de julgar os algozes do Regime mais sanguinário da América Latina, o Brasil concedeu anistia a grande parte dos responsáveis pela tortura e desaparecimento de civis, o que significa que não podem ser julgados pelos crimes cometidos durante o período. Casos semelhantes se sucederam no Chile e no Uruguai, o qual, por referendo popular, se recusou a investigar seus militares. Esse cenário dá lugar a mazelas que conseguimos perceber em nossos entornos até os dias de hoje. Se, no filme de Mitre, vimos que grande parte das dificuldades enfrentadas pelos juristas na defesa da democracia era a própria reprovação de uma parcela da sociedade, que mostrava-se conivente ao regime fascista, na realidade não é diferente. Ainda hoje, mesmo após inúmeros relatos historiográficos dos terrores que se sucediam durante os regimes ditatoriais, parte da população (especialmente brasileira) defende o retorno desses regimes pautando-se no sucateamento dos direitos humanos e na censura. Discursos autoritários mascarados de falsas pretensões democráticas estão cada vez mais comuns, mas essa não é grande preocupação. O horror se dá pela ampla aceitação que esses discursos têm no cenário atual. No Brasil, os ideais fascistas, o negacionismo e o ataque às instituições científicas e culturais são robustecidos por figuras de autoridade, as quais propagam desinformação e brutalização à democracia de forma ampla. Basta olhar para o próprio Argentina, 1985 e comparar os cenários: o longa e os depoimentos trazidos em sua execução são desenhos perfeitos das mazelas que as pretensões autocráticas trazem para uma sociedade. Por isso, exercer nosso dever cívico, enquanto votantes, é crucial para a manutenção da ordem e da legitimidade das instituições democráticas, do mesmo modo que assim lutaram Strassera e Ocampo nos tribunais argentinos.
- Crítica | Cobra Kai (5ª Temporada)
Após quase meia década, a série mostra que ainda tem forças pra continuar lutando. Divulgação: Netflix Chegada recentemente à Netflix, a 5ª temporada de ‘Cobra Kai’ era rodeada de grandes expectativas após um grande gancho deixado pelo final do ano anterior. Com uma história que promete novos rumos para seus personagens, a nova temporada embarca de vez em seu estilo único (e exagerado) para trazer nova vida ao enredo. Afinal, será mesmo que ainda há o que ser contado após 5 anos? O novo ano inicia mostrando os efeitos do torneio que encerrou a temporada anterior. Com os dojôs de Lawrence e LaRusso fora da jogada, Terry Silver domina o cenário carateca do Vale, ampliando exponencialmente o domínio do Cobra Kai. Essa nova dinâmica mostra muito do que a série vem tentando alcançar com o passar dos anos. Já que, com a aparição de cada vez mais tramas e vilões do passado, há um notório esforço empregado pelos roteiristas para que a série não se torne repetitiva como a maioria das produções do catálogo da Netflix. Divulgação: Netflix Com isso, é preciso dizer que a 5ª temporada tem sucesso nesse quesito. Deixamos de lado a velha rixa entre Johnny Lawrence e Daniel LaRusso — que impregnou temporadas anteriores — para focar no desenvolvimento do restante dos personagens. Nesse cenário, o tempo de tela é dividido entre muitos dos nomes que já conhecemos, que agora tiram um tempo para mostrar ‘Cobrai Kai’ não é só sobre caratê. Vale pontuar que, de maneira geral, todo o elenco trabalha bem. Com poucas exceções aqui e ali, tanto o elenco jovem quanto o mais maduro é eficiente no desenrolar de suas tramas. William Zabka e Ralph Macchio estão bem como sempre na pele dos eternos rivais Johnny e Daniel, os papéis de suas vidas. Amanda LaRusso e Chozen, por sua vez, são grandes joias dessa temporada, entregando cenas de comédia louváveis e divertidíssimas. Contudo, essa temporada também foi eficaz em trazer boas doses de emoção.Nesse cenário, acompanhamos a jornada de personagens como Miguel (Xolo Maridueña) e Sam (Mary Mouser), os quais embarcam em uma espiral de autoconhecimento para além dos tatames. Porém, o foco mesmo está na desenvoltura de Terry Silver e John Kreese enquanto antagonistas: de um lado, temos o vilão da temporada, mais ardiloso e perigoso do que nunca; do outro, um antagonista traído, jogado na prisão e forçado a encarar os demônios de seu passado. Claro, todos esses aspectos mencionados são rodeados de muita breguice, bem como momentos espalhafatosos e constrangedores. Porém, esse talvez seja o cerne do sucesso de ‘Cobra Kai’: sua capacidade de não se levar à sério. Divulgação: Netflix Em relação a aspectos técnicos, pode-se dizer que a qualidade se mantém. Com lutas bem coreografadas e uma trilha sonora oitentista marcante, a série preserva a essência de Karatê Kid sem necessariamente se escorar no material original. Temos grandes referências e voltas ao passado para amarrar pontos no roteiro, algo que já vinha sendo feito surpreendentemente bem em temporadas anteriores e, aqui, o feito se repete. Aliás, é no uso da nostalgia que a série encontra sua arma mais poderosa, já que é bastante competente no uso de suas referências, algo que deixa qualquer fã acolhido. Com isso, a 5ª temporada de ‘Cobra Kai’ faz a série escalar rumo à consagração como uma das produções mais interessantes da plataforma. Brega como nunca, divertida como sempre, a série parece ter encontrado seu tom e mostra que, apesar de seus erros, ainda tem força para encarar os próximos anos. Assim, com um elenco carismático e boas histórias, é preciso dar o braço a torcer e reconhecer que, de fato, Cobra Kai nunca morre. Nota: 4,5/5





