top of page

Início > Notícias

​

Allan Deberton relata resistência a Feito Pipa durante busca por financiamento

Oxente Pipoca

04 de nov de 2026 · 3 min de leitura

Durante painel acompanhado pelo Oxente Pipoca na Mostra de SP, diretor afirmou ter ouvido que o projeto parecia ser “mais um filme brasileiro”

© Jamille Queiroz
© Jamille Queiroz

Allan Deberton enfrentou dificuldades para conseguir financiamento para Feito Pipa, longa que representa o Brasil na corrida pelo Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. Durante o 6º Encontro de Ideias, realizado como parte da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor cearense contou que o projeto encontrou resistência por reunir características consideradas pouco atraentes comercialmente, como a ambientação nordestina e o protagonismo de uma criança queer, todas descritas como "os motivos mais esdrúxulos possíveis".


A declaração foi dada no painel O Processo Criativo de Feito Pipa, realizado em 21 de outubro e acompanhado pelo Oxente Pipoca.


Segundo o cineasta, o projeto carregava o que ele identificou como "o estigma de cinema nordestino, de um personagem queer". Ele também relatou ter ouvido comentários de que a produção parecia ser apenas "mais um filme brasileiro", como se essa característica fosse um obstáculo.


"De certa forma parecia que o roteiro trazia ali o estigma de cinema nordestino, de um personagem queer, e que parecia verdadeiro demais para poder fazer sentido, dentro dessa expectativa de negócio, de venda de ingresso, de sucesso. Ele tinha muita cara de ‘cinema brasileiro’, eu escutei bastante isso: “ah não, parece ser mais um filme brasileiro’", afirmou Deberton no painel.


Em vez de abandonar a ideia, ele afirmou que essas reações aumentaram sua determinação de realizar o longa. "E aí, quando essas coisas vêm para mim, isso se torna na verdade um motivador, parece que eu tenho uma raiva, uma vontade de superar, que vem de algum lugar: ‘não, agora que a gente vai fazer o filme’", completou.


Divulgação
Divulgação

Ambos naturais de de Russas, no Ceará, Deberton e o roteirista André Araújo mantém uma parceria criativa que já havia tido um resultado muito positivo em Pacarrete (2019), filme que rendeu 8 troféus no Prêmio Grande Otelo 2021, mais do que qualquer outro naquele ano.


Em Feito Pipa, os dois voltaram a trabalhar juntos em uma narrativa ambientada no sertão cearense, acompanhando Gugu (Yuri Gomes), um menino queer criado pela avó Dilma (Teca Pereira) e que precisa lidar com a possibilidade de morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos). Leia nossa entrevista com o elenco aqui.


Durante o mesmo encontro, Araújo também defendeu a importância de realizadores nordestinos participarem da construção de novas imagens sobre a região. O roteirista destacou que, embora a história de Gugu não fosse exatamente autobiográfica, muitos pontos em comum foram identificados, sendo ele um homem gay que nasceu e cresceu no interior do Ceará.


“Eu acho que o que me motivou a escrever e enveredar pelo cinema foi pensar a forma como a gente tem produzido imagens sobre o sertão, sobre o Nordeste, e, mais do que isso, atualizar esse imaginário. Há uma necessidade de ver nordestinos construindo essas imagens, produzindo essas imagens, atualizando elas, trazendo essa especificidade, esse olhar que é só nosso”, afirmou.


Allan Deberton (diretor) | Foto: SaraDeSantis
Allan Deberton (diretor) | Foto: SaraDeSantis

Feito Pipa teve sua estreia mundial no Festival de Berlim e foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. O longa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5), com distribuição da Paris Filmes.


A cobertura completa do painel, realizada por Vinicius Oliveira, pode ser lida no Oxente Pipoca.

LEIA TAMBÉM

NOTÍCIAS

Marcélia Cartaxo protagoniza série de comédia gravada em Salvador com...

NOTÍCIAS

Vicentina Pede Desculpas estreia nos cinemas nesta quinta antes de...

NOTÍCIAS

Marta ganha primeiro teaser com Alice Carvalho no papel da Rainha do...

MAIS RECENTES

NOTÍCIAS

Marcélia Cartaxo protagoniza série de comédia gravada em Salvador com...

CRÍTICAS

Crítica | Assalto à Brasileira

NOTÍCIAS

Vicentina Pede Desculpas estreia nos cinemas nesta quinta antes de...

CATEGORIAS

Notícias
Críticas
Análises
Awards Season
Crias do Brasil
Listas
Entrevistas
Festivais

NEWSLETTER

image.png

Cinema brasileiro, festivais e temporada de premiações direto no seu e-mail

MAIS LIDAS NO MÊS

01

NOTÍCIAS

Lázaro Ramos diz que Feito Pipa propõe uma "pedagogia do afeto" ao...

02

CRÍTICAS

Crítica | Godzilla Minus Zero

03

NOTÍCIAS

Uma adaptação de Os Imortais, de Paulliny Tort, está em...

Allan Deberton relata resistência a Feito Pipa durante busca por financiamento

há 9 horas
3 min de leitura
Durante painel acompanhado pelo Oxente Pipoca na Mostra de SP, diretor afirmou ter ouvido que o projeto parecia ser “mais um filme brasileiro”

© Jamille Queiroz
© Jamille Queiroz

Allan Deberton enfrentou dificuldades para conseguir financiamento para Feito Pipa, longa que representa o Brasil na corrida pelo Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. Durante o 6º Encontro de Ideias, realizado como parte da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor cearense contou que o projeto encontrou resistência por reunir características consideradas pouco atraentes comercialmente, como a ambientação nordestina e o protagonismo de uma criança queer, todas descritas como "os motivos mais esdrúxulos possíveis".


A declaração foi dada no painel O Processo Criativo de Feito Pipa, realizado em 21 de outubro e acompanhado pelo Oxente Pipoca.


Segundo o cineasta, o projeto carregava o que ele identificou como "o estigma de cinema nordestino, de um personagem queer". Ele também relatou ter ouvido comentários de que a produção parecia ser apenas "mais um filme brasileiro", como se essa característica fosse um obstáculo.


"De certa forma parecia que o roteiro trazia ali o estigma de cinema nordestino, de um personagem queer, e que parecia verdadeiro demais para poder fazer sentido, dentro dessa expectativa de negócio, de venda de ingresso, de sucesso. Ele tinha muita cara de ‘cinema brasileiro’, eu escutei bastante isso: “ah não, parece ser mais um filme brasileiro’", afirmou Deberton no painel.


Em vez de abandonar a ideia, ele afirmou que essas reações aumentaram sua determinação de realizar o longa. "E aí, quando essas coisas vêm para mim, isso se torna na verdade um motivador, parece que eu tenho uma raiva, uma vontade de superar, que vem de algum lugar: ‘não, agora que a gente vai fazer o filme’", completou.


Divulgação
Divulgação

Ambos naturais de de Russas, no Ceará, Deberton e o roteirista André Araújo mantém uma parceria criativa que já havia tido um resultado muito positivo em Pacarrete (2019), filme que rendeu 8 troféus no Prêmio Grande Otelo 2021, mais do que qualquer outro naquele ano.


Em Feito Pipa, os dois voltaram a trabalhar juntos em uma narrativa ambientada no sertão cearense, acompanhando Gugu (Yuri Gomes), um menino queer criado pela avó Dilma (Teca Pereira) e que precisa lidar com a possibilidade de morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos). Leia nossa entrevista com o elenco aqui.


Durante o mesmo encontro, Araújo também defendeu a importância de realizadores nordestinos participarem da construção de novas imagens sobre a região. O roteirista destacou que, embora a história de Gugu não fosse exatamente autobiográfica, muitos pontos em comum foram identificados, sendo ele um homem gay que nasceu e cresceu no interior do Ceará.


“Eu acho que o que me motivou a escrever e enveredar pelo cinema foi pensar a forma como a gente tem produzido imagens sobre o sertão, sobre o Nordeste, e, mais do que isso, atualizar esse imaginário. Há uma necessidade de ver nordestinos construindo essas imagens, produzindo essas imagens, atualizando elas, trazendo essa especificidade, esse olhar que é só nosso”, afirmou.


Allan Deberton (diretor) | Foto: SaraDeSantis
Allan Deberton (diretor) | Foto: SaraDeSantis

Feito Pipa teve sua estreia mundial no Festival de Berlim e foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. O longa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5), com distribuição da Paris Filmes.


A cobertura completa do painel, realizada por Vinicius Oliveira, pode ser lida no Oxente Pipoca.

CONTINUE LENDO

NOTÍCIAS

Jennifer Lawrence usa referência de Jogos Vorazes para incentivar voto nas eleições...

NOTÍCIAS

Bruna Linzmeyer vive sua primeira grande vilã em Virtuosas: “É um deleite para mim”

NOTÍCIAS

Mason Reeves não leu o roteiro de Josephine e decidirá aos 18 anos se quer ver o...

bottom of page