Bruna Linzmeyer vive sua primeira grande vilã em Virtuosas: “É um deleite para mim”
Atriz falou ao Oxente Pipoca sobre a personagem e destacou a oportunidade de interpretar uma grande vilã no cinema

Bruna Linzmeyer encontrou em Virtuosas uma personagem diferente das que havia interpretado até então. Em entrevista ao Oxente Pipoca, a atriz definiu o papel como sua primeira grande vilã da carreira e disse ter se encantado tanto pelo roteiro quanto pela possibilidade de trabalhar com Cíntia Domit Bittar.
“A personagem é um deleite para mim”, afirmou Bruna, que chamou atenção para a diferença entre a presença de vilãs na televisão e no cinema. Para ela, estamos mais acostumados a ver grandes vilãs nas novelas e grandes vilões nas telonas, o que tornou ainda mais interessante receber uma personagem "dessa magnitude" para explorar.
Em Virtuosas, Bruna integra uma história ambientada no universo das chamadas mulheres virtuosas, atravessada por discussões sobre fé, conservadorismo, feminilidade e a busca por um ideal de perfeição. O longa usa o terror para tensionar discursos religiosos e expectativas sobre aquilo que uma mulher deveria ser.
A atriz ainda contou que a preparação para a personagem levou a atriz para um universo que ela ainda não conhecia e que a pesquisa foi “bem assustadora”, citado o movimento antivacina e a ideia de que existe uma maneira natural ou única de ocupar o papel de mulher, mãe ou esposa.
Confira o trecho completo:
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): O universo das tradwives e os movimentos conservadores entre mulheres têm ganhado força nos últimos tempos, e a gente está vendo movimentos de vários filmes e até alguns livros que estão fazendo bastante sucesso falando sobre o tema. Virtuosas tem esse timing muito bom de chegar ao público nesse momento. Queria que vocês falassem um pouquinho sobre isso, sobre como essa história chegou para vocês naquela época e como ela está ressoando agora, depois de todo esse processo.
Bruna Linzmeyer: Ah, bom, eu já acompanhava o trabalho da Cíntia há um tempo. Sou bem apaixonada pelos curtas. A gente se seduziu para trabalhar juntas há um tempo, então eu amei o roteiro, o desejo de falar sobre esses temas e também a personagem. A personagem é um deleite para mim. Acho que é a primeira grande vilã da minha carreira. É muito interessante a gente ver uma grande vilã no cinema.
A gente está mais acostumado a ver as vilãs nas novelas e os vilões no cinema. Então é muito legal ter a oportunidade, enquanto atriz e profissional do audiovisual, de ter uma personagem dessa magnitude para explorar.
Eu acho que a pesquisa foi bem assustadora no começo. Eu não conhecia esse universo e acho que até hoje tem coisas que reverberam e que me assustam muito. Assim, para pesar um pouco o rolê, esse negócio antivax do bebê, que fica doente no filme porque não recebe vacina, e a gente enfrentando o sarampo de volta no Brasil, que era uma doença erradicada, porque as pessoas não querem se vacinar.
Para mim é uma situação bem pesada, que eu não achei que a gente ia estar vivendo. Mas o filme é pesado de ter sido escrito anos atrás e, infelizmente, continua em diálogo com essas questões e com a obsessão pela perfeição da mulher, dessa ideia de enxergar a mulher como um papel natural, como se a gente nascesse para ser determinada coisa, mãe, submissa ao marido.
Amor, se você quiser ser, você faz o que você quiser. O feminismo lutou muito para que você pudesse ser o que quisesse, mas não existe uma maneira única de ser mulher, né? O que é ser mulher no mundo? Então, acho que isso, infelizmente, também continua muito atual e aterrorizante.
Virtuosas é dirigido por Cíntia Domit Bittar e também reúne Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques no elenco. A entrevista completa com as atrizes e a diretora está disponível aqui no Oxente Pipoca.










