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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Bird Box Barcelona

Metanoia auspiciosa do roteiro encontra obstáculo em execução repetitiva

Foto: Divulgação


Depois que uma força misteriosa dizima a população mundial, Sebastian (Mario Casas) deve navegar em sua própria jornada de sobrevivência pelas ruas desoladas de Barcelona. Enquanto ele forma alianças incômodas com outros sobreviventes e eles tentam escapar da cidade, outra ameaça inesperada e ainda mais sinistra cresce. A produção é um spin-off do sucesso de público da Netflix de 2018 que teve Sandra Bullock como protagonista.


Essa crítica não terá qualquer spoiler do roteiro, mas é necessário abrir falando que essa “continuação” se desenvolve em cima de uma boa reviravolta logo nos 15 minutos iniciais que introduzem uma nova abordagem que, por sua vez, já valida a existência do filme. Então quem acha que tudo vai ser exatamente igual ao precedente só que em Barcelona, pode esperar motivações e questões diferentes, porém, com uma execução bem genérica – e por vezes até tosca.


Não vemos mais do que víamos no antecessor dos seres que causam os suicídios, mas vemos também de uma forma diferente. E aqui as escolhas estéticas passaram um pouco do ponto ao tentar representar o místico aliando o sci-fi com o religioso e resultado ficou meio vergonhoso. Honestamente todas os momentos que o roteiro tenta dar um teor eclesiástico nos diálogos motivacionais que por si já atingem a cota de breguice, tudo fica ainda mais cafona. E o tom religioso permeia todo o roteiro, afinal, Sebastian traz consigo uma aura (e um visual) de um presunçoso líder messiânico.

Foto: Divulgação


O longa é protagonizado por Mario Casas, o mais velho dos talentosos irmãos-galãs Casas e um rosto bastante conhecido nas produções espanholas da Netflix. Casas consegue conduzir o suspense com clareza, com força e ao mesmo tempo com sentimento e transita com facilidade por todas as nuances que seu complicado personagem precisa, afinal, essa é uma jornada do herói que foge da ordem convencional, ou melhor, é uma desconstrução de um anti-herói. O personagem Sebastian é um pai lidando com o luto, um fanático religioso e um ser humano frágil que busca propósito em meio ao caos pós-apocalíptico. Georgina Campbell, Diego Calva e todo e elenco de apoio também está à altura dos conflitos emocionais necessários.


A direção aproveita todas as oportunidades que tem de exibir os mais conhecidos cartões postais de Barcelona destruídos pelas consequências da invasão das criaturas sobrenaturais. Inclusive essa escolha de ter o nome da cidade no título abre óbvias portas para mais derivações mundo a fora, e abre também as possibilidades de cada produção consolidar seu próprio universo particular debaixo do mesmo guarda-chuvas do ataque dos seres desconhecidos. Mas para isso é preciso ter mais ousadia para se desvincular do filme primário.


O grande problema é que o filme simplesmente não desenvolve. A execução é limitada e as vezes exatamente igual ao que já foi visto. O grupo heterogêneo, os debates de fé, o cientificismo, as diversas teorias, as mortes pelo caminho, os flashbacks, o destino final... o conjunto da obra calça os mesmíssimos sapatos já usados e não consegue se estabelecer como um produto seguro de si. É um capítulo sob um novo ponto de vista que – trocadilhos à parte – não enxerga mais longe do que fora mostrado no primeiro. Ao repetir todo o modus operandi para tentar se manter fiel ao anterior para manter por perto o mesmo público, ele perdeu a oportunidade de esculpir uma obra inédita e independente – até onde possível – do já bem estabelecido “filme catástrofe com a Sandra Bullock na Netflix.”


Nota: 3,5/5

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