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  • Foto do escritorVinicius Oliveira

Crítica | Citadel (1ª temporada)

A nova aposta do Prime Video está no seu melhor quando não se leva a sério.


Foto: Divulgação


Anunciada como a “série mais cara” do Amazon Prime Video, Citadel ganhou notoriedade com seus problemas nos bastidores, como a saída dos showrunners originais por conta de conflitos com os irmãos Russo (produtores executivos da série) e extensas refilmagens que encareceram ainda mais a obra, atingindo um orçamento de inacreditáveis 300 milhões de dólares.


Ainda assim, é difícil ver tamanho orçamento em tela, o que é tanto uma bênção quanto uma maldição. Quando tenta ser grandiosa, Citadel escancara seus defeitos, seja no CGI e direção deficitários quanto no roteiro repleto de incongruências. Quando investe em seu núcleo humano e nos elementos mais básicos de espionagem, ou até mesmo em um humor relativamente eficiente, a série consegue ser uma agradável e escapista experiência, mesmo que não vá muito além disso.


A temporada segue Mason Kane (Richard Madden) e Nadia Sinh (Pryanka Chopra Jonas), dois espiões de uma agência secreta chamada Citadel que são enviados a uma missão contra uma organização rival, a Manticore. Oito anos depois, ambos seguem vidas completamente diferentes – e sem nenhuma lembrança de que um dia já foram espiões ou que se conheciam. Contudo, os planos malignos da Manticore, lideradas pela maligna Dahlia Archer (Lesley Manville), logo os colocam em rota de colisão, mesmo com os segredos das suas vidas passadas ameaçando vir à tona.

Foto: Divulgação


Citadel começa promissora, com uma sequência inicial de 15 minutos que nos introduz a Mason e Nadia em um trem nos Alpes italianos, onde vemos não apenas as habilidades letais de ambos contra seus inimigos, mas também a química que exala entre eles. É uma pena que a série não volte a atingir o nível dessa sequência nos episódios posteriores, nem mesmo em suas cenas de ação. Isso se dá pela estrutura fragmentada que a temporada adota, alternando entre o presente (onde Kane possui uma nova identidade e família no Oregon, enquanto Nadia trabalha num restaurante em Valencia) e o passado (onde informações são preenchidas a respeito do passado conturbado dos dois).


A série parece indecisa sobre se quer mostrar mais do passado ou do presente, e a curta duração dos episódios não ajuda – essa é uma rara obra onde os episódios deviam ser maiores do que são, ao contrário da tendência atual dos streamings de esticá-los ao máximo. A pouca quantidade de episódios (apenas seis) também interfere no desenvolvimento da trama, que acaba se mostrando mais simples e genérica do que as constantes idas e vindas no tempo tentam esconder, enquanto o roteiro toma saídas ridiculamente fáceis que sacrificam o desenvolvimento narrativo.


Quando dá espaço a cenas de luta mais pé-no-chão (um ponto forte dos Russo desde seus dias na Marvel), bem como às interações entre seus personagens, Citadel consegue exibir mais do seu potencial. Apesar de ser um ator extremamente limitado, Madden consegue convencer em sua dinâmica sexy e complicada com Chopra, enquanto Stanley Tucci, no papel do mentor deles, consegue sempre brilhar quando aparece com seu humor sarcástico – e é uma pena que apareça tão pouco. Quem se revela o grande destaque da temporada, porém, é Manville, que parece se deliciar no papel de uma vilã que poderia cair no genérico e caricatural, mas consegue ser efetivamente aterrorizadora – até mesmo no previsível plot twist final da temporada.


Me pergunto o quanto a mudança de showrunners e as refilmagens interferiram no produto final, especialmente levando em conta que o Prime Video pretende transformar a série numa franquia com spin-offs ao redor do mundo. É até uma boa coisa que a temporada não se preocupe em preparar terreno para esses spin-offs – afinal de contas, já seria um problema a mais numa série que tem tantos. No frigir dos ovos, Citadel nunca faz jus ao seu orçamento astronômico, posando como mais uma aventura genérica de espionagem. Ainda assim, é o tipo de série em que, olhando mais atentamente, pode se encontrar alguns méritos que ilustram o potencial dela de ser muito melhor, desde que não se leve tão a sério.


Nota: 3/5


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