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  • Foto do escritorÁvila Oliveira

Crítica | Grande Sertão

Guel Arraes opta por estilo intenso e sufocante e acaba pecando pelo excesso

Foto: Divulgação


Numa grande comunidade da periferia brasileira chamada “Grande Sertão”, a luta entre policiais e bandidos assume ares de guerra e traz à tona questões como lealdade, vida e morte, amor e coragem, Deus e o diabo. Riobaldo (Caio Blat) entra para o crime por amor a Diadorim (Luisa Arraes), mas nunca tem a coragem de revelar sua paixão. A identidade de Diadorim é um mistério constante para Riobaldo, que lida com escolhas morais e dilemas éticos, enquanto busca entender seu lugar no mundo e sua própria natureza. Nesse percurso transcorre as batalhas e escaramuças da grande guerra do Sertão.


O filme se passar numa espécie de futuro distópico e adapta o primoroso e internacionalmente louvado romance de Guimarães Rosa para essa realidade. A direção de Arraes é marcada por muita inquietação e por muito movimento. Com uma câmera que fecha nos rostos dos atores e escolhe criar ambientes claustrofóbicos, por inúmeras vezes carece de espaço, de ângulos abertos que pudessem mostrar a grande escala dos cenários e que facilitasse a ambientação do espectador com aquele lugar montado para a história.


Falta também tempo para o texto respirar e se assentar. Por mais que o elenco entregue atuações bastante competentes – destaco o trabalho de Luís Miranda – a escolha de manter os diálogos fiéis às rimas e aliterações do texto base requer pausas e uma cadência que permita as falas se apresentarem sem pressa.

Foto: Divulgação


A direção de arte trabalhou bem numa estética que remete ao pós-apocalíptico imortalizado pelos Mad Max de George Miller, mas para além da plástica nada mais serve de embasamento para o contexto em que o enredo está inserido. Além disso o desenho de som do filme se soma a tudo já dito ajudando a criar o caos planejado, e incômodo não esperado. O som é sempre alto, tem muito tiro, muito grito, funk, explosão...


Sou defensor ferrenho de adaptações e suas liberdades tomadas para a criação de um novo produto. E analisando a partir do livro Grande Sertão: Veredas o que foi retirado fez muita falta, infelizmente. De sertão mesmo, geograficamente falando e tudo que ele implica, não se tem nada. O filme esquece todo o traço naturalista de Guimarães Rosa que desempenha um papel de protagonismo na trama. O autor passou anos estudando a região, clima, vegetação e comportamento humano para desenhar com uma linguagem revolucionária o espaço onde seu romance se passa. Como pontos positivos têm-se uma abordagem mais atual e madura quanto às questões de sexualidade dos protagonistas, e inserções de capítulos históricos do Brasil como subtextos.


A falta de precisão e estabilidade em tomadas longas, o excesso de cortes, e na verdade o excesso de forma geral são, no fim das contas, os grandes vilões. A narrativa de Guimarães Rosa é infalível, mas dentro de um contexto pouco desenvolvido acaba por perder boa parte do impacto e da organicidade.


Nota: 2,5/5

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