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  • Foto do escritorDavid Shelter

Crítica | Matilda: O Musical

Atualizado: 8 de jan. de 2023

Uma história carregada pela magia da música

Divulgação: Sony Pictures/Netflix


Criada por Roald Dahl em seu livro lançado em 88, Matilda é uma personagem bastante conhecida e querida pelo grande público, parte disso devido ao filme de 96, estrelado por Mara Wilson e dirigido por ninguém menos que Danny DeVito, que também interpreta o pai. Trinta e quatro anos após o livro e vinte e seis após o filme que se tornou clássico dos anos 90, Matilda ganhou uma repaginada para as telas, dessa vez no formato de um musical, adaptação de peça de teatro de bastante sucesso. Lançado pela Netflix no natal, ‘Matilda: O Musical’ chegou fazendo bastante barulho, não apenas metaforicamente. Com direção de Matthew Warchus, essa nova adaptação traz um tom ligeiramente diferente do conhecido, e que tem um encaixe mais certeiro para a época atual.


Não tem como querer falar desse musical sem começar citando a tríade maravilhosa que é formada por Alisha Weir, Lashana Lynch e Emma Thompson, nos papéis de Matilda, Senhorita Honey e a diretora Agatha Trunchbull, respectivamente. Alisha traz uma protagonista de maneira brilhante e encantadora, além de ser um pouco mais travessa do que a versão conhecida e que dá à personagem um tom mais infantil, e ao mesmo tempo continua com aquela aura já conhecida de uma criança que é um gênio. Matilda reverbera durante todo o filme a clara falta de zelo paterno, mas sem se deixar afetar, e ainda traz consigo uma fortaleza ancorada na sensação de injustiça e revolta de que algo poderia e deveria ser feito. A relação com seus pais, interpretados por Stephen Graham e Andrea Riseborough é um dos tópicos mais interessantes de acompanhar, a forma como ela diverge dos dois e como se sobressai nas situações. Também é legal acompanhar a sua relação com a Sra. Phelps (Sindhu Vee), dona de uma livraria móvel que acolhe Matilda enquanto mergulha nos livros.

Divulgação: Sony Pictures/Netflix


Lashana Lynch, que chegou com o musical logo após uma interpretação forte e impactante em ‘A Mulher Rei’ e sua personagem guerreira Izogie, mostra agora uma figura completamente diferente. Srta Honey, a professora de Matilda, é uma doce órfã criada pela tia e que tem um apreço muito grande por educar e cuidar, e ela se apega à protagonista com bastante facilidade. Lynch tem uma interpretação tão marcante, doce e ao mesmo tempo suave de Honey, que torna impossível não se apaixonar por sua atuação e por sua personagem. Ela tem um brilho muito fácil e natural quando entra em cena que hipnotiza o espectador com muita facilidade, e sua harmonia com Alisha Weir torna a interação das duas ainda melhor.


Já Emma Thompson, que iniciou o ano de 2022 com sua atuação visceral em ‘Boa Sorte, Leo Grande’ no festival de Sundance de janeiro passado, vem agora com uma Agatha Trunchbull um tanto caricata. A diretora conhecida por ser casca-grossa e odiar crianças é trazida para as telas com um tom mais cômico, que combina perfeitamente com a proposta do musical. A entrega de Thompson permite uma abordagem mais intimista da diretora, que, apesar de ter como hobby violar todos os direitos humanos possíveis, tem também uma nova camada em sua história. Além, é claro, de sua caracterização que lembra muito uma pessoa militar (algo que tem uma implicação direta com a história e a forma como ela lida à frente de uma escola). Vale aqui também uma citação ao pequeno Charlie Hodson, intérprete de Bruce, e Meesha Garbett que interpreta Hortensia, ambos estão bastante presentes durante o longa e em momentos musicais marcantes.

Divulgação: Sony Pictures/Netflix


Óbvio que, para se criar um bom musical, é necessário um trabalho bem pensado nas músicas que farão parte da história, e isso aqui foi feito muito, mas muito bem. Durante as duas horas vemos números bem elaborados com coreografias bem ensaiadas, além das canções que grudam na cabeça, e fazem com que o público mais aberto a esse tipo de obra se vicie com facilidade e queira repetir até não poder mais. Não só isso, é importante frisar também o talento e qualidade do elenco coadjuvante e de apoio, que demonstram aptidão para o que estão fazendo mesmo sendo em sua maioria ainda crianças.


O longa tem cores fortes e vibrantes em quase todos os seus cenários, com exceção da escola, que tem propositalmente um tom mais taciturno e uma coloração sem vida. Fora isso, os cenários são bastante explorados durante os números musicais, levando o público a uma experiência quase imersiva nesse universo. Os figurinos também têm um trabalho bem executado, assim como maquiagem e efeitos, que vêm de acordo com a proposta do filme. Tem uma direção coesa para o que deseja repassar ao público e um roteiro leve, que, no entanto, executa bem algumas nuances dentro da trama que deixam o seu tom mais interessante e interpretativo do que um simples musical, além dos muitos simbolismos presentes.

Divulgação: Sony Pictures/Netflix


'Matilda: O Musical' foi, sem sombra de dúvidas, um dos grandes acertos que a Netflix trouxe para seu catálogo, ele pode não encantar a todos, mas, com certeza vai chamar a atenção em algum momento até dos mais durões. Apesar de se estender um pouco e cometer alguns deslizes, ele cumpre o seu papel de entreter e trazer a magia de Matilda. Contudo, não adianta querer vê-lo com olhos nostálgicos, afinal de contas, aquela geração do primeiro filme hoje já tem idade para acompanhar com seus filhos, se tiver, não é mesmo? É uma proposta decente, bem realizada, merecedora do play e da atenção.


Nota: 4/5

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