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  • Foto do escritorMatheus Gomes

Crítica | Noites Brutais

Uma das maiores surpresas do ano para os fãs de terror

Divulgação: Star+


Após anos no limbo da falta de criatividade, o cinema de horror finalmente parece ter começado a respirar novos ares após a sua mescla com outros gêneros e a criação de histórias que buscam quebrar os velhos paradigmas. “Noites Brutais”, novo longa de Zach Cregger, veste essa camisa ao trazer uma perspectiva diferente para dentro da velha estrutura do terror. Na trama, acompanhamos Tess (Georgina Campbell), uma artista aspirante que aluga um AirBnB na cidade de Detroit para uma entrevista de emprego, porém, ao chegar no destino, descobre que já há outra pessoa alugando o espaço, Keith (Bill Skarsgård). Após chegarem a um acordo e ambos passarem a noite na casa, acontecimentos estranhos começam a ameaçar a estadia no local.


Com uma premissa aparentemente comum e alguns poucos nomes conhecidos no elenco, “Noites Brutais” (Barbarian, no original) encanta justamente pela sua perspicácia, que permanece vestida sob um manto de simplicidade até o segundo ato do filme. O diretor Zach Cregger, que também escreveu o roteiro, faz um trabalho excepcional como escultor de uma trama concisa e que sabe brincar com elementos do suspense, romance e comédia, trazendo uma imprevisibilidade que poucos conseguem trabalhar da maneira correta. Isso porque temos um fluxo de acontecimentos, situações e reviravoltas que tornam o filme um emaranhado de sentimentos no decorrer de suas 1 hora e 43 minutos de duração.


Esse é, inclusive, o maior feito de Barbarian. Não à toa, a divulgação do longa foi inteiramente pautada na curiosidade do espectador sobre do que se trata o filme. Conforme as primeiras impressões iam saindo, a estratégia de prometer muito e mostrar pouco (principalmente nos trailers) se mostrou muito bem-vinda, já que toda a graça do filme está justamente em suas reviravoltas. Nesse aspecto, o filme possui todo o crédito de ter uma trama surpreendente e, ao mesmo tempo, coerente, muito embora pareça perder seu ritmo nos momentos finais da trama – o que não quer dizer que o final seja necessariamente ruim.

Divulgação: Star+


Com isso, devo dizer que muito do apelo dramático a que se deve o filme recai sobre seus protagonistas. De início, temos uma dinâmica muito bem trabalhada envolvendo Campbell e Skarsgård, em que a desconfiança inicial posta pela situação do aluguel duplo vai dando lugar a um desenvolvimento muito eficaz, com ótimos diálogos e interações que condizem com a estrutura que o filme adota. Em seu segundo ato, a presença do execrável AJ (interpretado por Jake Long, figura carimbada dos terrores B) eleva a narrativa ao trazer pinceladas de questões sociais envolvendo abuso e assédio no trabalho, pontos que vão sendo entrelaçados com a trama de maneira sinérgica, tudo isso à medida em que o filme começa a mostrar sua verdadeira face.


Em termos técnicos, o longa também se mostra uma caixinha de boas surpresas. Apesar do seu baixíssimo orçamento, aqui temos uma direção extremamente competente, em que Cregger, embora estreante no gênero, consegue contar uma boa história através de uma lente dinâmica que sabe adequar-se ao sentimento que se está querendo transmitir. Os takes prolongados e os enquadramentos utilizados pelo diretor são de muita valia para a construção da tensão durante boa parte do filme, rendendo bons momentos vibrantes e sustos realmente inesperados (aos medrosos: calma, não são muitos).


No meio da era de fuga dos spoilers, finalmente temos um filme que torna esse “esforço” extremamente válido. Com um grato merecimento de todo o buzz que vem gerando desde sua estreia nos Estados Unidos, “Noites Brutais” consagra-se como uma das grandes surpresas do ano no cinema de horror. Com uma trama absurdamente eletrizante, bons nomes no elenco e um diretor competente, o longa extrai o que há de melhor nessa nova era do horror, fugindo do óbvio e entregando uma bela surpresa aos fãs do gênero que ansiavam por uma produção desse tipo. Assim, apesar de todos os apelos formulaicos comuns à maioria dos filmes de terror parecerem mostrar o contrário, você simplesmente não sabe o que está por vir.


Nota: 4,5/5

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