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Crítica | O Morro dos Ventos Uivantes (2026)

Ávila Oliveira

09 de fev de 2026 · 2 min de leitura

Sem medo de liberdades criativas, a adaptação reduz a complexidade temática e encurta o enredo do livro, mas mantém seu charme
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O Morro dos Ventos Uivantes narra a trajetória das famílias Earnshaw e Linton. Tendo como foco Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), a história acompanha o surgimento de um romance arrebatador que acaba por arruinar a vida de ambos. Adotado enquanto criança pelo inquilino e pai de Catherine, Heathcliff se envolve com ela numa dinâmica marcada por obsessão, renúncia e vingança, enquanto tentam lidar com a intensidade dessa paixão desmedida.


A releitura de O Morro dos Ventos Uivantes dirigida por Emerald Fennell parte do romance clássico de Emily Brontë sem qualquer receio de ousar em suas escolhas. Em vez de tentar contemplar toda a densidade estrutural do livro, o filme opta por um recorte mais direto e concentrado, reduzindo a complexidade temática para adentrar de forma intensa na relação entre Cathy e Heathcliff. Essa decisão narrativa transforma o longa numa experiência mais sensorial, guiada por impulsos, desejos e conflitos que se manifestam de maneira crua e propositalmente menos contida.


O foco quase exclusivo no casal central faz com que a história avance sem muitos desdobramentos paralelos, reforçando a sensação de clausura emocional que define o vínculo entre os protagonistas. A paixão retratada é tórrida, instintiva, tóxica e marcada por jogos de poder, rejeição e obsessão, traços que ganham novas cores com a adição de detalhes mais picantes ao texto original. Ainda assim, o roteiro não ignora completamente as entrelinhas problemáticas desse envolvimento, e permite que o espectador perceba as fissuras morais e afetivas que sustentam o sentimento mútuo e destrutivo.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Margot Robbie e Jacob Elordi entregam atuações ricas em nuances, demonstrando pleno entendimento da dosagem de drama, romance e humor exigida pela proposta. Os atores equilibram e alternam fragilidade e crueldade com naturalidade, criando personagens que provocam fascínio, tesão e desconforto na mesma medida.


O apelo estético talvez seja o principal chamariz da produção. O figurino impecável de Jacqueline Durran não apenas impressiona visualmente, como também enriquece a narrativa ao comunicar com clareza estados de espírito, hierarquias e transformações internas dos personagens. A direção de arte de Suzie Davies constrói com facilidade as alegorias visuais projetadas por Fennell, explicitando os simbolismos propostos, ainda que eles não sejam exatamente sutis ou complexos de se decifrar. A cenografia se destaca ao apresentar os ambientes, especialmente as mansões, como espaços vivos que acompanham as dores, as alegrias, a ascensão e a queda de seus moradores.


Pelo simples fato de tocar um clássico e buscar, a todo momento, uma interpretação que foge da literalidade do material de origem, esta nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes já se sobressai positivamente em meio a tantas adaptações contemporâneas sem personalidade. Ainda assim, fica a sensação de que a experiência poderia ter sido mais profunda e lúdica se houvesse um desenvolvimento mais incisivo em elementos psicológicos e sobrenaturais, mesmo que apenas de forma metafórica. Esta falta não compromete a força da proposta, mas limita o alcance emocional de um trabalho que claramente quis ir além do óbvio, ou que, pelo menos, quis surpreender àqueles que forem com o gabarito embaixo do braço, pro bem e pro mal.


Nota: 4/5


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9 de fev.
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Atualizado: 8 de out.

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Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O Morro dos Ventos Uivantes narra a trajetória das famílias Earnshaw e Linton. Tendo como foco Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), a história acompanha o surgimento de um romance arrebatador que acaba por arruinar a vida de ambos. Adotado enquanto criança pelo inquilino e pai de Catherine, Heathcliff se envolve com ela numa dinâmica marcada por obsessão, renúncia e vingança, enquanto tentam lidar com a intensidade dessa paixão desmedida.


A releitura de O Morro dos Ventos Uivantes dirigida por Emerald Fennell parte do romance clássico de Emily Brontë sem qualquer receio de ousar em suas escolhas. Em vez de tentar contemplar toda a densidade estrutural do livro, o filme opta por um recorte mais direto e concentrado, reduzindo a complexidade temática para adentrar de forma intensa na relação entre Cathy e Heathcliff. Essa decisão narrativa transforma o longa numa experiência mais sensorial, guiada por impulsos, desejos e conflitos que se manifestam de maneira crua e propositalmente menos contida.


O foco quase exclusivo no casal central faz com que a história avance sem muitos desdobramentos paralelos, reforçando a sensação de clausura emocional que define o vínculo entre os protagonistas. A paixão retratada é tórrida, instintiva, tóxica e marcada por jogos de poder, rejeição e obsessão, traços que ganham novas cores com a adição de detalhes mais picantes ao texto original. Ainda assim, o roteiro não ignora completamente as entrelinhas problemáticas desse envolvimento, e permite que o espectador perceba as fissuras morais e afetivas que sustentam o sentimento mútuo e destrutivo.


Imagem: Divulgação
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Margot Robbie e Jacob Elordi entregam atuações ricas em nuances, demonstrando pleno entendimento da dosagem de drama, romance e humor exigida pela proposta. Os atores equilibram e alternam fragilidade e crueldade com naturalidade, criando personagens que provocam fascínio, tesão e desconforto na mesma medida.


O apelo estético talvez seja o principal chamariz da produção. O figurino impecável de Jacqueline Durran não apenas impressiona visualmente, como também enriquece a narrativa ao comunicar com clareza estados de espírito, hierarquias e transformações internas dos personagens. A direção de arte de Suzie Davies constrói com facilidade as alegorias visuais projetadas por Fennell, explicitando os simbolismos propostos, ainda que eles não sejam exatamente sutis ou complexos de se decifrar. A cenografia se destaca ao apresentar os ambientes, especialmente as mansões, como espaços vivos que acompanham as dores, as alegrias, a ascensão e a queda de seus moradores.


Pelo simples fato de tocar um clássico e buscar, a todo momento, uma interpretação que foge da literalidade do material de origem, esta nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes já se sobressai positivamente em meio a tantas adaptações contemporâneas sem personalidade. Ainda assim, fica a sensação de que a experiência poderia ter sido mais profunda e lúdica se houvesse um desenvolvimento mais incisivo em elementos psicológicos e sobrenaturais, mesmo que apenas de forma metafórica. Esta falta não compromete a força da proposta, mas limita o alcance emocional de um trabalho que claramente quis ir além do óbvio, ou que, pelo menos, quis surpreender àqueles que forem com o gabarito embaixo do braço, pro bem e pro mal.


Nota: 4/5


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