Crítica | Destruição Final 2 (2026)
- Ávila Oliveira

- há 3 dias
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Continuação não economiza na destruição para passar mensagem ecológica de positividade tóxica

Dando continuidade à história do primeiro filme, a família Garrity, que sobreviveu a um evento de quase extinção quando um cometa interestelar atingiu a Terra, precisa deixar a segurança do bunker na Groenlândia e embarcar em uma jornada perigosa através do deserto congelado e devastado da Europa para encontrar um novo lar e uma esperança de recomeço.
Possuo o anseio ancestral de ver o ser humano pagar por seu descaso ambiental em forma de filmes catástrofes. É um entretenimento que se justifica com pouquíssimo texto e que requer, para mim pelo menos, apenas bons efeitos que consigam sustentar os absurdos geológicos até o minuto final. Então o primeiro Destruição Final (2020) fez direito o arroz com feijão e passou por média nos meus critérios citados, e ainda deixou o pano para manga de um eventual desdobramento, que de fato aconteceu, provando que a destruição inicial não era de fato a final.
Agora a simpática família está morando no bunker onde se enfiou ao término da produção anterior, mas não demora para que tudo desmorone, literalmente, e eles precisem botar a cara no mundo exterior outra vez para procurar um novo abrigo. A premissa é simples, direta e desenha bem os limites narrativos (não que isso seja necessário para o bom funcionamento da história), e deixa toda a surpresa e o entretenimento de fato para o visual e seus exageros. E mais uma vez a produção faz apenas o necessário para passar sem grandes falhas, apesar de caprichar na variedade de elementos vingativos da natureza, mas também não ousa brincar com o potencial do tema para criar situações que surpreendam e/ou planos marcantes o suficiente para serem lembrados.

O longa também se isenta de aprofundar o debate sobre o papel do ser humano em meio ao caos ambiental, uma vez que usa de uma “causa natural” como motivadora dos desastres. A mensagem de união e paz para recomeçar soa mais como uma cansada versão da cansada canção Imagine, e menos como uma tentativa real de elaborar uma trama social e geopolítica minimamente complexa que imprima alguma semelhança com a realidade fora do espaço fílmico. É um escapismo que se disfarça de engajado, mas é até bem covarde.
Mas talvez eu estivesse esperando demais de um filme catástrofe que passou por média nos meus critérios citados. É um trabalho que entretém dentro de sua curta duração, mas que não faz o menor esforço para ir além disso, e talvez nem quisesse desde o início.
Nota: 3/5



















