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  • Foto do escritorMaryana Leão

Crítica | Percy Jackson e os Olimpianos (1ª temporada)

Semideuses, finalmente estamos em casa! Infelizmente não fomos tão bem recebidos assim

Foto: Divulgação/ Disney+


Quando eu soube lá em 2020 que a Disney estava desenvolvendo uma série live-action de Percy Jackson e os Olimpianos e que o autor dos livros originais, Rick Riordan – Tio Rick para os íntimos – estaria diretamente envolvido na produção e, principalmente, que estaria junto à equipe responsável pelo roteiro em alguns episódios, meu primeiro pensamento foi: “Não tem como esse projeto dar errado, a chance de isso acontecer é nula, vai ser perfeito. Os fãs merecem algo bom depois daqueles filmes que são adaptações horrorosas”. E foi assim, com as expectativas nas alturas, com uma sensação de alívio achando que eu iria assistir a melhor adaptação já feita e que veríamos uma aventura tão boa quanto a dos livros, que eu quebrei a cara e me decepcionei ainda mais com a série.


É muito difícil explicar para alguém que não cresceu lendo Percy Jackson a importância que esses livros têm, e quão marcante eles foram na formação de tantas crianças e pré-adolescentes. Ler não fazia parte da minha rotina e eu achava a leitura um passatempo bem chato antes de conhecer e mergulhar nesse universo repleto de Olimpianos. Se você leu esses livros quando ainda era criança conhece muito bem esse sentimento sobre o qual estou falando; aquela sensação poderosa de descobrir e se encantar com um universo totalmente diferente e fantástico pela primeira vez, grandiosamente rico e repleto de aventuras e personagens encantadores. Percy, Annabeth e Grover não era somente um trio de amigos, por muito tempo eles foram meus melhores amigos e estiveram lado a lado comigo durante meu crescimento e amadurecimento.


Acho que já deu para perceber que Percy Jackson tem um lugar especial no meu coração, e por isso, muitas vezes enquanto eu lia ou relia cada livro ficava imaginando quão maravilhoso seria ver tudo aquilo em uma nova mídia, na forma de filme ou série; ver ganhar vida e ser “real” tudo aquilo que por muito tempo só existiu na minha imaginação seria um sonho. O dito sonho se realizou – ou não – pela primeira vez em 2010 com a estreia do longa “O Ladrão de Raios” nos cinemas. Lembro claramente de ter gostado de algumas coisinhas no filme e odiado muito mais, de ter ficado com aquele gosto amargo e pensado que Percy Jackson merecia mais, aquilo não fazia jus ao sentimento que os livros transmitiam; infelizmente eu não sabia o que viria pela frente. Foi em 2013 quando tentaram mais uma adaptação nas telonas, com “O Mar de Monstros”, que eu parei de esperar algo bom vindo de uma adaptação de PJO. Tenho claro na minha memória a dor física que eu senti no cinema vendo esse filme tenebroso, era deprimente e revoltante não conseguirem fazer uma boa adaptação de Percy Jackson.


Resolvi acreditar mais uma vez e colocar fé na Disney porquê dessa vez a adaptação seria fantástica, afinal o autor estaria totalmente envolvido. Logo no primeiro episódio quando ouvi a frase "olha, eu não queria ser um meio-sangue" arrepiei até a alma, era isso que eu estava esperando por muito tempo. Finalmente iríamos mergulhar nesse universo e esquecer tudo ao redor, viver aventuras, vibrar, ter medo e sentir tudo isso junto com o nosso trio de protagonistas. Contudo, com o passar dos episódios essa energia e essa faísca foram sumindo, dando lugar a trechos desconexos recortados do livro, que na série se tornaram apenas fragmentos vazios da história, sem emoção, sem sabor, sem coração e sem empolgação graças, principalmente, às escolhas narrativas e o modo como tudo foi colocado na tela.

Foto: Divulgação/ Disney+


Há quem diga que infantilizaram demais a série e isso a tornou ruim. O problema não foi esse, longe disso; ao meu ver esse é um argumento que não faz muito sentido, já que que os livros são feitos para o público infanto-juvenil e a série do Disney+ tentou manter essa mesma pegada para atingir esse público alvo. O modo como escolheram contar a história, esse sim foi um dos grandes culpados, pois foi o responsável por deixar tudo muito apressado, cheio de lutas anticlimáticas, e com episódios curtos que não davam tempo de desenvolver a história, que até tentavam seguir o livro à risca em vários momentos, com uma adaptação bem literal e fiel, mas que mais conseguiram atrapalhar do que funcionar nessa nova mídia – um problema já típico de escritores que querem ser roteiristas de suas próprias obras.


Inúmeras decisões anticlimáticas que eram tomadas ao decorrer dos episódios me irritavam profundamente, entre elas, o maldito corte seco para uma tela preta no meio de alguma cena. Quanto mais eu assistia mais ficava evidente a falta que faz uma boa direção, pois aqui quase tudo era feito no automático, sem preocupação, sem o cuidado necessário cena a cena e com uma execução extremamente bagunçada. Desde cortes ruins, posicionamentos de câmera vergonhosos até a falta de ritmo no andamento da história; sempre parecia que se tratava do mesmo tom, inexpressivo e medíocre, independente se fosse uma cena de ação, de comédia ou de tensão, tudo transmitia a mesma coisa e acabava tirando a dinamicidade da aventura.


Acredito que mesmo com todos os problemas de ritmo e direção se a série contasse com um trio de protagonistas excelente, que a carregasse nas costas, ela provavelmente receberia mais crédito e se tornaria mais cativante e menos esquecível, infelizmente não foi o que aconteceu. A dinâmica entre os três, Percy (Walker Scobbell), Annabeth (Leah Jeffries) e Grover (Aryan Simhadri) é boa e não me irritou, porém, notei os atores muitas vezes apáticos, sem vontade e sem transmitir a acidez que cada personagem dos livros exala, principalmente o Percy. Nesse quesito arrisco dizer que os filmes horríveis de 2010 e 2013, mesmo com todos os problemas, conseguiram deixar como herança três protagonistas que foram memoráveis no papel.


Por fim, é muito triste ver o que eles conseguiram nos mostrar tendo um material base tão rico e tão bom, mais uma vez a adaptação de Percy Jackson deixou a desejar e não alcançou a grandiosidade da qual era capaz. Não me alegro em dizer que a cada episódio que passava eu ficava mais desanimada para assistir, e só pensava em como a direção poderia ter sido melhor usada para construir tensão nos momentos certos e desenvolver adequadamente a história, talvez com episódios mais longos. Quanto mais eu penso na série, mais sinto que quem não leu os livros não conseguirá se conectar ou mesmo entender bem os personagens e suas motivações. A primeira temporada da tão aguardada adaptação de Percy Jackson e os Olimpianos infelizmente é esquecível, tediosa e não consegue trazer à tona a essência dos livros: divertir.


Nota: 2,5/5

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