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Crítica | Velhos Bandidos

Gabriella Ferreira

19 de mar de 2026 · 3 min de leitura

Quando o plano é previsível, mas o elenco rouba a cena com charme e precisão cômica.
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O que faz uma comédia funcionar de verdade? Timing, texto, absurdo. Tudo isso conta. Mas, no fim das contas, é o carisma que sustenta o riso. É a presença dos atores que transforma uma piada comum em algo memorável. E é justamente nisso que Velhos Bandidos encontra sua maior força.


Com estreia marcada para a próxima quinta-feira, dia 26, nos cinemas brasileiros, o filme aposta alto no seu elenco e acerta. A trama acompanha o casal de aposentados Marta e Rodolfo, vividos por Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, que decidem planejar o crime perfeito, um grande assalto a banco. Para isso, contam com a ajuda de uma dupla mais jovem, Nancy e Sid, interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. No encalço deles está o determinado investigador Oswaldo, papel de Lázaro Ramos.


O grande trunfo do filme está na química entre esse quarteto improvável. Montenegro e Fontoura são gigantes por si só, mas juntos elevam o filme a outro nível. Existe ali uma cumplicidade que transborda a tela, uma sensação de intimidade que não se ensaia. Mais do que personagens, os dois carregam consigo uma bagagem afetiva que o público reconhece quase instantaneamente.


E é justamente aí que Velhos Bandidos se diferencia. Ainda que siga uma estrutura bastante conhecida de filmes de assalto, o longa parece menos interessado na mecânica do golpe e mais interessado em observar essas figuras em cena. Existe um prazer evidente em simplesmente acompanhar esses atores ocupando o espaço, conduzindo o ritmo das cenas com naturalidade, como se o filme respirasse no tempo deles.


Marquezine e Brichta entram como um contraponto energético, trazendo frescor e irreverência à narrativa. A dupla jovem não apenas acompanha o ritmo, como ajuda a criar um jogo geracional interessante, onde experiência e impulsividade se chocam e se complementam. Já Lázaro Ramos encontra um tom preciso para seu investigador, equilibrando seriedade e humor sem nunca destoar do conjunto.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O elenco de apoio também merece destaque, com participações de nomes como Tony Tornado, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Nathália Timberg e Teca Pereira. São aparições pontuais, mas carregadas de presença, que reforçam essa sensação de que o filme é, acima de tudo, um encontro de trajetórias.


Muito desse conforto vem da direção de Cláudio Torres, que demonstra domínio do gênero ao não tentar sofisticar demais o que já funciona. Ele abraça o absurdo da premissa, utiliza cortes ágeis, zooms pontuais e uma trilha sonora que ajuda a sustentar o ritmo, mas nunca deixa que a forma se sobreponha aos atores. A encenação parece sempre construída para servir às performances.


Narrativamente, o filme não esconde sua previsibilidade. Algumas soluções são antecipadas e certos caminhos já foram explorados inúmeras vezes pelo cinema. Ainda assim, isso não chega a comprometer a experiência. Pelo contrário, há quase um conforto nessa familiaridade, como se o roteiro fosse apenas um pretexto para manter esses personagens em movimento.


No fim, Velhos Bandidos funciona porque entende exatamente o que quer ser. Não é uma comédia que busca reinventar o gênero, nem surpreender pela trama. Seu maior interesse está na convivência entre seus personagens, no choque de gerações e, principalmente, na força de um elenco que transforma o simples em algo envolvente.


Pode não ser inovador, mas é eficiente, carismático e, acima de tudo, muito prazeroso de assistir. E, às vezes, é justamente isso que faz um filme valer a pena.

Nota: 3,5/5


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Crítica | Velhos Bandidos

19 de mar.
3 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Quando o plano é previsível, mas o elenco rouba a cena com charme e precisão cômica.
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O que faz uma comédia funcionar de verdade? Timing, texto, absurdo. Tudo isso conta. Mas, no fim das contas, é o carisma que sustenta o riso. É a presença dos atores que transforma uma piada comum em algo memorável. E é justamente nisso que Velhos Bandidos encontra sua maior força.


Com estreia marcada para a próxima quinta-feira, dia 26, nos cinemas brasileiros, o filme aposta alto no seu elenco e acerta. A trama acompanha o casal de aposentados Marta e Rodolfo, vividos por Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, que decidem planejar o crime perfeito, um grande assalto a banco. Para isso, contam com a ajuda de uma dupla mais jovem, Nancy e Sid, interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. No encalço deles está o determinado investigador Oswaldo, papel de Lázaro Ramos.


O grande trunfo do filme está na química entre esse quarteto improvável. Montenegro e Fontoura são gigantes por si só, mas juntos elevam o filme a outro nível. Existe ali uma cumplicidade que transborda a tela, uma sensação de intimidade que não se ensaia. Mais do que personagens, os dois carregam consigo uma bagagem afetiva que o público reconhece quase instantaneamente.


E é justamente aí que Velhos Bandidos se diferencia. Ainda que siga uma estrutura bastante conhecida de filmes de assalto, o longa parece menos interessado na mecânica do golpe e mais interessado em observar essas figuras em cena. Existe um prazer evidente em simplesmente acompanhar esses atores ocupando o espaço, conduzindo o ritmo das cenas com naturalidade, como se o filme respirasse no tempo deles.


Marquezine e Brichta entram como um contraponto energético, trazendo frescor e irreverência à narrativa. A dupla jovem não apenas acompanha o ritmo, como ajuda a criar um jogo geracional interessante, onde experiência e impulsividade se chocam e se complementam. Já Lázaro Ramos encontra um tom preciso para seu investigador, equilibrando seriedade e humor sem nunca destoar do conjunto.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O elenco de apoio também merece destaque, com participações de nomes como Tony Tornado, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Nathália Timberg e Teca Pereira. São aparições pontuais, mas carregadas de presença, que reforçam essa sensação de que o filme é, acima de tudo, um encontro de trajetórias.


Muito desse conforto vem da direção de Cláudio Torres, que demonstra domínio do gênero ao não tentar sofisticar demais o que já funciona. Ele abraça o absurdo da premissa, utiliza cortes ágeis, zooms pontuais e uma trilha sonora que ajuda a sustentar o ritmo, mas nunca deixa que a forma se sobreponha aos atores. A encenação parece sempre construída para servir às performances.


Narrativamente, o filme não esconde sua previsibilidade. Algumas soluções são antecipadas e certos caminhos já foram explorados inúmeras vezes pelo cinema. Ainda assim, isso não chega a comprometer a experiência. Pelo contrário, há quase um conforto nessa familiaridade, como se o roteiro fosse apenas um pretexto para manter esses personagens em movimento.


No fim, Velhos Bandidos funciona porque entende exatamente o que quer ser. Não é uma comédia que busca reinventar o gênero, nem surpreender pela trama. Seu maior interesse está na convivência entre seus personagens, no choque de gerações e, principalmente, na força de um elenco que transforma o simples em algo envolvente.


Pode não ser inovador, mas é eficiente, carismático e, acima de tudo, muito prazeroso de assistir. E, às vezes, é justamente isso que faz um filme valer a pena.

Nota: 3,5/5


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