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Crítica | POV: Presença Oculta

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Um found footage promissor que se perde no próprio caos.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5), POV: Presença Oculta aposta em um conceito bastante promissor dentro do terror contemporâneo. Dirigido por Brandon Christensen, que também assina o roteiro ao lado do irmão Ryan Christensen, o longa tenta renovar a estética do found footage ao narrar toda a história a partir das câmeras corporais de dois policiais.


A trama acompanha Bryce, interpretado por Sean Rogerson, que após um acidente fatal decide, junto com seu parceiro, apagar qualquer registro que possa comprometer suas carreiras. O que parecia ser apenas uma tentativa desesperada de encobrir um erro rapidamente se transforma em algo muito mais sinistro quando eles percebem que não estavam sozinhos naquela noite. Algo sobrenatural parece ter acompanhado cada movimento registrado pelas câmeras.


O principal trunfo do filme é justamente sua premissa. A ideia de construir um terror a partir das bodycams policiais funciona como uma evolução natural do found footage. Diferente de muitos filmes do subgênero, aqui não existe a pergunta incômoda sobre por que alguém continuaria filmando durante uma situação de perigo. As câmeras estão ali por obrigação profissional e não podem simplesmente ser desligadas, o que dá uma justificativa diegética convincente para a gravação contínua.


Nos primeiros minutos, porém, esse recurso acaba sendo mal explorado. A montagem abusa de cortes sucessivos entre as câmeras dos dois policiais, mesmo quando ambos estão no mesmo ambiente, o que cria certa confusão visual e quebra o potencial imersivo do dispositivo narrativo. Felizmente, à medida que a história avança, o filme encontra um ritmo melhor e passa a utilizar o ponto de vista das câmeras de forma mais eficaz.


Outro ponto positivo está na escolha das locações. O longa aproveita espaços abandonados e deteriorados, que conferem uma atmosfera suja e opressiva à narrativa sobrenatural. Essa sensação de decadência ajuda a construir um ambiente plausível e aumenta a tensão em algumas sequências mais claustrofóbicas.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

O problema é que a execução não acompanha o potencial da ideia. O ritmo caótico garante que o filme raramente fique entediante, mas também revela a fragilidade do roteiro. Muitos acontecimentos surgem sem qualquer contextualização e praticamente nada recebe uma explicação clara. A falta de mitologia ou de qualquer construção narrativa mais sólida deixa a sensação de que estamos vendo apenas fragmentos de ideias, como se o filme fosse um primeiro rascunho ainda não totalmente desenvolvido.


Mesmo com apenas 75 minutos de duração, o longa acaba parecendo mais longo do que realmente é. A narrativa se torna repetitiva em alguns momentos, especialmente no trecho central, que se perde em um caos desnecessário sem avançar significativamente na história. Além disso, a própria estrutura do filme dificulta a criação de vínculo com os protagonistas. Como tudo acontece em estado constante de crise, não existe espaço para momentos de respiro ou desenvolvimento emocional dos personagens.


Em certos momentos, essa sensação de confinamento funciona bem e reforça o desespero da situação. Em outros, porém, faz com que o espectador se sinta preso a uma dinâmica narrativa que se repete sem grandes variações.


POV: Presença Oculta é, portanto, um terror com uma premissa bastante interessante e até inovadora dentro do found footage, mas que sofre com problemas de execução. Para fãs do subgênero, a experiência ainda pode ser curiosa e envolvente em alguns trechos. No entanto, a falta de explicações e a dificuldade de criar conexão com os personagens impedem que o filme alcance todo o potencial que sua ideia inicial prometia.


Nota: 2/5


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