Entrevista | “É sobre amadurecer e se reconectar”: elenco e diretor falam sobre O Velho Fusca
- Gabriella Ferreira

- há 2 horas
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Ao lado dos atores Caio Manhente e Giovanna Chaves, o diretor Emiliano Ruschel fala sobre o longa que estreia nos cinemas em 19 de março.

Entre memórias afetivas, conflitos familiares e o desejo de liberdade, O Velho Fusca chega aos cinemas no dia 19 de março apostando em uma história sensível, divertida e cheia de emoção. O filme acompanha Junior, um jovem que, ao encontrar um Fusca abandonado na garagem do avô amargurado, enxerga no carro a chance de transformar sua vida. No entanto, para conquistar esse sonho, ele precisa enfrentar um passado mal resolvido e ajudar a reconstruir uma relação familiar marcada por anos de afastamento.
Em conversa com o Oxente Pipoca, os atores Caio Manhente e Giovanna Chaves, ao lado do diretor Emiliano Ruschel, falaram sobre a construção dos personagens, os bastidores da produção e o encontro de gerações que marca o filme. Entre reflexões sobre amadurecimento e relatos de experiências no set, o trio destaca como a obra dialoga com diferentes públicos e reforça a força do cinema brasileiro. Confira a íntegra da conversa abaixo:
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Oi, gente! Eu sou Gabriella, do Oxente Pipoca, falando aqui de Aracaju, Sergipe. É um prazer conversar com vocês. Eu assisti ao filme ontem, gostei bastante, e queria começar perguntando o que mais chamou a atenção de vocês nos seus personagens. Caio, o seu personagem está nesse processo de tentar reconstruir a relação com o avô. Já a Giovanna começa como uma menina aparentemente mais frágil, mas ao longo da história a gente descobre uma força enorme nela e acaba se revelando uma verdadeira protagonista do próprio destino. Queria que vocês falassem um pouquinho sobre a construção desses personagens e o que mais atraiu vocês neles.
Caio Manhente: Cara, a primeira coisa que eu queria falar é que eu sou doido pra conhecer Sergipe. Tenho um dos meus melhores amigos, que é o Samuca de Assis, Adaí. Apesar de eu ter ido muito pra Salvador, enfim… pô, que alegria! Quero muito conhecer.
E aí, falando do Júnior… cara, eu acho que ele é uma pessoa que está nessa transição, né? Saindo da adolescência pra vida adulta, virando um jovem adulto. E ele enxerga nesse Fusca um passaporte pra liberdade. Ele acha que, quando tiver aquele carro, todas as questões da vida vão se resolver, que tudo vai dar certo.
É óbvio que a vida não funciona assim, mas acho que a gente sempre deposita em algum objeto a resolução dos nossos problemas e o Júnior faz isso com o Fusca. Só que, ao longo da história, ele entende que não é bem por aí. Na verdade, o que ele precisa reconstruir é a relação da família, especialmente com o avô.
E eu acho que o filme fala muito sobre isso, sobre reconstrução de relações.
Então, o Júnior é esse personagem… e esse filme foi rodado há quatro anos. Eu estava muito mais próximo do Júnior do que estou hoje. Pra mim, é quase um registro de uma versão do Caio entrando nessa fase de jovem adulto.
Giovanna Chaves: E falando um pouco sobre a Layla, eu acho que todo mundo sai do cinema meio com essa sensação de “meu Deus, eu não esperava que ela fosse isso”. Mas acredito que a Layla também está nesse processo de amadurecimento, de descobrir quem ela é no mundo.
Ela já está meio de saco cheio das pessoas rotularem ela, de dizerem que ela é isso ou aquilo. Tanto o personagem do Jeff, que enxerga ela como a “menina bonita” e idealiza uma relação, quanto a treinadora, que chama ela de “princesa”. Então, ela já está acostumada a ser colocada sempre nesse lugar de fragilidade.
Por isso, ela usa o esporte como uma espécie de fuga, um espaço onde consegue se descobrir de outras formas e entender que não é só aquilo que dizem sobre ela.
Ao longo do filme, acho que o público vai se conectando com a Layla justamente por isso, porque ela vai se abrindo aos poucos. No começo, ela é mais fechada emocionalmente, mas, com o tempo, a gente vai entendendo melhor a personalidade dela, a relação dela com o Júnior e também com ela mesma.
Então, acho que é por isso que muita gente vai se identificar, especialmente as meninas. É um filme muito legal e que também marca bem essa minha trajetória, essa transição de atriz adolescente para essa fase mais adulta.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Queria saber como essa história chegou até você e o que te motivou a transformá-la em filme. Você pode contar um pouquinho sobre o seu envolvimento com o projeto?
Emiliano Ruschel: Você sabe, eu estava morando nos Estados Unidos na época. Eu tinha rodado um filme lá e também na França, e estava vindo para o Brasil para fazer um filme chamado Segredos, com a Dani Suzuki. Eram dois filmes com a mesma empresa.
Aí o roteirista, Bio Labonia, que é de Fortaleza, mas estava morando no Canadá estudando roteiro, falou: “Cara, tô com um roteiro, queria muito que você lesse”. Eu respondi: “Pô, me manda”.
Quando eu li, cara, eu me diverti, ri, chorei. O roteiro era muito bom. Ele já vinha desenvolvendo esse projeto há um tempo e já tinha ganhado vários prêmios, mais de dez, inclusive. Só que a ideia inicial era que a história se passasse nos Estados Unidos. Então eu sugeri levar a produção para o Brasil, já que eu estava vindo para cá. Comentei que poderíamos fazer no Rio de Janeiro, e ele adorou a ideia.
Levei o projeto para a distribuidora, que já tinha me perguntado qual seria o próximo filme. Eles leram o roteiro, se divertiram, riram, se emocionaram e toparam produzir. A partir daí, fizemos uma adaptação da história dos Estados Unidos para o Brasil. Isso trouxe alguns desafios práticos. Por exemplo, a casa do avô e o espaço onde as meninas treinam boxe ficam lado a lado. Na versão americana, provavelmente não existiria um muro separando esses espaços, mas aqui isso fazia sentido.
Então precisei encontrar uma casa com um muro muito específico. Não podia ser alto demais, nem baixo demais, nem ter cerca elétrica. Tinha que ser exatamente como eu imaginava. E aí comecei a rodar o Rio de Janeiro inteiro em busca desse lugar.

Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Eu achei muito curioso você falar isso, porque, assistindo ao filme, tive a sensação de que o Rio funciona quase como um personagem. Mesmo sem nunca ter ido, eu me senti muito inserida naquele ambiente, no Rio de Janeiro. Fiquei curiosa pra saber se isso foi intencional. Era uma ideia sua fazer com que o Rio tivesse uma presença tão marcante na história?
Emiliano Ruschel: É, ele é um personagem, sim, porque o Rio de Janeiro tem muito essa força, né? E acho que a gente complementou isso com a música, que ajudou a dar essa identidade bem carioca. O personagem do vovô também é muito carioca, no jeito, na forma de falar e de se comportar.
Eu morei aqui no Rio, sou gaúcho e vim pra cá quando era bem jovem. Fiquei uns dez anos aqui, depois fui para os Estados Unidos e fiquei sete anos lá. Então eu conhecia bem esse universo e via muito filme ambientado no Rio.
Quando eu encontrei aquela casa, lá na Urca, foi muito especial. A Urca tem, ao fundo, o Pão de Açúcar, que é um cartão-postal da cidade. Na hora eu pensei: “Cara, é essa casa”. Fui falar com a dona e pedi para usar o espaço para o filme.
Acho que, naturalmente, o filme foi construindo essa identidade ao longo do processo. Ele acabou ganhando muito essa vibe de Rio de Janeiro, mas não só do ponto de vista turístico. Tem também esse olhar de quem mora na cidade, sabe? Porque é diferente de como o turista enxerga.
Isso trouxe uma sensação muito gostosa. Aquela casa na Urca é linda. Tem cenas em que o vovô está sentado e a gente filma de dentro do pátio para fora, e você vê os barquinhos, a luz, as amendoeiras, as folhas no chão… tudo isso cria um clima muito próprio do Rio.
E a música também ajuda muito. Ela é maravilhosa e transporta o espectador pra dentro desse universo, reforçando ainda mais essa atmosfera carioca.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): O Caio comentou que o filme foi gravado há quatro anos e que só agora vocês estão vendo o resultado final. Como foi essa experiência para vocês?
Giovanna Chaves: Eu acho meio difícil assistir a algo que a gente gravou há muito tempo, sabe? Fico pensando: “Meu Deus, eu faria tudo diferente hoje em dia”. É engraçado se ver de outra forma. Mas, ao mesmo tempo, é muito bom ter esse registro de uma fase da vida, de um momento específico que você estava vivendo. Acho isso muito importante.
Foi meio louco me ver assim, mais nova, diferente… até com o cabelo escuro, né? Não tão loira quanto eu estou agora. Mas acho que a vida é sobre isso, sobre amadurecimento, mudança.
E o filme também fala um pouco sobre isso, sobre crescer e se transformar. Então, no fim das contas, foi uma experiência bem legal.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Uma coisa que me chamou atenção no filme foi justamente o encontro entre diferentes gerações de atores. Vocês têm artistas mais jovens, que já estão se consolidando, como o Caio, a Giovana e o Christian, ao lado de nomes mais experientes, como a Cleo, o Danton Mello e o Tonico Pereira. Queria saber como foi, pro Emiliano, trabalhar com esses dois universos. Como foi promover esse encontro de gerações no elenco, e de que forma isso contribuiu para o resultado final do filme?
Emiliano Ruschel: Tem uma química muito grande, né? Eles se dão super bem. Você vê o Caio junto com o Dan e com a Cleo, parece realmente filho deles. Ficou muito natural. E isso é muito legal porque o próprio roteiro já traz esse conflito de gerações. Então, na hora de montar o elenco, a gente teve a oportunidade de juntar, de fato, diferentes gerações.
O processo de escalação foi muito interessante. Quando li o roteiro, a primeira coisa que perguntei para o roteirista foi: “Em quem você pensou para o vovô?”. Porque é um personagem muito marcante. E ele respondeu que escreveu já pensando no Tonico Pereira. Aí eu falei: “Então eu vou atrás dele, porque é perfeito”.
Consegui marcar um encontro com o Tonico, que tem um brechó em Botafogo. Fui lá conversar com ele, e ele estava super à vontade, de bermuda, naquele calor, e a gente ficou ali batendo papo, tomando um café. Foi um encontro muito especial. A partir do Tonico, o projeto foi ganhando força. Tive a sorte de contar com vários coprodutores, como o Diego Timbó, da Uno Filmes, que também assina a direção musical, a Flávia Gularte, e a própria Cléo, que entrou como coprodutora. Junto com a produtora de elenco, fomos construindo esse time.
Foi realmente um trabalho coletivo, com muitas mãos e muito talento envolvido. E o resultado foi um elenco incrível. Eu me sinto muito honrado de ter reunido um grupo tão forte, com atores tão talentosos.
E isso também se reflete na música. Como o Diego é diretor musical, pensamos em criar uma trilha original, e o filme acabou ganhando um álbum com músicas feitas especialmente para ele. Conseguimos reunir nomes consagrados da música brasileira, como Jorge Aragão, Péricles e Jorge Vercillo, junto com artistas mais jovens.
Então existe esse mesmo encontro de gerações também na trilha sonora. É um equilíbrio muito interessante, que dialoga com o próprio tema do filme. E acho que tudo isso contribuiu para essa química que a gente vê na tela. Funcionou muito bem.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Caio e Giovanna contracenam com atores bem experientes, como Danton Mello, Cléo Pires e Tonico Pereira. Queria saber como foi essa experiência para vocês. Principalmente pensando nesse contraste, já que vocês dois vêm de uma trajetória forte na televisão, com o Caio desde Detetives do Prédio Azul e a Giovana também com trabalhos voltados ao público mais jovem.
Como foi esse encontro de gerações, agora nesse momento em que vocês já estão como jovens adultos, dividindo cena com nomes tão marcantes e dando continuidade à carreira de vocês no cinema?
Caio Manhente: Cara, tem uma coisa interessante, né? O Danton também começou muito novo, ele e o Selton. Foi uma alegria conhecer o Danton e depois reencontrá-lo. Em Garota do Momento, a gente fez genro e sogro, e foi uma relação maravilhosa.
Eu já tinha trabalhado com a Cléo também, em Magia de Aruna, da Disney. E essa foi a minha primeira experiência com o Tonico, que eu queria muito conhecer e contracenar. Foi incrível.
Mas acho que uma das coisas mais legais do nosso trabalho é justamente isso: poder estar com pessoas mais experientes, com atores e atrizes que já têm uma longa trajetória. Claro que a nossa profissão exige dedicação, estudo, leitura… mas, honestamente, acho que a maior escola são os nossos colegas de cena que têm mais experiência. Eu tento aprender com eles ao máximo.
E, ao mesmo tempo, entre a gente também rola muita troca. Eu, a Giovana, o Christian, que está no filme… a gente vai aprendendo uns com os outros, observando o que cada um traz, o que pode ensinar.
Acho que o trabalho do ator é isso: estar sempre com o olhar atento, muito aberto para tudo. Essa troca, para mim, é uma das coisas mais ricas que a gente pode ter, tanto na profissão quanto na vida.
Giovanna Chaves: Eu gosto muito de observar o outro, de prestar atenção, de entender o ambiente. Então foi muito gostoso contracenar com atores mais experientes, com mais bagagem do que eu. Saber ouvir, entender, perceber como eles se comportam em cena… acho que isso ensina muito. Cada trabalho é um novo desafio, mas também um presente.
Então, para mim, foi uma experiência muito rica nesse sentido, de aprender com o outro, de desenvolver esse olhar e crescer a partir disso.
Caio Manhente: E só um comentário engraçado… o Tonico Pereira já fez inúmeros filmes, né? Mas, na minha cabeça, por memória de infância, ele sempre vai ser o Lineuzinho, de A Grande Família.
E é curioso porque o primeiro desses grandes atores com quem eu contracenei foi o Marco Nanini, em A Suprema Felicidade. Então agora virou quase uma missão pessoal: ir encontrando e trabalhando com cada um deles.
Ainda faltam a Marieta e o Pedro Cardoso… mas eu chego lá. Vou dar um jeito de encontrá-los.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Vou aproveitar para fazer uma pergunta final, que eu sempre faço para todos os entrevistados aqui no Oxente. Queria que vocês deixassem uma indicação de filme ou série para o público. Pode ser algo favorito de vocês ou até algo que tenha ajudado no processo de construção durante O Velho Fusca.
Só tem um detalhe: precisa ser uma produção brasileira.
Emiliano Ruschel: Acho que agora todo mundo tem que assistir O Agente Secreto, né? É um filme que está vivendo um momento fantástico. Eu tive a oportunidade de trabalhar com o Wagner Moura em VIPs, contracenei com ele. Então, claro, estou torcendo muito por ele.
E a gente fica muito feliz de ver o cinema brasileiro ganhando esse destaque. A gente torce muito pelo nosso cinema.
Giovanna Chaves: De indicação de filme, acho que é O Agente Secreto, né? Com certeza, gente.
Caio Manhente: O Agente Secreto está na cabeça, né? Wagner Moura, perna cabeluda… e afins.
Mas eu tenho um filme que acho que é o meu brasileiro preferido, e que não é tão conhecido assim, apesar de ser do Walter Salles, que é Abril Despedaçado. Eu acho um filme inacreditável.
Então fica a minha dica para quem quiser assistir.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Para finalizar, queria pedir que vocês deixassem um convite para os nossos seguidores irem ao cinema no dia 19 de março assistir O Velho Fusca.
Emiliano Ruschel: Então, queria convidar todo mundo, a partir do dia 19 de março, para ir ao cinema.
Essas primeiras semanas são muito importantes para o cinema brasileiro, para que o filme permaneça em cartaz. Então, venham prestigiar.
Vão aos cinemas assistir O Velho Fusca, venham rir, se divertir e se emocionar com a gente.
Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): O final me emocionou muito, de verdade. Acho que o desfecho do filme vai pegar muita gente desprevenida no cinema. A pessoa vai achando que é só uma comédia, que vai rir o tempo todo… e, quando vê, está ali no final, fungando, emocionada.
Emiliano Ruschel: Então, você sabe que o Zé Vaqueiro estava na exibição lá em São Paulo. E, quando saiu da sessão, ele falou: “Cara, chorei muito. Vou ligar para a minha avó”.
Giovanna Chaves: Gente, assistam O Velho Fusca nos cinemas de todo o Brasil a partir do dia 19 de março.
Caio Manhente: Isso aí, galera! O Velho Fusca, dia 19 de março no cinema. E, de preferência, assistam na primeira semana, é muito importante!








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