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Crítica | Garota do Século 20

Ana Beatriz Andrade

21 de nov de 2022 · 3 min de leitura

Nostálgico e romântico como o primeiro amor deve ser

Divulgação: Netflix


Dos clássicos dramáticos de Shakespeare até a Hollywood de Julia Roberts, o amor romântico sempre foi um tópico de base comum para o mundo da arte. Seja na literatura ou no cinema, o romance nunca perdeu sua relevância temática e, embora pareça que já fomos apresentados a todas as histórias de amor possíveis, o segmento nos prova que não chegamos nem perto disso. Esse é o sentimento que as novas produções sul-coreanas estão conseguindo alcançar de forma excepcional, atingindo públicos nunca imaginados em um período anterior aos serviços de streaming. É diante desse contexto que ‘Garota do Século 20’, o novo longa-metragem já disponível na Netflix, reforça a ideia de que nunca deixaremos de nos surpreeender com o amor, ainda mais quando ele é acompanhado de saborosas doses de nostalgia.


‘Garota do Século 20’ nos introduz ao mundo de Na Bo-Ra (Kim Yoo-jeon), uma adolescente disposta a fazer de tudo por sua melhor amiga Kim Yeon-du (Roh Yeon-seo). Quando Yeon-du está prestes a viajar para os Estados Unidos para tratar de um problema cardíaco, ela acaba se apaixonando perdidamente por um garoto chamado Baek Hyun-jin (Park Jung-woo) e pede que Bo-Ra descubra tudo sobre ele, desde os seus hobbies até a numeração dos seus sapatos. Durante sua missão, nossa protagonista ainda conta com a ajuda de Poong Woon-ho (Byeon Woo-seok), o melhor amigo de Hyun-jin. Ao fim, todos irão aprender muito sobre a importância de partilhar os seus mais verdadeiros sentimentos.


O longa conta com a direção de Bang Woo-ri, cujo olhar atento aos detalhes acaba fazendo uma diferença significativa para a construção de uma narrativa divertida, porém extremamente tocante. É assim que ‘Garota do Século 20’ faz um malabarismo interessante entre duas linhas temporais: a Na Bo-Ra de 2022, já adulta e com sua vida já estabilizada, e a Na Bo-Ra de 1999, ainda muito jovem, descobrindo formas de entender seus sentimentos e processar os desafios da adolescência. Nesse âmbito, os artifícios da montagem e edição conseguem fazer um bom trabalho em administrar o tempo de tela de ambas as fases temporais, por mais que grande parte da carga emocional do filme esteja limitada aos seus últimos vinte minutos. Vale destacar também a importância de um elenco bem selecionado, visto que a química entre os quatro principais personagens faz com que momentos rotineiros do cotidiano sejam simplesmente irresistíveis.

Divulgação: Netflix


Ademais, o longa conta com uma fotografia impecável, algo comumente observado em produções do cinema e da teledramaturgia coreana. Cenas de romance tornam-se mais românticas, cenas tristes tornam-se mais tristes e todo o potencial emotivo do filme é elevado ao quadrado em função da beleza visual que ele carrega. Juntamente com belos enquadramentos, o roteiro transmite a inocência do primeiro amor e como suas marcas podem permanecer para sempre, conseguindo emocionar até o mais duro dos corações. Certamente, há reviravoltas na trama que são bem características de um sofrido dramalhão e também pequenas falhas de roteiro que poderiam tratadas com mais atenção, especialmente durante o último ato.


Em resumo, ‘Garota do Século 20’ é uma história sobre amor e amizade em sua forma mais doce e pura. É aquele tipo de filme que nenhum spoiler conseguirá antecipar o compilado de emoções que ele te proporciona, trazendo em pauta o doloroso e eterno “o que poderia ter sido”. Sendo assim, realmente não é preciso ser nenhum romântico incorrigível para entender que histórias de amor podem até se acumular em uma grande pilha, mas elas sempre sobreviverão às viradas dos séculos. O amor de Na Bo-Ra é um bom exemplo disso.


Nota: 4,5/5

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Dos clássicos dramáticos de Shakespeare até a Hollywood de Julia Roberts, o amor romântico sempre foi um tópico de base comum para o mundo da arte. Seja na literatura ou no cinema, o romance nunca perdeu sua relevância temática e, embora pareça que já fomos apresentados a todas as histórias de amor possíveis, o segmento nos prova que não chegamos nem perto disso. Esse é o sentimento que as novas produções sul-coreanas estão conseguindo alcançar de forma excepcional, atingindo públicos nunca imaginados em um período anterior aos serviços de streaming. É diante desse contexto que ‘Garota do Século 20’, o novo longa-metragem já disponível na Netflix, reforça a ideia de que nunca deixaremos de nos surpreeender com o amor, ainda mais quando ele é acompanhado de saborosas doses de nostalgia.


‘Garota do Século 20’ nos introduz ao mundo de Na Bo-Ra (Kim Yoo-jeon), uma adolescente disposta a fazer de tudo por sua melhor amiga Kim Yeon-du (Roh Yeon-seo). Quando Yeon-du está prestes a viajar para os Estados Unidos para tratar de um problema cardíaco, ela acaba se apaixonando perdidamente por um garoto chamado Baek Hyun-jin (Park Jung-woo) e pede que Bo-Ra descubra tudo sobre ele, desde os seus hobbies até a numeração dos seus sapatos. Durante sua missão, nossa protagonista ainda conta com a ajuda de Poong Woon-ho (Byeon Woo-seok), o melhor amigo de Hyun-jin. Ao fim, todos irão aprender muito sobre a importância de partilhar os seus mais verdadeiros sentimentos.


O longa conta com a direção de Bang Woo-ri, cujo olhar atento aos detalhes acaba fazendo uma diferença significativa para a construção de uma narrativa divertida, porém extremamente tocante. É assim que ‘Garota do Século 20’ faz um malabarismo interessante entre duas linhas temporais: a Na Bo-Ra de 2022, já adulta e com sua vida já estabilizada, e a Na Bo-Ra de 1999, ainda muito jovem, descobrindo formas de entender seus sentimentos e processar os desafios da adolescência. Nesse âmbito, os artifícios da montagem e edição conseguem fazer um bom trabalho em administrar o tempo de tela de ambas as fases temporais, por mais que grande parte da carga emocional do filme esteja limitada aos seus últimos vinte minutos. Vale destacar também a importância de um elenco bem selecionado, visto que a química entre os quatro principais personagens faz com que momentos rotineiros do cotidiano sejam simplesmente irresistíveis.

Divulgação: Netflix


Ademais, o longa conta com uma fotografia impecável, algo comumente observado em produções do cinema e da teledramaturgia coreana. Cenas de romance tornam-se mais românticas, cenas tristes tornam-se mais tristes e todo o potencial emotivo do filme é elevado ao quadrado em função da beleza visual que ele carrega. Juntamente com belos enquadramentos, o roteiro transmite a inocência do primeiro amor e como suas marcas podem permanecer para sempre, conseguindo emocionar até o mais duro dos corações. Certamente, há reviravoltas na trama que são bem características de um sofrido dramalhão e também pequenas falhas de roteiro que poderiam tratadas com mais atenção, especialmente durante o último ato.


Em resumo, ‘Garota do Século 20’ é uma história sobre amor e amizade em sua forma mais doce e pura. É aquele tipo de filme que nenhum spoiler conseguirá antecipar o compilado de emoções que ele te proporciona, trazendo em pauta o doloroso e eterno “o que poderia ter sido”. Sendo assim, realmente não é preciso ser nenhum romântico incorrigível para entender que histórias de amor podem até se acumular em uma grande pilha, mas elas sempre sobreviverão às viradas dos séculos. O amor de Na Bo-Ra é um bom exemplo disso.


Nota: 4,5/5

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