Crítica | Verity

há 7 horas
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Adaptação do best-seller de Colleen Hoover encontra boas soluções para levar sua narrativa às telas, mas perde força na construção da tensão.

Adaptar um livro tão verborrágico quanto Verity, de Colleen Hoover, nunca seria uma tarefa simples. Grande parte da história está justamente na experiência de acompanhar uma escritora em primeira pessoa enquanto ela lê o manuscrito de outra personagem, mergulhando cada vez mais em uma narrativa em que não sabe exatamente no que acreditar. O filme consegue encontrar soluções interessantes para transportar essa estrutura para as telas, mas tropeça justamente onde a obra literária mais prende: na construção da tensão.
Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 1º de outubro, o filme acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora contratada para terminar a série de livros da famosa Verity Crawford (Anne Hathaway), que está impossibilitada de continuar escrevendo após um acidente. Hospedada na casa da autora, Lowen encontra um manuscrito que revela acontecimentos perturbadores sobre a família e passa a questionar o quanto daquilo é ficção.
O filme se sai bem ao preservar a principal dúvida da história e deixar em aberto a disputa entre manuscrito e carta. Em vez de entregar uma resposta definitiva, a adaptação permite que o público escolha em que acreditar, mantendo uma das características mais interessantes do livro. As mudanças feitas para o cinema também funcionam, especialmente na tentativa de transformar uma narrativa essencialmente interna em algo visual.
O problema é que essa mesma história perde parte do impacto quando chega às telas. A tensão que funciona tão bem nas páginas nem sempre encontra o mesmo espaço no filme. A direção até cria momentos de suspense, mas não consegue sustentar a atmosfera de inquietação durante toda a trama. A fotografia ajuda a construir o clima, mas também evidencia alguns dos problemas da condução do suspense.

Ainda assim, existe algo quase camp em Verity que torna difícil simplesmente desviar o olhar. A história é exagerada, cheia de situações absurdas e personagens que parecem sempre estar escondendo alguma coisa, e o filme abraça boa parte desse exagero. É justamente aí que a adaptação funciona melhor: nem tudo precisa ser tão profundo, e Verity sabe muito bem disso.
Os atores também ajudam bastante. Dakota Johnson, Josh Hartnett e Anne Hathaway são envolventes e conseguem sustentar personagens que nunca são apresentados como figuras completamente morais. Ninguém ali parece interessado em ocupar o papel de “pessoa boa” da história, e todos carregam falhas, segredos e até um certo toque vilanesco. É justamente essa falta de uma divisão tão simples entre vítimas e culpados que mantém a dinâmica entre eles interessante.
Talvez seja difícil imaginar uma adaptação de Verity que agrade completamente aos fãs mais fervorosos do livro. Além das mudanças inevitáveis, existe uma questão estrutural: boa parte da força da obra de Colleen Hoover está na maneira como ela conduz o leitor pela cabeça de Lowen e pelo manuscrito de Verity. O filme encontra caminhos para reproduzir essa experiência, mas não consegue transformar toda aquela verborragia em uma tensão cinematográfica equivalente.
Isso não significa, porém, que o filme deixe de funcionar. Verity tem problemas claros, mas também entende exatamente o tipo de entretenimento que quer oferecer. Há reviravoltas, personagens questionáveis, uma história deliberadamente exagerada e uma dúvida que permanece até o final. Não é preciso procurar muito além disso para se divertir.
No fim, Verity talvez não consiga reproduzir nas telas toda a tensão que existe nas páginas, mas entrega uma adaptação suficientemente envolvente e, acima de tudo, divertida. Entre seus acertos e tropeços, o filme sabe que nem toda história precisa ser levada tão a sério.
Nota: 3/5



















