Crítica | Uma Segunda Chance
- Gabriella Ferreira

- há 19 horas
- 3 min de leitura
Drama funciona, mas romance não acompanha em mais uma adaptação de Colleen Hoover.

Lançado na última quinta-feira (19), Uma Segunda Chance é mais uma adaptação de Colleen Hoover a chegar aos cinemas, dessa vez sob direção de Vanessa Caswill. A história acompanha Kenna Rowan (Maika Monroe), uma jovem que, após cumprir pena por um erro do passado, retorna à sua cidade natal tentando reconstruir a própria vida e se aproximar da filha pequena, que nunca conheceu. Rejeitada pela família do pai da criança, ela encontra algum acolhimento em Ledger, um ex-jogador de futebol americano, e os dois acabam se envolvendo em um romance marcado por segredos, culpa e a dificuldade de recomeçar.
Tem algo em Uma Segunda Chance que soa artificial o tempo todo. A ambientação country, o violão suave entrando nas cenas, os personagens tentando parecer comuns, próximos… tudo parece muito calculado. Não chega a ser falso, mas é claramente esforçado. A trilha de Tom Howe até tenta segurar essa ideia de intimidade, mas acaba soterrada por uma lógica muito mais comercial do que emocional.
Isso fica ainda mais evidente quando a gente olha pro contexto. Essa já é mais uma adaptação de Colleen Hoover chegando rápido aos cinemas. Depois de É Assim que Acaba, que repercutiu muito mais pelas polêmicas do que pelo filme em si, e de Se Não Fosse Você, que passou quase batido, parece claro que essas histórias viraram produto antes de qualquer outra coisa.
Ainda assim, dentro desse cenário, Uma Segunda Chance até se sai melhor do que o esperado.
Como adaptação, funciona. Não abraça tudo do livro, simplifica relações que já não eram tão profundas e deixa muita coisa pelo caminho, mas mantém o núcleo emocional. E é justamente quando o filme encosta nesse núcleo que ele melhora bastante. A relação da Kenna com a filha, as lembranças antes do acidente, o peso de voltar pra uma cidade onde ela não é bem-vinda… tudo isso tem mais força do que o romance em si.
E isso passa muito pela Maika Monroe. Ela já mostrou que é muito boa no terror, em filmes como Corrente do Mal e Observador, e aqui encara um drama mais direto. Não é a melhor atuação da carreira dela, mas segura bem o filme. Tem presença, entrega a dor da personagem e faz a gente se importar mesmo quando o roteiro não ajuda tanto.

A química com Tyriq Withers funciona logo de cara. As cenas iniciais entre os dois são leves, naturais, tem um flerte que convence. Só que o filme não desenvolve isso direito. O romance existe, mas nunca cresce como deveria. Fica sempre meio travado, meio interrompido.
E talvez isso aconteça porque o filme está muito mais interessado na tragédia do que no amor. A relação entre Kenna e Ledger acaba ficando em segundo plano, enquanto o vínculo dele com a filha do Scotty acaba sendo até mais interessante. É estranho, porque o filme vende uma coisa e entrega outra.
No fim, mesmo com elementos que poderiam funcionar muito bem, ele não chega naquele impacto emocional que parece prometer. Falta conexão de verdade. Falta aquele momento que faz tudo bater.
Ainda assim, tem um ponto importante aqui. A direção da Vanessa Caswill faz diferença. Existe um olhar mais atento pra esse universo, uma sensibilidade maior com a protagonista. Isso já coloca o filme um pouco acima das outras adaptações recentes da Hoover, mesmo que a comparação também não seja das mais difíceis.
No geral, é um filme que funciona em partes. Quando foca na Kenna, acerta. Quando tenta vender o romance, perde força. E no meio disso tudo fica essa sensação de algo que poderia ser mais, mas nunca chega lá.
Nota: 3/5



















