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Crítica | Você (2ª temporada, parte 2)

Ana Beatriz Andrade

01 de abr de 2023 · 2 min de leitura

Como confiar em um narrador não confiável?

Foto: Divulgação


Após o lançamento da primeira parte da quarta temporada de ‘Você’, a Netflix termina mais um capítulo da história de Joe Goldberg (Penn Badgley) com a adição de cinco episódios finais, repletos de reviravoltas cronológicas. Nesse âmbito, tentando surpreender o seu público e corrigir alguns erros de coerência narrativa, a produção explora um artifício divisor de opiniões – a estratégia do narrador não confiável.


Com o fim da primeira parte, enfim descobrimos quem é o “eat-the-rich killer” e também stalker de Joe nas horas vagas. Essa revelação não causa alívio algum para Goldberg, visto que as ameaças e invasões soturnas ao seu apartamento continuam constantes. Ademais, o seu pedante romance com Kate (Charlotte Richie) teve de ser temporariamente interrompido diante do caos dos últimos acontecimentos da série.


Um pouco mais tarde, recebemos uma informação que transforma a temporada por completo. Surpreendentemente, as sequências explicativas operam de forma positiva, conseguindo prender o seu espectador de uma forma que a primeira parte não estava conseguindo com muito sucesso. No entanto, me incomoda um pouco quando algum produto midiático priva a audiência de informações e, logo em seguida, traz uma reviravolta que não poderia ter sido antecipada. Esse tipo de dinâmica – a de restringir o acesso do público a cenas primordiais – quando feita sem cuidado, acaba soando caricata demais.

Foto: Divulgação


Ao longo da temporada, nós temos sim alguns mínimos indícios do que está realmente acontecendo. No entanto, depois de uma exaustiva sucessão de eventos bizarros, como desmembrar corpos em uma serraria (sem ser notado) e provocar explosões em milionárias casas de veraneio, acabamos um pouco exaustos do exagero.


Elucidando também algumas qualidades, o rumo tomado pela série não é de todo mal. Alguns conflitos internos de Joe são abordados de maneira interessante, fazendo com que a audiência possa conhecer um pouco mais sobre como sua mente tenta decidir entre fugir do seu instinto assassino ou simplesmente abraçá-lo de uma vez. Outro aspecto positivo da série é a ótima atuação de Tati Gabrielle como Marianne. Tenho dito que grande parte do terror construído neste final de temporada se dá em função da brilhante performance da atriz.


Em conclusão, ao fim do último episódio da quarta temporada, temos um Joe mais maníaco e violento do que nunca. Em meio a tantos voice overs e longos monólogos, a quinta e última temporada de ‘Você’ terá que enfrentar o desafio de encontrar um desfecho prático e racional para a história de Joe. De fato, acredito que essa é a única saída para que a série consiga dosar os seus absurdos e cansativos excessos.


Nota: 3/5

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1 de abr. de 2023
2 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Como confiar em um narrador não confiável?

Foto: Divulgação


Após o lançamento da primeira parte da quarta temporada de ‘Você’, a Netflix termina mais um capítulo da história de Joe Goldberg (Penn Badgley) com a adição de cinco episódios finais, repletos de reviravoltas cronológicas. Nesse âmbito, tentando surpreender o seu público e corrigir alguns erros de coerência narrativa, a produção explora um artifício divisor de opiniões – a estratégia do narrador não confiável.


Com o fim da primeira parte, enfim descobrimos quem é o “eat-the-rich killer” e também stalker de Joe nas horas vagas. Essa revelação não causa alívio algum para Goldberg, visto que as ameaças e invasões soturnas ao seu apartamento continuam constantes. Ademais, o seu pedante romance com Kate (Charlotte Richie) teve de ser temporariamente interrompido diante do caos dos últimos acontecimentos da série.


Um pouco mais tarde, recebemos uma informação que transforma a temporada por completo. Surpreendentemente, as sequências explicativas operam de forma positiva, conseguindo prender o seu espectador de uma forma que a primeira parte não estava conseguindo com muito sucesso. No entanto, me incomoda um pouco quando algum produto midiático priva a audiência de informações e, logo em seguida, traz uma reviravolta que não poderia ter sido antecipada. Esse tipo de dinâmica – a de restringir o acesso do público a cenas primordiais – quando feita sem cuidado, acaba soando caricata demais.

Foto: Divulgação


Ao longo da temporada, nós temos sim alguns mínimos indícios do que está realmente acontecendo. No entanto, depois de uma exaustiva sucessão de eventos bizarros, como desmembrar corpos em uma serraria (sem ser notado) e provocar explosões em milionárias casas de veraneio, acabamos um pouco exaustos do exagero.


Elucidando também algumas qualidades, o rumo tomado pela série não é de todo mal. Alguns conflitos internos de Joe são abordados de maneira interessante, fazendo com que a audiência possa conhecer um pouco mais sobre como sua mente tenta decidir entre fugir do seu instinto assassino ou simplesmente abraçá-lo de uma vez. Outro aspecto positivo da série é a ótima atuação de Tati Gabrielle como Marianne. Tenho dito que grande parte do terror construído neste final de temporada se dá em função da brilhante performance da atriz.


Em conclusão, ao fim do último episódio da quarta temporada, temos um Joe mais maníaco e violento do que nunca. Em meio a tantos voice overs e longos monólogos, a quinta e última temporada de ‘Você’ terá que enfrentar o desafio de encontrar um desfecho prático e racional para a história de Joe. De fato, acredito que essa é a única saída para que a série consiga dosar os seus absurdos e cansativos excessos.


Nota: 3/5

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