Entrevista | De Central do Brasil a A Última Fita: Elisa Tolomelli produzirá longa de terror baseado em curta premiado
Diretora fala sobre planejamento, inteligência artificial e os novos caminhos do terror brasileiro em ‘A Última Fita’

Conhecida por seu trabalho em duas das maiores produções brasileiras com projeção internacional, Cidade de Deus e Central do Brasil, a produtora executiva Elisa Tolomelli celebra mais de 40 projetos realizados com uma estreia em sua carreira: um longa de terror. Nascido do curta-metragem da roteirista estreante Caroline Adrielli, A Última Fita já soma seis prêmios internacionais em festivais de cinema de terror, incluindo Melhor Direção e Melhor Roteiro.
Em A Última Fita, Elisa une sua experiência em produção às ferramentas da Inova Filmes, especializada em tecnologias generativas e VFX. O longa está em desenvolvimento em parceria com a empresa e será realizado por meio do hub de soluções integradas da produtora.
Na história, cinco jovens alugam uma casa de temporada e encontram fitas VHS que registram crimes brutais cometidos no local na década de 90. Isolados e sem sinal telefônico, percebem que o assassino continua por perto e que podem ser os próximos a aparecer nas gravações.
Em entrevista ao Oxente Pipoca, a produtora executiva revisita sua trajetória em uma ode ao cinema brasileiro e reforça a importância do planejamento e da gestão na produção cinematográfica. Além de falar sobre A Última Fita, Elisa comenta a influência da inteligência artificial no setor e os novos horizontes do terror nacional.
Ela também explica como a validação internacional impacta a percepção de qualidade do cinema brasileiro e defende a construção de uma visão da indústria cinematográfica como produto comercial. Confira a entrevista completa:
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Você tem cerca de 40 projetos de bagagem. Então, o que é que mudou na produção do cinema brasileiro desde o início da sua carreira até agora, principalmente com esse vai e vem de políticas públicas de incentivo ao cinema nacional?
Elisa Tolomelli: Olha, o que mudou? Tecnicamente falando. Eu filmava em 35 milímetros. Nós tivemos um avanço na técnica do cinema muito grande. Então, acho que, tecnicamente falando, nós evoluímos muitíssimo. Hoje a gente não deixa dever nada para nenhuma cinematografia de nenhuma parte do mundo, em termos técnicos, em termos de qualidade de histórias, de roteiros, etc. Em relação às políticas públicas, já passei por muitas também, altos e baixos, altos e baixos. E basicamente, o cinema nacional é sobrevivente. Então, a gente sobrevive às intempéries do mercado, às intempéries das políticas públicas. Então, nós somos resistentes, ninguém vai acabar com a gente, não.
Então, ontem tivemos uma boa resposta a toda atividade cultural, não apenas no cinema. Então, foi um alívio que vamos continuar com esta política por mais alguns anos, reafirmando o nosso compromisso com a realização dos nossos filmes, com as nossas histórias para os brasileiros e para o mundo inteiro. Então, estou bem feliz hoje. Agora, eu queria falar de uma coisa que não mudou, desde que entrei para o cinema até hoje, que, por mais que a gente tenha evoluído, por mais que a gente tenha resistido, tem uma coisa que não mudou de lá para cá.
Do 35mm até a inteligência artificial, os projetos todos foram mudando o seu formato de como o público consome o conteúdo e como a produção também precisa mudar e se adaptar, tem uma coisa que não mudou. Cinema é planejamento e gestão. Esse tipo de pensamento, do raciocínio de produção no cinema, de um filme, de uma série, de um curta, de um longa, qualquer produto audiovisual, continua passando pelo empreendedorismo e pelo planejamento e gestão enquanto indústria, enquanto negócio. Acho que também houve uma evolução no pensamento de produção no Brasil, de entender que cinema é arte, é criatividade, é negócio. Então, essa evolução no pensamento do cinema enquanto indústria foi uma evolução muito importante para a gente, para a atividade como um todo.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Você produziu Cidade de Deus e Central, dois filmes brasileiros que chegaram ao Oscar. Olhando para trás, como é o aprendizado de trabalhar em projetos que ganharam essa projeção internacional, principalmente onde a gente está, num país em que a projeção internacional é uma validação nacional muito grande?
Elisa Tolomelli: Olha, vou dizer que tive sorte de estar ali naquele local, naquele ano, naquele momento, de ter feito dois filmes que, em qualquer lugar do mundo que eu vá, as pessoas viram esses filmes. Temos muitos filmes brasileiros que fizeram sucesso lá fora, que ganharam prêmios, que foram ao Oscar também, que ganharam o Berlin, ganharam o Sundance, mas nenhum deles com essa popularidade internacional como o Central do Brasil e o Cidade de Deus. O Cidade de Deus é o segundo filme mais visto no mundo de língua não inglesa.
O primeiro é o filme francês, os Intocáveis, e o segundo é o Cidade de Deus. Até hoje, tem mais de 20 anos. Eu vou fazer palestras nos Estados Unidos, falar do cinema brasileiro, aí vem uns jovens que nem nascido eram, na época, estudantes de 20 anos, e é o filme mais importante que eles viram. Então, é um filme que não fica velho, por razões diferentes, por motivos diferentes. Um, pelo lado mais emocional, o Central do Brasil fala de um sentimento universal, reconhecido no mundo inteiro, que é a solidão humana, a saudade, aquela dor humana de um ser humano, que todo mundo tem em maior ou menor escala, ocupando mais ou menos a vida. Então, ele tem um sentimento universal que tocou a todo mundo.
E o Cidade de Deus é um filmão também. Ele fala de toda essa história, ele é socialmente bem brasileiro. Por isso que muitos filmes brasileiros vão para fora e fazem sucesso, porque a gente tem aqui no Brasil uma pluralidade cultural muito grande. Então, você pega um filme como Cidade de Deus, que é basicamente a história aqui do Rio, aí você pega um filme produzido no Nordeste, você pega um filme produzido em Minas Gerais, como o Marte 1…Enfim, são características sociais, culturais, muito próprias do Brasil.
Então, esses filmes costumam viajar, digamos assim, para fora. Ter feito esses dois filmes foi muito importante, porque é um reconhecimento. Vários filmes estão no streaming, mas esses dois são dois filmes que, onde eu vou, é uma referência de qualidade, sabe?
Giulia Meneses (Oxente Pipoca) Trazendo um pouquinho agora para a última fita, eu queria saber o que te chamou a atenção no curta? E o que te convenceu a produzir o longa? Você mencionou a compreensão dela na linguagem de terror, o que isso traz de diferente no audiovisual brasileiro?
Elisa Tolomelli: Olha, se você vir a minha filmografia, eu não produzo gêneros, eu
produzo histórias. Então, tem comédia, tem drama, tem filme de amor, tem documentário, tem vários filmes de vários gêneros diferentes. E eu nunca fiz um filme de terror. A (Caroline) Adrielle foi minha aluna, e dentro do meu curso, que, aliás, vai até começar outro agora em novembro, para quem se interessar em conhecer essa atividade. Ela foi aluna e, ao final do curso, os alunos apresentam um pitching dos seus projetos para mim.
Ela é muito articulada, ela é muito segura do que quer, apesar de jovem, apesar de pouca experiência na área, ela vendeu o projeto dela muito bem. Como é vender um projeto muito bem? Não é só a sua performance pessoal, é o conhecimento que você tem do filme que você quer fazer. Eu entendi que aquela menina ali sabia o que ela estava fazendo, sabia o que ela queria com aquele longa-metragem. E é um longa-metragem que parte de um curta-metragem. Um curta que já foi para vários festivais nacionais e internacionais de terror, que já ganhou prêmio de Melhor Morte, Melhor Esguicho, Melhor Sangue.
E aí fiquei curiosa e pedi para ela me mandar o curta. E eu adorei, porque ele tem uma pegada de terror, tem uma certa ingenuidade ainda, própria dos curtas-metragens. E eu falei, cara, esse curta hoje dá um longa-metragem. Aí começamos a conversar, e enfim, eu vou, obviamente, dar o suporte para ela escrever o longa-metragem, colocá-la junto com um roteirista mais experiente que possa estruturar a história. E aí eu já botei a minha pitada de humor aqui, porque eu adoro esses filmes de terror exagerados, sabe? Que você acaba sendo meio medo, meio gozado, meio engraçado e tal. Então a gente vai fazer uma pegada meio de terror, mas também com humor.
E foi assim. Porque quem é o produtor? O produtor é um profissional que precisa ir criando durante a sua trajetória, o seu olhar sobre o mundo, o seu olhar sobre os projetos que ele quer fazer. Então, esse afinamento do olhar do produtor é disso que se trata. Você foi ali, tiveram uns 10 ou 12 projetos, e esse me chamou a atenção. Se fosse um outro produtor, poderia não chamar a atenção, chamar de outro projeto. E cada produtor tem uma forma de produzir, e esse me chamou a atenção, porque ele é bem interessante em termos de linguagem, sabe? E eu vou fazer o meu primeiro longa-metragem de terror, que me instiga bastante. Esse filme é um terror slasher. Para ser sincera com você, eu nem sabia que existia uma categoria específica. Para mim, um filme de terror era um filme de terror.

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): A premissa envolve fitas VHS e crimes dos anos 90, numa casa isolada. Como o longa pretende se diferenciar dos outros filmes de found footage e também preservar essa energia do curta ao ampliar ele em uma escala maior?
Elisa Tolomelli: Então, você tem ali... quatro ou cinco personagens, dentro de um curta-metragem que é uma história pequena. Você amplia o desenvolvimento de cada personagem daqueles. Existem muitos filmes feitos em uma casa e alguns personagens. Eu gosto muito de um filme que eu sempre cito, eu gosto muito desse desenho de produção, que é o Deus da Carnificina. São dois casais, quatro pessoas dentro de uma sala. O jantar também, meia dúzia de pessoas dentro de um apartamento. O convite, que acabou de passar agora nos cinemas, mesma coisa. Então, a pegada desse tipo de projeto, que é uma casa e alguns personagens, é você desenvolver cada personagem e a interrelação entre eles.
E também desenvolver melhor o assassino. Quem é esse assassino? Porque no curta você não tem tempo de explorar a psique, a personalidade de cada personagem. Então, isso dá muito assunto, digamos assim. E você ainda acrescentando um pouco mais, pesando um pouco mais a mão no slasher, d pesando um pouco mais a mão no humor, sabe? Vai ficar um filme muito agradável.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): A parceria com a Inova Filmes e o Hub de Soluções Integradas, ela usa ferramentas generativas. Como a IA entra nesse processo sem substituir o trabalho criativo e técnico das equipes, já que estamos em um momento em que se discute muito os limites da IA, principalmente no cinema e na produção cultural?
Elisa Tolomelli: Olha, eu acho que a gente pode discutir os limites da IA, mas ela está aí, sabe? Nesse período, estou começando um novo filme chamado Corpo Presente, que é um filme híbrido. O que é um filme híbrido? É um filme que é filmado e que tem partes do filme feitos em efeitos digitais. Não necessariamente a IA. Você pode usar várias composições, 3D, virtual production… E basicamente esse filme, por exemplo, tem várias composições que você pode fazer em efeitos, sabe? Então eu acho que a IA, ela tem que vir para o cinema para ajudar e não para substituir.
No caso da última fita, também a gente vai ter todas as partes slasher, os espirros, as coisas são efeitos. Então quando você traz para cá, são seis pessoas, a gente vai filmar, a gente tem equipe técnica, a gente tem tudo, mas você pode compor... O que está acontecendo hoje e que você vai ver muito daqui para frente são os filmes híbridos, que usam o cinema com os efeitos visuais. Os efeitos visuais eu não vejo como inimigo, eu vejo como composição, no meu entender.
Então o que é esse hub? O hub é, você ganha um edital, por exemplo, o Corpo
Presente é isso, eles ganharam um edital, eles trazem para nós aqui, e a gente, junto com eles, produz, finaliza e entrega pronto. E a gente tem a parte de produção e tem a parte de finalização e efeitos. Então é um espaço onde você pode fazer todo o longa-metragem ali dentro. Ou só fazer a pós-produção, em casos de filmes que já têm produção, que já foram filmados. Então a última fita vai fazer parte desse hub integrado, que facilita por preço também, você consegue dar preços melhores. E está tudo concentrado dentro de um mesmo espaço físico e financeiro.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Você falou um pouquinho, mas traz para a nossa próxima pergunta. O que esse modelo de hub muda para quem está começando e não tem uma estrutura grande de produção?
Elisa Tolomelli: Traz para cá que a gente produz (risos). É porque existe muita coisa assim que vejo hoje. Tem, por exemplo, muito filme parado porque ganhou um edital de três milhões, dois milhões, e gastou o dinheiro inteiro na produção e não tem dinheiro para acabar. Isso sabe o que é? Falta de planejamento e gestão. Gestão física, gestão financeira e gestão de pessoas. Porque, se você ganha um edital, você tem que fazer o filme para comprar dinheiro. Esse pensamento de que vamos filmar que depois a gente resolve, que depois a gente capta, que depois você pode até conseguir captar, pode até finalizar, Deus ajude que finalize, mas você vai levar mais dois, três anos fazendo isso.
Então, quando você tem o corpo presente, nós estamos justamente fazendo isso agora, vamos reescrever o roteiro para que ele caiba dentro do dinheiro que tem. Entende? Então, nós vamos tirar quase 20 páginas do roteiro, vamos diminuir as locações, vamos escrever um filme que caiba dentro do dinheiro que tem disponível, de entrar na conta esse dinheiro que tem. Vamos reorganizar a história, reorganizar tudo para filmar com isso. Isso é planejamento e gestão.
Então, para vocês que estão começando, prestem atenção nesse item que é fundamental, planejamento e gestão dos seus projetos. Pensar antes, não sair no impulso. O brasileiro é muito assim, vamos fazer um filme. Parou, primeiramente vamos estudar.
Estudar não só pessoalmente, para desenvolver as nossas habilidades todas, que precisamos ter, para ser um produtor, para ser um diretor, para ser um fotógrafo, para ser um astronauta, para ser um médico, todo mundo tem que se capacitar e estudar. Não dá para fazer cinema de qualquer jeito porque tem vontade. Porque a gente vive desse ofício. Ser produtor de cinema é um ofício, como ser um astronauta, como ser um engenheiro, como ser qualquer outra coisa. Você precisa estudar. Então, não é de qualquer jeito, porque você precisa viver do que você faz, você precisa ter planejamento e gestão dos seus projetos.
Mas é uma boa profissão, você consegue viver do seu ofício. Consegue mesmo. Não dá para entender o cinema, nenhum produto audiovisual, que seja um curta-metragem, que seja qualquer produto audiovisual, sem pensar o filme enquanto um produto. Para quem você faz um curta-metragem? Não é só para exercitar. Olha a Adrielle com A Última Fila. Ela fez um curta-metragem, ela tinha um propósito ali, botou nos festivais, conquistou uma produtora. Porque o projeto dela é bem elaborado. Então, o curta-metragem, quando você faz um curta-metragem, você faz um curta-metragem para quê? Qual é o desenho que você vai dar para ele? Isso tudo é pensado, não é?
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Já que a gente entrou nesse tópico, eu queria falar um pouquinho sobre quais os conselhos que você daria a diretores estreantes que que querem trazer esses curtas premiados para ampliar os horizontes, e transformar em um longa? Qual é o caminho? É, quais conselhos você daria a esses diretores?
Elisa Tolomelli: Olha, vou falar uma coisa, nem todo curta-metragem dá um longa, para começar. Existem histórias que são feitas para serem curtas. A partir do momento que você amplia, ela perde a força, ela perde o poder daquela narrativa. Então, a primeira coisa é entender se aquela história tem fôlego para ser uma série ou para ser um longa, ou não. Essa é a primeira providência para você não perder tempo, porque, às vezes, é melhor você criar outra história que caiba dentro de uma série ou de um longa do que insistir com aquele projeto.
Então, essa inteligência de produção, digamos assim, é preciso ter logo. Não pode ir na emoção, sabe? Não pode ir no impulso, porque custa caro, você tem que saber o filme que vai fazer, porque custa caro. Custa caro e custa tempo de dedicação também. E depois, escreva um roteiro, contrate alguém, chame um amigo, enfim, para escrever um roteiro, para começar a entrar nos editais, para você poder fazer uma bíblia do projeto, começar a participar dos mercados.
Vocês, iniciantes, precisam da gente para produzir, e nós precisamos de novas histórias. Então, o conselho, voltando aqui à sua pergunta, é: entenda que filme você vai fazer, faça um material potente de venda, que é um teaser, uma bíblia, tenha um roteiro em mãos e tal, e vá procurar mercado para você conhecer as pessoas e poder ter a chance de apresentar a sua história para eles. Não tem muitos outros caminhos, você precisa fazer com que seu projeto seja conhecido.
Então, primeiro, prepare direito que você vai ter apenas um tiro para dar quando você for para um mercado desse, você vai para vender, então você tem que estar preparado. Como assim? Como a Adrielle estava preparada com o projeto dela, que era uma menina inteligente que estudou, fez dois cursos meus, mas não é isso, não, fez faculdade, estudou, foi procurar saber, fez curso de direção. Você tem que se preparar para poder cair no mercado, não pode sair para o mercado despreparado, sabe, que aí você perde a sua chance e diminui um pouco.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Nesses 40 projetos já produzidos, tem alguma história que você ainda quer produzir?
Elisa Tolomelli: Eu vou produzir um policial agora. E eu quero produzir, chama-se Evidência 7. É um filme baseado em um livro de uma escritora chamada Luciana D'Agnone, brasileira, que é a história de uma detetive-mulher como protagonista. Eu tenho uma história aqui nas minhas produções de filmes, que todos os filmes têm uma protagonista forte feminina. Então, esse filme me encantou, primeiro porque é um policial. Eu já fiz um policial chamado Berenice Procura, que a Cláudia Abreu é protagonista, está na Globoplay, se alguém tiver curiosidade de ver. E agora eu vou fazer um segundo, que ainda não tenho atriz principal.
Então, é um outro gênero que eu gosto muito, sabe? Então, agora eu vou fazer um terror, vou fazer um policial, e agora, antes dos dois, eu filmo em maio outro filme chamado Corpo Presente, que aí já é um drama familiar e tal. Ainda não tem elenco, porque estamos justamente fazendo essa readaptação do roteiro para caber dentro do dinheiro, e isso mexe bastante na estrutura do projeto.
Então, eu preciso ter o próximo roteiro, por quê? Quando eu ligar para os atores, os protagonistas serão um personagem masculino e outro feminino. Quando eu ligar para falar do filme, que eles já conhecem, já sabem do filme, mas eles vão perguntar cadê o roteiro. Então, estamos nesse processo, acho que até agora, final de novembro, a gente termina essa versão, aí eu vou começar a fechar. Porque fechar elenco é complicado, você tem datas, está todo mundo ocupado, então tem que calhar as nossas datas com as datas deles.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): E para finalizar, temos uma tradição aqui no Oxente Pipoca. Sempre pedimos para os nossos convidados indicarem três séries ou três filmes brasileiros.
Elisa Tolomelli: Olha, tem uma série que eu gosto muito, que é o Cangaço Novo. Principalmente da primeira temporada. Gosto bastante, acho que é uma série bem genuína, com uma pegada, com uma produção muito bem feita. Tem um outro filme que eu gosto muito, que acho que todo mundo já deve ter visto, mas eu vou falar dele, que é o Ainda Estou Aqui. Muitas vezes, quando estou dando aula, eu falo sobre cinema e business. Muitas vezes interpretam que eu estou falando de filmes comerciais. E eu digo que esse filme é um exemplo, o filme do Kleber é outro exemplo, O Agente Secreto. Um fala de ditadura, é um filme autoral, que foi lá e ganhou o Oscar. Então, o filme levou oito anos para ser feito. Ele teve ali um planejamento de produção muito grande, muito cuidadoso.
Então, quando eu falo de planejamento de gestão, eu gosto de citar esse filme, que é um filme autoral, que não é um filme popular, não é uma comédia. É um filme autoral de um tema sério e que fez o seu caminho de ganhar o prêmio que todo mundo quer ganhar, que é o Oscar. Então, esse filme é bom de ver por conta dessa característica.
E um outro filme brasileiro, em contraponto é o Minha Melhor Amiga. Que é um filme que une cinema, criatividade e negócios, mais popular, e que junto com o Ainda Estou Aqui, apesar de serem contraídos de diferentes maneiras, foram formados como negócio. Então nesses dois filmes mais o Cangaço Novo, acho que para quem tá começando, são um bom estudo de gêneros e aumenta o repertório para discutir três estilos de produções de sucesso completamente diferentes.












