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Lista | Os melhores filmes vistos na 50ª Mostra de SP

Vinicius Oliveira

01 de nov de 2026 · 6 min de leitura

Os destaques do cinema brasileiro e estrangeiro para ficar de olho.


Divulgação


A 50ª edição da Mostra de SP chegou ao fim. Depois de duas semanas intensas, com cerca de 35 filmes vistos, diversas entrevistas com artistas nacionais e internacionais e ainda a cobertura do 6º Encontro de Ideias, o saldo final é mais do que positivo, e a certeza de que alguns dos melhores filmes do ano foram vistos durante o festival. Diante disso, montar um top 10 não foi uma tarefa fácil, mas finalmente cheguei a um ranking final, que vocês poderão acompanhar abaixo:

 

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10) Privadas de Suas Vidas

“(...) Aí reside a beleza de Privadas de Suas Vidas (se é que posso usar essa palavra para esse filme): ele não tem medo de assumir esse ridículo e se comprometer com ele até o fim. É um filme que consegue se levar a sério ao ponto de nos fazer investir no conflito delineado ao longo da trama, à medida que as privadas se tornam cada vez mais mortíferas, mas nunca se leva a sério demais para que pareça envergonhado de contar uma história tão absurda – como se vê em muitos filmes por aí que lidam com os elementos do cinema de gênero de maneira autoconsciente.”


Crítica completa aqui:


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9) Se Eu Fosse Vivo... Vivia

“Se Eu Fosse Vivo... Vivia busca equilibrar a simplicidade e doçura do cotidiano com questões mais complexas e que não possuem fácil resposta. Vida, amor, memória, negritude... são temas já presentes em outros filmes de André Novais e da Filmes de Plástico, mas que aqui são trabalhados por outras perspectivas pelo diretor. Estes novos ares são bem-vindos, e talvez ganhem o apreço que merecem em futuras revisitas, mas nesta primeira incursão o que fica comigo é aquilo que ele já sabe trabalhar com maestria: o ordinário e a sensibilidade e afeto presentes nele.”


Crítica completa aqui:

 

Divulgação


8) Tigre de Papel

“James Gray nunca escondeu sua paixão pelo cinema clássico e de autores da Nova Hollywood como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, mas seus filmes, longe de parecerem meras cópias desses autores, constituíram-se eles próprios partes de uma filmografia por si só muito autoral. Honrando os códigos do cinema clássico, o qual na maioria das vezes priorizava a transparência – ou seja, o emprego da forma fílmica de modo que esta não se “denunciasse” ou fizesse o espectador tomar consciência dela, por mais bem elaborada que fosse – Gray filma planos como um mestre no auge do seu ofício. São instantes à primeira vista simples: personagens mergulhados em sombras que evidenciam suas complexidades morais; dispostos por um salão num trabalho primoroso de blocagem; uma câmera subjetiva em meio a um matagal; ou um plano final onde todos os elementos reunidos em cena comunicam um personagem que olha ao mesmo tempo para seu futuro e aquilo que perdeu. Mas o diretor faz parecer fácil aquilo que, por intermédio da mise-en-scène, está constantemente nos dizendo algo, além de, em conjunto com a fotografia do seu velho parceiro Joaquín Baca-Asay, imprimir uma sensação tátil a este universo, povoado de ambientações e cores decadentes.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


7) Primetime

“O uso de variadas lentes, paletas de cores e telas permite que [Lance] Oppenheim transforme o que poderia ser um drama biográfico qualquer num thriller psicológico e estudo de personagem aterrador – e sem respostas fáceis. A proposta estética trabalhada por ele junto ao diretor de fotografia, David Bolen, faz do filme um verdadeiro caleidoscópio, onde o tom opaco das cores confere um aspecto quase onírico (ou de pesadelo), como nas cenas em que Hansen confronta os predadores, com uma textura quase tátil oriunda do trabalho com a digitalização em 16mm. As variações de cores permitem ao público mergulhar na psique destes personagens, como quando o protagonista é diretamente confrontado por um dos seus predadores e seu rosto é mergulhado em sombras – num breve instante de hesitação e medo – antes de ser banhado em luz – para indicar sua retomada de controle.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


6) I Love Boosters

“I Love Boosters dá um passo além em termos de ambição e absurdismo em relação às produções anteriores de Boots Riley, mas mesmo que essa ambição por vezes resvale em alguns tropeços menores, é um filme para atestar a consistência do diretor e, mais do que tudo, seu inegável compromisso político. Que ele consiga fazer um filme como esse dentro do sistema de estúdio de Hollywood é quase um milagre, mas que bom que é possível. Fica aí a lição para outros diretores que, na tentativa de fazerem suas sátiras cínicas e “espertas” sobre o mundo contemporâneo, ainda estão bem de longe de alcançarem o que Riley é capaz de fazer e dizer em seu cinema.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


5) Chicas Tristes

“Chicas Tristes pode honrar seu título em alguns momentos, mas Fernanda Tovar também direciona seu olhar para as múltiplas alegrias de uma amizade, neste caso específico a feminina, e a força e o porto seguro que emerge de uma relação que, mesmo entre altos e baixos, é pautada por uma sensibilidade e afeto que são universais. Mesmo com o caráter relativamente ambíguo do final, o que fica é a certeza da potência dessa amizade e a riqueza destas duas meninas, o que faz deste um dos melhores coming-of-age dos últimos tempos.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


4) Dragões

“O grande mérito de Dragões está em nos mostrar não só a construção do mito, mas como ele continua a ser retroalimentado mesmo com sua ausência de cena, agora que se encontra preso. Isso se dá antes de tudo no aprendizado com a nossa história, como na criação dos Dragões da Independência (que dão nome ao filme) a partir do mito de que os militares estiveram presentes no grito da independência, ou na icônica foto oficial de Vargas que permaneceu associada a ele mesmo após sua morte. Mas é ao escolher mostrar os vídeos de bolsonaristas – na mesma qualidade pixelada dos vídeos de seu ídolo – e sobretudo ao trazer a tentativa de golpe do 8 de janeiro como clímax do filme que vemos o quão longe estamos de superar todas as feridas deixadas pelo bolsonarismo.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


3) Pequenas Tragédias

“Guiado pela narração melancólica e por vezes sarcástica de Geovaldo Souza (fazendo o próprio [Daniel] Nolasco), o filme está a todo instante exercendo sua autoconsciência quanto ao próprio dispositivo ficcional com o que trabalha, e faz disso um dos seus grandes méritos. Mais do que isso, o diretor emprega seu olhar como uma forma de controle sobre estas narrativas, como evidente nas partes em que são retratadas as figuras homofóbicas que conheceu ao longo da vida em Catalão – figuras essas interpretadas por homens gays, filmados com desejo e tesão pela câmera, conforme esta passeia pelos seus corpos, pênis eretos ou pela pegação entre eles. Nolasco, portanto, contradiz as normas desse desejo, explorando esses corpos não apenas como uma brincadeira levada, mas também para retomar o controle que ele e muitos outros homens gays jamais tiveram perante os ataques homofóbicos que sofreram.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


2) O Sentido da Vida

“O filme nunca deixa de ser interessante porque [Ryusuke] Hamaguchi entende que seu maior trunfo não está nas respostas que oferece, mas nas perguntas que seus personagens fazem. Em vez de transformar a discussão sobre envelhecimento, morte e capitalismo em algo puramente pessimista, ele encontra espaço para falar sobre amizade, compaixão e a capacidade que temos de cuidar uns dos outros. O mais bonito de All of a Sudden [O Sentido da Vida] é que, depois de quase três horas e vinte minutos, o filme não termina com uma grande conclusão sobre como consertar a sociedade. Ele termina com a ideia de que talvez ainda exista esperança enquanto continuarmos cuidando uns dos outros.


Confira a crítica completa de Gabriel Sousa aqui:


 Divulgação


1)   Tudo Pode Ser Visto

“Emergindo como uma obra surpresa neste ano e rapidamente se tornando um dos marcos culturais de 2026, Tudo Pode Ser Visto pode não surpreender quem já tem um repertório do docudrama, mas isso em nada mina o impacto de mergulhar nessa experimentação fílmica de Nathan Fielder e Lance Oppenheim. Se ao final do filme parecemos saber menos sobre Elizabeth Holmes e Billy Evans do que quando começamos, de certa forma parece ser esse o objetivo dos diretores: brincar com as noções de verdade num mundo onde mais importa a narrativa, e brincar com as formas do documentário e da ficção para nos dar a possibilidade de estabelecermos nossa própria verdade. Se por vezes a expressão “já nasceu clássico” é usada levianamente para filmes que não a merecem, definitivamente não é o caso aqui, já que estamos diante de uma das experiências mais insanas e distintas do cinema recente.”


Confira a crítica completa aqui:

 

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Divulgação


10) Privadas de Suas Vidas

“(...) Aí reside a beleza de Privadas de Suas Vidas (se é que posso usar essa palavra para esse filme): ele não tem medo de assumir esse ridículo e se comprometer com ele até o fim. É um filme que consegue se levar a sério ao ponto de nos fazer investir no conflito delineado ao longo da trama, à medida que as privadas se tornam cada vez mais mortíferas, mas nunca se leva a sério demais para que pareça envergonhado de contar uma história tão absurda – como se vê em muitos filmes por aí que lidam com os elementos do cinema de gênero de maneira autoconsciente.”


Crítica completa aqui:


Divulgação


9) Se Eu Fosse Vivo... Vivia

“Se Eu Fosse Vivo... Vivia busca equilibrar a simplicidade e doçura do cotidiano com questões mais complexas e que não possuem fácil resposta. Vida, amor, memória, negritude... são temas já presentes em outros filmes de André Novais e da Filmes de Plástico, mas que aqui são trabalhados por outras perspectivas pelo diretor. Estes novos ares são bem-vindos, e talvez ganhem o apreço que merecem em futuras revisitas, mas nesta primeira incursão o que fica comigo é aquilo que ele já sabe trabalhar com maestria: o ordinário e a sensibilidade e afeto presentes nele.”


Crítica completa aqui:

 

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8) Tigre de Papel

“James Gray nunca escondeu sua paixão pelo cinema clássico e de autores da Nova Hollywood como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, mas seus filmes, longe de parecerem meras cópias desses autores, constituíram-se eles próprios partes de uma filmografia por si só muito autoral. Honrando os códigos do cinema clássico, o qual na maioria das vezes priorizava a transparência – ou seja, o emprego da forma fílmica de modo que esta não se “denunciasse” ou fizesse o espectador tomar consciência dela, por mais bem elaborada que fosse – Gray filma planos como um mestre no auge do seu ofício. São instantes à primeira vista simples: personagens mergulhados em sombras que evidenciam suas complexidades morais; dispostos por um salão num trabalho primoroso de blocagem; uma câmera subjetiva em meio a um matagal; ou um plano final onde todos os elementos reunidos em cena comunicam um personagem que olha ao mesmo tempo para seu futuro e aquilo que perdeu. Mas o diretor faz parecer fácil aquilo que, por intermédio da mise-en-scène, está constantemente nos dizendo algo, além de, em conjunto com a fotografia do seu velho parceiro Joaquín Baca-Asay, imprimir uma sensação tátil a este universo, povoado de ambientações e cores decadentes.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


7) Primetime

“O uso de variadas lentes, paletas de cores e telas permite que [Lance] Oppenheim transforme o que poderia ser um drama biográfico qualquer num thriller psicológico e estudo de personagem aterrador – e sem respostas fáceis. A proposta estética trabalhada por ele junto ao diretor de fotografia, David Bolen, faz do filme um verdadeiro caleidoscópio, onde o tom opaco das cores confere um aspecto quase onírico (ou de pesadelo), como nas cenas em que Hansen confronta os predadores, com uma textura quase tátil oriunda do trabalho com a digitalização em 16mm. As variações de cores permitem ao público mergulhar na psique destes personagens, como quando o protagonista é diretamente confrontado por um dos seus predadores e seu rosto é mergulhado em sombras – num breve instante de hesitação e medo – antes de ser banhado em luz – para indicar sua retomada de controle.”


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6) I Love Boosters

“I Love Boosters dá um passo além em termos de ambição e absurdismo em relação às produções anteriores de Boots Riley, mas mesmo que essa ambição por vezes resvale em alguns tropeços menores, é um filme para atestar a consistência do diretor e, mais do que tudo, seu inegável compromisso político. Que ele consiga fazer um filme como esse dentro do sistema de estúdio de Hollywood é quase um milagre, mas que bom que é possível. Fica aí a lição para outros diretores que, na tentativa de fazerem suas sátiras cínicas e “espertas” sobre o mundo contemporâneo, ainda estão bem de longe de alcançarem o que Riley é capaz de fazer e dizer em seu cinema.”


Crítica completa aqui:


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5) Chicas Tristes

“Chicas Tristes pode honrar seu título em alguns momentos, mas Fernanda Tovar também direciona seu olhar para as múltiplas alegrias de uma amizade, neste caso específico a feminina, e a força e o porto seguro que emerge de uma relação que, mesmo entre altos e baixos, é pautada por uma sensibilidade e afeto que são universais. Mesmo com o caráter relativamente ambíguo do final, o que fica é a certeza da potência dessa amizade e a riqueza destas duas meninas, o que faz deste um dos melhores coming-of-age dos últimos tempos.”


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“O grande mérito de Dragões está em nos mostrar não só a construção do mito, mas como ele continua a ser retroalimentado mesmo com sua ausência de cena, agora que se encontra preso. Isso se dá antes de tudo no aprendizado com a nossa história, como na criação dos Dragões da Independência (que dão nome ao filme) a partir do mito de que os militares estiveram presentes no grito da independência, ou na icônica foto oficial de Vargas que permaneceu associada a ele mesmo após sua morte. Mas é ao escolher mostrar os vídeos de bolsonaristas – na mesma qualidade pixelada dos vídeos de seu ídolo – e sobretudo ao trazer a tentativa de golpe do 8 de janeiro como clímax do filme que vemos o quão longe estamos de superar todas as feridas deixadas pelo bolsonarismo.”


Crítica completa aqui:


 Divulgação


3) Pequenas Tragédias

“Guiado pela narração melancólica e por vezes sarcástica de Geovaldo Souza (fazendo o próprio [Daniel] Nolasco), o filme está a todo instante exercendo sua autoconsciência quanto ao próprio dispositivo ficcional com o que trabalha, e faz disso um dos seus grandes méritos. Mais do que isso, o diretor emprega seu olhar como uma forma de controle sobre estas narrativas, como evidente nas partes em que são retratadas as figuras homofóbicas que conheceu ao longo da vida em Catalão – figuras essas interpretadas por homens gays, filmados com desejo e tesão pela câmera, conforme esta passeia pelos seus corpos, pênis eretos ou pela pegação entre eles. Nolasco, portanto, contradiz as normas desse desejo, explorando esses corpos não apenas como uma brincadeira levada, mas também para retomar o controle que ele e muitos outros homens gays jamais tiveram perante os ataques homofóbicos que sofreram.”


Crítica completa aqui:


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2) O Sentido da Vida

“O filme nunca deixa de ser interessante porque [Ryusuke] Hamaguchi entende que seu maior trunfo não está nas respostas que oferece, mas nas perguntas que seus personagens fazem. Em vez de transformar a discussão sobre envelhecimento, morte e capitalismo em algo puramente pessimista, ele encontra espaço para falar sobre amizade, compaixão e a capacidade que temos de cuidar uns dos outros. O mais bonito de All of a Sudden [O Sentido da Vida] é que, depois de quase três horas e vinte minutos, o filme não termina com uma grande conclusão sobre como consertar a sociedade. Ele termina com a ideia de que talvez ainda exista esperança enquanto continuarmos cuidando uns dos outros.


Confira a crítica completa de Gabriel Sousa aqui:


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1)   Tudo Pode Ser Visto

“Emergindo como uma obra surpresa neste ano e rapidamente se tornando um dos marcos culturais de 2026, Tudo Pode Ser Visto pode não surpreender quem já tem um repertório do docudrama, mas isso em nada mina o impacto de mergulhar nessa experimentação fílmica de Nathan Fielder e Lance Oppenheim. Se ao final do filme parecemos saber menos sobre Elizabeth Holmes e Billy Evans do que quando começamos, de certa forma parece ser esse o objetivo dos diretores: brincar com as noções de verdade num mundo onde mais importa a narrativa, e brincar com as formas do documentário e da ficção para nos dar a possibilidade de estabelecermos nossa própria verdade. Se por vezes a expressão “já nasceu clássico” é usada levianamente para filmes que não a merecem, definitivamente não é o caso aqui, já que estamos diante de uma das experiências mais insanas e distintas do cinema recente.”


Confira a crítica completa aqui:

 

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