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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"
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- Crítica | O Convento
parece esvaziar qualquer tensão sobre o final da obra (até porque, ao ser repetida ao final, ela se mostra na protagonista diante do fanatismo do convento, mas infelizmente o filme faz pouco por ela para que mostre continuar como se essa cena não existisse — e já não soubéssemos que há algo de muito errado no convento — mostra
- Crítica | Maestro
e Cooper, na direção Foto: Divulgação Quando Nasce uma Estrela (2018), filme bastante aclamado pela crítica Ninguém menos que Steven Spielberg (que, depois de dirigir Amor, Sublime Amor (2021), musical de composição Não sabemos quem ela é além desse casal – que mais parece uma dupla de parceria, uma vez que ela se mostra
- Crítica | The Infinite Husk (SXSW 2025)
De toda forma, a crítica ao materialismo, ao consumismo, e frustração com a inconveniente efemeridade
- Crítica | Em Vez de Árvores (Olhar de Cinema 2025)
Divulgação Coprodução entre Argentina e Alemanha, Em Vez de Árvores traz o crítico argentino Roger Koza Apesar do seu trabalho como crítico de Roger indicar a possibilidade de uma maior exploração do cinema
- Crítica | Biônicos
Afonso Poyart entrega resultado coeso mesmo com inconsistências no roteiro Foto: Netflix/ Divulgação O ano é 2035 e conhecemos a história de Maria (Jessica Córes) que treinou durante anos para ser a próxima grande atleta de atletismo e seguir os passos de sua mãe, um dos maiores nomes do esporte. No entanto, tudo isso mudou com o surgimento de membros biônicos que são infinitamente superiores que carne e osso. Assim, quando sua irmã Gabi (Gabz) ganha um membro biônico e se torna uma atleta superestrela, Maria passa a viver à sua sombra. Em paralelo a isso, o misterioso e muitas vezes ameaçador Heitor (Bruno Gagliasso) participa de um roubo de diamantes, servindo como motorista de fuga, que ajudará a financiar suas aspirações de remodelar o mundo. Desde seu longa de estreia, 2 Coelhos (2012), o diretor Afonso Poyart deixa bem claro duas coisas em seus filmes: ele tem referências e ele é publicitário. Cineastas com experiência em videoclipes e/ou mercado publicitário são os melhores em criar momentos e cenas-chave para longas-metragens, Poyart, tendo trabalhado em ambas as áreas, é um artista de mão cheia. Neill Blomkamp, Robert Rodriguez e Zack Snyder são alguns dos nomes cuja produção parece ter sido inspirada direta ou indiretamente, mas o produto tem bastante identidade e procura não se escorar em quaisquer produções para além do referencial. Não faltam em Biônicos grandes e bonitas cenas de ação, com um visual irretocável e bem desenvolvidas em suas individualidades, o problema está no que liga essas cenas. O roteiro é tão autoconfiante que passa por cima de alguns detalhes de causas sem se preocupar se esses furos irão comprometer o resultado, e entrega que as excessivas explicações iniciais da narração servem para provar um domínio da narrativa, mas na verdade disfarçam várias instabilidades nas motivações e no “como” os personagens fazem o que fazem em determinadas situações. Foto: Netflix/ Divulgação De início me preocupei com a casualidade dos futurismos quanto estética e quanto a funcionalidade das ferramentas utilizadas. Parece que, por exemplo, para algumas coisas é justificável ter um dispositivo novo e bem desenvolvido que resolva aquela demanda e para outras usa-se a antiga tecnologia de dez anos atrás (atualmente no caso), porém no decorrer dos desdobramentos me peguei vendo que os neons e as dispersões de luz estavam na prática sutilmente aplicados (quanto à plástica); e que por se tratar de um futuro não tão distante, muitas coisas continuarão sim como estão hoje, afinal, quando olha-se para como os filmes dos ano 80 imaginavam os anos 2000 é de fazer pena tamanho o otimismo. O elenco contribui muito para o bom desempenho do filme. A sintonia entre Jessica Córes, Gabz e Christian Malheiros funciona bem na frente das câmeras e os ajudam a conseguirem excelentes desempenhos entre si e individualmente. Destaque também para Bruno Gagliasso que, por mais que tenha um personagem que merecesse mais tempo de tela e desenvolvimento, se sai com bastante competência nas várias facetas exigidas. Biônicos acaba por ser um ótimo exercício brasileiro para o gênero. Afonso Poyart prova mais uma vez sua habilidade no compasso da execução de uma grande obra, fica faltando, no entanto, um roteiro tão esperto e refinado quanto sua direção para que se alcance um melhor funcionamento do trabalho. Nota: 3/5
- Crítica | Resistência
Visual caprichado e tema moderninho não salvam o filme do marasmo Foto: divulgação Num futuro não tão distante onde os humanos desenvolveram a Inteligência Artificial a ponto de interação direta e física com as pessoas, uma explosão nuclear causada por IA atinge os Estados Unidos. Isso faz com que o país lidere todo o Ocidente numa guerra contra os seres cibernéticos e consequentemente contra Oriente (aqui representado por uma nação chamada Nova Ásia) que defendem o uso harmônico das tecnologias com livre arbítrio. O protagonista Joshua (John David Washington) vive na Nova Ásia como agente infiltrado dos EUA e tem como missão capturar O Criador, a pessoa por trás do constante aprimoramento de IA. O diretor Gareth Edwards tem muitas referenciais no visual e na narrativa e deixa-as bem claro logo de início (até mesmo durante o processo de produção ele chegou a citar quais filmes e diretores o inspiravam). Então tem sim Apocalypse Now, tem Star Wars, tem Blade Runner e têm muitas outras ideias que são geniais em suas particularidades, mas que fragmentadas e juntas umas com as outras ficam sem qualquer personalidade. Por mais que a produção se solidifique em cima de um roteiro original, é uma história simplista de guerra homem versus robôs (se é que ainda usam esse termo) já feita diversas outras vezes com as mais diferentes roupagens e com as mais variadas alegorias sociais por trás. E o visual não é o problema aqui, pelo contrário, é o que sustenta o filme até nos momentos mais chatos (e são muitos). Os efeitos visuais são bem resolvidos, especialmente o design de personagens, e não deixam a desejar no macro e no micro como tem acontecido bastante com outras grandes produções hollywoodianas. A representação da Nova Ásia é uma Tailândia ao mesmo tempo rural e futurística que conversa muito bem com as necessidades do texto de mostrar o inimigo dos EUA como uma nação super tecnológica a ponto de criar armas e torná-los uma ameaça iminente, mas ainda assim pastoril e limitada. Destaque também para o trabalho dos diretores de fotografia que conseguiram operar muito bem em baixa saturação e com pouca luminosidade sem limitar o alcance visual e sem comprometer formas e detalhes. Mas nem em seu melhor o longa consegue ser marcante. Nem mesmo a trilha sonora de Hans Zimmer resiste ao rolar dos créditos finais. Foto: divulgação O problema maior está no roteiro que não desenvolve em suas demoradas duas horas de duração. O enredo tenta a todo custo dar camadas de profundidade nas relações pessoais do protagonista e nas relações humanos-máquinas e acaba por desperdiçar energia demais onde não requer tanta atenção e deixa a desejar na dinamicidade e na cadência da narrativa. As maiores reviravoltas são previsíveis e não conseguem criar os grandes momentos precisos para empolgar e prender a atenção do espectador. Por mais que a pauta IA seja bem contemporânea e o futuro em que o filme se desdobra seja só daqui a 40 anos, o resultado já parece velho e repetido, e bem cansado. Nota: 2,5/5
- Crítica | Nostalgia
Os perigos da romantização do passado Foto: divulgação “Nostalgia. É delicada, mas potente”, disse o personagem Don Draper em um episódio de Mad Men. A essas características o diretor italiano Mario Martone acrescenta sua própria interpretação da nostalgia: ela também pode ser enganadora e perigosa. O passado de fato existe, afinal de contas? E somos capazes de acessá-lo em sua plenitude sem cair nas armadilhas de uma memória que pode vir a romantizá-lo e aparar suas arestas? Em Nostalgia, conhecemos nosso protagonista (vivido por Pierfrancesco Favino) em seu voo para Nápoles, e então o acompanhamos pelas ruas da cidade. Pouco sabemos sobre ele e quase nada é dito nos minutos iniciais, de modo que cabe ao poder das imagens e da atuação nuançada de Favino para entendermos os sentimentos conflitantes que borbulham nesse homem, indicando que talvez faça muito tempo desde a última vez em que ele esteve na cidade. É só quando ele reencontra sua adoentada mãe Teresa (Aurora Quattrocchi) que o filme aos poucos se abre para explanar suas intenções acerca do retorno do protagonista à cidade. Logo aprendemos que ele, chamado Felisce, não voltou à Nápoles apenas para cuidar da mãe em seus últimos dias, mas para se reconectar com o passado e até prestar contas onde é devido. Através de um filtro que emula as câmeras Super 8, vemos a versão jovem do protagonista em suas aventuras impetuosas ao lado do melhor amigo Oreste. No presente, porém, Oreste (Tommaso Ragno) é um perigoso chefe local da Camorra, a máfia napolitana, cujo maior nêmesis é o padre Luigi (Francesco Di Leva), e a aproximação deste com Felisce coloca o protagonista num dilema moral. Assim, o que poderia ser o comovente drama de um filho e sua mãe aos poucos se aproxima de um thriller criminal, onde Martone evoca a todo instante a paranoia, através das figuras que constantemente olham para Felisce de suas janelas, terraços ou ruas, que nos fazem ver que ele não é desejado ali, mesmo que sinta dentro de si o desejo pela cidade que não via há tanto tempo. Porém, o diretor se distancia de outras obras que abordem o submundo do crime napolitano para filtrar tal universo através desse olhar íntimo (e ingênuo) do personagem, e a capacidade de Favino de expressar um sentimento tão difícil de ser traduzido quanto a nostalgia — e o preço que paga por ela — é a grande arma secreta do filme. Foto: divulgação Outro acerto é a performance de Di Leva, que injeta uma força e astúcia notáveis em seu personagem, conforme ele passa a usar Felisce como uma forma de derrubar Oreste, sem, no entanto, perdermos de vista a sua humanidade. Infelizmente, Ragno não dispõe do mesmo espaço que os outros dois; mesmo conferindo uma latitude dramática ao seu personagem, a forma como o filme o trabalha o faz parecer mais um conceito (como um espelho distorcido de Felisce) do que um ser humano palpável. Essa subutilização de Oreste — bem como um final que parece telegrafado à distância, mesmo que isso não nos prive de uma tensão sufocante no terceiro ato — minam um pouco da força de Nostalgia, mas não desqualificam o filme, que oferece um olhar corajoso e diferenciado não apenas para o tema e a cidade que retrata. Nas mãos de Martone e, sobretudo, na escalação de Favino e Di Leva (e também de Quattrochi, que entrega muito em tão pouco tempo), o filme eficazmente se ancora para nos deixar claro que nem sempre é benéfico se deixar seduzir pelo passado. Nota: 4/5
- Crítica | Tinnitus
O som em primeiro plano – ou quase. Foto: Divulgação Audiovisual é uma palavra simples, composta pela justaposição de dois radicais bem comuns no nosso vocabulário. Ainda assim, quando falamos de obra audiovisual, tendemos a menosprezar a importância da primeira parte do vocábulo, nos atentando ao visual da coisa. Ao contrário daquele take perfeitamente iluminado que dá vontade de emoldurar, o áudio tende a passar despercebido para o espectador comum. Não é bem culpa nossa, da audiência. Nos tradicionais cursos de cinema somos ensinados que os melhores áudios diegéticos (que difere da trilha sonora) são aqueles “invisíveis”, isto é, que não se fazem perceber. São parte da obra, contribuem para a narrativa, mas não se sobressaltam e, em geral, nem devem se sobressaltar. Em geral. Seja por motivos metalinguísticos ou pela própria proposta narrativa, alguns filmes quebram essa “regra”, colocando efeitos sonoros em destaque e evidenciando o sentido auditivo do espectador. Pode oferecer um estranhamento inicial, mas costuma ser uma experiência encantadora. É o caso, por exemplo, dos filmes Cantando na Chuva (1952), Os Pássaros (1963), Um Lugar Silencioso (2018) e O Som do Silêncio (2019). Tinnitus, dirigido por Gregorio Graziosi e premiado no Festival de Gramado, é o mais novo acréscimo a esta lista. Marina (Joana de Verona), promissora atleta de saltos ornamentais, sofre da doença que dá nome ao título do longa. Ela possui uma hipersensibilidade auditiva que ocasiona um zumbido, como se houvesse um “grilo”, como a mesma descreve, em seu canal auditivo. O excelente trabalho de som e mixagem, assinados por David Boulter e Fábio Baldo, nos coloca dentro da cabeça de Marina, compartilhando seu tormento. O grave é amplificado, as variações sonoras, distorcidas, e o chiado é constante. Tinnitus é, antes de tudo, um drama sensorial com pitadas de thriller. Foto: Divulgação A aflição e agonia incessante prejudicam a carreira de Marina, a afastando dos trampolins – mas não das piscinas: anos depois de um acidente em plenas Olimpíadas do Rio, Marina está trabalhando como sereia num aquário. Além disso, visita um grupo de apoio para os que sofrem da mesma condição que ela, coordenado pelo seu marido e otorrinolaringologista (André Guerreiro Lopes), que não consegue bem definir as fronteiras entre consultório e lar. A doença – e, por consequência, a vida – estão administradas. Até que o esporte volta, pouco a pouco, à vida de Marina, que se deixa levar. Ela retoma contato com sua técnica, suas visitas ao centro esportivo se tornam frequentes, e, eventualmente, conhece Teresa, que ocupa seu lugar na dupla que antes fazia com Luísa. A protagonista, então, se vê presa num emaranhado de tensões – seja a rivalidade no esporte, seja as mentiras que deve contar para continuar sendo boa esposa/paciente, seja os jogos de desejo e sexualidade, seja sua própria vontade de voltar aos saltos. Tudo isso emoldurado pela caótica e barulhenta São Paulo, que, como sua arquitetura linear e rígida, distintamente capturada por Rui Pocas, abarcam o senso de solidão e melancolia da personagem. Não sei se, a essa altura, já havia me acostumado com o incômodo auditivo ou ele esse aspecto voltou ao segundo plano, mas certamente esqueci dele. Uma pena, porque o diferencial do longa é justamente a perturbação causada pela doença (na personagem e em nós) – e esta se perde no meio da história para dar lugar a tantas subtramas que, infelizmente, não nos cativam. Parecem incompletas ou súbitas, se não preguiçosas. Entendo a tentativa dos roteiristas Marco Dutra e Andres Vera, além do próprio Graziosi, de construir um mistério que nos leve até o (por sinal, ótimo) desfecho final, mas, na prática, funciona mais como uma dispersão que só leva a nos perguntarmos quanto tempo ainda falta. Tinnitus é um filme com uma excelente premissa, uma ótima execução e uma fraca dramaturgia. Na balança, é uma experiência válida, especialmente para quem tem a oportunidade de assistir numa sala de cinema e brincar com a alteridade única que o filme trás. Nota: 3/5
- Crítica | EO
Fábula contemporânea experimenta, investiga e coloca à prova a natureza humana. Foto: Divulgação O acanhado burro Eo vive num circo polonês onde é treinado para atuar como parte de um número, até que inesperadamente ele se vê separado de Kasandra (Sandra Drzymalska), sua carinhosa e gentil treinadora. Com a doce lembrança da rara bondade humana gravada em sua mente, o espírito humilde do animal vagueia pelo vasto campo em uma grande missão cheia de perigos para tentar se reunir com sua única amiga. E enquanto o inocente Eo observa o mundo natural com seus grandes olhos, ele cruza com vários humanos que responderão de formas variadas à presença do animal. Mesmo tendo o leste europeu como plano de fundo o filme consegue ter a universalidade aplicável que toda fábula tem. Inclusive categorizar esse longa como fábula já implica o uso de muitas ferramentas narrativas do gênero literário como artifícios cinematográficos, e o brilhante Jerzy Skolimowski deu uma aula de tradução intersemiótica na direção. Mas ele não se limita a moldar o filme nessas estruturas, ele usa como ferramenta de métodos, porém dentro do seu próprio estilo de condução. E, assim como toda construção metafórica por trás das fábulas, esse filme se trata do ser humano. Por mais que o protagonista seja o simpático animal, seus marejados e profundos olhos são o espelho do comportamento humano nas mais diversas e adversas situações. O dinâmico jogo de câmera aplicado à atenta fotografia de Michal Dymek testa e brinca com diversos pontos de vista, iluminações e arranjos para dar uma silenciosa voz para o burro em relação ao mundo que o cerca e vice-versa. Foto: Divulgação O roteiro, escrito por Skolimowski em parceira com sua esposa Ewa Piaskowska, é inesperado e isso torna a jornada do herói-animal cada vez mais surpreendente e cativante. Os claros vieses ambientalista e naturalista do texto não soam forçados ou hipócritas, e permeiam cada contato entre homens e o animal. Mas é interessante ver também que o determinismo vilanesco do homem se equilibra com uma esperançosa positividade de que o mesmo ser que causa todos os males presentes no planeta Terra pode ser aquele que vai sanar grande parte dos problemas. O argumento também não fornece qualquer tipo de fala, dublagem ou narração sobre os pensamentos do burro, mas a direção de Skolimowski é tão assertiva e expressiva que conseguimos extrair palavra a palavra todo o texto previsto pelo roteiro na antropomorfização do protagonista. A maneira curiosa, experimental e ainda assim linear e bem amarrada com que o diretor – com seus mais de 80 anos – filma é atraente, empolgante e gratificante. Nota: 5/5
- Crítica | Nintendo e Eu
Um coming-of-age repleto de ótimas ideias, mas que falha consideravelmente ao tentar desenvolvê-la Foto: Divulgação Histórias que retratam o amadurecimento vivido entre o fim da infância e a adolescência, os tão queridos coming-of-age, são bem comuns no cinema e em geral fazem bastante sucesso com o público. Repleto de clássicos dos anos 1980 como Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco à ótimas produções mais recentes, como é o caso de Superbad e Fora de Série, geralmente esses filmes são populares tanto por gerarem uma identificação como por provocarem um forte sentimento de nostalgia. Quando vi o título Nintendo e eu a pontinha de nostalgia já se acendeu e a expectativa era de encontrar um filme que, no mínimo, me remetesse a esse sentimento e eu saísse com um quentinho no coração após vê-lo. Infelizmente não foi dessa vez, pois o que prevaleceu aqui na verdade foi o tédio. Em Nintendo e Eu, acompanharemos quatro amigos no início dos anos 1990 nas Filipinas vivenciando a pré-adolescência, crescendo e amadurecendo à medida que aproveitam o verão com muito videogame e aventuras. A trama é simples e já foi bastante explorada em outras obras, portanto, para que não se confunda com mais um do mesmo algo a mais é preciso. Esse diferencial poderia facilmente ser inserido através das atuações, construção de personagens, universo, ou até pela assinatura do diretor, de forma que deixasse sua marca. Porém, tudo que consegui absorver do longa foi o oposto disso. Foto: Divulgação Raya Martin, diretor do longa, se apoia tão ferozmente na ideia de nostalgia - ao colocar os garotos para jogar Super Mario Bros e The Legend of Zelda no Nintendinho - que esquece de construir uma boa história e criar bons personagens. Tudo que aparece dos anos 1990 é jogado de qualquer jeito na tela e sem o devido cuidado, implorando por acender a todo custo no telespectador a chama da nostalgia, mas nem isso consegue e falha miseravelmente. O resultado disso são longas e tediosas 1h30 que não caminham para lugar algum, sem propósito em sua narrativa e que parecem durar muito mais que isso. Geralmente uma das coisas que mais cativa e faz o telespectador se conectar e gostar desse tipo de história são os personagens. Vê-los fazendo descobertas e enfrentando os perrengues da adolescência, particularmente, me agrada muito. Aqui, contudo, sinto que tudo é muito engessado e os protagonistas não se destacam, e isso não se deve nem às atuações, que até dão conta do recado, mas sim à falta de profundidade que os personagens têm. Infelizmente não possuem o toque necessário para te fazer querer ver mais sobre eles, te fazer se importar com o que aconteceria ou ficar curiosa por suas aventuras. Eu queria ter gostado mais, confesso, mas terminei com um gosto amargo de que a trama não foi a lugar algum e só perdi meu tempo. A história não anda, não se desenvolve, os personagens são vazios e sem carisma - só um ou outro se destaca - e tudo que eu sinto é que estou vendo grandes retalhos da história, mas que não se conectam ou tem qualquer propósito. Nota: 2/5
- Crítica | Antártida
A ideia central é boa, mas o roteiro não encontra uma forma de fazer com que suspense e crítica social
- Crítica | Anatomia de uma Queda (TIFF 2023)
O ganhador da Palma de Ouro é um prato cheio para os fãs de dramas de corte Foto: divulgação Após a extraordinária experiência com Saint Omer, somos agora convidados a adentrar novamente nos corredores dos tribunais franceses, desta vez para testemunhar um intrigante caso de homicídio. Anatomia de uma Queda, que surpreendeu o Festival de Cannes, nos transporta para a história de Sandra, uma mulher acusada de ser a responsável pela morte de seu próprio marido. O filme apresenta diversas qualidades, com destaque para a brilhante atuação de Sandra Hüller no papel principal, uma interpretação que praticamente sustenta toda a produção. Além de proporcionar entretenimento intenso que mantém o espectador à beira de seu assento, o longa também o convida a assumir um papel ativo como membro do júri virtual. No entanto, é importante notar que, apesar de suas virtudes, o filme não inova no gênero e, em alguns momentos, se afasta do universo que construiu. Como mencionado anteriormente, se há uma razão para assistir Anatomia de uma Queda, essa é a atuação de Hüller. Ela consegue dar vida à sua personagem de forma sensível e realista, demonstrando uma capacidade de se tornar intensa quando necessário. Um exemplo notável é um monólogo que se destaca pela excepcional performance e direção, habilmente selecionando o que apresentar ao público. Esse momento não apenas realça sua atuação, mas também enriquece a narrativa do filme. Foto: divulgação Os demais membros do elenco também desempenham seus papéis com competência, porém, nenhum deles se equipara à protagonista. No entanto, uma das questões que me incomodou no filme foi o personagem de Milo Machado Graner, o filho de Sandra. Embora ele tenha realizado uma atuação notável, especialmente considerando sua idade, algumas das ações de seu personagem parecem não condizer com a faixa etária que representa. O longa possui uma montagem habilidosa que equilibra efetivamente o ritmo entre os eventos no tribunal e os aspectos pessoais da protagonista e sua família. Mas, lamentavelmente, há um ponto na trama em que os argumentos começam a se tornar um tanto exaustivos, especialmente após o impressionante monólogo de Hüller. Felizmente, ele recupera o ímpeto ao introduzir um novo clímax que conduz a história até sua conclusão de forma satisfatória. Anatomia de uma Queda é um filme incrível para todos os amantes de dramas judiciais, embora não traga inovações ao gênero. A produção conta com uma escalação de elenco perfeita, embora apresente algumas incoerências em relação ao universo da história. Nota: 4/5












