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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1329 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Cangaço Novo (1ª temporada)

    Diante do quadro crítico de saúde do pai e sem nenhuma perspectiva de futuro após perder o emprego, Ubaldo

  • Crítica | Heartstopper (2ª temporada)

    A nova temporada da comédia romântica da Netflix continua apaixonando os telespectadores Foto: Divulgação É visível que a Netflix migrou da criadora de séries como House of Cards e Orange is the New Black para a criadora de Stranger Things e Eu Nunca. A empresa, cada vez mais, acaba soltando produções com o público alvo adolescente que acabam ficando perdidas no seu vasto catálogo. Felizmente este não é o caso de Heartstopper, série britânica, que teve sua segunda temporada lançada no streaming neste mês de agosto. A nova leva de episódios continua apresentando a dinâmica de um grupo de amigos que estão nos seus últimos anos do ensino médio, agora focando no início do relacionamento entre os protagonistas Charlie e Nick. Sem sombra de dúvidas, o maior acerto da série são seus personagens que, mais uma vez, não foca somente nos principais, mas vemos o desenvolvimento dos secundários (coadjuvantes), abordando diferentes tipos de casais em fases distintas de suas relações, facilitando com que o espectador se conecte com o que está sendo mostrado. A série continua sendo escrita pela criadora dos quadrinhos homônimos, Alice Oseman, e dirigida por Euros Lyn, diretor de séries como Black Mirror, Doctor Who e Sherlock. Os dois se encontram ainda mais confortáveis em seus papéis e, com o visível aumento em seus orçamentos, conseguem proporcionar ao consumidor experiências mais completas que os transportam diretamente aos desenhos do material-base. Foto: Divulgação Apesar de Heartstopper criar alguns elementos visuais novos, tem alguns momentos que deixam a desejar. Ao continuar apostando em ser simples, a temporada chega em momentos em que os espectadores clamam por novas construções visuais e tão incríveis como os mostrados na primeira temporada, mas que já não impressionam ao serem reutilizados. Em minha opinião o grande erro da série foi não seguir o formato da primeira temporada, onde optaram em adaptar dois livros de uma vez. Na recém lançada, apesar de ter histórias interessantes criadas unicamente para a adaptação, grande parte da temporada se sente esticada para completar os oito episódios. Porém, acaba caindo na própria armadilha de terem novos elementos introduzidos que poderiam ser melhor explorados, deixando de ser somente um gostinho superficial do que ainda está por vi. Dito isso, apesar de visualmente muito parecida com a primeira temporada e se prolongar em alguns momentos, a segunda temporada de Heartstopper continua transportando o telespectador para uma realidade perfeita onde todos nós gostaríamos de morar. Nota: 4/5

  • Crítica | Um Ano Inesquecível: Outono

    Primeiro musical brasileiro do Prime Video é um dos melhores produtos audiovisuais para jovens dos últimos tempos. Foto: Divulgação Dando continuidade a franquia de filmes, na última sexta-feira, 9, foi a vez de Um Ano Inesquecível: Outono chegar às telas do Prime Video. Baseado no conto de Babi Dewet, o longa teve o roteiro adaptado por Keka Reis e Caroline Fioratti e foi dirigido por Lázaro Ramos. Nessa história, conhecemos a jovem Ana Júlia, uma garota que busca estabilidade para ajudar o pai em casa através de uma oportunidade de estágio em um escritório de advocacia renomado. Sendo uma pessoa extremamente focada e disciplinada, Ana Júlia não gosta de música e é nesse cenário que ela conhece João Paulo, um aspirante a cantor que sonha em viver da sua arte. Os dois se apaixonam tendo como plano de fundo uma São Paulo outonal e bem musical. Um Ano Inesquecível: Outono é o primeiro musical brasileiro do Prime Video e, sem dúvidas, cumpre bem a responsabilidade de ser este primeiro representante. Primeiramente, o maior destaque do longa é o seu talentoso elenco. Desde do casal principal interpretado por Gabz e Lucas Leto até as excelentes participações especiais de Iza, Lulu Santos e Larissa Luz, todos os atores entregam o seu melhor em cena e é possível notar a profundidade de cada um dentro dos seus dilemas internos. Iza, por exemplo, protagoniza cenas com alta carga dramática e entrega uma performance muito boa para uma estreante nas telas. Foto: Divulgação Narrativamente, o longa adapta bem a história criada por Babi, dando uma nova camada aos personagens e transformando seu conto em uma história musical. As canções originais do filme conversam com a história de uma forma maravilhosa, assim como as músicas já conhecidas pelo público, que ganham uma nova roupagem. A trama de Um Ano Inesquecível: Outono possui alguns clichês que são bem utilizados pelas roteiristas e utiliza-se muito bem das paisagens frias e artificiais de São Paulo para criar uma ambientação própria para o longa. Além disso, o filme consegue aproveitar as nuances da trama para inserir discussões fundamentais para sociedade ao falar de racismo, solidão da mulher negra, direito à moradia e relações familiares problemáticas. Todos os assuntos são tratados de uma forma muito delicada e necessária. Assim, podemos, sem dúvidas, colocar Um Ano Inesquecível: Outono em um patamar acima dos filmes adolescentes lançados no Brasil nos últimos tempos. É um belo romance que vai muito além das notas musicais, e, deverá virar exemplo do que deve ser feito quando buscarmos inspirações de longas-metragens para jovens no nosso país. Nota: 4.5/5

  • Crítica | Shazam: Fúria dos Deuses

    Genérico e superficial, filme falha ao apostar na mesma fórmula do seu antecessor Foto: Divulgação É mais do que notório que as sequências são algo que Hollywood aposta desde o início dos blockbusters. Se fez sucesso, as chances são altíssimas de um filme virar franquia, principalmente se for o caso de um universo compartilhado, como é (ou era) o DCEU. Mas, será que valeu a pena trazer Shazam: Fúria dos Deuses à vida? Neste filme, acompanhamos os eventos após o primeiro longa. Billy Batson (Asher Angel) e seus irmãos ainda estão aprendendo a conciliar a vida adolescente com os alter egos de super-heróis adultos. Quando um trio vingativo de deusas antigas chega à Terra em busca da magia roubada delas há muito tempo, Shazam (Zachary Levi) e seus aliados são lançados em uma batalha por seus superpoderes, suas vidas e o destino do mundo. O roteiro aqui tentou reproduzir exatamente a mesma fórmula do primeiro filme: um humor “pastelão”, mas que consegue agradar algumas pessoas de certa forma, além de uma jornada de redenção do protagonista que não se sente digno de ter o poder que recebeu. Mas, por trazem novos personagens para a trama, a história permanece superficial, deixando de lado alguns aspectos que poderiam ajudar a fazer tudo ter mais sentido. Foto: Divulgação Apesar disso, o elenco, que é muito bom por sinal, tenta trabalhar com o que tem em mãos. Zachary Levi nunca foi conhecido por uma boa atuação, mas ele consegue entregar alguns momentos que tocam o espectador. Porém, toda a emoção construída no terceiro ato vai por água baixo quando a história é simplesmente resolvida com a aparição de uma super-heroína muito conhecida. A impressão que se dá é que não houve muito esforço em entregar algo original ou relevante para os fãs que acompanham o universo da DC. Diferente do primeiro, que foi um respiro em meio a tantos outros filmes que batiam na mesma história, este aqui não consegue sair da sua própria fórmula. Shazam: Fúria dos Deuses é uma oportunidade perdida da DC em se reinventar e pensar fora da caixa. Mesmo com cenários interessantes, um CGI não tão duvidoso, o filme se perde dentro de si mesmo e não final traz uma história confusa, que pode até agradar alguns, mas que não traz nenhuma mudança significativa para o DCEU de hoje. É um filme divertido, mas só isso. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Spirited - Um Conto Natalino

    O espirituoso musical funciona bem mesmo se repetindo Divulgação: Apple TV+ Adaptando o cânone Um Conto de Natal, de Charles Dickens, para uma versão moderna de comédia musical, Spirited conta a história do Fantasma do Natal Presente (Will Ferrell) que todo a cada véspera de Natal escolhe uma alma ruim para receber a visita dos três fantasmas do Natal (passado, presente e futuro caso alguém nunca tenha se deparado com qualquer uma das infinitas adaptações do livro) para que essa alma possa se redimir e, como um milagre de Natal, se tornar uma pessoa melhor. Porém o alvo escolhido nesse ano foi o empresário egoísta e manipulador Clint Briggs (Ryan Reynolds) que não vai colaborar os processos de mudança e ainda fará com que o Fantasma do Presente se questione sobre todas as suas escolhas e motivações no plano em que atua. O efusivo filme é dirigido por Sean Anders e conta com um roteiro de Anders e John Morris. A dupla já trabalhou junto em outras comédias como A Família do Bagulho e Quero Matar Meu Chefe 2, e aqui eles conseguem, com a enorme ajuda dos compositores Benj Pasek and Justin Paul – responsáveis pelas famosas músicas de La La Land e O Rei do Show – criar mais uma comédia cheia de bons momentos e sem qualquer compromisso em se manter pé no chão. Primeiro porque é uma fantasia, e esse é o terceiro filme esse ano que me lembro de tratar um “pós-vida” com uma abordagem corporativista (as animações Lucky e Wendell & Wild também fizeram algo do tipo). Então a comédia abusa dos elementos irreais para criar seus momentos chave, o que algumas vezes funciona muito bem como nos números musicais e em outras nem tanto por conta do uso excessivo de efeitos visuais questionáveis. Divulgação: Apple TV+ Segundo porque tem Will Ferrell como protagonista. Quem conhece os filmes do ator sabe que ele parece não ter a menor vergonha ou pudor de se arriscar em fazer todo o tipo de bobagem em cena, a impressão que dá é que ele está sempre tentando se divertir ao máximo e isso reflete no resultado. E certamente quem acompanha os trabalhos dele sabe que ele por várias vezes inseriu músicas em seus filmes – as vezes sem o menor valor narrativo – apenas para mostrar seus talentos vocais. Quem quiser ver mais de Will Ferrell cantando assista seu último sucesso, o bagunçado Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars. Então já estava passando do tempo dele aparecer num filme musical, e ainda mais um musical de Natal que agora se soma a Um Duende em Nova York como dois de seus melhores no currículo. Ryan Reynolds surpreende com seus dotes musicais. O seu personagem é basicamente o que ele faz de melhor: um canastrão, indiferente e irônico com tudo e com todos ao seu redor, só que aqui ele cabe tão bem que a gente finge que não é exatamente o que ele faz em qualquer outro filme em que esteja. Ambos os protagonistas entregam um show no melhor sentido da palavra, ele soltam a voz e arriscam passos de dança em números muito bem coreografados e executados com riqueza de detalhes. O grande trunfo do filme não é o que está sendo contado, afinal é a mais uma adaptação da conhecida história de Charles Dickens, mas maneira como está sendo contado. Mesmo quando o filme faz piadas sobre si próprio, mostrando um tipo de insegurança sobre suas escolhas, e se repete em vários momentos o resultado é positivo e consegue analisar e dar sua própria luz sobre a grande lição de moral do Conto de Natal. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Tocaia no Asfalto (1962)

    constrói entre classes é potencializada pela vigorosa direção de Roberto Pires,, em nada devedora dos mestres

  • Crítica | Cidade dos Sonhos (2001)

    Um filme que já nasceu clássico pelo olhar e pela ideia de ousar sonhar de um gênio. Divulgação Nesta quinta-feira, 17, Cidade dos Sonhos retornou aos cinemas remasterizado e em 4K. Lançado originalmente em 2001, o longa se tornou um dos mais emblemáticos da carreira de David Lynch, e lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor direção. Lynch, que faleceu no início deste ano, provavelmente tinha ideia de que Cidade dos Sonhos é mais do que apenas mais um filme na sua carreira. Ele é considerado por muitos um dos melhores longas de todo o século 21, talvez um dos melhores de toda a história do cinema. Parece muito hype para quem não viu? Talvez. Mas a genialidade da trama que saiu da mente de Lynch junto de uma estética tão única e característica torna Cidade dos Sonhos quase um fascínio místico. Originalmente filmado em 1999 como um piloto para a TV, Cidade dos Sonhos foi rejeitado. No ano seguinte, David Lynch recebeu dinheiro para filmar novas cenas e transformar o projeto em um filme para os cinemas. Ele o fez — e criou um dos filmes mais grandiosos, bizarros e perturbadores já feitos. À primeira vista, o longa parece alinhar-se a uma estrutura relativamente tradicional: a jovem Betty (Naomi Watts), cheia de sonhos hollywoodianos, chega a Los Angeles para tentar a sorte como atriz. Logo se envolve com a misteriosa Rita (Laura Harring), que sofre de amnésia após um acidente de carro na estrada Mulholland Drive. O que se apresenta como um thriller gradualmente se desfaz em uma espiral onírica de imagens desconexas, simbolismos densos e identidades fragmentadas. Dissolvendo as fronteiras entre sonho, realidade, identidade e narrativa com uma precisão inquietante, Cidade dos Sonhos é um filme sobre Hollywood e a indústria cinematográfica, mas não só o espaço físico Hollywood como, principalmente, a ideia de Hollywood no imaginário americano. O filme opera sob uma lógica não linear, onde a primeira metade encena um desejo idealizado e a segunda colapsa essa fantasia em uma realidade crua e brutal que doi em assistir. O que começa como um conto de fadas noir se transforma em um pesadelo existencial, onde o tempo se dobra, os personagens se confundem e a identidade se revela como uma construção frágil, sujeita às pressões do desejo, da culpa e do fracasso. Lynch desconstroi a narrativa hollywoodiana clássica por meio da forma e do conteúdo. O uso do som é meticulosamente manipulado para gerar estranhamento, e a trilha de Angelo Badalamenti cria uma atmosfera de constante deslocamento emocional. A mise-en-scène é labiríntica, espelhando o estado mental das personagens, e a montagem, com seus cortes abruptos e passagens inexplicáveis, encarna o próprio colapso da narrativa racional. A chave para compreender Cidade dos Sonhos está na instabilidade das identidades. Betty e Rita, na primeira metade do filme, funcionam como projeções idealizadas: a atriz inocente e talentosa que chega à cidade dos sonhos e a mulher misteriosa que precisa ser protegida. Elas existem dentro de uma espécie de simulacro hollywoodiano, onde tudo é artificialmente belo e promissor. A própria cidade de Los Angeles, com suas colinas, névoas e mansões, torna-se um espaço de delírio e distorção. Divulgação Cidade dos Sonhos pode ser lido como o ápice de um processo que Lynch já vinha experimentando em obras anteriores, como Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) e Estrada Perdida (Lost Highway, 1997). Em todos esses filmes, há uma desconstrução da identidade, uma violência subterrânea que brota sob a superfície da vida cotidiana e um fascínio por figuras femininas dúbias e ambíguas. Assim como em Veludo Azul, onde a cidade aparentemente pacata esconde horrores inomináveis, em Cidade dos Sonhos a cidade do glamour se revela como uma fábrica de frustrações, desejos inconfessos e ruínas psíquicas. O uso do som ambiente, dos silêncios pesados e da montagem disjuntiva são marcas da linguagem lynchiana em estado puro. Há um jogo constante com a performance: Naomi Watts entrega uma atuação camaleônica, transitando entre a doçura ingênua e o desespero psíquico absoluto. Seu teste de atuação no meio do filme (uma cena dentro da cena) exemplifica a tensão entre ilusão e verdade, arte e vida, que atravessa toda a obra. Quando a narrativa se desfaz e as identidades se embaralham, o que se apresenta é um colapso subjetivo. O espectador é empurrado para um terreno de instabilidade ontológica: quem são essas mulheres? Onde começa a ficção e termina a realidade? Teriam elas existido, ou são fragmentos de uma mesma consciência despedaçada? A performance de Naomi Watts é central nesse processo. Na transição de Betty para Diane, há uma mudança não apenas na atitude e no tom, mas na própria energia vital da personagem. Ela se torna uma mulher corroída pela inveja, pelo ressentimento e pela culpa. Em contraste, Laura Harring se transforma de figura frágil e amnésica em uma presença sedutora, quase cruel. Mais do que um mistério a ser resolvido, Cidade dos Sonhos é uma experiência a ser sentida, uma meditação sobre os mecanismos do desejo e a falência das promessas de Hollywood. Lynch não oferece respostas, mas fabrica um espelho quebrado onde cada fragmento reflete um aspecto distorcido da nossa própria sociedade. Em Cidade dos Sonhos, o ‘American Dream’ implode em delírio, e o espectador, perdido nesse labirinto de símbolos e silêncios, emerge transformado ou perturbado de um filme que é inesquecível e que perdurará na história do cinema por muitos e muitos anos. Nota: 5/5

  • Crítica | O Eternauta (1ª temporada)

    Nova série apocalíptica tem a Argentina como cenário e faz um ótimo feijão com arroz do gênero. Divulgação Uma misteriosa tempestade de neve atrapalha a noite de jogos de Juan (Ricardo Darín) e seus amigos. Nada que seja elétrico funciona mais e quando um deles tenta ir para casa, morre pouco depois de sair na rua. A tensão aumenta, e o grupo faz um traje para que Juan consiga sair à procura da filha e da ex-esposa. É o ponta pé inicial da história baseada em HQs publicadas nos anos 50. Fico feliz que finalmente temos uma ótima história apocalíptica ambientada na América do Sul, mais precisamente na Argentina. Imagino quão inovadora ela foi na época. Hoje em dia, depois de tantas outras produções sobre o tema, ela já soa mais familiar, mas é um arroz com feijão muito bem feito. Gosto de como somos apresentados aos personagens e é através deles que vamos conhecendo o que é o quê e os empecilhos que eles enfrentarão para sobreviver nesta conjuntura atual. Além de Juan, estão na casa Alfredo (César Troncoso), o dono, Ana (Andrea Pietra), sua esposa, Omar (Ariel Staltari) e Polszky (Claudio Martínez Bel). Quando Juan sai, o conflito esquenta, já que ninguém ali sabe lidar com o que está acontecendo e está se virando como pode. De início, “a neve” tóxica é a maior das ameaças e a mais interessante, haja vista que é mais difícil de lidar porque não há como sair sem estar completamente coberto. Depois outras aparecem, e apesar de previsível e me causar uma pequena decepção, não deixa de entreter, ainda que perca um pouco do fator mais autoral, digamos assim. O roteiro de Bruno Stagnaro sabe trabalhar bem com as limitações e possibilidades plausíveis diante da situação, não expondo mais que o necessário nos diálogos, enquanto a direção constrói uma atmosfera claustrofóbica, seja ao ar livre – que está inabitável pelo ser humano – ou dentro de prédios. Divulgação Darín e Troncoso se destacam, mas todo o elenco está muito bem. Personagens que começam como estereótipos vão sendo desenvolvidos de uma maneira competente, mas devo dizer que nem todos conseguem ir além disso. O design de produção é muito detalhista nos cenários apocalípticos e não fica devendo em absolutamente nada à filmes e séries norte-americanos. As cenas em grande escala, das grandes cidades tomadas pela neve são belíssimas e assustadoras, com uma cinematografia tão deslumbrante quanto triste. No entanto, apesar dos efeitos visuais satisfatórios, temos alguns que são mais a desejar, ainda que sejam minoria, felizmente. Tivemos 6 episódios nesta 1ª temporada e com a promessa de uma 2ª onde as adversidades parecem ainda maiores, mas já temos uma boa noção do que elas são, seja pelo que nos foi apresentado ou porque já vimos em outros lugares. Não é culpa da trama em si, que tem um material fonte de mais de meio século. Mas dada a quantidade de produções do gênero que já tivemos neste tempo, ela perde o fator de inovação, mesmo que não perca o entretenimento. Nota: 3,5/5

  • Crítica | O Agente Noturno (1ª temporada)

    Peter é jovem e muito me agrada como a série mostra que ele não tem aquela experiência de tantos outros

  • Crítica | A Mulher Rei

    Já que é pra ser comercial que seja então decolonial Divulgação: Sony Pictures Inspirado no grupo de guerreiras africanas do Reino de Daomé (território do atual país Benin) chamadas “agojie”, ou amazonas de Daomé como eram conhecidas pelo europeus, A Mulher Rei tem como protagonista a General Nanisca (Viola Davis), a líder do exército de elite do Rei Guezô de Daomé (John Boyega), que está sempre protegendo o reino e aconselhado seu rei nas decisões mais estratégicas e delicadas em relação aos reinos vizinhos – que caçam e sequestram uns aos outros para vender seus cativos como escravos para o europeu – e em relação aos europeus – que exploram a mão-de-obra e as matérias-primas africanas. A palavra de ordem aqui é representatividade. É inconcebível pensar que, há uns 20 anos no mínimo, um grande estúdio norte-americano investiria num filme sobre a grandiosidade de uma mulher negra africana lutando contra um sistema escravagista e degolando europeus. Os constantes debates sobre a relevância do papel feminino na sociedade (e na história) e sobre a importância de estudo da história negra africana galgaram o caminho até a execução de A Mulher Rei. Então apenas o fato de o filme existir já é relevante e histórico. Os pormenores da história são contados através de Nawi (Thuso Mbedu), uma jovem que se recusa a ter um casamento arranjado pelo pai e acaba virando recruta das agojie, e de outras soldados que compõem o exército de guerreias. Destaque para a personagem Amenza, interpretada com vigor pela expressiva atriz Sheila Atim, que dá suporte emocional e físico para Nanisca. Viola Davis é irretocável e aqui ela emprestou seu corpo sua alma para protagonista da aventura, mas ela não carregou o filme só, as atrizes Thuso Mbedu, Lashana Lynch, Sheila Atim e até mesmo Adrienne Warren – que tem menos tempo em cena dos que as outras – têm cenas enfáticas tanto nas sequências de ação quanto na distribuição de momentos chave no roteiro. Mas falando em representatividade, pareceu preguiçosa a opção de colocarem dois atores britânicos para interpretar um personagem português e um brasileiro. Divulgação: Sony Pictures Mas é válido provocar que aqui a função é mais importante do que a forma. Por mais que “o que está sendo dito” seja novo, seja impositivo e seja revolucionário, a “maneira que está sendo dita” é um tanto conhecida e repetida. E não estou falando puramente da jornada do herói (das heroínas) e da narrativa em 3 atos usadas com facilidade para preencher as lacunas dos fatos históricos e compor o roteiro, mas de escolhas de referências feitas pela diretora Gina Prince-Bythewood. Gina é uma diretora versátil que dedicou quase toda sua filmografia a produções de cinema e televisão focadas em personagens negras e negros. Ela já dirigiu ação, romance, drama, comédia e vemos aqui que ela sabe dosar tudo isso, mas a soma dos fatores faz com que o resultado seja um filme de ação padrão Hollywood da melhor qualidade, com um romance como roteiro secundário, personagens coadjuvantes que roubam a cena e um final glorioso, e isso não é reclamação, se for para ter filmes assim que sejam contando novas histórias e histórias mais relevantes, mas faltou identidade própria para o filme se tornar ainda mais memorável. De qualquer forma é bom poder dizer com um certo alívio que Hollywood, mesmo que tardiamente, abriu os olhos para a “história que a História não conta” – citando o saudoso samba-enredo mangueirense de Deivid Domênico e companhia. São quase 100 anos da grande indústria de cinema estadunidense dando ênfase (as vezes necessária, as vezes apelativa e as vezes puramente sádica) a história negra como pessoas sofridas e resistentes ao sistema de escravidão que implica até hoje numa sociedade doente e racista. O pré-escravização e o passado glorioso do negro parecem nunca ter interessado estúdios majoritariamente formados por velhos homens brancos e o motivo é retórico. Mas não pense que por isso os negros deixaram de contar suas histórias. Existem, por exemplo, grandes produções da chamada Nollywood (a “Hollywood” da Nigéria) que abordam a história, a cultura e a fantasia africana sob as mais diferentes perspectivas. E por mais que não tenham o primor técnico das produções americanas, esses filmes tem uma textura narrativa e uma estética que não se consegue replicar. A Mulher Rei se consolida como um filme confiante e emotivo. E mesmo que não fosse tudo isso, apenas pelo fato de ter incomodado a grande parcela incel da sociedade que tem medo de mulher em posição de destaque e acha que o negro protagonista é mimimi, aqui, ou woke, lá, ele pode sair de cena satisfeito com o que realizou. Nota: 4/5

  • Crítica | Corrida dos Bichos

    Distopia brasileira se sustenta na ação bem trabalhada. Divulgação Inspirado no universo da loteria animal brasileira, um jovem destemido precisa vencer uma corrida mortal para salvar sua irmã em um futuro distópico onde cada animal do jogo é agora representado por um corredor que disputa um prêmio. Corrida dos Bichos parte de uma premissa sagaz que não demora a estabelecer as regras do seu próprio universo. O filme quer apresentar ao público uma distopia brasileira de fácil compreensão, mas acaba sendo didático em excesso na maneira como conduz essa apresentação. Logo na abertura, a narração de Anitta se encarrega de deixar tudo explicado, como se o espectador precisasse receber um manual de instruções antes mesmo de a história começar. A partir daí, o roteiro mantém esse comportamento ao longo da narrativa, voltando constantemente a explicar seus próprios elementos em vez de confiar que eles possam ser assimilados pelas imagens e pelas situações. É uma escolha que torna a experiência menos orgânica e reduz parte do impacto de uma proposta interessante que poderia ser descoberta aos poucos. É na ação, porém, que o longa encontra sua melhor forma. As sequências construídas a partir do parkour são inventivas e demonstram um domínio muito maior da linguagem visual do que o roteiro apresenta em sua construção dramática. Há enquadramentos engenhosos, movimentações de câmera que acompanham bem o deslocamento dos personagens e um trabalho de dublês que merece destaque. O filme entende que uma corrida precisa transmitir velocidade, risco e sensação de percurso, e consegue transformar os espaços em parte importante dessas sequências. Não é apenas uma sucessão de obstáculos colocados diante dos personagens, mas uma ação pensada para explorar fisicamente cada ambiente. Essa atenção aos espaços também aparece na ambientação. Corrida dos Bichos constrói uma distopia visualmente interessante ao alternar cenários amplos, registrados em planos bastante abertos, com momentos em que a câmera se aproxima dos personagens para aumentar a sensação de tensão e confinamento. Existe um cuidado evidente em fazer com que aquele futuro tenha uma identidade própria, ainda que a história percorra caminhos bastante familiares. A escala dos cenários ajuda a vender a dimensão daquele mundo, enquanto os enquadramentos mais fechados funcionam especialmente bem durante a corrida. É um filme que demonstra saber onde colocar a câmera mesmo quando não sabe exatamente o que fazer com alguns de seus personagens. Divulgação E são os personagens secundários que mais evidenciam as limitações da narrativa. Há gente demais circulando pela história sem que isso represente necessariamente uma expansão de seus significados. Muitos deles aparecem, cumprem uma função imediata e desaparecem sem acrescentar novas camadas ao universo ou aos conflitos apresentados. Em alguns momentos, parece que a quantidade de personagens existe mais para ocupar tempo de tela do que para enriquecer a história. Isso contribui para uma estrutura narrativa conhecida demais, na qual a trajetória do protagonista é conduzida por etapas previsíveis até o confronto seguinte, sem que o filme consiga explorar todas as possibilidades sugeridas por seu próprio conceito. De todo modo, Corrida dos Bichos funciona dentro daquilo que se propõe a fazer. É um filme divertido, movimentado e tecnicamente competente, especialmente quando coloca seus personagens para correr, literalmente. Suas limitações estão menos na execução da ação do que na maneira como o roteiro tenta conduzir o espectador pela mão durante praticamente toda a experiência. No entanto, a concepção baseada no imaginário da loteria animal brasileira poderia render uma distopia muito mais provocadora, mas o longa parece mais interessado em construir uma aventura acessível do que em investigar as ideias que existem por trás daquele universo e seus personagens. Nota: 3/5

  • Crítica | Divertida Mente 2

    também foi vencedora do Oscar da categoria, além de receber uma indicação em Melhor Roteiro Original em 2016 público, trazer a Ansiedade como uma personagem mais espaçosa foi uma decisão muito certeira, que se mostra

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