Resultados de busca
Buscar neste site
1417 resultados encontrados com uma busca vazia
- Crítica | Hackers no Controle
Filme holandês original Netflix promete muita ação e perseguição, mas entrega história monótona e cansativa Divulgação: Netflix Filmes e séries sobre hackers ou crimes cibernéticos geralmente chamam a atenção do público e costumam ser bons longas de ação, divertidos e ótimos para passar o tempo. No trailer, a ideia dada ao telespectador é a de que "Hackers no Controle" poderia ser um daqueles clássicos a passar na Temperatura Máxima, para assistir logo depois do almoço com a tradicional preguiça de domingo. Porém, infelizmente, não é isso que o filme entrega. Sendo o primeiro filme de ação holandês com o selo original Netflix, "Hackers no Controle" acompanha a trajetória de Mel Bandison, uma hacker que ao fazer seu trabalho checando o sistema de um ônibus autônomo de alta tecnologia acaba desarmando outro hacker, e com isso derruba involuntariamente uma rede criminosa internacional. Como consequência disso, Mel se vê alvo de uma armação e é acusada de um homicídio que ela não cometeu. Daí em diante, a protagonista é obrigada a fugir da polícia enquanto se esconde dessa rede criminosa. Lendo a sinopse já é de se imaginar o rumo que a trama seguirá, e dá para entender que a premissa e o roteiro não prometem nada de inovador ou extraordinário, mas a esperança é de que seja, pelo menos, um bom filme de ação. Contudo, a ação pela qual ele é vendido simplesmente não acontece, e praticamente todas essas cenas são mostradas no trailer. Divulgação: Netflix A personagem principal, Mel Bandison, é uma hacker inteligente e foda, mas o roteiro a coloca em situações muito estúpidas que claramente não aconteceriam com aquela pessoa. Além disso, fica óbvio que o texto teve zero preocupação em construir bem o background dessa e do outro personagem, Thomas Deen, que são aqueles com maior tempo de tela. São criados, assim, personagens rasos com os quais o telespectador não se importa ou dá a mínima para o destino deles durante o filme, pois, só parecem ser dois estranhos correndo de um lado para o outro sem saber o que fazer. Em alguns momentos a história se arrasta, principalmente quando chega ao segundo ato, e mesmo tendo só uma hora e meia ele fica bastante cansativo. No que diz respeito à ação, os personagens ficam correndo a todo momento na tentativa de dar uma sensação de rapidez, perigo e urgência, mas isso não acontece tanto porque essas cenas são curtas e duram muito pouco, quanto pela trilha sonora que é medíocre e não contribui em quase nada para melhorar algo que já não era tão bom. O filme começa a se ajeitar e melhorar somente no terceiro ato. É quando a ação de verdade começa a acontecer, a relação entre os personagens melhora e a história parece seguir algum rumo. Porém, já não tem mais tempo e tudo acaba sendo muito corrido e acelerado. Por fim, quem for assistir esperando uma boa ação para passar o tempo provavelmente irá se decepcionar muito. Durante quase todo o tempo, o filme parece que não anda para nenhum lugar e não caminha para construir uma boa história. Além disso, a direção das cenas ação - as poucas que tem - é travada e não te colocam na trama. Não foi dessa vez que a Netflix conseguiu emplacar mais um acerto. Nota: 2/5
- Análise | Andor 1x09 ("Nobody Is Listening!")
Opressões não tão, tão distantes Divulgação: Disney+ Um dos maiores méritos de Andor é em trazer, da forma mais contundente possível, uma mensagem que deveria ser percebida com mais clareza desde que Uma Nova Esperança estreou em 1977: o Império é um regime autoritário fascista. A cada episódio, a série aborda essa verdade com a seriedade necessária, culminando na hora sombria que é Nobody’s Listening!, um episódio que nos causa desconforto e ansiedade como poucas vezes se viu na franquia. Mesmo sendo um episódio de “transição” dentro da estrutura adotada pela série, há uma tensão tão palpável e asfixiante no decorrer dele que é inevitável não se sentir sufocado junto com os personagens. Cada um dos núcleos parece estar em um ponto de ebulição, um reflexo da queima lenta adotada pelo roteiro até aqui. De um lado temos Cassian (Diego Luna) tentando sobreviver na prisão onde foi posto; Mon Mothma (Genevieve O’Reilly) precisando sujar cada vez mais suas mãos pela causa rebelde, ao passo em que descobrimos uma surpreendente conexão familiar com outro importante personagem; e a tortura que Bix (Adria Arjona) sofre nas mãos de Dedra Meelo (Denise Gough), que se mostra uma vilã tão fascista quanto seus pares masculinos. As sequências de Bix são um dos muitos momentos nesse episódio onde a crueldade absoluta do Império é mostrada sem floreios. Inteligentemente, Andor sabe contornar suas restrições etárias, o que de alguma forma a impulsiona: a tortura mental e psicológica que a personagem sofre nos é ainda mais excruciante do que qualquer violência física, graças à escolha da direção em nos trazer close-ups que potencializam a atuação de Arjona ao transparecer sua dor. Da mesma forma, o núcleo de Cassian é um constante exercício de tensão, mantendo os temas foucaultianos do episódio anterior, aliado aos elementos orwellianos de vigilância e paranoia. Existe de fato algum tipo de “Grande Irmão” vigiando esses personagens para que eles continuem na linha? Talvez isso não importe tanto quanto a eficácia imperial em dobrar os prisioneiros à sua vontade (apesar dos apelos do protagonista, tal qual a frase que dá título ao episódio). As sementes para uma eventual fuga são gradativamente implementadas aqui, ainda que o florescimento delas passe por Kino Loy (Andy Serkis), líder dos prisioneiros. A adição de Serkis no episódio anterior foi completamente inesperada, mas o ator consegue dominar as cenas com pouco esforço, de modo que acreditamos plenamente na crença de Kino de que se seguir os passos certos será liberto dessa prisão, bem como o momento em que essa crença é cruelmente destruída nos angustiantes momentos finais do episódio. Nobody’s Listening! é outra excelente hora de Andor, mesmo com um peso emocional que nos desconforta perante as situações vividas pelos personagens na mão do Império. Por não fazer rodeios quanto aos elementos que revelam a natureza fascista desse regime, a série pode afastar parte do público, mas como disse na semana anterior, quem não percebeu as críticas políticas enraizadas no DNA de Star Wars não entende de fato sobre o que é a saga. Felizmente, aqueles que entendem e estão acompanhando Andor estão sendo agraciados com uma das melhores séries do ano.
- Crítica | Selena Gomez: Minha Mente e Eu
Documentário demonstra a necessidade de abordar a temática das doenças mentais e da importância de vozes como as de Selena Divulgação: Apple TV+ Selena Gomez é um nome conhecido por crianças, jovens e adultos desde 2007. Ela iniciou sua carreira na série infantil “Barney & seus amigos” mas foi catapultada ao sucesso após estrelar “Os Feiticeiros de Waverly Place” na Disney Channel. Desde então, Selena vem posicionando seu nome na indústria em diversos setores do entretenimento, se destacando como cantora e atriz em um mundo cada vez mais hiperconectado nas redes sociais e na vida das celebridades. Crescendo e sendo observada a cada passo, Selena, agora com 30 anos, viveu altos e baixos na sua carreira. As histórias por trás do que era exposto pela mídia, a estrela conta em seu novo documentário que lança amanhã, 4, na Apple TV+. “Selena Gomez: Minha Mente e Eu” é um retrato intimista da artista que explora a sua luta contra o lúpus, a bipolaridade e a depressão nos últimos seis anos da sua carreira. O filme é dirigido por Alek Keshishian, responsável pelo clássico “Na Cama com Madonna”, de 1991. Já no início do documentário, voltamos ao ano de 2016 em plena era ‘Revival’ e no ápice da turnê que circulava por todo os EUA. Selena, neste momento, havia alcançado um alto nível de popularidade com o sucesso de suas canções e permanecia sempre em evidência na mídia após o seu conturbado relacionamento com o também cantor Justin Bieber. Nestas circunstâncias, a jovem vivia em uma situação de alto estresse mental e precisou encerrar a turnê mais cedo após um grave episódio de ataque de pânico. Divulgação: Apple TV+ A partir daí, Selena precisou entender, lidar e conviver com o diagnóstico de lúpus e todas as consequências (físicas e mentais) que a doença trouxe para sua vida. No documentário, conseguimos perceber as dores e as frustrações de uma menina jovem, amada por milhares, que não conseguia encontrar o amor próprio no meio de tantas turbulências em sua vida pessoal. Todo esse processo de cura e de reencontrar a si mesma e as pessoas ao seu redor é documentado e é incrível perceber como, aos poucos, Selena ia se reconstruindo para se tornar uma mulher cada vez mais consciente dos seus problemas. Para mim, pessoalmente, Selena sempre foi um grande exemplo ao ser tão aberta e honesta com seus fãs e com o resto do mundo ao falar sobre doenças mentais de uma maneira tão íntima. Mesmo se sentindo insuficiente em vários momentos, Selena ainda persiste em dar o seu melhor e utilizar o seu alcance global para conscientizar cada vez mais pessoas acerca do tabu em relação a doenças como depressão, ansiedade e bipolaridade. “Minha Mente e Eu” mostra essa progressão da Selena de 2016 à Selena que conhecemos agora. Perpassando pelo lançamento do seu mais recente álbum e da pandemia da Covid-19, os telespectadores têm acesso a uma parte da estrela que ainda é desconhecida por grande parte da mídia e entram (literalmente) nas entrelinhas das frases escritas em seu diário durante esse período conturbado. Com 1h35, “Minha Mente e Eu” é um documentário simples, muito bem feito e produzido tecnicamente, que tem como seu ponto mais forte o amor e a vontade da sua protagonista em estar viva e continuar inspirando cada vez mais pessoas. Merece ser assistido por fãs, admiradores e até por quem apenas a conhece por nome. Tenho certeza que admiração perante a artista como ser humano, sem dúvidas, crescerá. Nota: 4,5/5
- Crítica | Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo
O longa é uma aula de como construir um multiverso sem perder a originalidade e autenticidade. Nos filmes de ficção científica, algo que é sempre tocado é a questão do Multiverso. E por ser um assunto popular, já foi abordado de inúmeras formas. Mas, nenhum longa chegou ao ponto que ‘Tudo em Todo o Lugar Ao Mesmo Tempo’ abordou. Uma das maiores surpresas deste ano, o filme chegou aos cinemas no final do mês passado e é uma aventura eletrizante. Acompanhamos Evelyn Wang (Michelle Yeoh), uma mulher nos seus quarenta e poucos, descendente de chineses que deixou tudo para trás para seguir o famoso “american dream” com seu marido. Com isso, vivem do lucro de uma lavanderia. Até que em um dia, Evelyn é arrastada para uma aventura interdimensional em busca de salvar o mundo de uma ameaça bem conhecida. Nos últimos tempos, é notória a falta de originalidade em Hollywood. E é muito interessante ver um filme com história original de qualidade fazendo sucesso ao redor do globo. E isso não seria possível sem uma trama e roteiro coesos, além de uma boa direção e um elenco incrível. E falando em elenco, Michelle Yeoh está no ápice de sua carreira dando vida a Evelyn neste longa. Por se tratar de um filme que aborda a questão de múltiplos universos, ela consegue adicionar elementos diferentes para cada mundo diferente, mas mantendo a essência da personagem, que no final de tudo é apenas uma mãe e mulher em busca de sua felicidade plena. Outro grande destaque vai para Stephanie Hsu, que tem cenas incríveis ao decorrer dos altos e baixos da narrativa. Os Daniels, diretores do longa, conseguiram abraçar o rídiculo - no melhor sentido da palavra - no filme e podemos perceber que tudo feito é uma grande homenagem ao cinema, principalmente ao da Ásia, trazendo cenas com lutas de artes marciais, além de referências diretas a obras deste continente. Tudo isso de uma forma diferente e original. E a palavra chave é esta, originalidade. ‘Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo’ transpira originalidade ao longo de suas duas horas de duração. A grande aposta da A24 deste ano consegue superar todas as expectativas que venham a ser criadas pelo espectador. Com a campanha certa, podemos vê- lo indicado, sem grandes dúvidas, ao Oscar 2023. Nota: 5/5
- Crítica | A Conferência (Die Wannseekonferenz)
Filme de Geschonneck mostra um dos lados mais cruéis da II Guerra Mundial Divulgação Na manhã de 20 de Janeiro de 1942, representantes do alto escalão do partido nazista se reúnem em uma mansão à beira do lago na cidade de Wannsee, Berlim, para discutir o andamento do que viria a ser uma das maiores atrocidades da história mundial moderna: o o holocausto. Em “A Conferência” (Die Wannseekonferenz, no original), do diretor Matti Geschonneck, somos transportados aos cômodos do palacete em que as discussões entre os partidários eram travadas com o objetivo de decidir o destino de milhões de judeus – “A Solução Final”, como era chamada. De início, nota-se que o longa pode ser considerado um ato documental no sentido mais estrito da expressão. Isso porque o diretor Matti Geschonneck e os roteiristas Magnus Vattrodt e Paul Mommertz retiraram quase toda a construção do filme de documentos e gravações da conferência real, cabendo a eles transportar esse material para o suporte cinematográfico, e essa transição é feita da maneira mais sóbria possível. Se Hollywood é conhecida por suas sátiras nazistas esdrúxulas, a cinematografia de Geschonneck mostra o contrário: o relato trazido por ele e seus roteiristas é sóbrio, irresignado e carente de posições críticas. Não há a demonização explícita (ou mesmo implícita) dos militares nazistas, apenas o retrato dos acontecimentos seguidos à risca conforme os relatos históricos que se têm disponíveis; e essa talvez seja a grande sacada do filme. Ao invés de tecer ele próprio os juízos de valor referentes a essa triste página da história humana, o roteiro deixa o espectador indignar-se a sua própria conta. Aqui, temos a constante presença do que Hannah Arendt denominou “Banalidade do Mal” em seu livro “Eichmann em Jerusalém" (1963), em que trata da naturalidade com a qual os soldados nazistas conduziram suas ações de crueldade contra os povos semitas. Nesse sentido, é nauseante ver a indiferença com a qual os partidários discutem o destino de milhões de pessoas de maneira tão tortuosa, sentimento esse que, em conjunto à indignação, vai escalando conforme os minutos passam e a discussão vai se aflorando. Divulgação Assim, muito embora o longa tenha um peso dramático pautado em toda essa carga, sua narrativa é linear no que tange a sua dramaticidade. Em suas quase duas horas de duração, o filme permanece contido em sua condução: não temos, aqui, grandes conflitos, reviravoltas e muito menos um clímax. As tensões resumem-se a pequenas rixas de poder entre os participantes da conferência, à descrição de acontecimentos que estão ocorrendo simultaneamente nos campos de batalha (visto que o filme se passa na II Guerra) e só. Por isso, não é equivocado dizer que este é um filme de nicho; o tom histórico atrelado à passada lenta da pode não agradar a todos, já que a narrativa densa soa monótona em muitos momentos Em termos técnicos, por outro lado, o que temos é uma produção de alto nível visual. O tom sóbrio e meio cinzento da fotografia casa muito bem com a história que o roteiro quer contar, traduzindo com eficácia os acontecimentos ali expostos. A ambientação, apesar de só trazer dois espaços durante todo o filme (interior e exterior da mansão), é muito bem-vinda e devidamente construída, sem falar nos figurinos trajados pelos personagens. Porém, o longa traz a ausência completa de trilha sonora, que traduz a sensação de indiferença perpetrada por aqueles homens na condução de suas discussões acerca da “solução”. É uma escolha ousada e condizente com a história, é verdade, porém traz um aspecto maçante e engessado no desenrolar dos diálogos e sequências. Com isso, reitero aqui o que falei linhas acima: “A Conferência” não é um filme para todos. A narrativa densa e por vezes monótona pode afastar muitos em seus primeiros minutos. Contudo, ultrapassado desse ponto, o que temos é um filme muito bem dirigido e com um roteiro conciso. Propor-se a traduzir nas telas um momento tão intragável como este não é uma tarefa fácil, ainda mais tratando-se de uma produção dessas proporções e, acima de tudo, assumindo um ponto de vista puramente descritivo. Por isso, apesar de todas essas questões envolvendo o ritmo do filme, esta ainda é uma produção que permanece importante pela indignação que causa, fato este que permite um olhar mais aprofundado em como a crueldade humana pode chegar a níveis absurdos, e o pior, ser cometida por homens comuns. Nota: 3,5/5
- Crítica | Piggy (Cerdita)
A crueldade social elevada ao seu grau mais doentio Divulgação: Paramount+ Baseado num curta-metragem de mesmo nome, ‘Piggy’ é um longa franco-espanhol dirigido por Carlota Martínez-Pereda e estrelado por Laura Galán. Ambientado numa pequena cidade, acompanhamos Sara, uma adolescente com excesso de peso que ao se banhar numa piscina, é alvo de bullying por parte de outras três garotas, que logo depois são sequestradas por um homem misterioso que por alguma razão não a faz mal. Laura Galán é o maior destaque do elenco, sua personagem como alvo fácil da imbecilidade social, torna possível com que ela transpareça sentimentos e reações verossímeis. Sua raiva pode ser vista com clareza e até compartilhada pelo público, e suas frustrações são compreensíveis em todos os níveis, é perceptível o incômodo da personagem em diversas situações, tanto na questão de ataques quanto entre sua família. Quem merece menção aqui também é Richard Holmes, que interpreta o homem desconhecido. Carregado de mistério, esse é o personagem que mais contracena direta ou indiretamente com Sara. Seus momentos se dão com poucos diálogos, havendo uma necessidade expressiva de sentimentos e sensações a olho nu. Ele é uma figura que amedronta sem fazer muita coisa, Richard repassa bem essa aura de mistério e medo que o personagem pede, e fica mais evidente quando ele está em contato com outras pessoas. A narrativa é bastante rápida e tenta ser direta, ela se desenvolve bem dentro do que propõe e se vê que sua abordagem é feita usando elementos que vão agregar à história de modo geral. Tem um roteiro claro e sem muitas nuances, mas a direção de Carlota em momentos de tensão é bem efetuada. A execução dos instantes finais do filme poderiam ter tido uma visão ampla, contudo, não chega a ser um defeito. Em momento algum o filme tenta transparecer lições de moral, apesar da obviedade na crítica social. Mesmo com o título e a personagem dando margens para uma história que poderia ser de vingança, ele alavanca um novo tema dentro disso tudo que deixar o clima mais pesado; o abuso. Além do já esperado e sofrido bullying com a protagonista pelo seu peso, há uma inserção de drama ampliando abusos que ela sofre fora desse tema, em sua família e com o homem desconhecido, sendo esse o que mais constrange e amedronta. Para encerrar, 'Piggy' é um bom terror psicológico com um misto de slasher que faz o público se conectar à trama com facilidade. Sua força está na protagonista do início ao fim, e Galán consegue puxar para si essa responsabilidade e executá-la bem. Nota: 3,5/5
- Crítica | Nada de Novo no Front (Im Westen Nicht Neues)
Desprovido de qualquer esperança e munido de muita qualidade, o filme prova que dá para fazer remakes que valem a pena Divulgação: Netflix O livro 'Im Westen Nichts Neues' teve sua primeira adaptação para o cinema lançada em 1930, chegando ao Brasil com o título 'Sem Novidade no Front', e retratando um período da primeira guerra, focando em alguns estudantes que eram convencidos por um professor muito nacionalista a se alistarem no exército. Quarenta e nove anos depois, em 1979, ele ganhou uma nova versão, dessa vez chegando por aqui como 'Adeus à Inocência' e com pouquíssimas diferenças do anterior. Em 2022, quase 100 anos depois do primeiro, uma nova versão é entregue; 'Nada de Novo no Front'. Desta vez produzido pela terra natal do livro, a Alemanha, ele foi lançado pela Netflix no último dia 29, trazendo de volta os mesmos estudantes no período da primeira guerra que decidem se alistar ao exército alemão. Com uma visão mais contemporânea, a produção traz a mesma história dolorosa sob um olhar mais denso, tenso e desesperador. Com um foco mais direto em Paul, temos uma trama que se afunila para um fim de desesperança desde o seu início. É inegável que a atualidade beneficie alguns aspectos de uma obra originalmente explorada num período em que o cinema estava saindo do mudo e entrando na era de filmes falados. Ao mesmo tempo há também um peso em se mexer com um clássico, coisa que a segunda versão não conseguiu sustentar, mas que nessa visão de Edward Berger tudo funciona. Com um tom bastante artístico, Berger transmite todo o clima de destruição com uma beleza estonteante. Usando de nuances marcantes, ele inicia o filme de forma poética e singela para logo em seguida entregar o caos que somente uma guerra repassa. Divulgação: Netflix A direção é, sem sombra de dúvidas, um dos muitos pontos fortes. O diretor transita entre tons e cenários com muita naturalidade, trazendo mais sagacidade para essa versão e um tom de urgência constantemente presente. Como dito antes, a contemporaneidade traz artifícios que contribuem para que um filme desse porte consiga suplantar todas as dificuldades enfrentadas em suas versões anteriores, mas não somente isso, pois, visto a quantidade de produções que costumam falhar, o mérito maior vai para a equipe que soube utilizar a modernidade para aperfeiçoar uma história desse nível. O roteiro é outro ponto forte, trazendo uma densidade dramática muito superior aos seus antecessores, ele eleva a trama a um patamar surreal. Se utilizando de um personagem principal, o texto corre de maneira fluida, arrastando para esse epicentro todas as tramas subjacentes. Por se tratar de um roteiro adaptado, fica ainda mais nítido reparar as diferenças positivas mostradas nessa versão, ele se estende sem ficar cansativo, e ainda se recria e se remonta sem perder a coesão. A trilha sonora é uma obra à parte. Filmes de guerra costumam quase sempre ter uma trilha bastante marcante, mas o que Volker Bertelmann trabalhou nessa não foi brincadeira. Sozinha ela já encanta e faz o ouvinte sentir as vibrações e a urgência das melodias, e em conjunto com a história ela cresce de forma absurda, colocando o telespectador num torpor ainda mais agravante enquanto assiste a cenas tão pesadas. Divulgação: Netflix Outro ponto que se faz necessário mencionar é a fotografia de James Friend. Ela faz com que o caos ganhe uma beleza visual imersiva, com quadros tão bem encaixados que o público fica hipnotizado por cada detalhe, e sente que não pode perder nada daquilo. Quando soma ela à direção e à trilha, o resultado é esse conjunto fenomenal. Outros dois aspectos técnicos muito bem acertados são a edição, que com maestria faz essa obra elevar ainda mais o seu grau de qualidade, e os efeitos incríveis e convincentes. O austríaco Felix Kammerer, responsável por dar vida a Paul Bäumer, é quem fica a cargo de carregar a história ao seu redor, com companheiros de cena que vão o deixando no decorrer da caminhada e das mortes iminentes. O personagem vai ganhando um tom cada vez mais dramático com a passagem do tempo, e Kammerer sustenta de maneira louvável toda essa tensão e sofrimentos pelos quais Paul é submetido, e é perceptível no decorrer dos minutos de filme o quanto o ator se molda para entregar todas as nuances das perdas que ele sofre. 'Nada de Novo no Front' é um dos grandes acertos do ano. É um remake que se reinventa de maneira impecável, que deixa claro que ali não haverá nenhum final feliz e transmite com firmeza os horrores de uma guerra. Ele trabalha bem a dor, a angústia e a desesperança, e consegue fazer isso com um visual encantador. É uma produção muito bem feita e que teve cuidado do início ao fim em todos os seus aspectos. É garantia de telespectador vidrado enquanto o assiste já sabendo que ficará um leve vazio no peito ao acabar. Nota: 4,5/5
- Crítica | Trancada
Longa de suspense traz protagonista forte que luta para proteger os filhos. Divulgação: Synapse Distribution Disponível desde 30 de setembro nas plataformas da Claro tv+, iTunes/Apple, Google/Youtube e Vivo Play, o filme Trancada (Shut In) foi lançado nos EUA em fevereiro e é dirigido por por D.J Caruso, de “Eu Sou o Número Quatro” e “Paranoia”. O longa acompanha a jovem Jessica (Rainey Qualley) e seus dois filhos. Enquanto organiza a casa de sua mãe em uma localidade remota para vendê-la, ela é surpreendida pelo ex-namorado violento, Rob e Sammy, um perigoso foragido da justiça. Para se vingar de Jessica, Rob a tranca na despensa da casa. Aproveitando-se da situação, Sammy retorna à casa atrás de Lainey, a filha mais velha do casal. Desesperada, Jessica procura uma saída para salvar seus filhos do perigo iminente. O grande destaque, sem dúvidas, é a protagonista Rainey Qualley (sim, a irmã da Margaret Qualley de “Maid” e “The Leftovers”). Esse é o seu maior papel até então e ela dá conta do recado em momentos extremamente angustiantes. É possível perceber como a atriz se apropria dos aspectos físicos e emocionais da sua personagem para demonstrar o desespero perante a situação. O roteiro deixa explícito as dificuldades de Jessica diante das adversidades e, principalmente, da sua vontade em proteger os seus filhos custe o que custar. Divulgação: Synapse Distribution Tecnicamente, o longa explora bem o tom sombrio e assustador das localidades afastadas e abusa das cores frias em quase todas as cenas, ajudando a criar uma atmosfera tensa. E, mesmo abusando dos clichês do gênero em alguns momentos, consegue prender o telespectador durante a sua 1h28 de duração, especialmente por tratar de assuntos como violência doméstica e abuso de substâncias. Com 60% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes, o filme é uma boa pedida para os amantes de histórias tensas de suspense. Com atuações e personagens envolventes, “Trancada” tem momentos tensos que se complementam por meio de ótimos arcos de redenção e de amor maternal. Nota: 3/5
- Análise | Andor 1x05 (“The Axe Forgets”)
A grandeza dos pequenos detalhes. Divulgação: Disney+ "O ritmo da repressão ultrapassa a nossa capacidade de entendê-la. Esse é o truque da máquina Imperial de pensamento. É mais fácil se esconder atrás de 40 atrocidades do que de um único incidente." A essa altura, está mais do que clara a estrutura de Andor de trabalhar mini-arcos estruturados em três episódios, de modo que aqueles que esperam ver a invasão à base Imperial prometida no episódio anterior certamente se frustrarão. Entretanto, a lentidão de The Axe Forget não é de forma algum impeditivo, porque a série parece refinar cada vez mais seu ritmo e capacidade de imersão não só nos mundos que apresenta, como também no interior de seus personagens. O episódio investe boa parte do seu tempo em nos aproximar do heterodoxo grupo de rebeldes aos quais Cassian (Diego Luna) se une, em especial o idealista Nemik (Alex Lauther) e o desconfiado Skeen (Ebon Moss-Bacharach). A desconfiança mútua e a tensão pela chegada repentina de Cassian é palpável, e direção e roteiro fazem um ótimo trabalho em lentamente aproximar o grupo do protagonista antipático (e eu adoro que Cassian não é um personagem fácil de gostar!). Ao conhecermos mais de cada um, suas motivações e particularidades, não deixamos de nos envolver com eles – e sinto que esse é um prenúncio de que perderemos alguns deles na próxima semana, quando o ataque enfim se concretizar. Divulgação: Disney+ Paralelamente, a série continua a humanizar seus demais núcleos, tanto do lado dos rebeldes quanto dos antagonistas. Mesmo aparecendo em uma única cena, Luthen (Stellan Skarsgard) transparece suas inseguranças sobre se o plano que criou dará certo, enquanto Mon Mothma (Genevieve O’Reilly) está cada vez mais alienada de sua família e em um estado de alerta constante pelo risco de ter sua conexão com a Aliança Rebelde descoberta. Do outro lado, Dedra (Denise Gough) também é relegada a uma única cena, mas podemos ver que ela está longe de ser uma burocrata ineficaz como vimos outros personagens serem; pelo contrário, sua capacidade de observar um padrão em meio à aleatoriedade de ataques e roubos que o Império vem sofrendo é um forte sinal de que em breve a veremos no encalço de Cassian e seus novos aliados. E eu não duvidaria de que em algum momento ela se juntasse a Syril (Kyle Soller), que recebe bastante espaço neste episódio, seja sob o jugo da sua mãe (Kathryn Hunter) quanto na sua nítida obsessão em pegar Cassian, de modo que consigo visualizá-lo perfeitamente como uma versão espacial do Inspetor Javert (de Os Miseráveis). Claro que muito disso é um enorme “vem aí”, mas na qualidade de um episódio de transição (ou segundo ato do presente mini-arco), The Axe Forget continua o processo de encher o universo de Star Wars com um realismo e organicidade que enriquecem a saga, sem deixar de movimentar sua trama ou desenvolver seus personagens através de detalhes e gestos simples, mas que revelam muito de seus mundos interiores. Talvez fosse melhor à série ter três episódios lançados por semana? Sim, mas gosto da ousadia de Andor em não se render às expectativas de um público que anseia por entretenimento barato. Não há dúvidas de que o próximo episódio entregará mais ação, mas são nos momentos ordinários como uma refeição e nos diálogos politicamente carregados que a série evidencia sua grandeza e o frescor que traz para Star Wars.
- Crítica | Os Suburbanos
Um grande esquete do que havia de pior em programas humorísticos antigos. Divulgação: Downtown Filmes e Paris Filmes Qual o limite do que é aceitável dentro de um suposto filme de comédia? Ou tudo é válido em troca das risadas? Durante a quase uma hora e meia de Os Suburbanos essa pergunta invade a mente, principalmente por nem sequer conseguir gerar risadas. Para começar, deve-se dar créditos ao longa por já no início alertar ao espectador que aquilo não se trata de um bom filme, pessoas com mais consciência escutariam o aviso e abandonariam ali mesmo, pois, os minutos seguintes vão gerar um grande desconforto e uma sensação fixa de vergonha alheia até o final. Estrelado por Rodrigo Sant’Anna, o filme não se leva a sério em nenhum momento, o que até poderia ser algo legal, mas ele não consegue criar nenhuma atmosfera de humor. Utilizando de clichês e estereótipos extremamente ultrapassados e batidos, ele se molda por trás de tentativas de piadas grosseiras que parecem tiradas de esquetes de programas de humor dos anos 90. A insistência dessas produções em continuarem retratando a figura de pessoas suburbanas e periféricas de maneira espalhafatosa é algo que causa um incômodo contínuo, trazendo uma saturação de algo que nem deveria ser abordado assim. Não tem muito sentido em avaliar uma obra que deixa óbvio que o único motivo da sua existência é lucrar com o mínimo de investimento ou esforço de fazer algo razoavelmente bom. No entanto, ele pelo menos tem o bônus de algumas personalidades queridas por muita gente de aparecerem em tela. Muitas das vezes sem qualquer propósito, mas quem se importa com isso dentro de uma produção que não se leva a sério, né? Figuras como Tadeu Mello, Rafael Portugal e até Jojo Toddynho aparecem em algum momento, deixando o longa atrativo por alguns segundos. Contudo, nada se salva. Não há nenhuma seriedade de roteiro, parece um grande compilado de frases pavorosas e situações que beiram o ridículo. Nenhuma escolha ali parece acertada, e o protagonista deixa tudo ainda mais desagradável, as tentativas de Sant’Anna de executar humor físico são vergonhosas, e nenhuma delas consegue gerar nem um fantasma de riso. Além disso, há a terrível ideia de continuar utilizando figuras LGBTQIAP+ como piada, trazendo uma representação desrespeitosa, ultrajante e ultrapassada que já era um desserviço no passado, e ganha um tom ainda pior quando se é lembrado que o ator principal é um homem gay. Por fim, ‘Os Suburbanos’ é um dos filmes menos atrativos já idealizados, não há graça na forma de humor que utilizam e não há seriedade ou interesse em fazer comédia de qualidade. Não há o mínimo esforço em se fazer algo menos que o ruim, deixando uma sensação de piedade em atores talentosos que entraram nisso (provavelmente por falta de opção). A questão principal que ele deixa é: qual a razão de tentar fazer algo bom se o ruim parece dar retorno?
- Crítica | Eleita (1ª Temporada)
Série de comédia do Prime Video debocha da política brasileira em realidade (não tão) distópica. Divulgação: Amazon Prime Video No último fim de semana, os brasileiros foram às urnas para escolherem os seus representantes durante os próximos quatro anos. Usando um timing preciso, a Prime Video resolveu lançar sua mais nova série de comédia nesta sexta-feira, 7. Eleita, desenvolvida por Célio Porto e Clarice Falcão, se passa em uma realidade distópica onde o estado do Rio de Janeiro está passando por grandes problemas de abandono. Nesse cenário, Fefê (interpretada por Clarice), uma influenciadora digital resolve fazer uma brincadeira com os amigos e se candidata ao governo do Rio de Janeiro. Porém, a zoeira acaba fazendo mais sucesso do que ela esperava e a população decide elegê-la. Agora, com uma grande responsabilidade na mão, Fefê não faz ideia de como administrar tanto poder sobre o estado. Durante evento para a imprensa em que o ‘Oxente, Pipoca?’ pode participar, Clarice afirmou que durante o processo de escrita da série, ela e Célio precisavam sempre exagerar cada vez mais no conteúdo explorado por “Eleitas”, pois, a realidade sempre parecia ser pior. “As nossas principais referências não vieram de outros filmes e séries e sim de situações da política global. Usamos de exemplo o presidente atual da Ucrânia e o prefeito de Reykjavik”, relatou Célio. Divulgação: Amazon Prime Video É fato que quando você assiste aos episódios da série a similaridade com a situação atual assusta. Ao mesmo tempo que percebemos as não tão sutis críticas do roteiro, também rimos ao pensar que personagens como Fefê ganham espaço na vida real e são, de fato, eleitas para ocupar cargos importantes na sociedade sem nenhum tipo de preparo ou sem nem entender o que política. Com ótimo elenco, “Eleita” tem um roteiro inteligente, sagaz e que em alguns momentos causa um enorme sentimento de vergonha alheia. Sua curta duração dos episódios ajuda a maratona e torna a série algo fácil de ser digerido pelo telespectador. Ao abordar o tema de forma leve, a série propõe uma reflexão política importante para quem está do outro lado da tela. Além de Clarice e Célio, também participaram da coletiva Carolina Jabor (diretora), Diogo Vilela, Polly Marinho, Bella Camero e Malu Miranda (Head de Conteúdo Original Brasileiro para o Amazon Studios). O projeto teve seus primeiros passos em 2017, durante o mandato presidencial de Michel Temer. A atriz Polly Marinho declarou: “Passamos por um momento da política que é praticamente uma comédia. A gente não falou nenhuma mentira. Estamos rindo de nós mesmos, porque o brasileiro tem essa facilidade de rir das coisas, levar as coisas mais alegres. É rir da própria desgraça”. Falando sobre fundamentalismo religioso dentro das bancadas congressistas e legislativas e o domínio hegemônico que é proposto pelos evangélicos dentro da política brasileira, “Eleitas” chega nos streamings no melhor (ou pior) momento possível: Logo após uma das eleições que mais levou pessoas no estilo de Fefê e de sua antagonista para o poder. Para os atores, a expectativa é que a série, ao final, faça os seus telespectadores se perguntarem “Será que eu estou batendo palma para maluco dançar?”, “Será que votei bem na última eleição?”. Com os resultados atuais em alguns estados, acredito que a realidade distópica pode facilmente se tornar algo cada vez mais tangível para os brasileiros. Nota: 4/5
- Crítica | Sorria
O terror estrelado por Sosie Bacon cumpre seu papel. Divulgação: Paramount Brasil No mundo todo, o sorriso é associado à alegria e bons sentimentos. Em “Sorria”, novo filme do diretor Parker Finn, essa lógica é subvertida: o que deveria ser um sinônimo de cordialidade é, aqui, transformado em um artifício para causar medo. Assim, contando com uma premissa interessante, “Sorria” chega aos cinemas com a promessa de honrar o gênero de horror e assustar de verdade quem assiste. Mas será que consegue cumpri-la? A trama segue Rose Cotter (Sosie Bacon), psiquiatra que trata transtornos psíquicos de pacientes da ala emergencial, majoritariamente voltados ao trauma recente. Após presenciar uma paciente recém chegada tirar a própria vida, a médica começa a ser perseguida por uma entidade que se manifesta através de sorrisos aterrorizantes no rosto de pessoas próximas. O enredo é simples. Já vimos premissas parecidas em filmes como Verdade ou Desafio, A Entidade e, principalmente, Corrente do Mal. Marcando sua estreia nas grandes telas, o diretor Parker Finn não esconde as fontes que influenciaram o filme, que também teve roteiro assinado por ele. Por isso, há um condicionamento na experiência de quem assiste, já que algumas das linhas narrativas trazidas em ‘Sorria’ remetem bastante a seus predecessores, fazendo transparecer uma certa falta de personalidade por parte do longa. Divulgação: Paramount Brasil Porém, ainda é preciso dar o devido crédito ao filme em alguns aspectos. Isso porque, mesmo com toda essa bagagem em torno de si, Parker Finn consegue trazer sua marca através da criação de uma atmosfera sinistra eficiente, muito bem aproveitada por sua protagonista (Sosie Bacon). A atriz (que, assim como Finn, é uma estreante) encarna com propriedade seu papel e entrega uma interpretação formidável. Assim, a combinação dos maneirismos do diretor e a interpretação de Bacon, que incorpora uma personagem à beira do colapso, são eficazes em concretizar a proposta do filme, que é justamente a linha tênue entre o que é realidade e o que não é. Nessa lógica, o longa conta com sequências realmente tensas, deixando o espectador vidrado e ansioso para ver como vai terminar. Divulgação: Paramount Brasil Claro, não tem como dizer que o 'Sorria' é uma revolução do cinema de horror, por que não é. Isso se deve ao fato de que, muito embora o terror venha se reinventando nos últimos anos através de algumas produções formidáveis, ainda é difícil evitar que esses filmes – principalmente os voltados ao grande público – não recaiam nos grandes clichês do gênero. No geral, mesmo não tendo uma história inovadora, o filme permanece na média e entrega resultados satisfatórios, trazendo um elenco competente e um bom aparato técnico. Com isso, sem muitas novidades, mas com o papel cumprido em ser um terror que, de fato, assusta, ‘Sorria’ faz valer o seu ingresso. Nota: 3,5/5












