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- Gotham Awards 2022 anuncia seus indicados
O brasileiro 'O Território', coproduzido internacionalmente, foi um dos nomeados da 32ª edição do evento. Conhecida por ser uma das primeiras premiações da temporada, o Gotham Independent Awards divulgou oficialmente os indicados para sua 32ª edição, que contou com presença do brasileiro O Território, coproduzido internacionalmente, na categoria de Melhor Documentário e presença de grandes filmes como Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo e o sucinto Aftersun nas categorias de cinemas. Além disso, nas categorias de TV, Abbott Elementary, Pachinko, Severance, This Is Going To Hurt e Station Eleven estão entre os honrados. Dirigido pelo estadunidense Alex Pritz, O Território segue um jovem líder indígena do povo Uru-eu-wau-wau lutando contra agricultores, colonizadores e colonos que invadem uma área protegida da Floresta Amazônica. Confiram todos os nomeados ao Gotham Independent Awards 2022: MELHOR NOVA SÉRIE (-40 MIN) Abbott Elementary (ABC) As We See It (Amazon Prime Video) Mo (Netflix) Rap Sh!t (HBO Max) Somebody, Somewhere (HBO) MELHOR NOVA SÉRIE (+40 MIN) Pachinko (Apple TV+) Severance (Apple TV+) Station Eleven (HBO Max) This Is Going To Hurt (BBC/AMC+) Yellowjackets (Showtime) MELHOR ATUAÇÃO EM NOVA SÉRIE Bilal Baig (Sort Of) Ayo Edibiri (The Bear) Janelle James (Abbott Elementary) Matilda Lawler (Station Eleven) Britt Lower (Severance) Melanie Lynskey (Yellowjackets) Sue Ann Pien (As We See It) Minha Kim (Pachinko) Zahn McClarnon (Dark Winds) Ben Whishaw (This Is Going To Hurt) MELHOR SÉRIE DE NÃO-FICÇÃO The Andy Warhol Diaries (Netflix) The Last Movie Stars (HBO Max) Mind Over Murder (HBO) The Rehearsal (HBO) We Need to Talk About Cosby (Showtime) MELHOR FILME Aftersun The Cathedral Dos Estaciones Everything Everywhere All at Once Tár MELHOR FILME INTERNACIONAL Athena 🇫🇷 The Banshees of Inisherin 🇮🇪 Corsage 🇦🇹 Decision to Leave 🇰🇷 Happening 🇫🇷 Saint Omer 🇫🇷 MELHOR DOCUMENTÁRIO All That Breathes All the Beauty and the Bloodshed I Didn’t See You There O Território What We Leave Behind MELHOR DIREÇÃO REVELAÇÃO Owen Kline (Funny Pages) Elegance Bratton (The Inspection) Antoneta Alamat Kusijanovic (Murina) Beth De Araújo (Soft & Quiet) Jane Schoenbrun (We’re All Going to the World’s Fair) MELHOR ROTEIRO Kogonada (After Yang) James Gray (Armageddon Time) Lena Dunham (Catherine Called Birdy) Todd Field (Tár) Sarah Polley (Women Talking) MELHOR ATUAÇÃO COADJUVANTE Mark Rylance (Bones and All) Brian Tyree Henry (Causeway) Ke Huy Quan (Everything Everywhere All at Once) Raúl Castillo (The Inspection) Gabrielle Union (The Inspection) Nina Hoss (Tár) Noémie Merlant (Tár) Hong Chau (The Whale) MELHOR ATUAÇÃO PRINCIPAL Cate Blanchett (Tár) Danielle Deadwyler (Till) Dale Dickey (A Love Song) Colin Farrell (After Yang) Brendan Fraser (The Whale) Paul Mescal (Aftersun) Thandiwe Newton (God’s Country) Aubrey Plaza (Emily the Criminal) Taylor Russell (Bones and All) Michelle Yeoh (Everything Everywhere All At Once) MELHOR ATUAÇÃO REVELAÇÃO Frankie Corio (Aftersun) Kali Reis (Catch the Fair One) Gracija Flipovic (Murina) Anna Diop (Nanny) Anna Cobb (We’re All Going to the World’s Fair) Os vencedores do Gotham Independent Awards 2022 serão anunciados em 28 de novembro nos Estados Unidos.
- Crítica | Rota 66: A Polícia Que Mata
Uma das minisséries mais necessárias do ano. Divulgação: Globoplay Genivaldo Santos. Kathlen Romeu. Ágatha Vitória Félix. Três pessoas cujas vidas foram interrompidas precocemente por conta da violência policial no Brasil. Além de serem moradores de áreas periféricas, os três também eram pretos e morreram entre 2019 e 2022. Genivaldo, Kathlen e Ágatha são apenas três dos milhares já assassinados covardemente pela polícia. São histórias como essas que a série do Globoplay, Rota 66, conta durante seus oito episódios. “Rota 66” é baseada no livro reportagem de Caco Barcellos, jornalista da TV Globo, publicado originalmente em 1992. Em “Rota 66: A História da Polícia que Mata”, Caco investiga e denuncia a atuação irregular da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) como um verdadeiro aparelho estatal de extermínio em São Paulo entre 1970 a 1990. Na Rota, policiais forjaram confrontos para justificar a morte de dezenas de milhares de cidadãos, em sua maioria pretos e pobres, apenas por puro sadismo, punitivismo e satisfação pessoal. O trabalho de Caco é revolucionário e se tornou um dos maiores exemplos de jornalismo investigativo para qualquer aspirante da profissão. Na adaptação do streaming, Maria Camargo e Teodoro Poppovic ficaram responsáveis pela remodelação do conteúdo do livro, que também tem direção artística de Philippe Barcinski. Adaptar “Rota 66” não era uma tarefa fácil, mas, a série do Globoplay aproveita tudo de mais impressionante da obra e não se preocupa em fazer uma adaptação literal. Caco, interpretado por Humberto Carrão, ganha mais nuances aqui e nós conhecemos o homem por trás do repórter e entende como a profissão era importante na vida dele, afetando até suas relações amorosas e familiares. Ficcionalizando alguns dos crimes citados por Caco e dando vida aos números existentes no livro com personagens palpáveis, a adaptação também acerta mostrando o contexto vivido por milhares de brasileiros que moravam em locais considerados de “alta criminalidade”. “Rota” aproveita o embalo e faz uma breve, mas extremamente pontual, crítica aos programas policiais sensacionalistas que perduram na televisão brasileira até hoje e endossam o discurso de que “bandido bom é bandido morto”. Divulgação: Globoplay Tecnicamente “Rota 66” também é incrível e não abusa de muitas cenas gráficas para demonstrar a violência, nós conseguimos enxergá-la por meio dos detalhes e especialmente pela dor no olhar dos familiares e da indignação do jornalista. Vale destacar a atuação fenomenal de Humberto Carrão e de Ailton Graça, mas, todo elenco está em perfeita sintonia. É preciso fôlego para chegar até o final de “Rota 66”, que inclusive vai além do contado no livro e mostra outras situações que tiveram o envolvimento dos policiais da Rota (como o massacre de Carandiru) e da reação da corporação ao lançamento do livro. Porém, esta é uma série extremamente necessária para a sociedade brasileira, pois, mais de 30 anos depois, a polícia continua matando de forma indiscriminada, sem punições e os alvos quase sempre são os mesmos. Espero muito que “Rota 66” venha a ser exibida em TV aberta para que mais brasileiros conheçam mais profundamente a figura excepcional de Caco Barcellos e, principalmente, para que entendam o quanto é necessário que toda a instituição da polícia seja repensada pelos governantes e que essa matança precisa terminar. Não podemos admitir que mais Genivaldos, Ághatas e Kathlens percam a vida precocemente nas mãos de uma polícia covarde, preconceituosa e violenta. Nota: 5/5
- Os melhores filmes do Festival de Toronto 2022
'The Whale', 'Women Talking' e 'Holy Spider' figuram no top 10. Divulgação: A24 Após 10 dias e quase 45 filmes vistos, o Festival de Cinema de Toronto 2022 acabou oficialmente e não poderíamos de deixar de fazer uma listinha com os filmes que mais gostamos de assistir no evento. Sim, sabemos que atrasamos, mas o importante é que veio aí. Então vamos lá, os melhores filmes do TIFF 2022 foram: 1. The Whale - Confira nossa crítica Mais um sucesso de Darren Aronofsky, conta com incríveis performances de Brendan Fraser, Sadie Sink e Hong Chau. O filme consegue ser claustrofóbico e incômodo ao mesmo tempo que mantém o espectador preso no filme durante toda a sua duração. Courtesy of TIFF 2. The Banshees of Inisherin Martin McDonagh entrega mais uma perfeita combinação de comédia e drama, fazendo o espectador refletir sobre as amizades, suas relações, e quanto amamos os nossos dedos. Colin Farrell, Brendan Gleeson, Kerry Condon e Barry Keoghan nos transportam para a ilha fictícia de Inisherin, entregando-nos momentos hilários. Courtesy of TIFF 3. Joyland (Paquistão) O filme consegue capturar perfeitamente a dinâmica da família paquistanesa, fazendo a audiência passar por uma montanha russa de emoções. Conta com visuais e direção de arte incríveis, que consegue nos levar a diferentes e contrastantes locais do Paquistão. Courtesy of TIFF 4. All Quiet on the Western Front (Alemanha) O remake do clássico filme consegue trazer o lado pesado da guerra e passar sua mensagem sem a força na goela do espectador, coisa que ‘The Greatest Beer Run Ever’ fala miseravelmente. Uma possível grande aposta no filme internacional da Netflix que mais um ano consegue emplacar um grande nome durante os festivais. Courtesy of TIFF 5. Bros - Confira nossa crítica A ótima comédia romântica continua usando a tradicional fórmula básica do gênero, mas consegue sair da mesmice dos recentes filmes. Creio que ninguém que vá assistir consegue sair odiando-o. Um dos mais engraçados do ano. Courtesy of TIFF 6. Os Fabelmans - Confira nossa crítica Mais um grande acerto de Steven Spielberg, que consegue capturar sua infância e adolescência, sem esconder os seus defeitos. Perfeitamente capturando o amor de um jovem com o cinema, o diretor consegue entregar um lado que não o tínhamos visto explorar. O filme também conta com uma performance incrível de Gabriel LaBelle e Michelle Williams. Courtesy of TIFF 7. Women Talking Sarah Polley consegue adaptar o livro de mesmo nome, entregando uma incrível e difícil conversa, que mulheres de uma comunidade têm que ter para decidir o seu futuro. Jessie Buckley e Claire Foy são o principal destaque do filme, que tem como seu principal erro uma escolha visual. Courtesy of TIFF 8. Holy Spider (Dinamarca) O longa consegue mostrar a pesada história de uma jornalista que tenta achar um serial killer. A parte mais interessante do filme é que ele consegue chocar e amedrontar, ao mesmo tempo que nunca mostra coisas que infelizmente fazem parte e acontecem na sociedade atual.. Courtesy of TIFF 9. EO (Polônia) Mesmo sendo curto, ele consegue nos levar a lugares extremamente diferentes ao nos mostrar a jornada de um burro. Com um visual e ponto de vista único, o filme consegue capturar a essência do animal que desta vez carrega a história nas costas. Courtesy of TIFF 10. Triangle of Sadness Não surpreende ninguém que o ganhador da Palma de Ouro esteja entre os melhores filmes do festival. Ruben Östlund consegue trabalhar os temas que propõem, ao mesmo tempo que assistimos algumas das situações mais inusitadas, que infelizmente se tornam realistas na visão do diretor. Dolly De Leon é o principal destaque do filme, que só erra ao introduzir sua personagem somente no terceiro ato. Courtesy of TIFF 11. Weird: The Al Yankovic Story - Confira nossa crítica Uma das maiores surpresas do festival, o filme consegue acertar perfeitamente o tom que propõe, entregando uma ótima comédia. Daniel Radcliffe pode não estar perfeito, mas consegue entregar um personagem que nos lembra de Al, ao mesmo tempo que definitivamente não é a grande figura que conhecemos. Courtesy of TIFF 12. R.M.N (Romênia) Mostrando a xenofobia de habitantes de uma pequena cidade contra novos imigrantes que vão trabalhar em uma fábrica local, o filme romano consegue demonstrar a triste realidade de muitos lugares no mundo. Apesar de ter um começo lento, ele consegue se encontrar e fluir até o fim, mesmo quando sai da história principal. Courtesy of TIFF 13. Glass Onion: Um Mistério Knives Out - Confira nossa crítica Uma bela sequência ao seu maior sucesso original ‘Knives Out’. Com uma nova leva de personagens interessantes que se encontram em uma situação inusitada, o diretor reverte a fórmula do “Who-done-it?” nos mantendo cativados pelo longo filme. Daniel Craig está bem na sua volta como o detetive Benoit Blanc, mas o destaque é Janelle Monáe. Courtesy of TIFF 14. Carvão (Brasil) - Confira nossa crítica Com uma incrível crítica social à atual sociedade brasileira, a roteirista Carolina Markowicz consegue entregar um fantástico primeiro longa como diretora. Deixando a audiência refletir sobre suas reações à situação apresentada, o longa consegue colocar o público no centro da família apresentada. Courtesy of TIFF 15. Nanny O suspense/terror entrega uma das minhas performances preferidas do festival, vinda de Anna Diop. O filme consegue passar do terror psicológico, e entrega temas incrivelmente relevantes à sociedade atual, ao mesmo tempo que deixa a audiência intrigada durante toda a sua duração. Courtesy of TIFF 16. Pearl O filme não consegue ser tão bom quanto o seu antecessor, ‘X’, mas ainda é um ótimo uso de seu tempo ao ver a história de uma mulher movida pelo seu sonho. Ele consegue misturar o terror com o cinema clássico dos anos 30/40, dando espaço para Mia Goth brilhar, em uma das melhores performances do ano até agora. Courtesy of TIFF 17. Leonor Will Never Die Apesar de ser um filme que não vai agradar a todos, Martika Ramirez Escobar consegue capturar a essência e amor ao cinema nacional, mostrando uma linda história sobre uma cineasta aposentada que ao entrar em um como acaba sonhando com o filme que sempre quis produzir. Ele até funciona muito bem como filme de ação, sempre mantendo seu estilo único que ao mesmo tempo que satiriza, vangloria o cinema filipino. Courtesy of TIFF 18. The Inspection Jeremy Pope brilha no longa que explora um personagem que decide tentar entrar no exército. O filme que conta com visuais deslumbrantes consegue usar todo o talento de Pope que está excepcional, principalmente quando contracenando com Gabrielle Union. Courtesy of TIFF 19. Return to Seoul (França/Coreia do Sul) A atriz estreante Park Ji-Min entrega uma das melhores atuações do ano, neste drama que explora a relação de pessoas que migraram jovem com suas terras natais. O filme poderia ser um pouco menor, mas ainda brilha ao explorar relações familiares, adoção e imigração. Courtesy of TIFF 20. Causeway Jennifer Lawrence consegue entregar uma boa atuação no longa que explora o trauma de uma soldada que volta à sua cidade natal. O filme brilha ao explorar outros lados de sua personagem, principalmente sua relação com o personagem de Brian Tyree Henry, que está tão bem quanto Lawrence. Courtesy of TIFF 21. Wendell & Wild 22. Miúcha: A Voz da Bossa-Nova (Brasil) 23. Valeria is Getting Married 24. The Eternal Daughter 25. The Good Nurse 26. Other People's Children (França) 27. Emily 28. Aristotle and Dante Discover the Secrets of the Universe 29. Empire of Light 30. The Lost King Courtesy of TIFF 31. La Jauria (Colômbia) 32. Raymond & Ray 33. Moving On 34. Devotion 35. Allelujah 36. The Son - Confira nossa crítica 37. My Policeman 38. A Jazzman's Blues 39. The Greatest Beer Run Ever 40. Mato Seco em Chamas (Brasil) 41. Butchers's Crossing 42. Prisioner’s Daughter Courtesy of TIFF
- Crítica | O Clube da Meia-Noite
Mais um acerto de Mike Flanagan. Divulgação: Netflix Na última semana, a Netflix lançou mais um trabalho do cineasta Mike Flanagan. Depois das ótimas “A Maldição da Residência Hill”, “A Maldição da Mansão Bly” e “Missa da Meia-Noite”, foi a vez de “O Clube da Meia-Noite” chegar na plataforma. Adaptado do livro infanto-juvenil homônimo do autor Christopher Pike, a trama traz para o protagonismo sete jovens com doenças terminais que passam os seus últimos dias de vida em uma casa chamada Brightcliffe, uma espécie de asilo para pessoas que estão em um estado irreversível. Acompanhamos, primeiramente, Ilonka. A jovem estava a caminho de se formar e frequentar Harvard quando descobre que está em estado terminal e nove meses depois, quando seu tratamento para de funcionar, os médicos declaram que ela já não tem muito tempo. Desesperada para encontrar uma cura para si mesma, Ilonka se depara com o local, intrigada com a história de uma garota chamada Julia Jayne, que entrou em Brighcliffe com uma doença terminal e saiu curada após seu misterioso desaparecimento de uma semana. Em Brightcliffe ela conhece Anya, Kevin, Sandra, Chris, Cheri, Amesh e Natsuki e toda meia-noite, o grupo se reúne para contar histórias assustadoras entre eles. Uma noite, eles decidem fazer um pacto para que o primeiro a sucumbir a doença seja responsável pela comunicação com os outros no além. Trazendo rostos já conhecidos de suas outras séries e novos jovens talentos, “O Clube da Meia-Noite” impressiona desde o seu início ao apostar em uma temática delicada de uma forma raramente proposta antes. São jovens que estão prestes a morrer por uma doença incurável e que possuem uma relação diferente com a morte e o sofrimento. Além disso, ela também cria um subcontexto muito interessante com os paralelos dos acontecimentos na casa e nas histórias contadas pelos garotos no clube. Por isso, sem dúvidas, o principal trunfo da série é o elenco jovem que consegue dar conta de diversas narrativas paralelas com interpretações diferentes. São nessas histórias que conseguimos ver as nuances de uma história muito complexa, que utiliza-se de fábulas para fazer alegorias sobre o medo, amor, sofrimento, luto, fé e a complexidade humana. Além de tudo, “O Clube da Meia-Noite” foca especialmente no drama e na discussão sobre saúde mental dos adolescentes, deixando o terror para os jumpscares que aparecem em alguns momentos. Com um ótimo gancho para uma segunda temporada (talvez, quem sabe), com “O Clube da Meia-Noite” temos a certeza que Mike Flanagan é um dos melhores contadores de histórias de terror no formato seriado que temos no momento. Nota: 4/5
- Análise | Andor 1x06 ("The Eye")
Uma das melhores horas já vistas em toda a saga. Divulgação: Disney+ The Eye coroa a primeira metade desta temporada inaugural de Andor, centrando-se quase exclusivamente no roubo à instalação imperial em Aldhani que vinha sendo cozinhado à queima lenta desde o quarto episódio. Uma vez estabelecidos os personagens do grupo rebelde e suas motivações individuais, o episódio tem consciência de que já nos apegamos em alguma medida a eles e, como previsto, usa isso para elevar as apostas e a tensão durante toda a sequência do assalto, meticulosamente entregue pela diretora Susanna White. Não é nenhum segredo (ou spoiler) de que algo dará errado nesta sequência; afinal de contas, quando na história do cinema e da TV algum roubo deu certo conforme seus participantes planejavam? Mas ao final, confesso que a lista de baixas foi até menor do que eu esperava, embora duas delas certamente terão um impacto significativo sobre Cassian (Diego Luna) e suas ações. Ainda que o personagem continue sendo em determinados momentos antipático e difícil de gostar (e digo isso como um elogio), é notável que já vejamos aqui uma certa evolução nele que o aproxima mais um pouco da figura que conhecemos em Rogue One. De qualquer modo, White constrói uma tensão tão palpável que em alguns momentos chega a ser insuportável. Embora seja o episódio mais frenético da série até o momento, junto com o terceiro, The Eye não busca sacrificar a narrativa pela ação; pelo contrário, ao vermos mais dos momentos anteriores ao assalto – inclusive mergulhando um pouco nas rotinas dos agentes imperiais –, isso apenas amplifica a tensão, além de continuar a tendência da série em borrar as linhas entre “mocinhos” e “vilões”, imprimindo uma maior moralidade cinza a esses personagens que apenas engrandece a série. O episódio também traz alguns comentários pungentes sobre colonização, ao trazer os nativos Aldhani à tela para vermos suas interações (tensas) com os agentes imperiais, que se portam como claros colonizadores com nenhum respeito pelas tradições dos povos cujas terras ocupam. Portanto, é simbólico que o evento que dá nome ao episódio seja também um símbolo de escape para o grupo do qual Cassian faz parte; e num raro desvio da abordagem mais realista e “pé no chão” da série, vemos uma espetacular sequência onde o CGI não apenas funciona muitíssimo bem, como proporciona um espetáculo visual que certamente rende algumas das imagens mais icônicas da franquia. Fechando esta primeira metade da temporada, The Eye carrega o sabor agridoce que tem permeado a série, se destacando por uma sequência que faz a invasão à Estrela da Morte em Uma Nova Esperança parecer fichinha. Mérito de um roteiro que sabe dar o peso emocional devido à sua narrativa e aos seus personagens, fazendo com que nós espectadores sintamos a ansiedade por qualquer possível passo em falso ou imprevisto. Não é apenas o melhor episódio de Andor até o momento, mas também uma das melhores horas já vistas em toda a saga de Star Wars.
- Crítica | O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (1ª Temporada)
Um retorno irregular, mas com muitos méritos, à Terra-Média. Divulgação: Matt Grace/Prime Video Desde seu anúncio, The Rings of Power foi recebida com bastante temor e descrença por parte do público. Em circunstâncias normais, a série já teria o desafio de marcar uma nova fase para uma saga literária que não apenas moldou a fantasia ocidental, como também foi adaptada numa das mais aclamadas trilogias da história do cinema; porém, aqui o desafio se multiplica em face do protecionismo exacerbado (e do conservadorismo preconceituoso) que boa parte do fandom d’O Senhor dos Anéis possui com a obra. Galadriel guerreira? Elfo negro? Diversidade de gênero e raça na Terra-Média? Inaceitável. Assim, é um alívio ver que, no fim das contas, a série dribla seus críticos do “identitarismo” aqui adotado, trazendo subtextos políticos atuais (e que, aliás, nunca faltaram nos escritos de Tolkien). Infelizmente, isso não é garantia de que ela esteja isenta de problemas, criando uma primeira temporada que evoca muito da grandeza deste universo na sua narrativa e nos seus visuais, mas que nem sempre consegue mascarar suas deficiências. O primeiro episódio não precisa de muito para nos convencer de que estamos de volta à Terra-Média: o prólogo, condensando os eventos da Primeira Era (que não puderam ser adaptados por motivos de direitos autorais), já nos impressiona com a grandiosidade e senso de espetáculo trazidos para a série. É visível que a Amazon usou bem cada centavo dos quase 500 milhões de dólares investidos nesta temporada, e em meio a essa escassez de bom CGI que a TV e o cinema vêm passando, The Rings of Power é quase um oásis visual, o que só se confirma episódio após episódio, seja com a introdução de Númenor no terceiro episódio ou a sequência climática surpreendente do sexto. Divulgação: Courtesy of Prime Video Narrativamente, porém, a série porém apresenta algumas fragilidades que são difíceis de notar. Não tenho problemas com o fato dela jogar no seguro e trazer núcleos que tem relação direta ou indireta com os personagens conhecidos da saga original, mas há uma dificuldade em nos conectarmos a estes personagens, seja aqueles que já conhecemos em suas versões mais jovens – como Galadriel (Morfydd Clark) e Elrond (Robert Aramayo) – ou os “novos”, como os númenorianos e sulistas. Os núcleos que mais se destacam nesse sentido são os dos anões – a amizade de Elrond e Durin IV (Owain Arthur) é a mais genuína da série – e dos pés-peludos, que na condição de antepassados dos hobbits apresentam diversas peculiaridades e trejeitos que os tornam facilmente apaixonantes, mesmo que estejam conectados a um dos dois grandes “mistérios” da temporada (explicarei o por quê das aspas mais abaixo). Porém, o que mais atrapalha The Rings of Power é que, se por um lado a série usa bem a primeira metade da temporada para apresentar seus núcleos (a despeito da “lentidão” da qual tanta gente injustamente reclamou), ainda resta a impressão do roteiro dar algumas voltas para chegar onde quer, especialmente no quinto episódio; ironicamente, o clímax da temporada parece pertencer ao sexto e antepenúltimo episódio, que se concentra na convergência de dois núcleos para construir o momento mais épico da temporada, uma versão que, guardadas as devidas proporções, é o equivalente da Batalha de Helm’s Deep para a série. Por outro lado, parece haver uma insegurança na obra quanto a abraçar por completo esse ritmo mais contemplativo, o que leva à errônea decisão de acelerar certos eventos logo no último episódio para entregar uma grande revelação que só o mais desatento dos espectadores não teria adivinhado. E não há problema na previsibilidade, mas desde o primeiro momento do episódio já somos alertados para o que está por vir, o que detrai muito do momento da revelação – ainda que o momento em si figure como um dos ápices da temporada. Divulgação: Courtesy of Prime Video Soa contraditório, mas essa contraditoriedade parece povoar esta primeira temporada de The Rings of Power, para o bem ou para o mal. É uma série que consegue incorporar muito da essência de Tolkien, principalmente nos diálogos, mas às vezes perde a mão para entregar alguns diálogos canhestros; que consegue se distanciar da proposta de Peter Jackson para os filmes e entregar algo próprio e seu, mas também não resiste a uma boa dose de nostalgia e fan-service que em alguns momentos soa gratuito; que não tem medo de ir na contramão do consumo de séries como fast-food para entregar uma narrativa por vezes mais lenta e contemplativa, mas também quer acelerar o ritmo em momentos que há necessidade de mais respiro. Mas apesar de seus notáveis tropeços, a série ainda se mostra repleta de potencial, sendo também o declarado primeiro passo rumo a esse mergulho na Segunda Era, que promete ser por si só um novo e marcante momento na história da saga. Corrigido esses erros nas próximas temporadas, a série pode enfim abraçar toda a grandeza e irrepreensibilidade que lhe são devidos. Nota: 3,5/5
- Crítica | Bad Sisters (1ª Temporada)
O peso do abuso através de uma intrigante (e eficaz) ótica cômica. Divulgação: Apple TV+ Bastam poucos minutos do primeiro episódio de Bad Sisters para que vejamos que não há muito o que lamentar pela morte de John Paul Williams (Claes Bang). Em um dos (muitos flashbacks) da série, o vemos no Natal sendo a encarnação mais perfeita e desprezível do típico agregado da família que é meramente suportado e que mal esconde seus preconceitos e visões abjetas de mundo, deixando toda parentela desconfortável e ofendida com seus comentários e ações racistas, machistas e misóginas. Há algo de familiar em John Paul — afinal de contas, infelizmente todos conhecemos uma pessoa como ele — , mas ainda assim, essa sequência no Natal é apenas a ponta do iceberg do quão baixo esse homem pode ser. Se não há muito o que lamentar pela sua morte, portanto, também é compreensível porque suas cunhadas passarão o restante desses flashbacks buscando maneiras de matá-lo. É sombrio ou desconcertante? Sim, mas Bad Sisters logra êxito em andar nessa tênue linha entre o que é reprovável e o que é aceito, o certo e o errado e a comédia e o drama. Adaptação da série belga Clan, esta versão leva a história original para Dublin, onde as cinco irmãs Garvey — Eva (Sharon Horgan, co-criadora da série), Grace (Anne-Marie Duff), Ursula (Eva Birthistle), Bibi (Sarah Greene) e Becka (Eve Hewson) — lutam cada uma à sua maneira contra a sombra opressiva de John Paul, na maior parte do tempo juntas. Dividindo-se entre presente e passado, Bad Sisters está mais interessada no passado, onde vemos o cotidiano do casamento de Grace e John Paul e as estratégias cada vez mais mirabolantes das demais irmãs em se livrar do “escroto” (termo carinhoso pelo qual o chamam) de uma vez por todas. A comédia da série nunca busca arrancar constantes risadas do espectador, mas sempre nos faz rir e pensar “será que é certo rir disso?”. Contudo, há momentos em que a narrativa é tão eficaz em nos mostrar o quanto John Paul é abusivo com sua esposa e filha Blanáid (Saise Quinn) que não há o que rir. Isso também é um mérito de Claes Bang, que consegue trazer para a tela um personagem verdadeiramente desprezível, desgraçado e odioso como poucas vezes me lembro de ter visto na TV; contudo, ele se destaca mais pelo quão humano seu personagem pode ser, nunca se portando como um tipo de monstro que só veríamos numa obra de ficção, mas sempre como alguém que encontraríamos no dia-a-dia, o que o torna ainda mais perverso. Divulgação: Apple TV+ Do outro lado, estão Eva, Ursula, Bibi e Becka e seus planejamentos para um assassinato sempre com um toque de desastre (e gradativamente de tragédia). Cada uma das intérpretes têm seu momento de brilhar, seja nos momentos de humor ou os mais dramáticos, mas credito os maiores destaques à Sarah Greene, que faz de Bibi uma personagem assustadora, mas não sem suas feridas (inclusive físicas), e Eve Hewson, que mostra aqui que já deixou há muito de ser conhecida apenas como a filha de Bono Vox; sua Becka é a mais divertida e imatura das irmãs, e talvez por isso a mais fácil de se conectar, especialmente pelo romance complicado que desenvolve com Matt (Daryl McCormack), o qual, junto com seu estressado irmão Thomas (Brian Gleeson), está investigando a morte de John Paul para pagar ou não o valor do seguro à Grace, o que põe em risco todas as irmãs. Embora essa investigação se desenvolva no presente, há uma sensação de que a série não consegue (ou não quer) balancear suas duas linhas narrativas. Além disso, ela talvez se beneficiaria de uma minutagem menor em seus episódios, que com cerca de 50–60 minutos podem ser cansativos em alguns momentos. Contudo, é inegável o quanto a trama nos prende, especialmente porque há uma gradativa mudança de foco que torna a obra ainda mais interessante. Em determinado momento, a pergunta deixa de ser “como as irmãs Garvey mataram esse escroto?” e se torna “quem de fato matou esse escroto?”, pois fica claro no decorrer dos episódios que muitos outros personagens possuem suas próprias razões para eliminá-lo. E se a resposta final soa previsível, a série consegue entregar uma execução inteligente que dá a verdadeira dimensão desta resolução, soando satisfatória e catártica. Ao final, o que fica é o poderoso, ainda que falho, amor entre essas cinco irmãs, que na visão de Sharon Horgan e os co-criadores Dave Finkel e Brett Baer são de fato capazes de tudo para se protegerem. Porém, diante da figura abusiva e destrutiva que elas precisam enfrentar em John Paul, alguém pode condená-las por isso? Nota: 4/5
- Crítica | O Urso (1ª Temporada)
O caos e a mundanidade da vida por uma lente gastronômica. Divulgação: FX Networks Carmen “Carmy” Berzatto (Jeremy Allen White) é um jovem e renomado chef de cozinha que construiu uma carreira para si em Nova York. Entretanto, a morte do seu irmão mais velho o leva de volta para sua terra natal Chicago, onde se vê incumbido de gerenciar o restaurante deixado por ele e se vê preso a uma rotina caótica e extenuante, cercado por funcionários que não o respeitam e ainda por cima enfrentando um luto que parece não conseguir (ou querer) processar. É sobre essa premissa que The Bear se constrói como uma das melhores estreias do ano. Apesar de ser vendida como uma comédia, a série é na verdade um pungente drama que nos deixa sem fôlego ao mergulhar no estresse e desgaste das suas cenas na cozinha, ao mesmo tempo em que traz personagens ricos, falhos e com notáveis arcos de evolução. O primeiro episódio nos poupa de qualquer mínima apresentação para nos lançar sem nenhuma piedade no cotidiano caótico da cozinha e das interações e trocas furiosas entre os personagens (quase como se os irmãos Safdie fossem os diretores), de modo que não é nenhum exagero afirmar que saímos do episódio emocionalmente exaustos. Ainda assim, a curta duração da maioria dos episódios (entre 20 e 30 minutos) nos convida a voltar, e é um retorno que vale a pena, pois ainda que diminua um pouco o frenesi deste primeiro episódio, a série nunca perde de vista esse caos enquanto mergulha mais e mais no interior dos personagens, em especial Carmy. Pouco a pouco aprendemos que ele praticamente evita o resto de sua família para focar no restaurante, que precisou lidar com chefs abusivos em Nova York, e que inconscientemente está reproduzindo padrões desse abuso sobre seus subalternos). White entrega uma performance brilhante, repleta de fúria, tragédia, incoerências e pequenos toques que o humanizam, culminando em um monólogo devastador no último episódio. Divulgação: FX Networks Mas a série é inteligente o suficiente para ir além de Carmy, explorando boa parte do núcleo de personagens do restaurante. Destaco em especial dois deles: Sydney (Ayo Edebiri), a recém-chegada que idolatra Carmy e possui diversas ideias e talento, mas nenhuma paciência; e Richie (Ebon Moss-Bachrach), o complicadíssimo melhor amigo do irmão de Carmy que está sempre envolvido nos negócios mais escusos possíveis enquanto tenta se readequar à nova gestão do restaurante, comumente batendo de frente com Carmy por conta disso. Se Sydney é uma espécie de bússola moral, especialmente quando recebe a oportunidade de estar mais à frente na criação dos pratos com a equipe, Richie é o extremo quase oposto. Ainda assim, a série nunca demoniza um em detrimento do outro; a vemos errar rudemente em alguns momentos e vemos nele lampejos de humanidade e bondade que ilustram o quão trágico e complexo esse homem é, especialmente por não conseguir de forma alguma processar o luto que sente. A eles se juntam outros personagens memoráveis, como o gentil e sensível confeiteiro Marcus (Lionel Boyce) e a teimosa Tina (Liza Colón-Zayas), que apresenta uma das mais nítidas evoluções na temporada. Além disso, a série transforma a própria Chicago, mais especificamente esta região onde o restaurante se localiza, em uma personagem à parte, que é vivida e amada (e odiada) por seus moradores, trazendo ainda o tema da gentrificação para o primeiro plano. Some-se a isso uma execução técnica impecável (em especial no penúltimo episódio, que consiste de um único plano-sequência nos entregando o momento mais crítico e caótico da temporada), uma trilha sonora sublime – com nomes como Genesis, Wilco, Beach Boys, LCD Soundsystem e Radiohead – e temos muitos fatores que fazem The Bear se destacar em meio ao mar de ofertas medíocres da “peak TV”. Seja no frenesi de uma cozinha ou nas trocas honestas e complexas dos seus personagens, esta temporada inaugural se firma como uma das melhores do ano. Nota: 4,5/5
- Crítica | Abracadabra 2
29 anos depois, a bruxaria das irmãs Sanderson continua encantadora. Divulgação: Disney+ Quem cresceu nos anos 90 teve como companhia diversos filmes que se tornaram icônicos no decorrer do tempo, e acompanharam toda uma geração, dentre eles, ‘Abracadabra’, um marco envolvendo bruxas que se eternizou na memória ao lado de ‘Matilda’ e ‘Convenção das Bruxas’. O que provavelmente ninguém esperava, é que uma sequência fosse lançada quase três décadas depois. Tocar em filmes que se tornaram parte da cultura pop depois de tanto tempo sempre será arriscado, principalmente quando envolve nostalgia e o amor daqueles espectadores fiéis, mas, às vezes pode funcionar. Lançado em 1993 e dirigido por Kenny Ortega (High School Musical), ‘Abracadabra’ se tornou um fenômeno sendo reprisado incontáveis vezes na tv. Ele nos apresenta três figuras emblemáticas, Winnie, Mary e Sarah, as irmãs Sanderson, bruxas que roubam almas de crianças para manter a juventude. Para quem não está familiarizado, as três são pegas cometendo tais ações e enforcadas, contudo, é claro que elas teriam se precavido antes para conseguirem retornar ao mundo dos mortais. Para que pudessem voltar, seria necessário que alguém virgem acendesse a vela da chama negra, e como esperado, é isso que acontece. Com os eventos finais do filme de 93, o anúncio de uma sequência gerou a questão; como elas poderiam retornar já que a história tinha sido encerrada? Por mais que a história leve a pensar que veríamos as crianças do original agora crescidas, ‘Abracadabra 2’ se encaminha de maneira diferente, ele insere um novo personagem que presenciou os eventos de 29 anos antes, e faz com que ele seja a porta de entrada para as queridas irmãs Sanderson. E funciona, talvez até melhor se usasse a trama batida de trazer os antigos protagonistas para enfrentar o mesmo mal novamente. Nesse ponto a sequência soube fazer um bom malabarismo sem deixar tudo pedante ou forçado, a perspectiva do passado pelos olhos desse personagem se encaixa bem. Obviamente temos de volta Bette Midler, Kathy Najimy e Sarah Jessica Parker, que interpretam as Sanderson. Com exceção de Midler, nota-se um pouco de demora para que elas consigam engatar no ritmo de suas personagens, que têm características bem marcantes de atitude e personalidade, mas no decorrer do longa vão se encaixando melhor e trazendo à tela a reprise do que fizeram anos antes. Uma boa surpresa se dá no início do filme, quando ele volta no tempo nos mostrando pela primeira vez a infância das três irmãs, mais de 300 anos antes, em Salém. Taylor Henderson, intérprete da Winnie jovem, entrega uma atuação muito convincente da personagem de Midler, ela replica com perfeição as entonações e trejeitos que a irmã mais velha carrega. Apesar da era digital, ele se mantém com os pés nos efeitos práticos, algo que marcou seu antecessor, e continua funcionando muito bem nesse, claro que ele faz uso de CGI em momentos estratégicos, e o conjunto da obra se encaixa bem. O visual de cidade pequena também continua bem encaixado, e ele utiliza bem os espaços a seu favor. O roteiro não é nenhuma obra-prima e nem se esperava que fosse, mas o filme brinca com a própria história, faz uso adequado da nostalgia e remonta uma nova visão sobre as três bruxas numa perspectiva de mundo contemporâneo. As entradas e aparições das Sanderson continuam marcantes, e a aquisição de nomes como Hannah Waddingham (Ted Lasso) e Tony Hale (Veep) traz um up para o longa. Apesar de uma participação mais rápida, Waddingham traz uma personagem que foi responsável por iniciar as três irmãs na magia, e por mais que não tenha aparecido no original, sua inserção na trama foi bastante adequada e ajudou a sequência a se desenrolar por caminhos que não pensaríamos. Hale traz um personagem que combina com seu tipo de humor, para quem já o conhece desde Arrested Development, é nítida a sua facilidade para o cômico. Também é válido mencionar o retorno de BIlly Butcherson, personagem secundário irreverente, interpretado pelo brilhante Doug Jones, que ao longo dos anos esteve por trás de diversos outros personagens, como o Fauno e o Homem Pálido de ‘O Labirinto do Fauno’, o surfista prateado do Quarteto Fantástico, a criatura de ‘A forma da água’, e por aí vai. Por fim, foi ótimo vivenciar esse novo capítulo da história das Irmãs Sanderson, que tiveram a chance de serem reinventadas mantendo sua essência. O filme é uma boa sequência, mas também funciona de forma isolada. Conseguiram trazer nostalgia com respeito a uma história já criada e reescreveram a trama de forma que se encaixasse na contemporaneidade. Nota: 3,5/5
- Os vencedores do Cine Ceará 2022 foram anunciados
O 32° Festival Ibero-americano aconteceu entre os dias 7 e 13 de outubro no Cineteatro São Luiz e Cinema do Dragão Divulgação: Démick Lopes em A Filha do Palhaço (Embaúba Filmes) Após quase uma semana de exibição na cidade de Fortaleza, o 32° Cine Ceará - Festival Iberoamericano de Cinema anunciou seus vencedores na última quinta-feira, dia 13 de outubro. ‘A Filha do Palhaço’, de Pedro Diógenes (Inferninho), foi o filme de abertura do evento, onde participa da Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-Metragem, enquanto o documentário ‘A Colônia’, de Virgínia Pinho e Mozart Freire, foi o longa de início da Mostra Olhar do Ceará e ‘Minas Urbanas’, de Natália Gondim, da Mostra Itinerante Banco do Nordeste. Dirigido por María Alvarez, 'Inseparáveis' (Las Cercanas) foi o grande ganhador do ano, levando para Argentina os prêmios de Melhor Longa-Metragem, Melhor Montagem e o Prêmio da Crítica da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Já 'Big Bang', de Carlos Segundo', foi premiado com o troféu de Melhor Filme da Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem e do Prêmio Canal Brasil de Curtas. Os destaques nordestinos no festival foram a vitória de Démick Lopez em Melhor Atuação Masculina por seu trabalho no cearense 'A Filha do Palhaço' na Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-Metragem, o alagoano 'Infantaria', que venceu os prêmios de Melhor Direção na Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem, Melhor Curta no Prêmio da Crítica (Abraccine) e do Troféu Samburá de Melhor Curta-Metragem. Além de claro, 'Escuridão na Terra da Luz' e 'Ópera Sem Ingresso premiados na Mostra Olhar do Ceará, programação que honra filmes da região. Dito isso, confiram todos os vencedores do Cine Ceará - Festival Iberoamericano de Cinema 2022: MOSTRA COMPETITIVA DE LONGA-METRAGEM • Melhor Filme: Inseparáveis (María Alvarez) 🇦🇷 • Melhor Direção: Carlos Lechuga (Vicenta B.) 🇨🇺 • Melhor Roteiro: A Piedade (Eduardo Casanova) 🇪🇸 • Melhor Ator: Démick Lopes (A Filha do Palhaço) 🇧🇷 • Melhor Atriz: Linnett Hernández Valdés (Vicenta B.) 🇨🇺 • Melhor Montagem: Inseparáveis (María Alvarez) 🇦🇷 • Melhor Trilha Sonora: A Piedade (Pedro Onetto) 🇪🇸 • Melhor Fotografia: Green Grass (Victor Silva) 🇨🇱 • Melhor Som: A Piedade (Mercedes Tennina e Sebastián Gonzáles) 🇪🇸 • Melhor Direção de Arte: A Piedade (Melanie Antón) 🇪🇸 Divulgação: Inseparáveis MOSTRA OLHAR DO CEARÁ • Melhor Longa-Metragem: Escuridão na Terra da Luz (Popy Ribeiro) 🇧🇷 • Melhor Curta-Metragem: Ópera Sem Ingresso (Andreia Pires) 🇧🇷 • Prêmio Unifor de Audiovisual: Ópera Sem Ingresso (Andreia Pires) 🇧🇷 Divulgação: Escuridão na Terra da Luz MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM • Melhor Filme: Big Bang (Carlos Segundo) 🇧🇷 • Melhor Direção: Laís Santos Araújo (Infantaria) 🇧🇷 • Melhor Roteiro: Último Domingo (Joana Claude e Renan Barbosa Brandão) 🇧🇷 Divulgação: Big Bang PRÊMIO DA CRÍTICA (ABRACCINE) • Melhor Longa-Metragem: Inseparáveis (María Alvarez) 🇦🇷 • Melhor Curta-Metragem: Infantaria (Laís Santos Araújo) 🇧🇷 TROFÉU SAMBURÁ • Melhor Curta-Metragem: Infantaria (Laís Santos Araújo) 🇧🇷 • Melhor Direção: Breno Alvarenga (Camaco) 🇧🇷 Divulgação: Infantaria PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS • Vencedor: Big Bang (Carlos Segundo) 🇧🇷 Divulgação: Big Bang Vale ressaltar que parte dos filmes da Mostra Olhar do Ceará do Cine Ceará - Festival Iberoamericano de Cinema 2022 está disponível de forma online e gratuita no streaming Itaú Cultural Play, até o dia 20 de outubro. Não percam! O 32º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema é uma realização do Ministério do Turismo, através da Secretaria Especial da Cultura, da Associação Cultural Cine Ceará e da Bucanero Filmes. Tem o apoio institucional do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará) e da Universidade Federal do Ceará, via Casa Amarela Eusélio Oliveira. Parceria: Canal Brasil, Universidade de Fortaleza e SESI. Hotel Oficial: Sonata de Iracema. Apoio: Instituto Aço Cearense. Patrocínio Master: Itaú Unibanco. Patrocínio VIP: Grupo Edson Queiroz, Nacional Gás, Esmaltec e Indaiá. Patrocínio: SP Combustíveis, Banco do Nordeste e Prefeitura de Fortaleza. Agradecimento: Enel.
- Crítica | Só Se For Por Amor (1ª Temporada)
Apesar do talento de seu elenco, o cansaço da trama impede que a série atinja seu potencial. Divulgação: Netflix Brasil No dia 21 de Setembro chegou ao catálogo da Netflix a série brasileira ‘Só Se For Por Amor’, ambientada num cenário sertanejo, mas não se prendendo somente a isso, ela traz uma história repleta de personagens que têm uma ligação direta ou indireta por causa da música. Com um vasto elenco também versado em cantoria, ela inicia a sua trajetória apresentando um ponto de partida em comum para todos eles; a morte de um cantor amado do gênero em questão. A partir disso, tudo vai se afunilando para a trama central da temporada. ‘Só Se For Por Amor’, além de ser o título da série, é também o nome da banda formada por Deusa, interpretada por Lucy Alves, que é o maior destaque deles, tanto a atriz quanto a personagem, seguida de Filipe Bragança, responsável por interpretar Tadeu e ser o contraponto de drama da protagonista. Fechando a banda temos Micael, Adriano Ferreira e Giordano Castro. Juntos, eles encabeçam a trama até o momento em que ocorre a separação de Deusa, que aceita uma proposta de carreira solo, a partir daí a história começa a apresentar mais de perto cada um deles. A maior surpresa talvez seja a chegada de Agnes Nunes, que interpreta Eva, de início parece só mais uma personagem secundária, mas com o desenrolar de tudo ela acaba se agigantando, especialmente pela sua presença vocal. Divulgação: Netflix Brasil A série tem um começo bastante arrastado, o seu piloto tem um ritmo tão lento que em sua metade deixa a sensação de que já se passaram duas horas de episódio. O problema é que apesar de ter somente seis episódios, essa lentidão persiste por todos eles, causando uma fadiga que deixa o charme da série de escanteio. É até compreensível que se precise trabalhar os personagens, no entanto, parece não haver uma medida do que é necessário ser trabalhado nesse momento da série, gerando tramas e mais tramas e fazendo com que o tempo se estenda para caber tanta história que poderia ter sido cortada ou apenas encaminhada para ter um foco futuramente. Entrando no quesito musical, que é onde a série tenta se encontrar, se o foco fosse somente nesse sentido, ela teria se dado muito melhor. Ela conseguiu reunir um elenco que encanta quando solta a voz, por mais que alguns falhem em outros quesitos. Como dito antes, Lucy Alves e Agnes Nunes são aqui quem mais se destacam, mas o interessante é que ela não se prende somente a seus personagens principais quando parte para o canto. Nos destaques coadjuvantes, tivemos a sorte de poder apreciar e admirar a talentosa Jeniffer Nascimento, que tem uma voz poderosa e que pode ter mais do seu potencial explorado futuramente. Também vale uma citação para Filipe Bragança, o ator que se tornou conhecido por 'Chiquititas', vem crescendo cada vez mais no cenário do audiovisual, e aqui ele mostra um pouco do seu talento como músico e cantor. Por fim, apesar de ter um visual bastante bonito, ela exagera no drama fazendo surgir um cansaço que poderia ter sido evitado. É o tipo de produção que cria muitos caminhos por onde seguir e que vai se perder se não conseguir administrar bem tantas tramas que resolveu inserir e tantos personagens que decidiu destacar. Tem um elenco empenhado e que se encaixa bem, só precisa encontrar um ritmo melhor para o que ela tenta propor, para não pecar pelo excesso de tempo outra vez. Nota: 3,5/5
- Filme pernambucano é o grande vencedor do Festival do Rio 2022
'Paloma', de Marcelo Gomes, vence como Melhor Filme de Ficção na Première Brasil da 24ª edição do festival Divulgação: Paloma (Carnaval Filmes) Após 10 dias de evento e 70 produções nacionais exibidas, a 24ª edição do Festival do Rio anunciou os vencedores do Troféu Redentor de 2022. Dirigido por Marcelo Gomes (Cinema, Aspirina e Urubus) e estrelado por Kika Sena, o pernambucano ‘Paloma’ venceu como Melhor Filme de Ficção e Melhor Atriz na Première Brasil. Além disso, também levou o Prêmio Félix de Melhor Filme Brasileiro, que honra os melhores longas com temática LGBTQIA+ do festival. Já na Première Brasil (Novos Rumos), ‘Três Tigres Tristes’ foi o grande vencedor em Melhor Longa, ‘Maputo Nakuzandza’ recebeu um Especial do Júri e ‘Curupira e a Máquina do Destino’ venceu como Melhor Curta-Metragem. Confira abaixo os vencedores do Festival do Rio 2022: PREMIÈRE BRASIL • Melhor Longa (Ficção): Paloma (Marcelo Gomes) • Melhor Direção de Ficção: Julia Murat (Regra 34) • Melhor Longa (Documentário): Exu e o Universo (Thiago Zanato) • Melhor Direção de Documentário: Juliana Vicente (Diálogos com Ruth de Souza) • Melhor Curta: Escasso (Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles) • Melhor Ator: Dario Grandinetti (Bem-vinda, Violeta!) • Melhor Atriz: Kika Sena (Paloma) • Melhor Ator Coadjuvante: Timothy Wilson (Fogaréu) • Melhor Atriz Coadjuvante: Aline Marta (Carvão) • Melhor Roteiro: Carolina Marcowicz (Carvão) • Menção Honrosa do Júri: 7 Cortes de Cabelo no Congo (Luciana Bezerra, Gustavo Melo e Pedro Rossi) • Prêmio Especial do Júri: Mato Seco em Chamas (Adirley Queirós e Joana Pimenta) • Melhor Fotografia: Joana Pimenta (Mato Seco em Chamas) • Melhor Direção de Arte: Marines Mencio (Carvão) • Melhor Montagem: Matheus Farias (Propriedade) Divulgação: Exu e o Universo PREMIÈRE BRASIL (NOVOS RUMOS) • Melhor Longa: Três Tigres Tristes (Gustavo Vinagre) • Melhor Curta: Curupira e a Máquina do Destino (Janaina Wagner) • Melhor Direção: Leonardo Martinelli (Fantasma Neon) • Prêmio Especial do Júri: Maputo Nakuzandza (Ariadine Zampaulo) Divulgação: Três Tigres Tristes PRÊMIO FÉLIX Que honra os melhores longas com temática LGBTQIA+ do festival . Melhor Filme Brasileiro: Paloma (Marcelo Gomes) . Melhor Documentário: Corpolítica (Pedro Henrique França) . Menção Honrosa: Não é A Primeira Vez que Lutamos pelo Nosso Amor (Luis Carlos de Alencar) . Prêmio Especial do Júri: Fogo-Fátuo (João Pedro Rodrigues) . Melhor Filme Estrangeiro: Meu Lugar no Mundo (Mi Vacío y Yo), de Adrián Silvestre) Divulgação: Corpolítica












