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  • Filme sobre a vida e obra de Luiz Gonzaga ganha teaser inédito

    ‘Luiz Gonzaga - Légua Tirana’ tem previsão de estreia para julho de 2025 Foto: Divulgação/ O2 Play O filme Luiz Gonzaga - Légua Tirana retrata a vida e obra do icônico Luiz Gonzaga do Nascimento, conhecido como o Rei do Baião, e mergulha desde a infância e adolescência do artista, explorando suas raízes de retirante do Sertão nordestino, revelando as conexões profundas entre sua música e a rica e complexa cultura que marcou sua obra. Gonzaga é apresentado como símbolo da fusão cultural e da identidade nordestina, por ter sido capaz de unir influências históricas, religiosas e étnicas em sua música cativante. A direção do longa-metragem é de Diogo Fontes e Marcos Carvalho, com produção da Mont Serrat Filmes e Cinema no Interior. As gravações aconteceram na Chapada do Araripe, divisa dos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, e em Caiçara, município da Paraíba. No elenco, estão nomes como Luiz Carlos Vasconcelos, Cláudia Ohana e Tonico Pereira, contando com outros talentos regionais. O teaser oficial de Luiz Gonzaga - Légua Tirana foi apresentado inicialmente durante a exibição dos trailers nas sessões de O Auto da Compadecida 2 e agora está disponível online. Confira o teaser trailer de Luiz Gonzaga - Légua Tirana aqui.

  • Crítica | Acompanhante Perfeita

    Suspense usa ficção científica como alegoria de abuso e violência Foto: Divulgação Durante um fim de semana em uma casa de campo luxuosa, Iris (Sophie Thatcher) e Josh (Jack Quaid), um casal apaixonado, decidem se afastar do tumulto da cidade para relaxar com alguns amigos. No entanto, o que começa como uma escapada romântica logo se transforma em um thriller quando eventos perturbadores começam a ocorrer. Acompanhante Perfeita é um longa cheio de reviravoltas espertas que ajudam o suspense a chegar com fôlego na reta final. Mesmo o espectador que saiba a motivação principal do filme pode se surpreender com o tanto de pequenas surpresas que o texto prepara para não deixar a história cair no marasmo. Fica, no entanto, o aviso que o texto abaixo trata de alguns spoilers. O tema inteligência artificial e robôs, e as duas coisas juntas, voltou a ganhar a atenção de Hollywood nos últimos 5 anos. É robô brinquedo, robô amante, robô babá, robô em animação... não que seja uma pauta nova, mas o foco parece ter centrado nas relações humanas com a tecnologia com uma curiosidade quase que exploratória como se via até a década de 70. É como se o cinema americano estivesse redescobrindo o tema (ou reciclando como sempre). Foto: Divulgação E como uma alegoria usada brilhantemente em Esposas em Conflito (1975), o primeiro longa-metragem do diretor e roteirista Drew Hancock usa do artificial para tratar de dominação, abuso e violência psicológica. Mesmo funcionando mais como comédia do que como suspense, o principal tema discutido nas entrelinhas da produção é como o homem (literalmente) usa quaisquer artifícios ao seu alcance como ferramenta de exercer poder ou vantagem sobre outra pessoa ou sobre uma situação. E nessa construção de fábula o resultado é positivo, ágil e sagaz. Embora seja um filme curto, ainda tem tempo suficiente para se repetir dentro das próprias reviravoltas, a ponto de parecer que objetivo de alguns efeitos surpresa são para nada além mais do que fazer volume e prolongar os minutos da duração. Ainda assim, o texto usa bem esses malabarismos para intercalar romance, drama, thriller e muita comédia, e não esconde ser uma farofa cheia de clichês, referências e ideias interessantes que não consegue se sair melhor do que planejou por se conter nos limites de seus artifícios narrativos em vez de exagerar e testar. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Aquele Que Habita em Mim

    Premissa interessante não segura fraco desenvolvimento da trama Foto: Divulgação Lançado nesta semana no streaming do Adrenalina Pura, o longa Aquele que Habita em Mim conta a história da adolescente Tara, que está apenas sobrevivendo ao ensino médio – mas seu pai e sua mãe parecem estranhamente distantes. Em meio a uma onda de assassinatos horríveis com machados, Tara tem avistamentos de entidades aterrorizantes, forçando-a a questionar sua própria sanidade e ancestralidade chocante. Ancestralidade essa que vem da linhagem de Lizzie Borden, infame assassina e nome famoso no universo de crimes reais. Os assassinatos de Andrew Borden e sua esposa Abby, em 4 de agosto de 1892, na cidade de Fall River, Massachusetts, atraíram a atenção nacional para Lizzie Andrew Borden (19 de julho de 1860 – 1 de junho de 1927), que foi acusada de cometer os crimes usando um machado. A história, marcada por mistérios e suposições, aconteceu em uma época em que julgamentos dependiam principalmente de autópsias e testemunhos. Até hoje, surgem teorias sobre a motivação e a sequência dos eventos. Lizzie foi inocentada das acusações por falta de provas contundentes, mas a opinião pública e estudiosos continuaram a questioná-la, o que inspirou diversas produções culturais, como livros, músicas, peças de teatro e filmes e Aquele que Habita em Mim é mais uma dessas histórias. Foto: Divulgação Surfando nesse hype de sucesso do true crime, o longa dirigido por Jerren Lauder utiliza-se dessa premissa da história de Lizzie Borden para criar uma trama que mistura elementos sobrenaturais com clichês do gênero slasher. Por mais que pareça interessante no início, o filme não consegue aproveitar a curiosidade acerca de Lizzie e desemboca para um fraco suspense que até pode surpreender os mais desatentos, mas que não se sustenta até o final. Com um elenco até conhecido, Aquele que Habita em Mim tem até boas atuações de forma geral, mas na maioria do tempo, o thriller de terror bobo não funciona, especialmente no final, mas ganha pontos por tratar de relações familiares complexas e pela maneira genuína como seus problemáticos personagens adolescentes falam e se comportam, mesmo a protagonista sendo um poço de antipatia e com diversas atitudes irritantes. Outro ponto positivo é a construção que o filme faz em relação à questão da saúde mental e da insanidade. O filme trabalha bastante a questão das abordagens equivocadas que ele emprega, seja sobre reprimir as emoções com medicamentos ou forças externas, na esperança de que isso previna os sinais reais de uma doença mental de fato (e não uma possessão demoníaca, por exemplo). Mas a parte boa termina aqui e Aquele que Habita em Mim fica monótono se desenrola sem muitos momentos interessantes, conseguindo passar pela história de forma bem mais lenta do que deveria, devido a uma série de subtramas desnecessárias que não acrescentam em nada. Essas subtramas tornam o filme confuso e longo demais e também extremamente desinteressante, resultando em uma trama repleta de conversas sem graça e sem emoção, com pouco tempo para sustos ou boas cenas de perseguições até o seu ato final, que é quando ele se torna minimamente mais cativante, mas tarde demais para significar algo. Nota: 2/5

  • Crítica | Aos Pedaços

    Obra instigante que se enclausura em suas escolhas estéticas. Divulgação Assistir a filmes de cineastas nonagenários sempre me desperta o interesse, é como se estivéssemos presenciando uma obra de alguém que tem muito a dizer. O cineasta Ruy Guerra, já consagrado por obras como Os Fuzis (1964) e Os Cafajestes (1962) retorna em mais um longa-metragem em preto-e-branco com Aos Pedaços (2020). Cito o preto-e-branco em especial pois é uma estética adotada justamente pelo uso de luz e sombra que é adotado pelo cineasta. Em Aos Pedaços, Ruy Guerra faz um exercício do estilo para desenvolver a premissa de um homem bígamo que acredita que vai ser assassinado por suas amantes, vivendo tudo quase como um sonho febril. Sonho esse que é retratado com bastante impacto visual, mas que por outro lado tende pro lado teatral mais verborrágico da coisa. A paranoia vivida pelo personagem principal Eurico Cruz (Emílio de Melo) é potencializada pelo texto do filme, que vem muitas vezes através de monólogos do personagem. Há um sentimento de angústia e paranoia que cerca toda a obra, mas que me parece repetitivo quando representado pelo personagem principal. Por outro lado, as personagens Simone Spoladore e Christiana Ubach, que dão vida a Ana e Anna, enriquecem a obra com uma dinâmica quase que Bergmaniana, como se evidenciasse como uma funcionasse como reflexo da outra. O filme se sustenta bastante em criações imagéticas que acabam se tornando um tanto cansativas, e esse sentimento de fadiga acompanha a obra dentro e fora do texto, já que acompanhamos um homem projetando suas angústias. Mas ainda assim, há um certo charme na melancolia que é posta através da montagem do filme, que se repete em poucos cenários, provocando uma inquietação no espectador nessa dinâmica de espaços. Divulgação Por fim, a teatralidade acaba caindo num território protocolar dentro de uma verborragia filosófica que acabou não funcionando muito bem comigo. E certamente há uma potencialização imagética, mas quando tentamos realizar a equação do que é visto com o que é dito, esse fluxo verbal não funciona tanto quanto as imagens, mas quando funciona Ruy Guerra consegue entregar algo muito interessante, pena que parecem lapsos do que poderia ser um grande filme para além de um exercício estilístico. Nota: 2.5/5

  • Crítica | Homens de Barro

    Releitura LGBTQIA+ de Romeu e Julieta apresenta ótimas ideias, mas peca por uma apática execução Divulgação Não é nenhum exagero dizer que Romeu e Julieta é a história de amor mais famosa de todos os tempos — mesmo que seja também uma história permeada pela tragédia, a qual acompanha as várias narrativas que beberam da sua fonte, como Amor, Sublime Amor. Em seus primeiros minutos, Homens de Barro já nos revela que terminará em tragédia, abrindo in medias res com os corpos sem vida de dois dos seus protagonistas, antes de voltar no tempo para mostrar como tais mortes foram a culminação de anos de disputa entre duas famílias rivais nessa pequena cidade sem nome no Rio Grande do Sul — e como um romance proibido emergiu em meio a essa disputa. Longa de estreia de Angelisa Stein (que co-dirige com o argentino Fernando Musa), Homens de Barro usa a base clássica de Romeu e Julieta — aqui enquadrada sob um prisma LGBTQIA+ — para discutir a natureza tóxica e destrutiva da masculinidade. O que começa com uma rivalidade entre Oscar Tamai (Cassiano Ranzolin) e Élvio Miranda (Rafael Guerra) é passado como uma doença infecciosa para seus filhos Pássaro e Marciano, cuja amizade pura e inocente da infância é dissolvida pelo ódio mútuo entre esses dois homens e suas consequências trágicas. Diria que esse prólogo é uma das melhores partes do filme, justamente porque ali naqueles 15-20 minutos iniciais são apresentados quase todos os fundamentos que vão nos ajudar a entender a dinâmica desses personagens em suas versões adultas, conforme são moldados pelos pais a serem um determinado tipo de homem naquele ambiente patriarcal e retrógrado. Entretanto, é justamente quando avança para o presente que os principais problemas do filme aparecem. A aparente rivalidade das duas famílias, que haveria de ser expressa na relação de Pássaro e Marciano (Gui Mallmann e Alexandre Borin em suas versões adultas) é praticamente deixada de lado até retornarmos à cena que abre o filme. Na verdade, o personagem de Borin é praticamente deixado de lado até os 20 minutos finais do filme, conforme o filme prefere focar na relação romântica que emerge entre seu irmão caçula Ângelo (João Prates) e Pássaro. Contudo, considerando que praticamente nada vemos de Ângelo no prólogo do longa, esse desvio de foco narrativo de um irmão para o outro é tratado de uma forma abrupta, assim como a própria aproximação do casal principal. Mesmo a utilização da narração em off de Ângelo acaba sendo um equívoco, visto que sua redundância é nítida a cada vez que é usada (soando mais como uma espécie de atalho para dar conta da enxuta duração de 72 minutos do filme), além do fato de que o próprio personagem recebe pouco desenvolvimento, soando mais como uma ideia do que como uma pessoa de fato dentro da trama. Divulgação O filme consegue pincelar momentos que exploram bem esses efeitos nocivos da masculinidade tóxica e frágil que permeia esses homens — como os comentários sexistas do amigo de Pássaro, Nando (Bruno Fernandes III), ou a falha tentativa de reaproximação de Marciano com Ângelo que apenas revela as fissuras deixadas pela criação machista do pai — mas são momentos isolados que perdem sua força no contexto geral da obra. Por outro lado, se o contato inicial de Pássaro e Ângelo não convence, o desenrolar da sua relação romântica e sexual é um dos maiores acertos do longa, com a câmera de Stein sabendo explorar e filmar seus corpos com uma tocante sensibilidade e sensualidade que, também através da fotografia de Bruno Polidoro, formam um nítido contraste ao ambiente tão embrutecido em que esses personagens vivem. Apesar desses destaques, porém, o saldo final de Homens de Barro acaba sendo de uma obra que, mesmo com uma premissa rica e repleta de possibilidades, acaba caindo numa execução burocrática e um tanto apática, como evidente na encenação da cena climática. Não sei o quanto isso pode ser creditado à sua curta duração, mas fica evidente que diversos pontos da obra poderiam ter recebido um melhor desenvolvimento, restando ao final a sensação de ser um filme inseguro em abraçar mais desse contraste entre a prisão da masculinidade tóxica e a libertação oferecida através do romance entre seus personagens. Nota: 2.5/5

  • Crítica | O Brutalista

    Filme é consistente em sua densidade dramática, mesmo deixando funcionalismo de lado Divulgação Em fuga da Europa do pós-guerra, o arquiteto visionário László Toth (Adrien Brody) chega à América para reconstruir sua vida, seu trabalho e o casamento com sua esposa Erzsébet (Felicity Jones), depois da separação forçada durante a guerra por mudanças de fronteiras e regimes. Sozinho em um novo país estranho, László se estabelece na Pensilvânia, onde o rico e proeminente industrial Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce) reconhece seu talento para a construção. Mas poder e legado têm um custo muito alto. O Brutalista não é um filme sutil, mesmo saudando o brutalismo e suas características enquanto arquitetura, design e forma de expressão, ele mira na grandiosidade e acaba, por vezes, sendo apenas grande. O brutalismo é uma corrente da arquitetura que surgiu na Europa por volta dos anos 50 e que tinha/tem como algumas das características principais o funcionalismo, elementos modulares, paletas de cores monocromáticas, exposição dos materiais usados e formas geométricas contundentes. Não vou querer inventar ou pensar em analogias ligando a corrente ao filme, mas, de toda forma, mesmo mantendo uma unidade visual e temática, deixa completamente o funcionalismo de escanteio. É claro quando um filme é um trabalho feito com paixão por um cineasta e quando é meramente comercial. Este é um longa que o diretor Brady Corbet aparentemente não queria que terminasse. Digo isto pelo excesso de detalhes, de closes, de objetos e até mesmo de sons que acabam inflando a experiência para além do que merecia, mas que transparece o apego zeloso que Corbet teve por aquilo que estava montando. E é esse paradoxo que faz o filme funcionar e que também faz ele se perder. É isto que aproxima e distancia cineasta, personagem e temática. Como falei, o que parece grandioso só é extenso demais, ainda assim o resultado impresso é de um filme caro, imponente e refinado, mesmo não construindo um objeto preciso e definido. Filmado em VistaVision com rigor técnico explícito, o visual sempre apresenta texturas e cores consonantes através de uma fotografia de baixa saturação e excelentes contrastes. A direção de arte é um deslumbre. Através de mobiliários, formas e materiais, o filme situa o espectador nos parâmetros da corrente brutalista numa espécie de aula de campo imersiva onde o modernismo (nem sempre o brutalismo) domina e dita as regras. A trilha sonora passivo-agressiva de Daniel Blumberg é outro destaque na ambientação densa e cínica do enredo. E é nessa densidade narrativa que o roteiro é embasado. É um filme de drama que não tenta fugir do drama e gosta de explorá-lo sem pressa e sem pudor. Divulgação Quase todos os personagens carregam um fardo negativo que interfere nos problemas mal resolvidos uns dos outros. Tem drama familiar, drama pessoal, drama político, drama histórico e até drama geográfico. O texto não economiza nesse peso e, mas senta a mão mesmo é na segunda das duas partes em que o filme se divide (sem contar com um epílogo que destoa do tom das duas partes e que parece ter sido forçado para caber como uma justificativa do que o roteiro queria ter dito e não conseguiu). Apesar do drama constante e da mesma tonalidade apreensiva, fria e em alguns momentos misteriosa, essa segunda parte parece carregar mais do que pode comportar, e desde a elaboração de diálogos até o encerramento propriamente dito, a distribuição dos pontos de inflexão parecem não harmonizar. Adrien Brody faz o papel de coitado sonso como ninguém. E todo o elenco de coadjuvantes que o cercam conseguem entregar personagens bem desenvolvidos e marcantes. No entanto, Felicity Jones esbarra no sotaque e nos maneirismos de uma personagem que é a cara da segunda parte. Arquitetado como uma cinebiografia daquelas de grandes gênios incompreendidos, O Brutalista tem muito a transmitir e evita atalhos, evita uma objetividade que tornaria o filme mais desenvolto e ágil, mas não menos diligente e eficiente. É um filme que se vende como importante e que aparenta importância, mesmo que o espectador não sinta qualquer reação àquela história. Nota: 3,5/5

  • Crítica | The Things You Kill (Festival Sundance de Cinema 2025)

    “Ninguém é ressentido por natureza” Fonte: Divulgação Ali (Ekin Koç), um professor universitário de Literatura turco, fica confuso com as circunstâncias suspeitas da morte de sua mãe doente. Durante seu processo de luto, Ali revela seu ressentimento por seu pai distante (Ercan Kesal) e faz amizade com um jardineiro chamado Reza (Erkan Kolçak Köstendil), com quem cria um vínculo pessoal profundo. O argumento deste filme turco é uma proposta de narrativa, rica, instigante e multifacetada que gerou um roteiro incisivo, espero e prático. Prático porque ele é cheio de frases de efeitos prontas, mas que são usadas com tanta precisão e perspicácia que não soam artificiais nem deslocadas. Frases que vão ser base para o enredo, como a que citei no subtítulo deste texto; frases de contexto social e frases de alfinetadas políticas (diretíssimas para os EUA). Dualidades e paradoxos humanos refletidos em laços familiares são o centro da história que se desdobra em incontáveis camadas sólidas de subtemas, todos bem conectados. E a frase destacada resume e definem a raiz de toda a estrutura enigmática do longa. Fonte: Divulgação O cineasta iraniano Alireza Khatami entrega um filme complexo montado em cima de um suspense que ultrapassa os limites do real. Bem calculado e perfeitamente executado, tudo em cena é importante, o dito e o não dito, o visto e o não visto. Não é à toa que Ali leciona Literatura. Não é à toa que o longa abre com um relato de um sonho. É um filme inteligente, intrigante e com muito pano pra manga quanto aos assuntos que contempla. Conhecemos Ali, sua personalidade, seu passado e seu presente, através dos vários personagens que o cercam. Sua esposa, sua mãe, seus alunos, sua médica, seu chefe, suas irmãs e seu pai. Eles definem quem Ali é como sua vida está: aos pedaços. Tudo funciona exatamente diferente do planejado. A impressora trava na sua vez de usar. O sítio não tem água. Sua disciplina será descontinuada. A mãe doente morre. Ele descobre que é infértil. E ainda assim ele se mantém numa calma nervosa. Há, no entanto, dois elementos que fazem com que Ali mude: a chegada do jardineiro misterioso e a descoberta de segredos sobre seu pai. Estes elementos estão intrinsecamente ligados como causa e consequência. Essas duas personas são responsáveis por todas as ações do início ao final. Durante suas aulas de tradução, Ali explica aos alunos a importância do texto adaptado para outros cenários, locais e contextos, ele fala sobre linguagem fática, fala sobre sentido, sobre interpretação, sobre morte, sobre rumor. Tudo é importante, tudo é relevante para o quebra-cabeças daquele personagem, e para rechear as charadas mais evidentes do filme. Para além disso, o elenco é um primor. Ekin Koç e Erkan Kolçak Köstendil funcionam bem de forma individual para ditar as mudanças no tom do filme, e operam ainda melhor quando dividem cena com uma dinâmica fluida e condizente com cada situação. É um filme para ser revisto com a atenção curiosa de uma revisão, e ainda assim não perderá o encanto e os efeitos surpresa. Nota: 4,5/5

  • Crítica | La Virgen de la tosquera (Festival Sundance de Cinema 2025)

    Não mexa com uma jovem latina sem nada a perder Foto: Divulgação Em 2001, três adolescentes dos arredores de Buenos Aires se apaixonam por Diego (Agustín Sosa). Natalia (Dolores Oliverio) sempre teve mais química com ele, mas quando parece inevitável que a amizade deles se transforme em algo mais, a mais velha e experiente Silvia (Fernanda Echevarría) aparece e logo rouba a atenção de Diego. Mesclando elementos do terror folk com suspense ontológico, o roteiro do filme é adaptado de contos da escritora argentina Mariana Enríquez e consegue imprimir com precisão um tom constante que une misticismo, sociopolítica e dramas adolescentes como se esses três temas nunca tivessem sido separados. Na sua rua, um mendigo hostilizado abandona um carrinho carregado de itens velhos e em decomposição que ninguém ousa encostar. Em casa, sempre há uma simpatia ou amarração para conseguir o que se quer. Na televisão, programas de auditório são uma esperança para um dinheiro extra. Foto: Divulgação Natalia é uma adolescente órfã criada pela avó, acabou os estudos, e a única coisa que tem como objetivo é ter Diego para si, ela não tem nada a perder, e isso é literalmente seu ponto mais forte. Mas a figura de Diego aqui não é, apenas, a representação do despertar sexual de Natalia, ele é a motivação para todo o “adultecer” dela, para o surgimento de uma personalidade mais obstinada, mais empoderada, mais valente quase animalesca. Neste aspecto lembra uma versão mais sutil e dosada do malaio Tiger Stripes (2023). E então Diego passa de meta para motivação quando Natalia se vê como uma entidade superior àquela situação. O resultado é um longa surrealista que não se poupa em adicionar analogias à sua trama, e ao mesmo tempo consegue se manter enxuto e preciso. Algumas mensagens de subtexto certamente ficam pelo caminho e não parecem se encaixar no todo de maneira azeitada como poderiam (e ainda assim não ficariam explícitas demais a ponto de soarem óbvias), mas no final das contas também não prejudicam o andamento, e de certa forma até fomentam e instigam a expectativa até a resolução. Nota: 3,5/5

  • Elenco de Beleza Fatal, primeira novela da MAX, conversam sobre bastidores da produção e da importância do projeto

    Conjunção perfeita e fatal em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 21 Foto: Divulgação Com estreia marcada para o dia 27 de janeiro em toda a América Latina, Estados Unidos e Portugal, Beleza Fatal, a primeira novela da MAX, chega ao streaming. Escrita por Raphael Montes e supervisionada por Silvio de Abreu, Beleza Fatal terá 40 capítulos e um elenco estrelar. Nesta terça-feira, 21, o ‘Oxente, Pipoca?’ participou da coletiva de imprensa que reuniu diretores, roteiristas e parte do elenco em um hotel em São Paulo. Estavam presentes os atores Camila Pitanga, Camila Queiroz, Murilo Rosa, Caio Blat, Marcelo Serrado, Breno Ferreira e Romaní. O escritor e roteirista Raphael Montes, a diretora Maria de Médicis, a produtora Geórgia Costa Araújo (da produtora Coração da Selva) e a head de conteúdo da Warner Bros. Discovery, Monica Pimentel. Cinco episódios serão lançados semanalmente a partir da próxima segunda, 27, e para Monica Pimentel, o investimento da Warner em Beleza Fatal é similar ao de grandes séries dos Estados Unidos, como ‘A Casa do Dragão’ e ‘Pinguim’ e que o objetivo é levar o melhor do Brasil para o mundo. “Beleza Fatal inaugura uma nova era na produção de novelas no país. Ela possui um potencial gigante de elevar o patamar da dramaturgia brasileira, aliada a uma contemporaneidade que entende que o público atual necessita de um maior dinamismo. A novela tem um ritmo muito correto e muito cirúrgico, tudo acontece mas dentro de um timing que o telespectador sempre vai ser surpreendido”. Foto: Divulgação Para o escritor Raphael Montes, Beleza Fatal é a novela que ele queria ver, misturando thrillers dos anos 90 e novelas com uma pegada clássica, trazendo assuntos modernos e uma nova roupagem. Ao falar de inspirações, Raphael cita Succession ao falar da relação da dinastia da família de médicos que faz parte da trama, os Argentos. “Incentivado pelo Silvio de Abreu, eu me diverti fazendo esse projeto”. E sobre a escalação das protagonistas, Raphael brinca: “No mesmo elenco eu tenho a Bebel, a Jade e Angel”, relata aos risos. Raphael se refere as icônicas personagens das atrizes Camila Pitanga, Giovanna Antonelli e Camila Queiroz que marcaram a história da teledramaturgia nas novelas Paraíso Tropical, o Clone e Verdades Secretas, da TV Globo, respectivamente. A atriz Camila Pitanga, depois de ter passado um tempo afastada das novelas, retorna com um trabalho que a desafiou e a divertiu, na mesma medida. “Estava esperando um projeto que fizesse sentido pra mim e as pessoas me pediam bastante nas ruas. Em Beleza Fatal, o texto do Raphael não tem medo de impactar e surpreender e a novela faz essa ponte com vários folhetins que a gente ama. Quando eu comecei a ler o texto, não conseguia parar. Você nunca sabe o que vai surgir pela frente”, relata Camila Pitanga. A atriz é a força motriz da novela na pele da vilã Lola, uma dona de clínica estética e influencer de beleza. O escritor Raphael Montes, inclusive, confessa que a vilã é uma das personagens favoritas que ele já escreveu e que foi inspirada na sua mãe e na sua sogra. “A Lola é perigosa e ambiciosa, mas muito inteligente. É uma mulher que corre atrás do que quer, sem medir esforços. É uma personagem que tem uma vontade de viver contagiante, e mesmo tendo esse lado mais denso, a gente gosta dela”, reflete Camila Pitanga. Foto: Divulgação Já a atriz Camila Queiroz relembrou o momento em que foi convidada a fazer parte do elenco da novela, interpretando Sofia. “O Raphael me apresentou Beleza Fatal em abril de 2023 e me convidou em um jantar para fazer parte da novela. Eu era apaixonada pelo trabalho do Rafa mas estava em uma espiral de trabalhos e sentia que precisava estar inteira para ser a Sofia, mas pedi o texto para ler. Li entre uma gravação e outra, na esteira da academia, e quando eu cheguei no final do capítulo dez, peguei o telefone, larguei tudo e disse “quero ser a Sofia”. Era algo que eu nunca tinha feito e que mexeu muito com um lado meu bem noveleira, que está enraizado na nossa cultura”, explica. Sofia é a personagem que cresce junto com a trama e que, depois de presenciar tantas maldades da tia Lola, resolve fazer justiça com as próprias mãos. Camila afirma que a partir do episódio 27, suas cenas passaram a ser ainda mais desafiadoras, após o turning point de transformação da sua personagem. Ela também destaca a cena final entre Lola e Sofia e agradece a Camila Pitanga pela parceria nas cenas e também fora das telas. Um dos temas principais da novela é a indústria dos procedimentos estéticos e da cirurgia plástica. No núcleo encabeçado por Lola, também estão os personagens dos atores Murilo Rosa, Caio Blat e Marcelo Serrado, que são cirurgiões plásticos. O personagem de Serrado, por exemplo, é apelidado na trama de Dr. Peitão, e é muito mais preocupado com a estética do que a saúde de suas pacientes, praticando medicina com uma certa crueldade. Sobre esse ponto da trama, Raphael explica: “Conversei com muitos cirurgiões plásticos e conversei também com esteticistas e tudo mais. Em Beleza Fatal não quis demonizar a busca pela beleza, essa é uma indústria importante que traz de volta, muitas vezes a autoestima. Mas nesse universo, você tem médicos corretos e médicos como o Dr. Peitão. Tudo tem seu lado positivo e negativo. O grande tema que eu sempre proponho e que me interessa é mostrar o que as pessoas querem que as outras vejam e o que elas são de verdade”. Já o ator veterano Caio Blat dirigiu alguns episódios da novela, sob o comando da diretora Maria de Médicis, trazendo sua vasta experiência no mundo da teledramaturgia. Murilo Rosa, que faz parte do cast da MAX desde 2021 e apresentou o reality show A Ponte: The Bridge Brasil, vencedor do Emmy Internacional de Programa de Entretenimento sem Roteiro, destaca a importância da visibilidade da plataforma. “O streaming traz um glamour para o trabalho, mas, no fim das contas, todos nós queremos que a novela seja popular. Ela mistura grandes clássicos e histórias de novelas que foram sucesso e acho que o público vai gostar de ver”. Sobre a jornada da sua personagem, Camila Queiroz conclui: “Acho que Sofia percebe que a vingança é viciante e começamos a nos perguntar “qual o limite dessa vingança?” Essa ética existente é corrompida”. O OP já assistiu os dez primeiros episódios da novela Beleza Fatal, confira aqui.

  • Análise | Beleza Fatal (1x01 - 1x10)

    Primeiras Impressões | Saudades de um bom novelão, né, minha filha? Foto: Divulgação/ Max O brasileiro, naturalmente, é um grande apaixonado por novelas. Minha geração, por exemplo, cresceu com a referência de obras icônicas da teledramaturgia que marcaram o imaginário do telespectador. Seja produções mexicanas, importadas pelo SBT, as grandes produções da Globo e até da Record, as novelas fazem parte da nossa vida e da nossa cultura popular. Com advento da era do streaming, muito foi falado se elas poderiam perder espaço para as produções seriadas que iam crescendo frequentemente, mas, na realidade, vimos o oposto. Hoje, acompanhamos os streamings investindo cada vez mais nas novelas e uma dessas promessas é a primeira produção da linha da MAX, a novela Beleza Fatal, que chega em 27 de janeiro no catálogo do streaming. A convite da MAX, o Oxente, Pipoca? já assistiu os dez primeiros episódios da trama protagonizada por Camila Pitanga, Giovanna Antonelli e Camila Queiroz e posso adiantar que os fãs de novelas como ‘Avenida Brasil’ e ‘O Outro Lado do Paraíso’ não vão se decepcionar. Na história, acompanhamos Sofia (Melissa Sampaio/Camila Queiroz), que quando criança, viu a mãe, Cléo (Vanessa Giácomo), ser presa e morta injustamente por culpa de sua tia Lola (Camila Pitanga), uma mulher ambiciosa e sem escrúpulos. Sem rumo, a garota é acolhida pela amorosa família Paixão, comandada pela misteriosa Elvira (Giovanna Antonelli), que também se encontra no sofrimento devido a filha Rebeca (Fernanda Marques), candidata a modelo, ter parado no hospital após uma cirurgia plástica mal sucedida. O responsável pela cirurgia foi Benjamin Argento (Caio Blat), um cirurgião plástico e herdeiro de um império de beleza. Sofia e sua nova família se unem na dor e na indignação contra os culpados pelas suas tragédias. Anos se passam. Já adulta, Sofia traça seu plano de vingança. Com a ajuda da família Paixão, Sofia quer destruir Lola e todos aqueles que lhe fizeram mal. Em sua obsessão, Sofia reencontra um amor de infância, Gabriel (Enzo Romaní), filho de Lola e Rubém (Reinaldo Junior), cujo sonho é ser policial que nem o pai, questionando os próprios passos e descobrindo que fazer justiça custa um preço muito alto. Tal qual esses grandes sucessos que citei anteriormente, Beleza Fatal é uma narrativa conduzida pela vingança, um clichê que quando bem utilizado, nos entrega produções extremamente envolventes. Nestes dez capítulos, acompanhei duas fases da novela, uma que apresenta a personagem de Camila Queiroz criança, sofrendo nas mãos de Lola, e outra com ela já na fase adulta, em busca de sua implacável vingança. Desde o seu início, a trama é envolvente, causando uma curiosidade no telespectador que nos deixa vidrado em todo enredo e seus personagens, Criada e desenvolvida por Raphael Montes, conhecido escritor de suspense e com outras obras já adaptadas para TV e cinema, dirigida pela experiente Maria de Medicis e supervisionada por Silvio de Abreu, Beleza Fatal tem todos os elementos que fazem uma boa novela. Aqui, as coisas não demoram a acontecer e plot twists (esperados e inesperados) pipocam durante cada capítulo. Além da boa direção, no melhor estilo novelesco, o texto de Beleza Fatal é muito ácido, divertido e fluido de acompanhar, elevando ainda mais as performances do seu elenco. Elenco esse afiadíssimo, por sinal. Camila Pitanga está surreal como vilã, em um papel odioso e divertido ao mesmo tempo, tornando-se o grande destaque dessa leva de episódios que acompanhei. Mas ela não é a única. Marcelo Serrado também é um excelente vilão, com uma pitada mais cômica. Gostei demais também do núcleo da família Paixão, com Giovanna e o maravilhoso Augusto Madeira, que ainda possuem essa comicidade, mas que entregam também os momentos mais tristes e tensos dessa primeira parte. Já Camila também é uma protagonista que segura bem as pontas, mesmo que só aparecendo um pouco depois da trama. Preciso dizer que fui surpreendida positivamente com esses dez episódios, que me fizeram ficar com ainda mais vontade de ir até o final dessa história e desvendar os mistérios que ficaram em aberto após essa leva, que terá por volta de 40 capítulos. É certo que, em um mundo tão veloz quanto o nosso, permanecer investido em uma história tão ‘grande’, se comparada a temporadas atuais de séries, é algo difícil. Portanto, Beleza Fatal terá nas mãos um trabalho complicado, mas que se for tão gostoso de assistir quanto esses dez capítulos iniciais, conquistará o público brasileiro com saudades de uma boa novela.

  • Crítica | Lobisomem

    Medos primordiais bem filmados esbarram nas limitações naturais da história Foto: Divulgação A produção apresenta a história de Blake (Christopher Abbott), marido e pai residente de San Francisco, que herda sua casa de infância na remota zona rural do Oregon, após seu pai desaparecer e ser dado como morto. Ciente do atual desgaste de seu casamento com a enérgica Charlotte (Julia Garner), Blake convence a esposa a dar um tempo da cidade, fazer uma viagem relaxante e aproveitar para visitar a propriedade com a pequena filha do casal, Ginger (Matilda Firth). Mas quando a família se aproxima da casa da fazenda ao cair da noite, eles são atacados por um animal invisível e, em uma fuga desesperada, acabam se trancando dentro da casa, numa espécie de barricada de proteção, já que a criatura continua lá fora, rondando a área. Cá estamos no início de mais um ano com Hollywood reciclando mais um gênero e personagem. A nova abordagem de um dos monstros clássicos do cinema e do imaginário popular de boa parte do mundo traz uma proposta construída em cima do suspense folk. O filme abre com um texto situando o espectador no tempo e espaço onde a história se desenrola. A maior parte do filme acontece numa belíssima zona rural do Oregon e essa contextualização é essencial para ditar o tom do longa-metragem. Foto: Divulgação A primeira metade do filme trata a lenda do monstro metade lobo metade homem todo em cima do escuro, dos barulhos, dos vultos, daquilo que foge da percepção plena dos sentidos humanos, e que desperta os instintos de proteção em relação ao desconhecido. E nisso ele se sai muito bem. A direção atenciosa de Leigh Whannell consegue construir bons momentos de tensão e bons sustos sem ter uma criatura à vista. É na segunda metade que a receita desanda. Mesmo tratando a transformação em criatura com um viés criativo, seguindo a intenção naturalista que caminha com o folk, e adicionando elementos de ficção científica e – com as palavrinhas da moda – terror corporal, não tem como evitar o ridículo de se ter uma pessoa maquiada de quase lobo subindo e descendo pela floresta. O resultado da revelação do monstro é tão bizarro, no pior dos sentidos, que perde a liga da apreensão guiada pela curiosidade dominante na primeira parte do filme. O elenco reduzido desempenha bem seus papeis, com destaque para o protagonista Christopher Abbott e toda sua versatilidade em cena. Com ótimas sequências de ação e com uma postura louvável de se levar a sério e de respeitar o texto (mesmo quando os monstros “estragam” as boas intenções e as metáforas visuais), Lobisomem não consegue ir além da vontade de recontar com outras palavras uma história já bem calejada. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Luiz Melodia - No Coração do Brasil

    Documentário sai do convencional e coloca o protagonista para contar sua própria história Foto: Divulgação A partir desta quinta-feira, 16, alguns cinemas do circuito nacional irão exibir o documentário Luiz Melodia - No Coração do Brasil e revisitar a história de um dos maiores nomes da música popular brasileira. Luiz foi um ator, cantor e compositor brasileiro que misturava MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. O documentário busca celebrar a vida e obra do cantor e compositor brasileiro Luiz Melodia. A produção conta a história do artista que, ao abraçar sua liberdade musical e originalidade, desafiou muitas normas do mercado fonográfico e cultural brasileiro. Com materiais raros e inéditos de arquivo, também reflete a importância cultural de seu legado e da cena musical à qual ele contribuiu desde os anos 70. Dirigido por Alessandra Dorgan, o filme chega às telas carregado de sensibilidade, contando a história em primeira pessoa. Esse é um dos pontos mais interessantes do documentário, que em vez de tentar fazer algo mais engessado e profissional, busca nos mostrar quem era Luiz Melodia pelo seu próprio olhar. Com uma pesquisa impecável de áudio e imagens, a direção tornou possível que nós ouvíssemos do próprio Luiz sobre sua infância no morro de São Carlos, suas influências artísticas múltiplas, seu início de carreira como poeta até chegar a seus primeiros passos na MPB compondo para Gal Costa e Maria Bethânia. Foto: Divulgação E acho que é isso que torna o documentário tão especial e marcante, e por mais que a história de Luiz seja interessante, o jeito escolhido para homenageá-lo eleva ainda mais todas essas nuances. Mérito não só de uma direção muito competente, mas também de uma montagem que nos leva quase a um passeio ou uma conversa com Melodia. Aqui, os altos e baixos da carreira se encadeiam com performances ao vivo de canções marcantes do cantor. E ao mesmo tempo que as imagens de arquivo tornam o documentário tão especial, acho que ele fica preso em mostrar muitas delas, em especial apresentações completas, e acaba não explorando algumas questões com mais profundidade sobre a vida do cantor. Utilizando-se da narrativa linear, Luiz Melodia - No Coração do Brasil é um retrato tocante sobre um músico ainda muito invisibilizado pelo público geral. Sem dúvidas, o documentário apresenta bem o trabalho de Luiz para quem não o conhece e homenageia a grande figura da música brasileira. Nota: 4/5

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