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Resultados da busca por "crítica mostra 2026"

1325 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Maníaco do Parque

    Resultado com execução pré-moldada e refém de Silvero contradiz proposta esperada Foto: Divulgação/ Prime Video Maníaco do Parque mergulha na história do maior serial killer brasileiro, o motoboy Francisco (Silvero Pereira), que foi acusado de atacar 21 mulheres, assassinando dez delas e escondendo seus corpos no Parque do Estado, em São Paulo no final dos anos 90. A história do assassino e os detalhes da sua psicopatia são revelados por Elena (Giovanna Grigio), uma repórter iniciante que enxerga na investigação dos crimes cometidos pelo maníaco a grande chance de alavancar sua carreira. Enquanto Francisco segue vivendo livre e atacando mulheres, sua fama na mídia sensacionalista cresce vertiginosamente, gerando terror na capital paulista. Acompanhei um pouco a divulgação da equipe desse filme que sempre estava afiada com o discurso de que o longa vinha como uma espécie de “homenagem” às vítimas e o foco era contar a versão das mulheres em vez das motivações do Francisco. Pois bem, não se fez nem uma coisa nem outra. Se o filme tinha qualquer interesse em pautar seu direcionamento para além do assassino ele ficou apenas na intenção, porque tudo que acontece e se imprime em cena gira em torno do maníaco, em torno de Silvero, e, para além disso, nem tudo funciona por mais que siga uma fórmula para lá de repetida. O roteiro não almeja fazer um ensaio psicológico de causas e raízes dos problemas ou transtornos que fizeram do protagonista o infame serial killer, mas é apenas nos minutos finais que o texto se aproxima do que estava buscando desde o início, ser porta-voz das figuras femininas da história, reais e fictícias. Então ao final tem-se um texto sem identidade e que, seguindo os passos e clichês mais famosos do arroz com feijão de true crimes, não encontra um viés para se consolidar, apelando para frases prontas de lição de moral e palestrinhas. Foto: Divulgação/ Prime Video Silvero Pereira é uma força da natureza seja fazendo o que estiver afim. Este é o primeiro filme de sua carreira onde o ator dar vida a um personagem real e a um tipo completamente destoante de seus outros trabalhos – até mesmo do icônico Lunga – e ainda assim ele parece confortável com todas as decisões que toma ao construir um Francisco que assusta, que surpreende e que rouba a atenção sempre que surge. Também num papel diferente do que fez até então, Giovanna Grigio usa o que foi oferecido para montar uma personagem construída em cima de recortes e colagens de absolutamente todos as outras jornalistas femininas que tentam se provar à altura do meio masculino onde está inserida já interpretadas no cinema. Ela divide o protagonismo com Silvero em teoria, mas na prática e na execução acaba engolida pelas reincidências. O filme acerta quando usa de ironias e alívios cômicos para apresentar, por exemplo, a mídia sensacionalista de programas policiais e elementos culturais dos anos 90, e acerta também na construção das cenas mais tensas e sensíveis dos assassinatos, e acredito que tenha faltado mais de ousadia descompromissada com o querer fazer true crime que pode ter bloqueado a criatividade narrativa para além do que já se tem preconcebido ao gênero. Mesmo ao final parece que pouca coisa foi contada, ou pelo menos enfatizada, e se fica esperando que aconteça mais, explique mais, convença mais (ou melhor). Nota: 2/5

  • Crítica | Gladiador 2

    para o papel, e um trabalho de corpo bem construído, algo que não o via fazer desde o musical Carmen (2022

  • Crítica | Arca de Noé

    Animação é simpática, mas bagunçada e sem foco Foto: Divulgação Vini (Rodrigo Santoro) e Tom (Marcelo Adnet) são dois ratos boémios inspirados em Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Depois de, acidentalmente, testemunharem o momento em que Deus confia a Noé a tarefa de acolher apenas um casal de macho e fêmea de cada espécie para a sua arca, os dois amigos encontram uma maneira de embarcar juntos nesta aventura. Acho que a primeira questão a ser levada em conta é como o filme dos diretores Sérgio Machado e Alois Di Leo consegue se dissociar da categoria “filme crente” sem evitar a narrativa bíblica e consegue usar das composições de Vinicius de Moraes sem aparentar serem emprestadas ao filme. Essa articulação consegue criar um espaço comum para que o roteiro aconteça sem precisar diretamente das duas vertentes, mas usando delas sempre que possível para referências, piadas e trocadilhos, alguns engraçados e espertos e outros já bem datados. O grande problema de Arca de Noé é o excesso, tanto no enredo quanto na plástica. O caos de incontáveis animais de espécies diferentes confinados num mesmo ambiente é justificável desde antes de Cristo, mas a maneira com que o filme escolhe inserir personagens secundários em excesso cheios de falas causando todo tipo de confusão deixa a fluidez do filme desgastada logo cedo – pelo menos para este senhor de 31 anos. É muito barulho, muita voz, muita cor, muita textura a ponto de, por vezes, parecer que afeta até mesmo a destreza no traço dos desenhos. Foto: Divulgação A qualidade técnica do desenho dos personagens e da renderização não deixa em nada a desejar em relação ao crescente e diverso mercado internacional de animação, mas faltou ao longa uma coerência visual nas ambientações. Mesmo se passando quase toda na arca, os cenários carecem de uma rápida identificação e de um padrão mesmo com mais abstrações, menos detalhes. Uma utilização mais purista da gestalt talvez harmonizasse com o excesso de personagens e objetos que por si já gera bastante informação visual. E esse excesso de personagens é também um obstáculo para o arco central do filme que em alguns momentos parece ser esquecido em detrimento de outras situações que em nada acrescentam ao cenário geral. É uma animação simpática e cheia de mensagens positivas e progressistas, algumas camufladas num texto mais sagaz e outras bem escancaradas em metáforas simplistas do reino animal. Os trabalhos de dublagem de todo o elenco são bem afiados, inclusive esse é um dos benefícios do caos: sacar algumas piadas que aqui e acolá saem, num tom mais baixo, da voz de um coadjuvante. E mesmo que não seja a animação perfeita, o resultado consegue ser acima da média e pode agradar mais a geração infantil atual moldada por hiper estímulos. Nota: 3/5

  • Crítica | Operação Natal

    Apenas mais um filme hollywoodiano pré-moldado, cafona e em baixa saturação Foto: Divulgação Depois que o Papai Noel – codinome: Das Neves – é sequestrado, o Chefe de Segurança do Polo Norte (Dwayne Johnson) deve se unir ao mais infame caçador de recompensas do mundo (Chris Evans) em uma missão global e cheia de ação para salvar o Natal. Sou uma pessoa bastante deslumbrada com o espírito natalino em suas mais diferentes vertentes filosóficas, religiosas e comerciais que possam existir. Já assisti a incontáveis filmes natalinos entre clássicos que apenas melhoram com o tempo e outros mais alinhados ao doce descompromisso da Sessão da Tarde. Não sabia qualquer detalhe sobre essa produção quando cheguei para assisti-la, no entanto, sabia que não encontraria em Operação Natal uma experiência cinematográfica catártica, mas com certeza não esperava ser a farofa sem sal que é. Se o roteiro se contivesse no sequestro do Papai Noel, como apresenta a sinopse, e buscasse – por mais tola que fosse – a justificativa mais fácil para o desenrolar de tal apuro, talvez o resultado não fosse tão prejudicado como acabou por acontecer. Os roteiristas preferiram, além de manter a esperada tolice natural de uma história envolvendo Papai Noel e sequestro, colocar inúmeros elementos e personagens mitológicos que transformou o filme num emaranhado cafona de sub narrativas desinteressantes, sem graça e de motivações fraquíssimas (várias cenas são até bem constrangedoras). Foto: Divulgação Não vou ser hipócrita e fingir que não dei uma risadinha ou outra das muitas canastrices que os protagonistas exibem em cena, mas além nem aquém do que se espera do formato. Feche os olhos e aponte para as filmografias de Dwayne Johnson e de Chris Evans e as chances de você encontrar outros papéis exatamente iguais a este são de quase 100%. Mas infelizmente o restante do elenco parece não corresponder aos personagens medianos que lhes são oferecidos, e entregam atuações bem fora dos esquadros do gênero: ação com humor completamente esquecível. Além disso, o filme é mais uma vítima do filtro de baixa saturação que impede o público de ter uma visão clara do que está acontecendo – o que, na verdade, nem sempre é uma coisa ruim porque vários dos efeitos visuais são vergonhosos. Mas num filme natalino se espera brilhos, luzes e cores vibrantes, mas o que se ganha aqui é mais um borrão escuro, manchado e sem expressividade. Pouco provável que este passe por uma revisão minha, no entanto, se um dia eu me aventurar a tal, o bom é saber que pode ser uma experiência toda nova porque provavelmente semana que vem já terei esquecido de absolutamente tudo que vi nessas duas horas. Nota: 1,5/5

  • Crítica | Terrifier 3

    O filme de 2016 me divertiu mais pelo tom irônico e cômico do que pelo espetáculo sanguinolento de baixo O filme de 2022 me fez questionar se o "humor" fazia valer a pena eu estar passando por toda aquela nojeira

  • Crítica | Abraço de Mãe

    Exagero de referências de horror transforma longa em uma grande história sem foco Foto: Divulgação/ Netflix Ter o nome de Marjorie Estiano no elenco já chama muita atenção de grande parte do público. E é nesse mote principal que Abraço de Mãe, o mais novo filme brasileiro da Netflix, chegou à plataforma nesta quarta-feira, 23. Com pouca cerimônia, o marketing do filme se concentra na figura de Marjorie, protagonista do longa, para atrair os telespectadores para uma história de horror contada quase toda no mesmo cenário. Dirigido pelo argentino Cristian Ponce, o filme é ambientado no Rio de Janeiro durante a noite da histórica tempestade tropical de 1996 e nós acompanhamos Ana (Marjorie), uma bombeira que é chamada para uma ocorrência em uma casa que funciona como um pensionato de idosos e pessoas abandonadas que está à beira de desabar. No entanto, os misteriosos residentes do local têm planos sinistros e perturbadores. Conforme a tempestade se intensifica, Ana se vê confrontada não apenas com o perigo iminente, mas também com traumas profundos de seu passado e à medida que a noite avança e os eventos se desenrolam, Ana descobre que o verdadeiro horror pode estar mais próximo do que imaginava. O filme se desdobra em duas camadas temporais: uma em 1973, quando Ana, ainda criança, sofreu um trauma causado por sua própria mãe, e a segunda, em 1996, onde vemos o reflexo dessa situação na vida adulta de Ana. Sem dúvidas, essas idas e voltas no tempo dentro da trama funcionam bem para entendermos a complexidade da personagem, mesmo que tudo seja pouco aproveitado dentro de um roteiro que parece não saber para onde quer chegar. Foto: Divulgação/ Netflix Falando acerca do seu grande mistério e do suspense da trama, Abraço de Mãe tem claras referências a um horror no estilo de Lovecraft, porém, ele se perde em meio a um roteiro que em momentos beira o suspense, em outros um terror sobrenatural e em outros algo meio não identificável em um amontoado de referências mal usadas. No contexto da história, esse mix de vários gêneros também atrapalha o andamento da trama, que começa muito instigante e termina aquém das expectativas. Focar em Marjorie, como comentei acima, realmente pode ter sido uma boa saída. Ela é a melhor coisa do filme e entrega uma atuação muito convincente, nada surpreendente para uma das atrizes brasileiras mais completas da atualidade. O elenco coadjuvante também funciona bem, mas falta tempo de tela e espaço de maneira geral dentro do contexto do filme. Outro ponto positivo é a ambientação e a fotografia, que conseguem colocar o telespectador dentro daquela infame noite carioca sem perder sua originalidade. De forma geral, Abraço de Mãe não é uma experiência ruim, mas se torna cansativa com sua falta de foco e grande mistureba de referências para agradar um público repleto de expectativas. A produção da Netflix decepciona e não consegue trabalhar bem uma história que tinha grandes chances de dar certo pelo talento presente no longa. Uma pena. Nota: 2,5/5

  • Crítica | Centro Ilusão

    Ilusão, o cineasta Pedro Diogenes que há pouco nos presenteou com o encantador A Filha do Palhaço (2022 algo que Michelline Helena e Amanda Pontes trouxeram também recentemente em Quando Eu Me Encontrar (2023

  • Crítica | Sorria 2

    alimenta de traumas Foto: Divulgação Na última quinta-feira, 17, Sorria 2, sequência do longa de terror de 2022

  • Crítica | O Quarto Ao Lado

    longa-metragem em língua inglesa – o diretor já havia feito dois curtas-metragens no idioma, A Voz Humana (2020 ) e Estranha Forma de Vida (2023) – e incontestavelmente isso acarreta algumas consequências no produto

  • Crítica | Moana 2

    Continuação é decente mesmo com enredo que insiste em não desenvolver Foto: Divulgação Em Moana 2, novo filme musical da Walt Disney Animation Studios, Moana e Maui se reencontram após três anos para uma nova e incrível jornada com um grupo improvável de marujos. Após receber um chamado de seus ancestrais, Moana parte em uma jornada nos mares distantes da Oceania, desbravando águas perigosas, rumo a uma aventura diferente de todas as que já viveu. Tal qual a morte que nos espera eventualmente em algum ponto de nossas vidas, continuações de animações da Disney que fazem um bom dinheiro são também inevitáveis. Moana 2 traz novos personagens carismáticos, mas que em nada ajudam na progressão da narrativa; novas canções marcantes louvando a natureza e os melhores valores humanos; e amplia os alcances da mitologia dos povos polinésios. Até a primeira metade alguém pode se confundir e achar que está assistindo mais uma vez ao filme original tamanhas são as semelhanças na estrutura do texto. A protagonista-título está lidando com o anseio de deixar sua ilha, dessa vez para procurar outros povos que fortaleçam seus vínculos com o passado. A motivação é diferente do anterior, mas os tratamentos com a problemática são basicamente os mesmos. Talvez o segundo filme tenha a mesma duração do primeiro e a mesma quantidade de músicas, mas tudo aqui parece ser mais compacto, mais contido ou pelo menos não tão inflado. Até mesmo o “vilão” da história tem uma abordagem mais metafórica e hipotética, como uma força da natureza sem um desenho próprio delimitado. Foto: Divulgação E são nessas economias que o derivado se distingue do original. Os números musicais são menos extravagantes, as músicas são mais compassadas (nisso Lin Manuel-Miranda não fez falta) e de alguma forma a mensagem tenta se provar importante a todo momento, enquanto o meio aparenta não querer chamar tanto a atenção. Não que a animação tenha perdido qualidade, embora haja algumas transições que parecem ter sido feitas numa renderização apressada, ou mesmo o brilho do anterior, mas não há tantos vislumbres que façam da plasticidade de Moana 2 seu principal atrativo ou traço mais memorável. Mas talvez o maior obstáculo seja a história que na maior parte do tempo não evolui. Obviamente que ao final temos mudanças na protagonista e o arco principal está num lugar mais adiante de onde se iniciou, no entanto tudo que acontece no longa-metragem até sua meia-hora final anda sobre uma esteira narrativa que resulta num grande déjà vu involuntário que diz menos do que poderia. Mesmo sendo uma produção decente, Moana 2 soa mais como um parágrafo do que como um capítulo. Nota: 3/5

  • Crítica | Senna (Minissérie)

    Vemos o mito, mas nunca o homem Foto: Divulgação Na última sexta-feira (29), uma das minisséries mais aguardadas da Netflix chegou ao streaming. Senna teve seis episódios e a difícil missão de contar a história do grande ídolo do automobilismo brasileiro. Contando desde o início da carreira do piloto nas pistas de kart até sua consagração e eventual morte nos circuitos da Fórmula 1, a minissérie entrega pouco a mais do que já sabemos da história de Ayrton e fortalece sua figura como um mito, mas nunca vemos de fato quem era o Senna de verdade. Trinta anos após sua morte, seus feitos na pista seguem marcantes na memória de quem viveu e também de quem não era vivo na época, muito graças ao seu apelo e perda precoce, que gerou um enorme fascínio mundial por ele. Todas essas particularidades que tornaram Senna uma figura mitológica da história brasileira reside não apenas no talento surpreendente, mas também na profundidade e na complexidade de sua personalidade, especialmente dentro das pistas. Desde os primeiros minutos do seu episódio inicial, Senna reflete essa magnitude do que foi Ayrton colocando-o sempre como uma figura imaculada, o cara que corre atrás dos seus sonhos, que abdica de viver o que foi, de certo modo, imposto pela sua família para seguir no esporte. E isso, do início até o final da série, demonstra um pouco de como a trama de Senna segue como mais uma biografia chapa branca, onde há uma ode aquela figura e não existem contradições ao seu respeito, com uma imagem imaculada de uma face da sua história, muito disso perpetuado pela família do piloto por trás dos bastidores. Houve, pelo o que foi divulgado pela imprensa, uma certa dificuldade em contar a vida de Ayrton Senna nas telas, mesmo que essa não seja a primeira vez que há um material biográfico autorizado pela família (O documentário Senna: O Brasileiro, O Heroi, O Campeão de 2010, dirigido por Asif Kapadia e vencedor de alguns prêmios BAFTA, é um exemplo). E nas redes sociais, uma das principais polêmicas de Senna atualmente é a presença diminuta de Adriane Galisteu, namorada dele na época do acidente, e uma hipervalorização da história do piloto com Xuxa. Foto: Divulgação Pra mim, o que falta na minissérie é algo muito mais macro do que a participação ou não de um dos relacionamentos amorosos, é que em Senna essas relações são tratadas de modo superficial e com pouco aprofundamento, há, claro, um melhor foco quando falamos de personagens do automobilismo (como Proust) para a vida de Ayrton. Mas de uma forma geral, o que prevalece é algo vago, desde as relações familiares até os relacionamentos amorosos que pouco foram mostrados em tela. Algo que faz muito sentido dentro da construção de um mito sem falhas, mas que peca quando pensamos em outras obras biográficas mais recentes, que abraçam as virtudes e as falhas de seus protagonistas. Mesmo que a presença da personagem Laura Harrison traga uma perspectiva interessante acerca da cobertura jornalística do automobilismo, a condução da narrativa por ela é um artifício fraco e mal utilizado dentro da história como um todo. Mas Senna também tem seus pontos positivos. O destaque principal é o elenco liderado por um Gabriel Leone inspirado na pele de Ayrton. Muito além de aparência física, Leone explora bem os maneirismos, o jeito e as expressões faciais do piloto e emociona muito o telespectador ao decorrer da trama. De forma geral, a série tem um cast muito competente e também uma preocupação visual na caracterização bem fidedigna dos seus personagens. Outro destaque são as excelentes cenas que envolvem as corridas, que são bem dinâmicas, utilizando-se de ótimos artifícios para fisgar os seus telespectadores pelo espetáculo visual, que a série promete e entrega sendo uma das produções mais caras da história do streaming. Algo com certeza deve ter atrapalhado a produção de mais episódios, algo que beneficiaria bastante a trama como um todo. Mesmo com seus defeitos, é muito bom embarcar novamente na história de um personagem tão marcante quanto o de Ayrton Senna. A minissérie consegue emocionar e demonstrar, mesmo que de certo modo, a importância desse personagem para a história do Brasil como um todo. Vale a pena ser assistida por tudo que Ayrton representa, mas a sensação ainda é que há mais a saber sobre ele, indo além do mito que perdura em cima do seu nome e descobrir de fato quem era o homem Ayrton Senna. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Nickel Boys

    Filme insere espectador em uma sensível narrativa de lembranças com formato genial Foto: Divulgação O drama conta a história de Elwood e Turner, dois adolescentes negros que se conhecem no reformatório Nickel durante a década de 60 na Flórida, EUA. Adaptado de um romance homônimo, o longa-metragem narra a poderosa amizade entre os jovens que passam juntos pelas angustiantes provações do terrível lugar onde criaram um vínculo poderoso. Que trabalho primoroso RaMell Ross – diretor e roteirista – desenvolve nesta produção. Junto com uma equipe que entrega um esforço caprichado em dar vida a uma história de forma inventiva, ele cria um milagre visual e narrativo que enfatiza a riqueza do simples, e aborda uma temática social negra dolorosa com requinte e respeito. O filme é baseado no romance de mesmo nome do autor Colson Whitehead, um dos mais premiados e venerados da literatura estadunidense contemporânea, que por sua vez é inspirado na polêmica Florida School for Boys, fechada em 2011 e conhecida por seu história de abusos e violência, dos mais diversos tipos, para com os alunos da instituição. É um filme consolidado em cima da riqueza dos detalhes e no lirismo do ordinário. Por mais que o resultado imprima uma “simplicidade” em relação a tantos malabarismos visuais pelos quais o cinema estadunidense se tornou conhecido, seu alicerce é riquíssimo em recursos habilidosos e lúdicos que compõem uma estética funcional, antes de qualquer outra coisa, para a arquitetura do roteiro. Foto: Divulgação Em tempos em que, para se considerado bom por um grupo seleto encabeçado por jovens internautas, um roteiro adaptado precisa ser um “copia e cola” ipsis litteris ao texto base para ser considerado bom, RaMell Ross e Joslyn Barnes trazem frescor ao inserir a perspectiva dos protagonistas no plano da câmera. O romance é contado em terceira pessoa, por um narrador observador, e o que o bem articulado roteiro faz é transformar esse argumento em um texto em primeira pessoa. Começando com a perspectiva de Elwood que conduz o enredo até o reformatório Nickel, e ao conhecer Turner, também passa a ter seu ponto de vista filmado, de modo que naturalmente as histórias dos rapazes vão se fundir e montar o mosaico de perspectivas com um engenharia de POV e campo e contracampo simplesmente brilhante. O rigoroso trabalho da direção de fotografia, e do desenho de som são os principais aliados na estrutura técnica para o bom desempenho do filme. O que é mostrado (e como é mostrado) em cena é sempre relevante, da mesma forma que os momentos em que uma tela escura de possíveis olhos fechados faz o desenho de som ser o guia por entre um suspense cruel e cru. Além disso, a montagem que sabe quando alternar os pontos de vista com inserções de fotografias, de vídeos e de textos que ligam os diferentes tempos do filme e fortalecem ainda mais a robustez do texto. Existe tanto sentimento e tanta verdade que cada segundo parece precioso, parece caro, parece importar mais do que anterior e menos do que o seguinte. Os atores Ethan Herisse e Brandon Wilson estão deslumbrantes em suas entregas e em suas conduções, e a atuação poderosa e convergente de Aunjanue Ellis é um espetáculo à parte. Hattie, a avó de Elwood, serve de contrapeso para as memórias afetivas do personagem em meio às desventuras e a grandiosa atriz sabe fazer bastante sem precisar de barulho, de excessos e de apelos exagerados. É uma produção complexa em sua “simplicidade” já citada. Complexo na forma e na mensagem. É um trabalho primoroso enquanto resultado cinematográfico e enquanto registro, tão realista quanto necessário numa história “quase real”, de beleza, de resistência, de hipocrisia, de insensibilidade e de dor. Nota: 5/5

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