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1325 resultados encontrados para "crítica mostra 2026"

  • Crítica | Emilia Pérez

    Filme tenta ser revolucionário, mas entrega história carregada de estereótipos latinos Foto: Divulgação Com uma premissa instigante, misturando uma trama de ação com drama e cenas musicais, o longa Emilia Pérez, que chega aos cinemas brasileiros em fevereiro, começa nos apresentando uma advogada descrente com a profissão que acaba sendo contratada por um dos maiores narcotraficantes do México para ajudá-lo para que ele possa finalmente se tornar a mulher que sempre sonhou ser. Uma pena que a história do francês Jacques Audiard tropece na sua própria proposta ao apresentar uma trama que não vai além do básico, que neste caso é uma visão deturpada, fetichista, eurocêntrica e xenófoba de um México incapaz de produzir algo além da violência. A catástrofe se encontra na medida que suas tentativas de debate e problematização são esvaziadas por um olhar que parece não decidir se se leva absurdamente a sério ou se cria involuntariamente um humor ácido (que, muitas vezes, beira a vergonha alheia). No mais, vamos ser justos. A primeira parte de Emilia Pérez realmente convence, muito pela curiosidade de sua história e também pela força das suas atuações. Zoë Saldaña é a motriz que guia o longa e nos apresenta ao universo e aos personagens que compõem a história. Seja em momentos mais dramáticos ou em arcos musicais, a presença de Zoë é o maior ganho do filme. Além dela, Karla Sofía Gascón, Selena Gomez e Adriana Paz completam a parte mais qualificada de Emilia Pérez. Aqui, notem que falei qualificada e não acertada. Das quatro atrizes, apenas Adriana Paz é realmente mexicana e, no contexto da trama do longa, a falta de protagonismo daqueles que fazem da história o que ela é, faz muita falta e nos sufoca com sotaques americanizados de um espanhol que não passa nenhuma veracidade. Outro ponto positivo do filme é, de certo modo, a direção de Jacques Audiard quando pensamos no aspecto técnico. O francês consegue aqui fazer algo muito difícil, que é misturar gêneros de uma forma muito criativa e original, o destaque vai para o número musical da inquietante "El Mal" que traz quase um rap melódico vomitado com ódio pela personagem de Saldaña ao falar sobre a hipocrisia de políticos presentes em um evento de caridade em prol das mulheres. Com essas atrizes inspiradas, especialmente nas cenas dramáticas e musicais, Audiard consegue mostrar bem os conflitos e sofrimentos de suas protagonistas de uma maneira que o público cria empatia com as personagens. Foto: Divulgação Porém, a decisão de Jacques Audiard em filmar Emilia Pérez nos estúdios Bry-Sur-Marne, na França, para trabalhar com sua equipe habitual, torna o longa plastificado e pouco natural. Fica óbvio durante as suas 2h10 que nada foi feito no México, colocando o país que teoricamente é o protagonista desta trama para escanteio. Muito além desses estereótipos estéticos que perpetua (com aquele filtro sofrido, que já estamos acostumados a ver a América Latina), vejo no longa uma visão do México que se assemelha a visão que muitos possuem do Brasil e que, mesmo tentando servir de denúncia, o longa, na realidade, reforça um México miserável e dominado pelo tráfico. Voltando a falar de Karla Sofía Gascón e da personagem título do filme, não é segredo que a atriz impressiona na atuação. Seja quando demonstra a masculinidade de Manitas ou quando nos apresenta a feminilidade de Emilia, Karla constroi uma personagem complexa e, ao mesmo tempo, impressionante. Porém, todo o arco de redenção e protagonismo de Emilia Pérez é jogado no lixo no decorrer de sua conclusão. Aqui, sem entrar no mérito da questão ética acerca de termos uma ex-chefe do narcotráfico não sendo julgada corretamente por seus crimes, temos mais um torpe clássico falando de LGBTQ+ nas telas quando chegamos ao final da história. Do que adianta dar esse protagonismo e colocar especialmente, essa personagem, em sofrimento? Ela não seria merecedora de um final feliz? Onde está a irmandade entre as mulheres que Audiard tanto se gaba durante a trama? Não sei responder a essas questões e decerto não sou a pessoa ideal para tal. Mas a sensação que fica ao final de Emilia Pérez é de que ele é um longa contraditório, que não sustenta sua proposta inicial e enche toda as lacunas da sua trama de estereótipos e de uma visão distorcida que se propõe a ser uma representação latina, mas que, na realidade, não representa o México e nem o povo mexicano. Nota: 2.5/5

  • Crítica | Senna (Minissérie)

    Vemos o mito, mas nunca o homem Foto: Divulgação Na última sexta-feira (29), uma das minisséries mais aguardadas da Netflix chegou ao streaming. Senna teve seis episódios e a difícil missão de contar a história do grande ídolo do automobilismo brasileiro. Contando desde o início da carreira do piloto nas pistas de kart até sua consagração e eventual morte nos circuitos da Fórmula 1, a minissérie entrega pouco a mais do que já sabemos da história de Ayrton e fortalece sua figura como um mito, mas nunca vemos de fato quem era o Senna de verdade. Trinta anos após sua morte, seus feitos na pista seguem marcantes na memória de quem viveu e também de quem não era vivo na época, muito graças ao seu apelo e perda precoce, que gerou um enorme fascínio mundial por ele. Todas essas particularidades que tornaram Senna uma figura mitológica da história brasileira reside não apenas no talento surpreendente, mas também na profundidade e na complexidade de sua personalidade, especialmente dentro das pistas. Desde os primeiros minutos do seu episódio inicial, Senna reflete essa magnitude do que foi Ayrton colocando-o sempre como uma figura imaculada, o cara que corre atrás dos seus sonhos, que abdica de viver o que foi, de certo modo, imposto pela sua família para seguir no esporte. E isso, do início até o final da série, demonstra um pouco de como a trama de Senna segue como mais uma biografia chapa branca, onde há uma ode aquela figura e não existem contradições ao seu respeito, com uma imagem imaculada de uma face da sua história, muito disso perpetuado pela família do piloto por trás dos bastidores. Houve, pelo o que foi divulgado pela imprensa, uma certa dificuldade em contar a vida de Ayrton Senna nas telas, mesmo que essa não seja a primeira vez que há um material biográfico autorizado pela família (O documentário Senna: O Brasileiro, O Heroi, O Campeão de 2010, dirigido por Asif Kapadia e vencedor de alguns prêmios BAFTA, é um exemplo). E nas redes sociais, uma das principais polêmicas de Senna atualmente é a presença diminuta de Adriane Galisteu, namorada dele na época do acidente, e uma hipervalorização da história do piloto com Xuxa. Foto: Divulgação Pra mim, o que falta na minissérie é algo muito mais macro do que a participação ou não de um dos relacionamentos amorosos, é que em Senna essas relações são tratadas de modo superficial e com pouco aprofundamento, há, claro, um melhor foco quando falamos de personagens do automobilismo (como Proust) para a vida de Ayrton. Mas de uma forma geral, o que prevalece é algo vago, desde as relações familiares até os relacionamentos amorosos que pouco foram mostrados em tela. Algo que faz muito sentido dentro da construção de um mito sem falhas, mas que peca quando pensamos em outras obras biográficas mais recentes, que abraçam as virtudes e as falhas de seus protagonistas. Mesmo que a presença da personagem Laura Harrison traga uma perspectiva interessante acerca da cobertura jornalística do automobilismo, a condução da narrativa por ela é um artifício fraco e mal utilizado dentro da história como um todo. Mas Senna também tem seus pontos positivos. O destaque principal é o elenco liderado por um Gabriel Leone inspirado na pele de Ayrton. Muito além de aparência física, Leone explora bem os maneirismos, o jeito e as expressões faciais do piloto e emociona muito o telespectador ao decorrer da trama. De forma geral, a série tem um cast muito competente e também uma preocupação visual na caracterização bem fidedigna dos seus personagens. Outro destaque são as excelentes cenas que envolvem as corridas, que são bem dinâmicas, utilizando-se de ótimos artifícios para fisgar os seus telespectadores pelo espetáculo visual, que a série promete e entrega sendo uma das produções mais caras da história do streaming. Algo com certeza deve ter atrapalhado a produção de mais episódios, algo que beneficiaria bastante a trama como um todo. Mesmo com seus defeitos, é muito bom embarcar novamente na história de um personagem tão marcante quanto o de Ayrton Senna. A minissérie consegue emocionar e demonstrar, mesmo que de certo modo, a importância desse personagem para a história do Brasil como um todo. Vale a pena ser assistida por tudo que Ayrton representa, mas a sensação ainda é que há mais a saber sobre ele, indo além do mito que perdura em cima do seu nome e descobrir de fato quem era o homem Ayrton Senna. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Fé para o Impossível

    Filme religioso em nada se distingue de seus congêneres para além do “fato real” Divulgação Fé para o Impossível é o longa biográfico do diretor Ernani Nunes que vai retratar um fato na vida de Renee Murdoch (Vanessa Giácomo). Renee é uma pastora norte-americana, que vive no Rio de Janeiro e foi brutalmente atacada por um morador de rua que a atingiu com um pedaço de madeira na cabeça em uma corrida em setembro de 2012, no bairro da Barra da Tijuca. Internada em estado gravíssimo e com baixas perspectivas de cura sob o diagnóstico de traumatismo craniano, Renee contou com a ajuda de seu marido, Philip (Dan Stulbach), e com o apoio de sua família que compartilharam a luta da pastora com o mundo a fim de reunir o máximo de pessoas para uma poderosa corrente de oração pela sua recuperação. O maior dos problemas de filmes religiosos de superação talvez seja a falta de personalidade, a falta de aprofundamento nas subjetividades das vidas daqueles indivíduos, que torne aquela história (ou pelo menos aquele filme) diferente dos outros que já existem. Afinal, chega-se sabendo que tudo ficará bem mesmo em meio às adversidades, então a melhora/recuperação deveria ser apenas o centro gravitacional por onde todos os outros subenredos orbitam. Fé para o Impossível gabarita todos os clichês do gênero. A falta de fé de um dos membros da família, a união de todos pela recuperação, os questionamentos religiosos cansados, a representação genérica da igreja, as músicas emocionantes. Pegue qualquer cena que não se refira aos detalhes do acontecimento com a personagem central e o filme se confunde com outros tantos semelhantes que saíram nos últimos 10 anos, dentro e fora do país. É apenas quando o roteiro se preocupa – e parece que por obrigação – com os vínculos familiares que ele ganha notoriedade. A dureza e a negação de Philip em relação aos sentimentos dos filhos é o tópico que se destaca pela tangente da questão sensível à saúde de Renee, e se houvesse uma melhor valorização deste arco o longa-metragem assumiria uma identidade, até mesmo uma motivação que endossasse o discurso de “males que vem para o bem” que a algumas vertentes cristãs tanto amam. Assim como Inexplicável, lançado ano passado, este filme também sabe qual o público que quer atingir e vai conseguir, mas, ademais do nicho facilmente impressionável e da história que sim tem seu mérito surpreendente, a produção não mira mais do que poderia, falta valorização das possibilidades de alcance de sua própria narrativa nas entrelinhas. Nota: 1,5/5

  • Crítica | Nickel Boys

    Filme insere espectador em uma sensível narrativa de lembranças com formato genial Foto: Divulgação O drama conta a história de Elwood e Turner, dois adolescentes negros que se conhecem no reformatório Nickel durante a década de 60 na Flórida, EUA. Adaptado de um romance homônimo, o longa-metragem narra a poderosa amizade entre os jovens que passam juntos pelas angustiantes provações do terrível lugar onde criaram um vínculo poderoso. Que trabalho primoroso RaMell Ross – diretor e roteirista – desenvolve nesta produção. Junto com uma equipe que entrega um esforço caprichado em dar vida a uma história de forma inventiva, ele cria um milagre visual e narrativo que enfatiza a riqueza do simples, e aborda uma temática social negra dolorosa com requinte e respeito. O filme é baseado no romance de mesmo nome do autor Colson Whitehead, um dos mais premiados e venerados da literatura estadunidense contemporânea, que por sua vez é inspirado na polêmica Florida School for Boys, fechada em 2011 e conhecida por seu história de abusos e violência, dos mais diversos tipos, para com os alunos da instituição. É um filme consolidado em cima da riqueza dos detalhes e no lirismo do ordinário. Por mais que o resultado imprima uma “simplicidade” em relação a tantos malabarismos visuais pelos quais o cinema estadunidense se tornou conhecido, seu alicerce é riquíssimo em recursos habilidosos e lúdicos que compõem uma estética funcional, antes de qualquer outra coisa, para a arquitetura do roteiro. Foto: Divulgação Em tempos em que, para se considerado bom por um grupo seleto encabeçado por jovens internautas, um roteiro adaptado precisa ser um “copia e cola” ipsis litteris ao texto base para ser considerado bom, RaMell Ross e Joslyn Barnes trazem frescor ao inserir a perspectiva dos protagonistas no plano da câmera. O romance é contado em terceira pessoa, por um narrador observador, e o que o bem articulado roteiro faz é transformar esse argumento em um texto em primeira pessoa. Começando com a perspectiva de Elwood que conduz o enredo até o reformatório Nickel, e ao conhecer Turner, também passa a ter seu ponto de vista filmado, de modo que naturalmente as histórias dos rapazes vão se fundir e montar o mosaico de perspectivas com um engenharia de POV e campo e contracampo simplesmente brilhante. O rigoroso trabalho da direção de fotografia, e do desenho de som são os principais aliados na estrutura técnica para o bom desempenho do filme. O que é mostrado (e como é mostrado) em cena é sempre relevante, da mesma forma que os momentos em que uma tela escura de possíveis olhos fechados faz o desenho de som ser o guia por entre um suspense cruel e cru. Além disso, a montagem que sabe quando alternar os pontos de vista com inserções de fotografias, de vídeos e de textos que ligam os diferentes tempos do filme e fortalecem ainda mais a robustez do texto. Existe tanto sentimento e tanta verdade que cada segundo parece precioso, parece caro, parece importar mais do que anterior e menos do que o seguinte. Os atores Ethan Herisse e Brandon Wilson estão deslumbrantes em suas entregas e em suas conduções, e a atuação poderosa e convergente de Aunjanue Ellis é um espetáculo à parte. Hattie, a avó de Elwood, serve de contrapeso para as memórias afetivas do personagem em meio às desventuras e a grandiosa atriz sabe fazer bastante sem precisar de barulho, de excessos e de apelos exagerados. É uma produção complexa em sua “simplicidade” já citada. Complexo na forma e na mensagem. É um trabalho primoroso enquanto resultado cinematográfico e enquanto registro, tão realista quanto necessário numa história “quase real”, de beleza, de resistência, de hipocrisia, de insensibilidade e de dor. Nota: 5/5

  • Crítica | Acompanhante Perfeita

    Suspense usa ficção científica como alegoria de abuso e violência Foto: Divulgação Durante um fim de semana em uma casa de campo luxuosa, Iris (Sophie Thatcher) e Josh (Jack Quaid), um casal apaixonado, decidem se afastar do tumulto da cidade para relaxar com alguns amigos. No entanto, o que começa como uma escapada romântica logo se transforma em um thriller quando eventos perturbadores começam a ocorrer. Acompanhante Perfeita é um longa cheio de reviravoltas espertas que ajudam o suspense a chegar com fôlego na reta final. Mesmo o espectador que saiba a motivação principal do filme pode se surpreender com o tanto de pequenas surpresas que o texto prepara para não deixar a história cair no marasmo. Fica, no entanto, o aviso que o texto abaixo trata de alguns spoilers. O tema inteligência artificial e robôs, e as duas coisas juntas, voltou a ganhar a atenção de Hollywood nos últimos 5 anos. É robô brinquedo, robô amante, robô babá, robô em animação... não que seja uma pauta nova, mas o foco parece ter centrado nas relações humanas com a tecnologia com uma curiosidade quase que exploratória como se via até a década de 70. É como se o cinema americano estivesse redescobrindo o tema (ou reciclando como sempre). Foto: Divulgação E como uma alegoria usada brilhantemente em Esposas em Conflito (1975), o primeiro longa-metragem do diretor e roteirista Drew Hancock usa do artificial para tratar de dominação, abuso e violência psicológica. Mesmo funcionando mais como comédia do que como suspense, o principal tema discutido nas entrelinhas da produção é como o homem (literalmente) usa quaisquer artifícios ao seu alcance como ferramenta de exercer poder ou vantagem sobre outra pessoa ou sobre uma situação. E nessa construção de fábula o resultado é positivo, ágil e sagaz. Embora seja um filme curto, ainda tem tempo suficiente para se repetir dentro das próprias reviravoltas, a ponto de parecer que objetivo de alguns efeitos surpresa são para nada além mais do que fazer volume e prolongar os minutos da duração. Ainda assim, o texto usa bem esses malabarismos para intercalar romance, drama, thriller e muita comédia, e não esconde ser uma farofa cheia de clichês, referências e ideias interessantes que não consegue se sair melhor do que planejou por se conter nos limites de seus artifícios narrativos em vez de exagerar e testar. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Aquele Que Habita em Mim

    Premissa interessante não segura fraco desenvolvimento da trama Foto: Divulgação Lançado nesta semana no streaming do Adrenalina Pura, o longa Aquele que Habita em Mim conta a história da adolescente Tara, que está apenas sobrevivendo ao ensino médio – mas seu pai e sua mãe parecem estranhamente distantes. Em meio a uma onda de assassinatos horríveis com machados, Tara tem avistamentos de entidades aterrorizantes, forçando-a a questionar sua própria sanidade e ancestralidade chocante. Ancestralidade essa que vem da linhagem de Lizzie Borden, infame assassina e nome famoso no universo de crimes reais. Os assassinatos de Andrew Borden e sua esposa Abby, em 4 de agosto de 1892, na cidade de Fall River, Massachusetts, atraíram a atenção nacional para Lizzie Andrew Borden (19 de julho de 1860 – 1 de junho de 1927), que foi acusada de cometer os crimes usando um machado. A história, marcada por mistérios e suposições, aconteceu em uma época em que julgamentos dependiam principalmente de autópsias e testemunhos. Até hoje, surgem teorias sobre a motivação e a sequência dos eventos. Lizzie foi inocentada das acusações por falta de provas contundentes, mas a opinião pública e estudiosos continuaram a questioná-la, o que inspirou diversas produções culturais, como livros, músicas, peças de teatro e filmes e Aquele que Habita em Mim é mais uma dessas histórias. Foto: Divulgação Surfando nesse hype de sucesso do true crime, o longa dirigido por Jerren Lauder utiliza-se dessa premissa da história de Lizzie Borden para criar uma trama que mistura elementos sobrenaturais com clichês do gênero slasher. Por mais que pareça interessante no início, o filme não consegue aproveitar a curiosidade acerca de Lizzie e desemboca para um fraco suspense que até pode surpreender os mais desatentos, mas que não se sustenta até o final. Com um elenco até conhecido, Aquele que Habita em Mim tem até boas atuações de forma geral, mas na maioria do tempo, o thriller de terror bobo não funciona, especialmente no final, mas ganha pontos por tratar de relações familiares complexas e pela maneira genuína como seus problemáticos personagens adolescentes falam e se comportam, mesmo a protagonista sendo um poço de antipatia e com diversas atitudes irritantes. Outro ponto positivo é a construção que o filme faz em relação à questão da saúde mental e da insanidade. O filme trabalha bastante a questão das abordagens equivocadas que ele emprega, seja sobre reprimir as emoções com medicamentos ou forças externas, na esperança de que isso previna os sinais reais de uma doença mental de fato (e não uma possessão demoníaca, por exemplo). Mas a parte boa termina aqui e Aquele que Habita em Mim fica monótono se desenrola sem muitos momentos interessantes, conseguindo passar pela história de forma bem mais lenta do que deveria, devido a uma série de subtramas desnecessárias que não acrescentam em nada. Essas subtramas tornam o filme confuso e longo demais e também extremamente desinteressante, resultando em uma trama repleta de conversas sem graça e sem emoção, com pouco tempo para sustos ou boas cenas de perseguições até o seu ato final, que é quando ele se torna minimamente mais cativante, mas tarde demais para significar algo. Nota: 2/5

  • Crítica | Prédio Vazio

    Sem esquecer seu gênero, filme toca comentário social com inventividade e exagero. Divulgação A jovem Luna (Lorena Corrêa) parte em uma jornada em busca de sua mãe, desaparecida no último dia de Carnaval em Guarapari. Suas buscas a levam a um antigo edifício aparentemente vazio, mas habitado por almas atormentadas. Vou começar chovendo no molhado, mas acho que todo longa-metragem de gêneros pouco explorados no cenário nacional merecem seus louros apenas por estarem sendo feitos, sim. E trazer o terror para o cenário brasileiro de cartão-postal praiano é para mim o ponto mais positivo do filme. O idílico litoral em dias de Carnaval é um dos cenários onde pouco se espera que vá se desdobrar um terros sobrenatural carregado de recursos visuais. Lembro que no filme Os Descendentes (2011), de Alexander Payne, o personagem de George Clooney fala algo sobre os amigos do continente que acham que ele mora no paraíso, em férias permanentes, e vive bebendo drinks e balançando os quadris apenas por morar no Havaí. E Prédio Vazio joga um pouco também com essa premissa. Somado a isso tem o comentário social sobre a cidade fantasma pós-festa da carne, como se Guarapari só existisse plenamente dos dias de festa, e no restante do ano virasse um ponto de memória para os turistas e para os próprios habitantes. E é nesse contexto que o filme se apresenta e apresenta o espaço onde toda a trama se desenvolverá, numa relação de amor e raiva sobre o ambiente prédio e sobre a cidade. O texto também aborda a importância do protagonismo feminino, enquanto filme e enquanto metáfora social. Divulgação Rodrigo Aragão não esquece um segundo sequer de que está filmando um terror, e usa de todo seu repertório de referências para criar situações horripilantes das mais criativas possíveis. Sem economizar nas cores, texturas, sangue, e na trilha sonora sempre atenta, o cineasta consegue também inserir o humor irônico sempre que possível. É sem dúvidas um trabalho pulsante, no entanto o excesso de ideias e subtemas que se desdobram em pouco tempo faz o resultado carecer de uma unidade, muitas vezes visual, mas sobretudo narrativa. A mistura de tons também fica perceptível nas atuações conflitantes dos atores que, assim como seus personagens, parecem tentar entender onde tudo aquilo vai desaguar. Destaque, porém, para a interpretação brilhante de Gilda Nomacce que é responsável pela maioria dos melhores momentos do longa. Como falei no início, apenas a garra de dar as caras e ousar entregar um filme com estética forte, mesmo que não perfeita, e seguro de seu gênero, carregando uma ânsia de se realizar maior do que qualquer limitação, já valida a sua existência. Mesmo assim, cortes mais precisos, uma montagem mais fluida e uma sincronicidade mais amarrada na direção de elenco potencializaria ainda mais o que foi feito com feitio natural de grandeza. Nota: 2,5/5

  • Crítica | O Último Episódio

    Memórias que só o cinema revela Foto: Divulgação/Filmes de Plástico O dicionário da Universidade de Cambridge dá a definição para o termo coming of age: “o período em que alguém começa a amadurecer emocionalmente”. Na ficção, não faltam histórias que relatam esse momento da vida e recentemente, no cinema brasileiro, longas como Sem Coração e Kasa Branca trouxeram esse momento para as telas em lugares distintos no nosso país. De uma praia paradisíaca no interior de Alagoas, as ruas da periferia do Rio, embarcamos agora para Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para conhecer Erik, Cassinho e Cristão. Antes de tudo, vamos contextualizar: em 9 de outubro, o filme O Último Episódio chega aos cinemas de todo o Brasil. Dirigido por Maurílio Martins, da Filmes de Plástico, a trama gira em torno de um garoto de 13 anos chamado Erik que quer impressionar a menina por quem nutre uma paixão platônica, a garota nova da escola Sheila. Para se aproximar dela, ele jura que possui uma fita em casa com o episódio final do lendário desenho Caverna do Dragão. Depois de se meter nessa enrascada, ele corre contra o tempo para poder arranjar uma solução para essa pequena mentira com a ajuda de seus melhores amigos e com a câmera velha do pai que ele mal conheceu a tiracolo. É nos permeios de uma trama que à primeira vista parece simples que somos teletransportados para uma década repleta de nostalgia. E meu primeiro elogio para o filme é essa habilidade ímpar de te colocar exatamente em 1991. Parece que eu sentia a alegria dos personagens ao sentar na frente da TV e esperar um episódio inédito da minha série favorita ou sentia a emoção em abrir um vinil novinho, no dia do meu aniversário, da minha banda do coração. Está tudo ali, nos pequenos e nos grandes detalhes, com um carinho e um cuidado raro de quem viveu aquela época. Foto: Divulgação/Filmes de Plástico Muito disso também passa por um elenco muito talentoso e dos veteranos aos mais novos, é um deleite acompanhá-los. Outro ponto de destaque é como a direção de Maurílio Martins não se contenta apenas em evocar a nostalgia: ela a transforma em linguagem cinematográfica. A câmera passeia com liberdade pelos espaços, muitas vezes se aproximando dos rostos como quem quer captar pensamentos não ditos, e ao mesmo tempo resgata um Brasil em transformação no início dos anos 1990. Não é apenas sobre infância, é também sobre contexto: a televisão como janela para o mundo, o consumo cultural moldando sonhos, e a ausência de figuras paternas ou maternas ecoando nas escolhas dos personagens. O Último Episódio é, portanto, muito mais do que uma história sobre uma fita perdida ou sobre o desfecho de um desenho animado cultuado. É um filme sobre afetos, descobertas e cicatrizes que acompanham o processo de crescimento. Maurílio Martins e a Filmes de Plástico reafirmam, com delicadeza e potência, que o cinema brasileiro tem muito a dizer quando olha para as nossas próprias memórias coletivas. Ao final da sessão, fica a sensação de que todos nós já fomos um pouco Erik, tentando, à nossa maneira, inventar finais que nos ajudem a atravessar a vida. Não me julgue por evocar Taylor Swift agora, mas, em uma de suas canções ela diz “Nostalgia é uma ilusão da mente. Se eu estivesse lá, odiaria”. Essa frase ressoou em mim com força depois de assistir a O Último Episódio. Porque, no fim das contas, o filme não nos convida a voltar a um passado idealizado, mas a revisitar as contradições que moldaram nossa infância e adolescência. É um lembrete de que a memória nunca é exata: ela seleciona, inventa, mascara. E é justamente nesse espaço entre o que lembramos e o que gostaríamos de lembrar que o cinema de Maurílio Martins encontra sua beleza. E eu não odiaria nem um pouco voltar pra ela. Nota: 4.5/5

  • Crítica | Tron: Ares

    Continuação não economiza nos apelos visuais e sonoros para compensar roteiro bobo Foto: Reprodução TRON: Ares acompanha Ares (Jared Leto), um programa de inteligência artificial do mundo digital, que é enviado ao mundo real numa perigosa missão, marcando o primeiro encontro da humanidade com seres digitais. A história aborda o que significa ser humano, enquanto Ares questiona a sua própria programação e tenta compreender o mundo real, numa jornada cheia de desafios e descobertas. TRON: Ares chega aos cinemas com a confiança e a experiência de quem sabe o que o público espera: brilho, neon, som alto e nostalgia digital. O filme diverte descompromissadamente, oferecendo uma experiência sensorial que privilegia o impacto visual e sonoro em detrimento da narrativa, nenhuma novidade. É um espetáculo montado para impactar num nível primário de sensações mais do que para ser pensado, e nisso ele se sai muito bem. A trilha sonora da banda Nine Inch Nails é, de longe, o que o longa tem de mais precioso. Trent Reznor e Atticus Ross criam composições vibrantes que mesclam melancolia e futurismo à base de muito sintetizador, dando identidade e ritmo ao universo de TRON. A música não apenas acompanha as cenas, ela as define, elevando o que o roteiro, por vezes, não sustenta. É um trabalho sofisticado que dá alma ao filme e reafirma a dupla como uma das mais inventivas do cinema hollywoodiano contemporâneo. Foto: Reprodução TRON: Ares sabe que sua história é uma bobagem (no melhor sentido da palavra) e não força a barra tentando ser mais complexo do que é, mas é um pouco decepcionante ver que, no momento atual da pauta inteligência artificial, o enredo não tenta enriquecer o debate ou dar mais densidade. O texto, que ainda gira em torno da velha briga entre programas e criadores, e só arranha os outros segmentos. Falta profundidade, falta metáfora, falta aquele subtexto que fazia o original parecer maior do que era. No fim, tudo soa simplificado, como se o filme tivesse medo de perder o público caso ousasse pensar demais. A atuação de Jared Leto é especialmente ruim. Não é porque seu papel é uma forma de inteligência virtual que o personagem tenha que ser tão apático. Sua performance é travada, sem alma, e por vezes até desconfortável de assistir. Num universo digital que clama por emoção e empatia, ele entrega um protagonista frio e sem qualquer carisma. No saldo final, TRON: Ares ganha pelos apelos, mas não cativa na essência. Tem mais sentimento do que Tron - O Legado (2010), é verdade, mas não traz a revolução técnica que separou o segundo do primeiro. É como uma atualização de software que mudou alguns detalhes de interface, mas as funções seguem sem nenhuma melhoria. Nota: 3/5

  • Crítica | A Vizinha Perfeita

    Owens, uma mulher negra que foi assassinada a tiros por sua vizinha branca, Susan Lorincz, em junho de 2023

  • Crítica | Me Ame com Ternura

    Uma melancólica poesia sobre a estoicidade ante a perda Foto: Reprodução/ Imovision Um dos componentes mais atraentes do cinema é a magia que ele tem de contar uma mesma história várias vezes e de poder abordá-la de diversas maneiras, como, por exemplo, a história de uma mãe que briga pela guarda de seu filho. É essa magia que permite não apenas abordar a história de um novo ponto de vista, mas também transformá-la em algo para além do drama que deveria ser, como faz Anna Cazenave Cambet em Me Ame com Ternura. Protagonizado de maneira singular por Vicky Krieps, o filme aborda a temática dessa mãe por meio de uma pesada cortina de homofobia e machismo, enquanto a personagem busca encontrar a si mesma. Após Clémence (Krieps) revelar ao seu ex-marido, Laurent (Antoine Reinartz), que é lésbica, e relatar, em livros, suas vivências amorosas com mulheres, ela passa a enfrentar a fúria silenciosa do pai de seu filho, que, usando calúnias e as mais diversas desculpas, torna a guarda unilateral para si e a impede de ter contato com a criança. Ciente, desde o início, de que aquela era uma guerra que poderia durar anos, ela, mesmo assim, se ampara no falho sistema para ter alguma justiça, e busca, por todos os meios legais, uma resolução para esse problema, para que ela possa novamente ter a guarda, mesmo que compartilhada, de seu filho. Apesar de um começo lento, o filme rapidamente toma forma. Conhecemos a personagem e sua luta inicial, mas logo se torna perceptível que a história vai orbitar em torno dessa luta pela guarda do filho sem deixar que Clémence fique à sombra desse drama. Mergulhada em sua própria melancolia, ela nos arrasta para o seu vendaval de sentimentos particulares. Enquanto o filho permeia seus pensamentos, ela não deixa que sua vida pare, continua buscando seu espaço e tornar-se a escritora que almeja, ao mesmo tempo em que também cultiva a vida amorosa sem deixar que entre em conflito com sua guerra pessoal. Todas essas camadas acontecem simultaneamente e fazem com que se crie um elo com a protagonista. O fator principal para isso é a atuação de Vicky Krieps, que transmite todas as dores e conflitos dentro de uma espiral de emoções. Foto: Reprodução/ Imovision O longa também se constrói através de uma trilha sonora que acompanha a vida da personagem. Entre altos e baixos, o som vai guiando e se modelando entre a introspecção e os momentos de respiro e fuga. Todos os quesitos mais técnicos parecem ter sido pensados para acompanhar os dilemas da protagonista, e é um dos pontos que fazem o filme ganhar a sua força. Ele se torna visualmente bonito enquanto expressa todas as nuances de sua história, não deixando tudo por conta apenas de diálogos para que se capte o que está em cena. Por mais que exista uma notável escolha de direção e roteiro em relação a como contar a sua trama, o filme ganha aspectos mais ferozes quando há um embate mais direto da protagonista com o seu algoz, e mesmo sendo poucos instantes, esses momentos parecem trazer mais vida à trama, pois geram um contraste com a forma mais discreta de Clémence. Ao passar pelas duas horas, se torna notório que tudo foi montado desde o início com bastante coesão para que o final se tornasse mais amplificado, sem perder sua linha de raciocínio nem divergir do que foi proposto. Não é uma história sobre uma mãe em busca de seu filho, mas sobre uma mulher regendo a própria vida enquanto orbita em torno desse drama. E, apesar de alguns momentos de duração excessiva, todos os componentes do filme se tornam necessários para contar essa trajetória de Clémence. Ao fim, por meio de suas palavras e pensamentos, podemos sentir junto com a personagem o alívio de sua decisão. Nota: 4/5

  • Crítica | Hora do Recreio

    Um filme sobrecarregado por suas boas intenções e pelo excesso de ideias. Imagem: Divulgação Em tempos aterradores onde se vê todos os dias pelo menos uma notícia sobre violência de gênero e feminicídio, é reconfortante, em alguma medida, ver os jovens apresentados em Hora do Recreio articularem tão conscientemente suas posições a respeito de tantos temas vitais para a sociedade – gênero, raça, sexualidade, etc. Aqui, a câmera de Lúcia Murat dá espaço para que essas meninas e meninos, estudantes da rede pública do Rio de Janeiro, possam expressar suas inquietações em um mundo que cada vez menos dá espaço para tal, especialmente para aqueles que, como eles, vêm de realidades periféricas. Para tal, Murat adota uma proposta docuficcional, que alterna sequências onde estes jovens discutem entre si estes mais diversos recortes com instantes de encenação, sobretudo na última parte, onde há uma apresentação teatral de Clara dos Anjos, de Lima Barreto, por parte do grupo de alunos que vemos debater. As adversidades encontradas no decorrer da gravação do filme – como a não-permissão por parte da Secretaria da Educação do estado para gravarem numa escola ou uma operação policial – são incorporadas à narrativa também como forma de enfatizar a escolha pelos instantes encenados. Normalmente sou um grande fã de obras docuficcionais, sobretudo após acompanhar o trabalho de Eduardo Coutinho, que se tornou meu diretor brasileiro favorito. No cinema de Coutinho, sempre me impressionou sua capacidade de ouvir e dar ao Outro espaço para ser ele mesmo, de maneira natural (e não necessariamente real), com todas as suas contradições inerentes. O problema de Hora do Recreio é que, mesmo antes de ser revelado o seu dispositivo ficcional, há algo de não-orgânico na maneira como estes personagens se expressam e se articulam. Não é que eles não falem de questões contundentes ou defendam suas visões de mundo sem medo perante a câmera, justificando assim a relevância do filme em si; contudo, tudo parece engessado e protocolar demais, como se atendesse a uma cartilha sociopolítica específica, a qual está interessada em saber os posicionamentos destes personagens enquanto pouco se interessa pelo íntimo deles. Mesmo quando abordam experiências pessoais (como as violências que as mães sofreram nas mãos de parceiros), parecem dizer palavras previamente roteirizadas, ao invés de relatarem questões que vêm do amago do seu ser. São realidades que certamente ecoam em milhões de jovens pretos e pretas pelo país, mas é gritante a falta de espaço no filme para se ver a subjetividade a estes indivíduos, como se eles fossem menos sujeitos e mais ideias ou arquétipos ligados aos temas aqui trabalhados. À medida que o filme avança, fica claro seu excesso de ideias e de diferentes execuções, as quais pecam por uma falta de coesão interna entre elas. O longa oscila entre tons, saindo das entrevistas com os alunos para os momentos de encenação, abordando uma miríade de temas que, em decorrência da sua curta duração, nunca são explorados a fundo, muitas vezes aparecendo como se cumprissem uma mera diretriz (“aqui falamos sobre transfobia”, “agora vamos falar sobre a solidão da mulher preta”, etc.) ao invés de emergirem organicamente na obra. Imagem: Divulgação O dispositivo ficcional nunca é explorado suficientemente a fundo, exceto pelo momento da revelação de sua existência ou das sequências encenadas, sobretudo na adaptação de Clara dos Anjos. Não à toa, os momentos no teatro, intercalados com as falas do grupo de alunos postos em destaque nessa última parte, são o destaque do filme, por sintetizarem com mais eficácia aquilo que foi meramente pincelado nas partes anteriores. Estabelecer a conexão entre o livro, publicado mais de um século atrás, com as questões que atravessam esses jovens na contemporaneidade é um acerto por parte de Murat que me faz desejar justamente que o filme fosse mais centrado nessa parte em específico. No fim, tem-se uma obra que certamente se justifica pela “relevância” dos seus temas, mas peca na execução que, indecisa sobre que tom e abordagem escolher, parece atirar para muitos lados e carece de um foco tanto narrativo e temático quanto metodológico-formal. Na sua ânsia de dar conta de tantos assuntos relevantes, Hora do Recreio acaba se mostrando um filme inchado demais pra seus modestos 83 minutos, e que, portanto, carece de ímpeto pra ir além da superficialidade e de uma certa cartilha sociopolítica que, mesmo que ainda relevante, já foi retratada em filmes melhores – sobretudo aqueles que encontraram nas subjetividades dos seus personagens o seu maior tesouro. Nota: 2.5/5

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